Angela Natel On domingo, 11 de março de 2018 At 06:35

Estou lendo Brian Zahnd, que em 1981 fundou a Word of Life Church, na cidade de St. Joseph, no Missouri, EUA, e está lá até hoje. Gostei das suas provocações compartilhadas em Pecadores nas mãos de um Deus amoroso, e agora transcrevo outras extraídas de A beleza salvará o mundo, frase de Dostoievsky, que Zahnd usa como título para o seu livro a respeito dos flertes da igreja de Cristo com a cultura Ocidental. A edição que tenho é da Letras D’Ouro, em português de Portugal. Aí estão algumas citações, palavras literais de Zahnd.
“Uma fé politizada perde muito depressa a sua beleza. Sei-o, porque já fui um entusiasta participante do processo de politização baseada na fé. Estava disposto a subtilmente (e por vezes nem tanto) a fazer alinhar a minha igreja com as agendas políticas partidárias. Os senadores e congressistas vinham visitar a minha igreja para dar o seu testemunho (sempre em tempo de eleições). Entregávamos os ‘guias do volante’ para que os que não prestavam muita atenção soubessem como votar. Encontrava formas de fazer com que os elefantes e os burros (símbolos dos partidos Democrata e Republicano nos Estados Unidos) do processo político americano de algum modo se tornassem análogos às ovelhas e bodes das parábolas de Jesus. Mas para mim isso acabou abruptamente e de uma forma bastante dramática”.
“Jesus está a edificar a sua Igreja, não um partido político. E estou absolutamente seguro de que o partidarismo político custa-nos a nossa voz profética. Acabamos por ser instrumento de um lado, um inimigo do outro e a não ser proféticos para nenhum”.
“Receio que tenhamos cometido um grave erro em relação à nossa missão. Não estamos tão encarregados de dirigir o mundo como em ser uma fiel expressão do reino de Deus (...) O erro de confundirmos a nossa missão em sermos fiéis, como uma sociedade alternativa de Deus, com a tentativa de dirigir o mundo, através dos rudes meios do poder político, não é algo novo – é um erro que a Igreja tem vindo a cometer há dezesseis séculos”.
“O problema é que com a nossa retórica 'mudar o mundo' é que, com demasiada frequência não passa de uma máscara mal disfarçada da ânsia de poder e domínio – coisas que são a antítese da vida a que Jesus convida os seus discípulos. Uma fé politizada alimenta-se de uma narrativa de mágoas declaradas e direitos perdidos que nos leva a culpar, caluniar, e procurar retaliar de algum modo aqueles que julgamos responsáveis pelas perdas. É o que Friedrich Nietzsche, crítico do Cristianismo, identificou como ‘ressentimento’, e seduz muitos cristãos em busca de poder político. É inevitável que um movimento alimentado pelo ressentimento não tardará a afastar-se dos caminhos de Jesus (...) Jesus disse-nos com toda ênfase que não devemos imitar as maneiras feias de César, procurando o poder e o dom]inio político. Em vez disso, devemos escolher a forma contra-intuitiva da humildade, do serviço e do amor sacrificial”.
“O pragmatismo crê que a única forma de mudar o mundo é desancar os maus – com votos ou com balas. Mas a filosofia do ‘desancar os maus’, no mundo da escalada da vingança, sem mesmo levantar a espinhosa questão de saber quem são os maus apresenta uma terrível falta de imaginação. O pragmatismo exige pouca imaginação; só necessita da ânsia do poder”.
“Este é o meu verdadeiro problema com a trajectória da igreja evangélica americana no início do século vinte e um. Se, em vez de imitarmos Cristo, com sua cruz, queremos imitar César, com sua espada, escolhemos inevitavelmente o feio ao bonito. Esta abordagem afasta a Igreja da possibilidade de viver como testemunha do evangelho. Ser testemunha fiel do evangelho deveria ser uma imagem de marca do Cristianismo evangélico. Mas algo aconteceu de muito errado”.
“É tempo de recuperar a forma e a beleza do Cristianismo. O nosso ícone permanente da beleza e o padrão pelo qual avaliamos a beleza das nossas ações é o cruciforme. A cruz é um mistério formoso – um mistério onde uma beleza inesperada está no processo de resgatar o mundo de sua fealdade. A beleza salvará o mundo. Esta é a surpreendente beleza da cruz quando vista através do prisma da ressurreição. A cruz feita bela é o triunfo final de Deus e da sua graça. Se a crucificação de Cristo puder ser tornada bela, então há esperança de que toda a fealdade da condição humana possa ser redimida pela sua beleza”.

Ed René Kivitz
Fonte: https://www.facebook.com/edrenekivitz/?hc_ref=ARQf2hwWCsWJSfgPU0LX02WuOU3vy5-2sLK4FYLgJLOTQNIGzerFtlX4AOC1S-CzvAA&fref=nf

0 comentários:

Liberdade de Expressão


É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se:
“é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença"(inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da"argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.