Angela Natel On quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018 At 05:42

8 DE FEVEREIRO DE 2018     
Há um desafio para a Igreja moderna que, se compreendido devidamente será um divisor de águas para o futuro do cristianismo no Brasil e no mundo: a diferença entre frequentar uma igreja e ser a igreja. Vivemos dias nos quais muitos frequentam igrejas; mas estariam na videira? Adorar a Cristo significa imitá-lo; a expressão “cristão” significa: “pequeno cristo”. Sabemos quem Jesus é, nossa teologia já está ciente também de sua missão. Entendemos que por estar completamente engajado na missão de Deus ou Missio Dei, Jesus é missionário. Por consequência, ou o cristão é missionário ou não é cristão. Podemos também afirmar como Francis Schaeffer: “ou Jesus Cristo é Senhor de tudo ou não é Senhor de coisa alguma”.
O leitor atento talvez já tenha concluído que parte da razão de termos tantos que se dizem cristãos no Brasil e a sociedade continuar do mesmo jeito pode residir no fato de que poucos sejam realmente imitadores de Cristo em espírito e em verdade. Como ficaria a questão do senhorio de Cristo? Se Jesus era missionário, como vivia? Quem o mantinha financeiramente em sua jornada na Missio Dei, o anúncio do Reino de Deus e a reconciliação de todas as coisas com Ele?

Sabemos a partir do texto de Lucas 8, que Jesus tinha pessoas que colaboraram com seus bens para a manutenção do seu trabalho. Este exemplo é também constatado na vida de Paulo, apesar deste deter um ofício como fazedor de tendas, do qual se servia sempre que a igreja não correspondia, mas também para não ser pesado à mesma. O cuidado missionário era uma expressão de amor da vida normal e saudável da igreja; o princípio que o rege não é financeiro mas sim amoroso!

A marca do cristão é o amor e não o pragmatismo orçamentário administrativo perfeito e marxista. Por que marxista? Porque a maioria das igrejas ainda opera a partir da ideologia dos “recursos limitados”, enquanto no Reino de Deus o que opera é a generosidade proporcional e amorosa bem como desafios de fé e ajuda concreta que invariavelmente ocasiona o crescimento da Igreja à semelhança de Cristo. Uma igreja que não compreendeu que a missão de Deus é sua vida, está enferma e causará muito sofrimento a pastores e missionários. 



Muitas igrejas e suas lideranças exigem que missionários vivam pela fé, todavia não tem fé o suficiente para firmarem um compromisso financeiro com eles crendo que Deus os honrará e que trabalharão juntos pelo mesmo Reino. Muitos missionários abusam de lamentos e daquilo que recebem das igrejas e mantenedores, tornando difícil tais compromissos, é verdade. O problema é que fazemos disso armas contra eles e não tratamos do problema biblicamente.
É certo que Paulo expressa o desejo de não ser pesado e por isso faz tendas e colabora assim com seu próprio sustento. O problema é que muitas denominações religiosas usam disso como desculpa para negar o pão, sustento, uma vida digna e cuidados com o missionário e ainda o abandonam no campo. Estas ignoram que ao fazermos isso com qualquer ser humano, estamos fazendo também com o filho de Deus. Tratariam a Jesus dessa forma? Tratariam e ainda tratam.

Se eu como pastor posso sonhar, ter aspirações, comer, ter meus filhos em uma boa escola, ter férias, plano de saúde, e outros benefícios desejados por qualquer pessoa normal, e o missionário – por ser missionário – não pode nenhuma dessas coisas, não está em mim o Reino de Deus e minha teologia precisa urgentemente ser revisitada!

Cheguei a esta conclusão de uma forma muito difícil quando ocupei cargos de liderança internacional no meio cristão e me deparei com um “modus operandi” e ethos monolítico e egocêntrico de outros líderes e igrejas em vários países. Para um egoísta os outros são desinteressantes; para o egocêntrico eles simplesmente não existem. Não seja assim entre nós!
Cuidar do missionário de forma que este tenha uma vida digna no país ou região onde se encontra é ser um com a Trindade que vive em um relacionamento de amor. Se as igrejas se propõem a ser agências missionárias que isto seja feito na compreensão do Evangelho e não das ideologias em voga ao redor do planeta. Como anunciarão o senhorio de Cristo sem amor, com fome, abandonados, esquecidos, deprimidos e à beira do suicídio – como  foi o caso de muitos missionários que vieram até a mim para aconselhamento, completamente desesperados?

Missionários somos todos nós, se é que somos cristãos. Tenho por corajosos os que se dedicam de forma integral à pregação do Evangelho como forma de trabalho, bem como os que trabalhando em outras áreas da sociedade também cumprem a missão de Deus. Limitar o chamado de Deus apenas a atividades religiosas é um crime contra a humanidade. Não colaborar com a vida digna de qualquer ser humano é um crime contra a palavra de Deus.

Quem é de fato o Senhor de nossas vidas e igrejas?

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AUTOR: EBENÉZER PAZ
Prega o Evangelho há 30 anos, desde o sertão de Pernambuco, comunidades carentes urbanas, prisões, tribos urbanas alternativas, profissionais do sexo, até sua participação nos trabalhos de humanitários de Mercy Ships, JOCUM, UNHCR, Dråpen i Havet, e atuou como pastor no Brasil, Estados Unidos, Suécia, focado no ministério de aconselhamento de jovens, famílias e missionários feridos. Vive atualmente na Suécia onde estudou Ciências da Desabilidade com foco no espectro autista, Direito (Direito das pessoas com necessidades especiais), Aconselhamento familiar e psicologia. Ele é membro do Family-Lab Internacional, um network de terapeutas familiares e profissionais de saúde.


Acessado em 08/02/2018 às 11:16h

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