Angela Natel On quarta-feira, 1 de novembro de 2017 At 04:58
Angela Natel On terça-feira, 31 de outubro de 2017 At 06:34



Lutero foi um sujeito controverso, dizem que era glutão e marrento, amigo dos príncipes. Dizem até que a treta dele ter pregado 95 teses na porta da catedral de Wittenberg fora tudo jogada de marketing, que nem acontecera de fato.
Mas Lutero, ainda muito religioso, promoveu a Reforma Protestante. Sim, porque só um religioso acredita na Reforma da fé. Fé não se reforma. Reforma-se templo, púlpito, banco de igreja, terno de pastor... oops, dependo do pastor, há os que sequer repetem ternos...rsrs Mas, fé, fé mesmo, não se reforma.
Imagina Jesus, um reformador! Ele só reformaria se acreditasse naquela bagaça farisaica. Não, ele não acreditava. Lutero acreditava que a "igreja-mãe" ainda tinha jeito (morreu acreditando nisso). Mas ela tanto não tinha jeito que até hoje, para ela, ele ainda é o "diabo" (Não para o papa Francisco, provavelmente o menos católico dos papas dos últimos desessete séculos e um dis poucos protestantes que restaram). Aí, então, como se não bastasse, a igreja que o acolhera como reformador se deformou. Ora, se até as "melhores" se deformaram, porque as piores não se deformariam?
Por que? Ora, porque sim, uai! É da natureza desse tipo de instituição se deformar. Imagina um monte de seres decaídos que se juntam e se organizam burocraticamente em nome de Deus para falarem em nome de Deus, julgarem em nome de Deus, legislarem em nome de Deus? Onde você já viu um CNPJ desses não se deformar?
Por isso a tônica dele, Jesus, foi: pega tudo e joga fora! Pedro ainda reluta: façamos três tendas (tabernáculos, templos), uma pra ti, outra pra Moisés, outra pra Elias... Sabe o que aconteceu? São Elias e São Moisés viraram fumaça! Não tinha nada neles a reformar... Eram tudo sombras...
A Reforma só foi possível em um mundo em que ainda se acreditava na religião-instituição. Depois da queda de Roma, a igreja tornou-se o amparo existencial do Ocidente, o refúgio dos amedrontados com o fim de uma era. O resto, todo mundo sabe no que deu: fogueira, caça às bruxas, demonização da ciência, restrição das liberdades...
O caminho natural da religião-instituição é esse... A história está aí para não me deixar mentir. Mahatma Gandhi, o maior cristão não-cristão do século XX, também. E se você tem dúvida de que o maior cristão do século XX foi um hindu, é porque você ainda é um cristão reformado, apenas... Bonhoeffer, transformado e trans-reformado, soube disso como ninguém.
Mas como a religião-instiuição cultua a história e a tradição - como Pedro no monte da transfiguração - ela canonizou São Lutero à revelia da outra religião instituição que o excomungara. Lutero virou um santo numa e demônio noutra! Só alguns blasfemos ousam chamá-lo de glutão e amigo dos príncipes. Só um Thomas Müntzer para se insurgir contra seus escritos e posturas. Mas Thomas Müntzer ficou no limbo, entre reformadores e contra-reformadores.
Lutero morreu. O "sola scriptura", da forma em que foi entendido, também. A letra mata. Sempre matou. Sola scriptura não foi suficiente para manter sua chama acesa. Nunca foi. Os fariseus também faziam o que faziam cimentados na sua "sola scriptura". Paulo sequer tinha qualquer escritura nas mãos a não ser a que ele chamara de "sombras". Por isso teve um "quabra-pau" com o papável Pedro da vaticânica Jerusalém. Paulo não ficou na "sola"... fosse de Pedro, fosse de quem fosse... Ele escrevera: "aos quais Deus quis revelar a glória deste mistério entre os gentios que é Cristo em vós, esperança da glória!"
Não é mais a "scriptura" quem valida o "Filius Dei", mas o contrário. "Abriu-lhes o entendimento para que pudessem compreender as escrituras" para compreendê-lo! Ah, o coração deu aquela ardidinha religiosa e familiar. Mas nada... Ficaram só na "sola scriptura"... Ainda soa blasfemo dizer que ele é maior que a scriptura! Que ela são as escrituras, e ele, o verbo, a palavra. Isso ainda soa como verborréia de quem quer complicar o que a religião já consolidou. “No princípio era o verbo, e o verbo estava com Deus e o verbo era Deus”. Antes que houvesse scriptura, ele é. A scriptura são apenas um script. Um manuscript. Como tal, nunca comportou e jamais comportaria a força do verbo!
O verbo continua sendo conjugado. Para além dos escritos. "A ele, ouvi" é um imperativo. O verbo é conjugado onde menos se espera. Nos lugares e nas pessoas mais improváveis. "Deus escreve certo por linhas tortas" não é nenhuma expressão parkinsoniana do eterno, não. Scriptura sem vida não move moinhos. É preciso vento! E o vento, ninguém sabe de onde vem nem pra onde vai. Diferentemente do que pensou alguém qualquer dia desses, vento não se estoca. Ele é constante, um gerúndio... Não cabe em forma, nem em nenhuma Reforma.
Portanto, deixemos que os mortos sepultem seus mortos. Os ventos continuam soprando. Os mesmos velhos ventos novos de sempre. Mas estamos tão na "sola" que nem perbemos no alto a presença do eterno pervadindo na nossa realidade tão acachapante e como que desapercebidos, somos ainda néscios e tardos para crer em tudo o que já lemos e cansamos de ler do que ele ensinou. E o que ele nos ensinou da sua forma não se reforma, visto que não se deforma, visto que transforma.
Dilson Cunha
31.10.15

fonte: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=810229315752565&set=a.367522930023208.1073741825.100002965120447&type=3&theater
Angela Natel On At 06:06
Angela Natel On quarta-feira, 25 de outubro de 2017 At 11:34
Angela Natel On sábado, 9 de setembro de 2017 At 04:36



“Eu só creria num Deus que soubesse dançar...”
Friedrich Nietzsche

“...e dizem: Eis aí está um glutão, bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores...”
Jesus de Nazaré

“...veio o Filho do Homem...que comia e bebia...e vós não cantastes...”
Jesus de Nazaré

De fato em Jesus Deus dança com os homens.

Ninguém que leia o Evangelho deixará de ver Jesus em constante danças...

Começa Seu ministério interrompendo a falência de uma festa...transforma água em vinho...

Ele é recriminado porque atende a convites para festas em casas de pessoas pouco recomendáveis.

Sua misericórdia para com o drama humano é musica da Graça aos ouvidos oprimidos.

E quando Ele deseja expressar a alegria de Deus e de anjos pela chegada da consciência a algum coração, Ele prepara o cenário de uma festa.

O pai do pródigo dançava e gostava de música.

Nietzsche não viu nada.

Aliás, viu tanto “cristianismo” que não viu Deus dançando em Cristo.

Ele mesmo não percebeu o quão pré-condicionado estava.

Não conseguiu enxergar que tudo era um convite para a festa na casa do Pai.

As parábolas de Jesus estão cheias de convites para que se venha dançar.

Quando ninguém atende ao convite, ainda assim Ele não cancela a festa: enche a casa de mendigos, veste-os com trajes próprios, e ordena a liberdade.

Até João Batista, que não dançava do lado de fora, sabia que o que estava acontecendo era uma festa. Jesus era o noivo. A festa era Dele. João se alegrava.

De fato, se eu tivesse que dizer alguma coisa ao filósofo, lhe diria:

Eu é que não acredito em filósofos que não sabem dançar...e nem ver quando a festa está proposta.

O que custava ao filósofo era crer que Deus não tinha nada a ver com o mal humor do Cristianismo. Acabou que o pensador foi incapaz de ouvir as músicas e entrar na festa.

Quem tem ouvidos para ouvir as músicas da Graça, que entre na festa.

Deus está chamando você pra dançar.

É por isso é que o convite tem o nome de Boas Novas.

Caio Fábio D'araújo

14/04/04
17 dias após a morte do meu filho Lukas.

Todos os direitos reservados www.caiofabio.net


Fonte: https://www.facebook.com/caiofabio.vvtv/photos/a.668791726505587.1073741827.405107339540695/1655007094550707/?type=3&theater

Angela Natel On domingo, 3 de setembro de 2017 At 07:37
Toca da Leoa: X-men: missionário/voluntário: Apesar de estar envolvida no trabalho missionário/voluntário há mais de 20 anos, ainda encontro-me aprendendo a respeito de nossos l...
Angela Natel On sexta-feira, 11 de agosto de 2017 At 12:51
Angela Natel On quarta-feira, 9 de agosto de 2017 At 12:59
Angela Natel On terça-feira, 8 de agosto de 2017 At 07:09
Angela Natel On quinta-feira, 3 de agosto de 2017 At 11:35


Era noite do mês de Nissan na província romana da Judéia, tudo estava calmo. Fawkes reuniu os amigos para alinhar os últimos detalhes do golpe final em que planejavam destituir de uma só vez, a coroa e o sistema religioso. Como bons conspiradores que eram, todos tinham a consciência dos riscos de uma manobra como essa. Um grupo relativamente pequeno, doze pessoas, para um levante inédito na história. Fawkes, porém, tinha a certeza de que o plano daria certo, fora cuidadosamente pensado e desenhado nos mínimos detalhes durante um ano inteiro. A ambição de acabar com o sistema que oprimia os seus compatriotas por séculos não cegou os olhos de Fawkes. Para os outros onze, o plano em si parecia arriscado demais.
Fawkes era um homem inteligente, doce e sisudo. Apelidou a ação como “Plano de Salvação”, afim de confundir as autoridades políticas e levá-los a pensar que se tratava de apenas mais um grupo de dissidentes religiosos do judaísmo. Basicamente, tudo funcionaria como um rasgar do véu que cobria a verdade por trás das estruturas de dominação que emanava do templo judaico e sua péssima atuação conjunta com o domínio romano. Fawkes planejava trazer à tona uma Verdade Libertadora sobre a realidade, insuficiência, ineficácia e fragilidade dos governos instituídos. Outro grupo já havia se arriscado em um plano semelhante, e fracassou por excesso de fundamentalismo. Eram conhecidos como ‘Os Zês’. Lutavam por uma causa perdida. Ou perdidos em sua própria causa.
Todos comiam, bebiam e cantavam enquanto aguardavam a chegada de Fawkes. Petra tomou Jan para um dos cantos da sala e sorrateiramente cochichou:
- Estou pensando em como tudo vai ficar depois... Estou animado, mas confesso que não sei como será amanhã.
Jan deu de ombros, tomou um gole prolongado de vinho e respondeu:
- Precisamos esperar para ver. Essa pode ser nossa última chance.
Enquanto os dois revezavam os olhares entre os que estavam na sala, a porta se abriu e todos olharam ao mesmo tempo e silenciaram. Fawkes chegou, um pouco agitado, parecia nervoso e ansioso. Sentou-se na ponta da mesa, pediu que todos se sentassem e começou um discurso. Ele falava baixo, mas sua voz era embalada pela tensão da véspera do maior acontecimento de sua vida.
“Irmãos e amigos, amanhã será um grande dia. O dia em que finalmente a Verdade libertará nosso povo. O dia em que finalmente cumprirei o propósito para o qual fui enviado a este mundo. Quero que saibam que aconteça o que acontecer, eu nunca estarei longe. Essa refeição que faremos agora serve para celebrar a nossa amizade, nossa prisão, nossos dias de martírio e nossa liberdade. O templo será destruído. Roma ruirá. Os poderes serão todos destruídos e entre vocês não terá domínio de um sobre o outro. Esta é a Verdade. Todos que ouvirem essas palavras poderão celebrar a saída definitiva da escravidão.”
Todos se olharam confusos e amedrontados com estas primeiras palavras. Alguns não entenderam mas ainda assim foram tomados de temor. Outros entenderam, mas não conseguiram compreender a dimensão do que estava para acontecer. Havia apesar disso um sentimento unânime entre eles: aquela era a Verdade.
Após a festa, todos seguiram para um local secreto no alto de um dos montes que ficavam a cerca de um quilômetro do centro da cidade. Fawkes sentou em uma das pedras, afastado de todos. Já sabia o que estava para enfrentar e já sabia que não seria fácil. Ele morreria pela causa natal. E ao mesmo tempo sabia que não poderia ser morto. Fawkes já não era mais só. Ele era muitos. Era anônimo, porque todos eram ele.
Já sabendo de tudo, do processo e do final, Fawkes olhou para cima e abriu os braços. Sentiu o silêncio profundo do vale que deitava-se aos pés do monte e marcou o interlúdio com uma sincera lembrança de sua mãe orando antes de dormir:
“A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador; porque atentou na baixeza de sua serva; pois eis que desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque me fez grandes coisas o Poderoso; e santo é seu nome. E a sua misericórdia é de geração em geração sobre os que o temem. Com o seu braço agiu valorosamente; dissipou os soberbos no pensamento de seus corações. Depôs dos tronos os poderosos, e elevou os humildes. Encheu de bens os famintos, e despediu vazios os ricos.”
Ele nunca esqueceu essas palavras. Antes, as ouvia todo dia. E, sempre que se lembrava delas, sabia que estava fazendo a coisa certa. Cresceu em lar libertário. Cresceu e viveu em revolução anárquica. Andou desejoso por igualdade e justiça contra toda dominação e exploração.
A proposta do Reino de Deus, não deixa pedra sobre pedra. Não permite que estruturas de arkhos se sustentem. Na conclusão de um processo histórico, todas as estruturas de poder serão demolidas. A mensagem do evangelho faz com que os governos se tornem obsoletos. Quando todas as coisas se sujeitarem a Cristo, inclusive as civilizações, comunidades, nações, pequenos grupos ou até mesmo indivíduos, então, Ele mesmo “se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos” (1 Coríntios 15:28).
A fé apostólica era uma fé libertária e subversiva por excelência. Eles sabiam que toda autoridade exercida deveria passar pelo filtro da consciência e da manutenção da relação igual sob o senhorio de Cristo. O mesmo Paulo que nos advertiu a que nos submetêssemos às autoridades afirmou que agora mesmo os poderosos deste mundo “estão sendo reduzidos a nada” (1 Coríntios 2:6). Jesus é aquele com o cetro de ferro pronto para quebrar toda estrutura de poder. O anúncio da boa nova do reino é seguido pela denúncia das estruturas hierárquicas que visam manter os homens num cativeiro. E para nós não se trata de uma intervenção sangrenta mas de uma insurreição pacífica, motivada exclusivamente por amor. Para nós o reino não é apenas um ‘A’ de anarquia. Antes de tudo é um ‘V’ de Verdade.

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Angela Natel On terça-feira, 1 de agosto de 2017 At 05:21
Hermes C. Fernandes: O lugar do excluído na Agenda de Deus: Por Hermes C. Fernandes Ninguém imaginava que aquele era o seu discurso de despedida. Quarenta dias após ter ressuscitado, Jesus...
Angela Natel On domingo, 30 de julho de 2017 At 07:03
Toca da Leoa: Palavras de Avivamento: Ore contra a corrupção Pela intervenção divina, Mas não seja corrupto Nem injusto no seu dia a dia. Lute contra a injustiça Mas...
Angela Natel On sexta-feira, 28 de julho de 2017 At 16:01
Hermes C. Fernandes: Um Deus de transições e não de rupturas abruptas: Hermes C. Fernandes A maioria dos cristãos crê que haverá um tempo de justiça e paz no mundo. Uns creem que isso se dará paulatinam...
Angela Natel On sábado, 22 de julho de 2017 At 04:46
Angela Natel On terça-feira, 27 de junho de 2017 At 12:47
Angela Natel On terça-feira, 20 de junho de 2017 At 03:40

Missionário não serve para fazer em seu lugar
tudo o que há na missão para fazer
muito menos
o que você não quer realizar.

Missionário não serve
para ser lembrado somente em eventos
relacionados à missão.
Missionário é gente
ainda que às vezes pareça que não.

Missionário não serve para tapar buraco
quando alguém não comparece.
Também não serve para dizer que na igreja
a missão acontece.

Missionário não serve de 'garoto propaganda'
de igreja, evento, instituição.
Missionário não serve de objeto
de decoração.

Missionário não serve de voz de Deus
em qualquer situação,
ele também erra, também precisa
de repreensão.

Missionário não serve prá ser ignorado
quando emite opinião
- ninguém, neste caso, serve,
é preciso respeito, consideração.

Missionário não serve
prá determinar a teologia
do outro, de quem quer que seja.
Missionário não serve prá ser guia.

Missionário não serve para ostentar título,
controlar vidas, nem usar o nome de Deus
a fim de influenciar outros a realizar sua vontade.
Missionário não serve para exigir
nem para ser exigido.

Missionário não serve para mendigar sustento
nem tentar convencer outros
a respeito da missão de Deus.
Missionário não serve de Espírito Santo
na vida de ninguém.

Missionário não serve para trabalhar
24h/dia, nem 7 dias/semana.
Missionário não serve sem descanso,
sem lazer, sem diversão.

Missionário não serve sozinho,
sem amigos, companheiros de trabalho,
sem família, sem irmãos.

Missionário não serve para ser esquecido
ou somente lembrado quando convém.
Missionário, porque está longe,
não serve para ser ignorado.

Missionário não serve sem saúde,
sem cuidados, alimentação.
Às vezes não serve sem um exercício,
nem sem medicação.

Missionário não serve para só receber sustento
se for constante e fiel num relatório,
se fizer-se lembrado.
Missionário não serve, afinal, para ser controlado.

Missionário não serve sem consciência própria,
sem relacionamento com Deus.
Missionário não serve sem disposição para o sofrimento,
sem abrir mão da companhia dos seus.

Missionário não serve se não puder ter opinião
se não puder ser fiel à sua consciência
diante de Deus e do que acredita.
Missionário não serve somente para prestigiar seus eventos
nem falar somente em ambientes relativos à missão.

Missionário não serve somente como lhe agrada
nem somente de forma a agradar outros.
Missionário, por vezes, não serve por conta
mesmo assim agrada a poucos.

Missionário, enfim, não serve pisando em ovos
preocupado com o que outros vão pensar, dizer.
Missionário não serve à ansiedade alheia
Vive pela fé, não pelo que vê.

Missionário não serve em missão própria,
pessoal, não serve em lugar do outro.
Missionário serve a Deus,
não a você.

Angela Natel - 20/06/2017
Angela Natel On domingo, 4 de junho de 2017 At 06:10
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Angela Natel On terça-feira, 30 de maio de 2017 At 12:58
Hermes C. Fernandes: Não queira ser o que não é: Por Hermes C. Fernandes Em meio a declarações românticas recíprocas entre um rei e uma camponesa, surge a inusitada digressão aba...
Angela Natel On At 07:51
Angela Natel On sexta-feira, 26 de maio de 2017 At 08:56
Angela Natel On At 07:51

O problema é que isto é uma outra tristeza: Ter que doer na gente pra sentir.
Vantagem é perceber com dores já vividas, o que já foi experienciado, outro caminho a tomar, para não repetir, aquilo que gera dores e muitas tristezas. Mas o ser humano, ah, nós, seres humanos... a gente tem dificuldade.
O despertar de nossa consciência se dá num processo lento e é preciso exercitar, todos os dias, para que ela não se atrofie.
Olhando em volta, nos nossos dias, os maiores males causados pelos humanos à sua própria espécie, são emulados por muitos sentimentos comuns à qualquer um de nós, mas atormentadores em muitos de nós que se deixam levar por eles e não praticam o exercício da consciência, sem o qual eles facilmente nos vencem: ambições, poder, egoísmo, ódio, vaidade, inveja, racismo...
É preciso lutar contra essas coisas naturais de nós, em nós, o tempo todo. É isso que significa, segundo Paulo, o apóstolo, "matar a carne". Não se faz isso com a "carne do próximo" - como muitos querem. É o exercício interior, pessoal, cada um na sua - cada um enfrentando seus próprios demônios, matando o egoísmo em você, o preconceito... e com isso, gerando "metanóia", nova consciência...
Os maiores males dos nossos dias são causados por muitos sentimentos comuns à qualquer um de nós, mas a desculpa, na maioria das vezes, sempre tem sido a mesma. Desde os primórdios: a gente culpa a divindade ou diz que é em nome dela que agimos, cumprindo a sua vontade...
A história relata. Deveríamos aprender com ela.
Um dos primeiros relatos sobre isso é de Adão: Fez uma burrada se enveredando pelo caminho da ambição e atribuiu a culpa à sua mulher, Eva e a Deus, com estas palavras: "A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi." (Gn 3:12). A "mulher" que "me deste". Em outras palavras: Olha só, Deus, a culpa é de vocês! Ela me incentivou. E o Senhor que me deu essa mulher aí, ó!
Nos nossos dias, basta ler os jornais, perceberemos a mesma desculpa para muita coisa feia. Quando o cara se explode num estádio cheio de crianças em Manchester, outro cara assume a autoria dizendo que estão cumprindo a vontade de Deus. Quando o cara recruta crianças no Sudão do Sul e sob tortura, as obriga a lutar em sua milícia, chamada de "Exército de Resistência do Senhor", ele diz que está cumprindo a vontade de Deus. Quando o cara quebra uma lâmpada no rosto de um rapaz que ele percebeu afeminado, diz que fez em nome de Deus. Quando se organiza um esquema político horroroso e cheio de tramóias e corrupções, diz-se que o enriquecimento ilícito é chamado de prosperidade e se dá por cumprir a vontade de Deus. "A vontade de Deus" virou a bandeira da loucura em quase tudo!
Eu, que vi criancinhas todas espetadas com pregos e pernas queimadas, semimortas, ao serem acusadas de bruxas, por líderes religiosos que dizem "cumprir a vontade de Deus", tive que ter uma conversa séria com a minha consciência. Porque o "deus dessas vontades" todas parece-me muito distante do que eu percebo nas leituras do Evangelho, a não ser que eu seja o louco desta história. Então parem de ler aqui e me internem, por favor!
Aos teólogos dos nossos dias e todo aquele que se deixa tocar pela Verdade, urge o posicionamento contra o fundamentalismo religioso que mata, separa, divide, machuca, tortura, sequestra, engana, distorce e mancha a história.
Frank Schaeffer, filho do conhecido filósofo cristão Francis Schaeffer e que se mostra diferente do pai no que tange ao conservadorismo político pelo qual se embrenhou o pai no fim da vida, disse: Em uma era de Trump/Pence/Putin/ISIS, é tempo de dizer uma pesada verdade: Todas as religiões fundamentalistas são inimigas da paz (http://frankschaefferblog.com/2017/05/trump-pence-putin-isis-terror-era-time-tell-hard-truth-fundamentalist-religion-enemy-peace-period/)
E não basta o textão no Facebook ou o artigo na revista legal ou Blog bacana. É preciso mais! É preciso ações de "conscientização". A pauta deve ser o Amor. Aliás, nunca deveria ter sido qualquer outra!
Gito Wendel

Fonte: https://www.facebook.com/gitowendel/photos/a.870515746342152.1073741829.869920206401706/1447802385280149/?type=3&theater
Angela Natel On sábado, 20 de maio de 2017 At 04:33


O nome da quinta mulher que aparece na genealogia provavelmente era de uma jovem adolescente. Talvez tivesse entre 12 e 14 anos, mas não tinha mais do que 16 quando foi mãe de Jesus (KEENER, 2004, p.46.).
Seu nome significa ‘amargura’ (SPANGLER, 2003, p.285) e a forma hebraica é ‘Miriã’. Essa distinção infundada e artificial entre Maria e Miriã elaborada por tradutores cria uma lacuna entre a mãe de Jesus e seu próprio judaísmo. Segundo o Comentário Judaico do Novo Testamento, a Miriã original foi irmã de Moisés (Êx.2.4-8) e uma profetisa (Ex.15.20); em alguns aspectos, ela é vista como um exemplo para a mulher judia. Contudo, o nome ‘Maria’ evoca no leitor pensamentos sobre uma imagem de ‘Madonna e Filho’, cheia de esplendor, sorriso beatificado e cercada de anjos, em vez do retrato do Novo Testamento de uma moça judia, terrena, num vilarejo de Israel, administrando seu casamento, sua maternidade e outras responsabilidades sociais com cuidado, amor e fé (STERN, 2008, p.28).
Maria teve um papel único na realização do plano de Deus para a salvação da humanidade. Era de família pobre e morava num povoado obscuro da Galiléia. Era uma jovem de fé (observada por sua reação às palavras do anjo Gabriel), humilde e possuía uma aceitação absoluta do plano de Deus para sua vida, o que, como com as mulheres anteriormente analisadas, envolveu grande risco e sofrimento pessoal. Ela encontrou-se grávida pelo Espírito Santo (Mt.1.18).
Na narrativa pré-nascimento de Jesus, aparecem os conceitos de compromisso (formalização legal do matrimônio) e divórcio (anulação desse laço), Mt.1.18-19; Dt.22.22-24. O conhecimento de José acerca de Maria era baseado apenas no testemunho da família e na reputação de Maria. (KAPOLYO, 2010, 1137). Uma grande questão aqui é: como ela encontrou coragem para dizer a José que estava grávida?
Mateus 1.23 é a única vez em que o evangelista se refere a Maria como virgem, numa referência ao profeta Isaías (7.14): “...a virgem ficará grávida e dará à luz um filho...” O termo é traduzido pelos hebreus do Antigo Testamento como ‘virgem’. O vocábulo hebraico usado por Isaías significa ‘jovem sexualmente madura’ (FRANZMANN, 2004, p.1009).
O elemento de dificuldade aqui não é a esterilidade ou idade avançada da mãe (como em muitos casos do Antigo Testamento), mas pela aparente transgressão dos costumes sexuais por Maria e a atitude comum tomada em relação a mulheres suspeitas de adultério. A violação de uma virgem prometida, naquela época, era sancionada como adultério. Essa e as histórias analisadas anteriormente acabam por se entrelaçar, não apenas em seu caráter de parentesco, mas na familiaridade das circunstâncias que envolveram suas vidas (BRENNER, 2001, p.145.).
Maria correu o risco de ser apedrejada (Dt.22.23-24) caso José a delatasse publicamente. Além disso, era quase impossível que alguém fosse crer que a criança não tinha um pai, já que “partos de virgens não acontecem” (DOWSETT, 2002, p.522). Será que foi por isso que ela passou três meses na casa de Isabel? Bem mais tarde, a tradição rabínica acusou Maria de haver se deitado com outro homem, mas o fato de José havê-la desposado demonstra que ele não acreditava nisso (KEENER, 2004, p.47).
O José de Mateus, um carpinteiro, como seu homônimo em Gênesis, é um sonhador. O que o anjo lhe diz vem da história de Abraão e Isaque (cf. Gn.17:19). A diferença é que Abraão era pai biológico de Isaque e José seria apenas o pai terreno ou legal de seu filho (BRENNER, 2001, p.145). Paulo referiu-se ao nascimento de Isaque do ventre estéril de Sara como um tipo da ressurreição, e Mateus o toma, com ao menos igual plausibilidade, como um tipo do nascimento de Jesus (KERMODE, 1997, p.426). José dá proteção legal a Maria, e, segundo a narrativa bíblica, não tem relações sexuais com ela até o nascimento de Jesus. Há uma inversão do modelo do Antigo Testamento para o Modelo do Novo Testamento (Quadro 2):

Modelo do Antigo Testamento para o Modelo do Novo Testamento:
Modelo do Antigo Testamento Modelo do Novo Testamento
Dupla ou tripla maternidade Dupla paternidade
matriarcal patriarcal



O papel de Maria é diferente daquele das matriarcas do Gênesis e de outras parentas. Ela não é mais que um recipiente glorificado; um recipiente para uma carga muito preciosa, mas um recipiente (BRENNER, 2001, p.148).
Diferente dos pares de matriarcas do Gênesis e de outros lugares (e.g. Ana e Penina – 1-Sm.), as duas mulheres do Novo Testamento não são apresentadas como rivais: elas são parentes (Lc.1.6), mas não são casadas com o mesmo homem. Ambas são bem diferentes: Isabel é de descendência clerical, casada, idosa e estéril. Maria é leiga, comprometida, não casada, jovem e fértil. Maria é socialmente inferior a Isabel. Nesse caso, repete-se a questão da superioridade de um filho mais novo (ou de um filho nascido de uma mulher socialmente inferior). Assim como no caso dos patriarcas, é uma questão de escolha, não de nascimento ou posição social. Assim foi com Judá, Perez, Salmon, Boaz, Obede, Davi e Salomão. É uma tradição de filhos mais jovens que são superiores aos mais velhos (BRENNER, 2001, p.149).
Isabel e Maria (como Noemi e Rute) são apresentadas como destituídas de intrigas e competição em relação uma à outra, bem como ao seu ambiente. A aceitação de seus respectivos destinos é completa, digna e serena. Elas representam um avanço na geração feminina. Os futuros filhos de Isabel e Maria, como suas mães, são o começo de uma linhagem que será melhor e maior do que a de seus predecessores (BRENNER, 2001, p.150). A mensagem do Reino de Deus desponta nessas transformações.
O parto de Maria (Lc.2.1-7) é narrado em termos diferentes (de Isabel) e constituído de acordo com um outro modelo do Antigo Testamento. Por decreto real, José tem de se registrar em Belém, sua cidade natal (vv.1-5). Isso serve para realçar que José (o pai legal do bebê) é descendente da casa do rei Davi e ligar a história com as de Tamar e Rute.
Maria foi a primeira ‘meramente humana’ a sentir a presença física de Jesus. Foi a primeira a ouvir suas palavras, a primeira que o alimentou. Suas raras aparições durante a vida de seu filho revelam a bondade e também a sua imperfeição quando deixou de compreender os atos de seu filho de doze anos (Lc.3.41ss). Mais tarde, ela se apoiou na autoridade e julgamento do Senhor Jesus (Jo.2.3) quando ele expressou uma terna censura pela sua arrogância - Jo.2.4 (GREENLEE, 2009, p.1231). Os pais da Igreja a designaram “theotokos, aquela que deu à luz o divino Filho de Deus” (EVANS, 1986, p.55). Os Evangelhos mencionam a presença de Maria apenas nas narrativas sobre o menino Jesus discutindo com os mestres em Jerusalém, no milagre de Caná, Maria vindo com os irmãos de Jesus e perguntando por ele (Mt.12.46-50; Mc.3.31-34; Lc.8.21) e nas palavras de Jesus na cruz.
O maior sofrimento de Maria foi ver o filho amado ser envergonhado e torturado, deixado para morrer como o pior dos criminosos. Sua maior alegria foi ver seu filho ressuscitado, e ter recebido o Espírito Santo, junto com os outros discípulos - At.1.14 (SPANGLER, 2003, p.285).
Para Mateus, Jesus é o Filho de Maria e de Deus. Foi honrada, não apenas por ser a mãe de Jesus, mas também como sua primeira discípula. Viúva, por ocasião da crucificação de Jesus foi entregue sob tutela de João, discípulo do Salvador (Jo.19.25-27). O próprio João menciona Maria em seu evangelho tanto no início quanto no fim do ministério de Jesus (Jo.2.1-11; 19.25-27).
Importante é ressaltar, de acordo com Evans (1986, p.56), três pontos sobre o significado de Maria:
• Como ser humano e mãe, é uma testemunha da verdadeira humanidade de Jesus, mas também de sua origem divina;
• Deve ser reconhecida como bem-aventurada de Deus (Lc.1.42-58) e, na sua boa vontade e dedicação à vontade de Deus, na sua fé e - na sua obediência-, ela é um exemplo a ser honrado e imitado, como são todos “aqueles que, pela fé e pela longanimidade, herdam as promessas” (Hb.6.12). H. Kiny descreve Maria como ‘o exemplo e modelo da fé cristã’;
• A tremenda responsabilidade que Maria recebeu, a maneira pela qual a sua fé, o seu amor e o seu crescente entendimento foram descritos, e sua posição ao lado dos demais enquanto aguardavam a vinda do Espírito Santo prometido, deveriam talvez ser considerados como indicações do novo status que a vida do filho de Maria deu às mulheres no Reino de Deus.
Seja na anunciação, quanto na visitação ou no nascimento de Jesus, Maria demonstrou uma autonomia pessoal significativa. Em Atos 1.4, embora ela fosse destacada sendo citada pelo nome, vem depois das outras mulheres e não parece ter nenhuma precedência particular sobre o grupo.
É importante esclarecer que o Novo Testamento nunca fundamenta, por implicação ou por afirmação definida, a influência de Maria na Antropologia Bíblica, na doutrina da salvação ou na doutrina da Igreja.

Fonte:
Natel, Angela. As mulheres da genealogia de Jesus em Mateus, e as Implicações teológicas na mensagem do reino de Deus / Angela Natel. ─ Curitiba, 2012, pp.35-38. - Monografia (Trabalho de conclusão de curso de Bacharel em Teologia da Faculdade Fidelis)

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