Angela Natel On quarta-feira, 29 de julho de 2015 At 06:20



Não estar sujeito ao marxismo pode representar estar sujeito a outra forma de pensamento ideológico igualmente contrária às Sagradas Escrituras. 

É importante que nos lembremos que -afastar-se do que quer que seja significa dirigir-se para algum outro lugar. Afastar-se da Venezuela pode significar aproximar-se de Wall Street, afastar-se da luta de classe pode significar aproximar-se dos modelos de exploração do pobre, afastar-se da esquerda pode significar aproximar-se da direita, afastar-se de Marx pode significar aproximar-se de Ronald Reagan e Margaret Tatcher, afastar-se do bolivarianismo pode significar aproximar-se do neocolonialismo dos países ricos.

Em suma, para quem trabalhamos? A quem servirmos? Mais importante de tudo: amamos o próximo? Defendemos o direito do pobre e da viúva?

Sou calvinista. Não o calvinismo mediado pela teologia da direita americana. Meu calvinismo é o que encontra-se presente nesses escritos de Calvino:

“Quando, de si mesma, vociferante brada a opressão, se o juiz, assentado em lugar eminente, faz semblante de nada ver, denuncia o Profeta que tal dissimulação não ficará impune”.

“Contra todas as formas de perversão social, contra os simulacros de ordem, contra os que abusam do poder que receberam de Deus, poder político ou poder de riqueza, contra toda forma de opressão, devem insurgir-se os cristãos e a igreja; porque o próprio Deus é adversário deles”.

“Que todos os contratos contrários à integridade e boa fé sejam aqui condenados em geral. A corrupção que leva à perversão dos juízos, ou pisoteia a equidade e toda lisura, perverte e falseia todos os contratos e nada deixa de são e de salvo”.

"Não é coisa censurável se aquele que tem família grande tenha também uma residência ampla. Quando, porém, inflados de ambição, sem razão querem os homens aumentar suas casas, somente para que tenham mais espaço, e que um homem ocupe sozinho uma residência que poderia abrigar a muitos, vã ambição é e coisa que, a bom direito, se pode censurar”.

“Quer Deus haja entre nós tal analogia e igualdade que acorra cada uma aos carentes conforme se lhe estende o poder, para que não tenham uns até a superfluidade e outros sejam necessitados até à indigência”.

“Reconheço, sem dúvida, que se nos manda estabelecer igualdade tal que lícito não seja aos ricos o viverem mais faustosamente que os pobres, mas a igualdade deve ser mantida de tal modo que ninguém seja deixado na penúria e que ninguém esconda sua abundância, defraudando a outros”.

“Impõe-se-nos guardar-nos dos dois extremos, pois, de um lado há muitos que, sob a cobertura do governo civil, conservam fechado e recluso tudo quanto possuem, defraudando os pobres e tendo-se na conta de mais do que justos, desde que não lancem mão dos bens de outrem". (Quem gostaria de trabalhar 8 horas por dia, 6 vezes por semana, dedicando-se a tarefas enfadonhas, repetitivas, insalubres, para receber no final do mês 1 salário mínimo? Depois de 3 dias de trabalho, o trabalhador brasileiro já faz por merecer o salário do mês inteiro. Condenar esse tipo de relação trabalhista é ficar do lado dos profetas e apóstolos).

"Eis porque disse eu que, se houvesse uma só gota de fé entre nós, seriamos inflamados de nova maneira de fazer o bem; mas, estamos fechados, cada um retira o que tem, de tal modo que, em se tratando de dar, parece que terra nos deve faltar. Dessarte, mostramos que confiança nenhuma temos em Deus”.

“E daí, esta injunção é aí amiudadamente repetida aos bispos e diáconos, que as riquezas que administram não se destinam a eles, mas à necessidade dos pobres e que serão eles culpáveis de homicídio, se as dissipam malevolamente ou para si as retêm”.

“Que todos os contratos contrários à integridade e boa fé sejam aqui condenados em geral. A corrupção que leva à perversão dos juízos, ou pisoteia a equidade e toda lisura, perverte e falseia todos os contratos e nada deixa de são e de salvo”.

“... quando não há compaixão para com os pobres, quando são eles oprimidos, quando são provocados à ira, quando são despojados, e misericórdia não campeia, tudo quanto se possa fazer a mais não é senão abominação diante de Deus; a tudo rejeita Ele, a menos que seja humano de sorte a ter piedade dos que sofrem falta e a socorrê-los em sua necessidade... pois que, segundo já disse, os homens querem sempre acertar-se com Deus sem fazer benevolência”.

“É pelo número e pela sorte de seus pobres que se julga uma sociedade, e é pela maneira de os acolher, de os respeitar e de os socorrer que Deus julga uma pessoa”.

“Quanto aos emprestadores de dinheiro, bem difícil é achar no mundo um só deles que não seja rapace e gatuno, vale dizer, dado a ganho desonesto e iníquo”.

“Há também que coisa assaz estranha, e iniqua, é esta: enquanto cada pessoa ganha a vida com grande labuta, enquanto os trabalhadores se esfalfam na realização de suas jornadas, os artesãos com muito suor servem aos outros; os mercadores não somente trabalham, mas ainda se expõem a numerosos incômodos e perigos, os senhores agiotas, assentados em sua banca sem nada fazer, recebem tributo do labor de todos os demais”.

Indago: esse calvinismo é o professado por nós calvinistas no Brasil?

Antônio Carlos Costa

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