Angela Natel On sexta-feira, 3 de julho de 2015 At 08:56



Visitei ontem quatro favelas do Rio de Janeiro: Varginha, Mandela, Jacarezinho e Manguinhos. Entrei nos barracos, conversei com pessoas, orei, fotografei, aconselhei, perguntei, anotei. Saí aturdido.

A vinte minutos de Copacabana, Ipanema, Lagoa Rodrigo de Freitas, Prefeitura, Palácio das Laranjeiras -áreas nobres da cidade e de grande importância político-cultural-, pessoas vivem em condição que representa censura moral à riqueza e indiferença do restante da cidade.

Vi crianças aglomeradas e dormindo no chão em casas úmidas, abafadas, sem ventilação, nas quais ratos, mosquitos e baratas são presença constante. Muita mulher sem marido, lutando para manter seus filhos alimentados e na escola. Desemprego. Falta de perspectiva de vida. Possibilidade zero de ascenção social. Abandono.

Minha teologia não me permite ensinar salvação pelas obras. Não creio num Deus que só me aceita por causa do meu desempenho. Essa mesma teologia, entretanto, leva-me a dizer que -não há mandamento para o qual Deus faça tanta promessa para os que o cumprem quanto o mandamento para socorrer o pobre. O profeta Isaías chega ao ponto de dizer que "... se abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita, então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia". A resposta à oração tornar-se-á absolutamente certa: "... então clamarás, e o Senhor te responderá; gritarás por socorro, e ele dirá: Eis-me aqui" (Is 58: 8-12).

Nesse sentido, viver no Brasil é uma benção. Quanta oportunidade de encontrarmos Cristo nas favelas que pelas quais passamos no caminho para a igreja.

A ONG na qual trabalho tomou uma decisão. Nós vamos começar a apadrinhar as famílias pobres do Rio de Janeiro a fim de ajudá-las a viver com mais dignidade e ascender socialmente por meio da educação e do trabalho.

Nós fizemos ontem os primeiros cadastros. Apadrinhamos as primeiras famílias. Fizemos as primeiras distribuições de cesta básica para gente que vive na miséria, cuja desgraça conhecemos pessoalmente; como uma senhora que sofre de tuberculose, catadora de papel, mãe de quatro filhos. Todos dependentes dela.

Sábado vou levar minha mulher e três filhos para conhecer o barraco da família que apadrinhamos. A mãe, que viveu na dependência química de crack, largou as drogas dois anos atrás, vindo a se tornar membro de uma igreja evangélica. Ela e o filho mais velho estão buscando emprego, que, se sair, não dará para manter com dignidade família tão grande. Sua casa tem três cômodos: banheiro, cozinha e quarto.

Para milhões de pobres brasileiros não há perspectiva de redução da obscenidade social.

Antônio Carlos Costa
Rio de Paz


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