Angela Natel On domingo, 17 de fevereiro de 2013 At 09:52

Escrito possivelmente na época pós-exílica, o livro de Rute constituiria uma reação contra o partido conservador, principalmente no que concerne aos casamentos com mulheres estrangeiras (Ed.10; Ne.13.23-27). Num plano mais elevado, o livro de Rute trata de uma variante do tema da história de Tamar: a linhagem davídica, messiânica, está envolvida. Rute foi a mulher estrangeira que trouxe redenção ao povo escolhido de Israel. A história é contada até hoje durante as comemorações da Festa da Colheita (Rt.1.22) ou Festa das Semanas (Pentecostes). A aplicação de leis encontradas em Levítico e Deuteronômio associa Rute à Lei. Trata-se de um diálogo que abarca 55 de seus 85 versículos, o que torna a narrativa bem dinâmica (SASSON, 1997, p.344).
O nome Rute, falsamente compreendido como ‘amizade’, está relacionado a uma raiz semita que significa ‘ser encharcada, irrigada’ (SASSON, 1997, p.346).
            Rute era uma mulher de Moabe, povo originário do incesto de Ló com uma de suas filhas. Os moabitas adoravam o deus Chemosh e se tornaram amaldiçoados e proibidos de viver em Israel por terem causado problemas a este no deserto (Nm.22,25). Além de mulher e moabita (estrangeira), Rute tornou-se viúva. Como uma viúva, ela seria um fardo para sua família ou uma serva das esposas de seus irmãos (SASSON, 1997, p.146).
Naquela época, em Israel, as viúvas costumavam vestir roupas especiais que as identificavam como tais. Essas roupas garantiam privilégios como a comida nas colheitas e uma porção do dízimo. A lei garantia provisões especiais para elas, como os restos nos campos colhidos (Rt.2) e proteção contra opressão (Dt.14.29; Sl.94.1-7) (SASSON, 1997, p.146.).
            Com relação ao compromisso assumido por Rute com Noemi, sua sogra, ao contrário de muitas traduções, Rute afirmou que nem na morte ela a abandonaria. Com isso, ela quis dizer que pretendia cuidar do sepultamento de Noemi e dos rituais relacionados à sua morte, e que seria enterrada no mesmo lugar que sua sogra. Essa seria uma preocupação comum para uma viúva sem filhos, por isso o compromisso de Rute teve um significado muito profundo para Noemi. Ser enterrada no mesmo túmulo da família de Noemi seria uma garantia adicional de que Rute continuaria a receber as provisões necessárias mesmo depois da morte da sogra. Popularmente acreditava-se que o cuidado com os mortos poderia influir no tipo de vida que eles teriam depois da morte (WALTON, 2003, p. 286). A atitude de Rute era um comportamento que compreendia um grande risco, pois, se rejeitada pela sua nova comunidade, ela poderia sofrer um sepultamento impróprio ou vergonhoso – uma tragédia desonrosa no Antigo Oriente Próximo (HUBBARD, 2008, p.168). Desse modo, não era a observância à Lei que fazia de Rute parte da aliança de Israel, mas seus laços de amor com sua sogra Noemi. Segundo Donatella Scaiola:

O livro de Rute toma decididamente posição contra a maneira de ver as coisas, colocando propositalmente em cena uma moabita com intento de questionar a visão fechada, mesquinha, nacionalista, que se respirava em Judá no período em que provavelmente o livro foi escrito, no tempo pós exílico de Esdras e Neemias (SCAIOLA, 2012, p.4).


            Rute coloca-se em servidão à sua sogra e decide viver não mais para si mesma.  Com sua confissão, Rute assegurava para si o papel de redentora, pois sua confissão de aliança revela lealdade e compromisso (ROWELL, 2002, p.146). Ela invocara o nome pactual pessoal de Yahweh, lembrando Abraão, que também lançou sua sorte a Yahweh (Gn. 12.1-5):
Trible observa que o salto de fé de Rute extrapolou o de Abraão. Ela agiu sem ter promessa na mão, sem que qualquer bênção divina tivesse sido pronunciada, sem esposo, sem posses, ou acompanhamento de apoio. Ela desistiu de casamento com homem para dedicar-se a uma mulher idosa – e isso num mundo dominado por homens, afinal! (HUBBARD, 2008, p.170).

O primeiro capítulo do livro de Rute descreve a mudança drástica na vida destas duas mulheres que, empobrecidas (e viúvas) entram em uma cidade sem nenhum homem à sua frente – a tragédia da situação dispensa elaboração.
            Noemi só tinha uma perspectiva: como uma mulher, era a facilitadora da linhagem da família de Elimeleque, seu falecido marido, na qual seria estabelecida sua segurança e futuro (ROWELL, 2002, p.146).
            O capítulo dois inicia apresentando Boaz, mas é Rute quem sugere uma maneira de ligar seu destino ao dele (Rt.2.2). Ele questiona quem é o responsável por Rute. Ela deveria pertencer a alguém (assim como Tamar pertencia ou ao marido, ou ao sogro ou ao pai). Como resposta, Rute não pertence a ninguém, mas está com Noemi (Rt.2.5,6). Então ela pede para se tornar uma empregada e permissão para juntar os grãos (Rt.2.15) reservados aos membros do clã, permissão esta que somente o dono da terra poderia outorgar.
            Rute, então, se prostra como que diante de um rei ou deus e fala dissimuladamente (Rt.2.10), depois insiste até que ele se posicione a ajudá-la. Assim, Rute tornou-se um membro do clã de Boaz e pôde recolher os grãos. Rute 2.21 lembra que se trata de uma estrangeira, um elemento crucial na narrativa, porque enfatiza o amor inclusivo de Deus. Rute mantém sua identidade nacional, apesar de Noemi tê-la adotado (SASSON, 1997, p.348).
            Aqui, duas questões circundam a vida de Rute: o sustento dela e de Noemi e a continuação da linhagem de Elimeleque, que seus dois filhos faleceram – Noemi precisava de um herdeiro, e de um resgatador dos bens de seu falecido marido. Rute não tinha obrigação direta com nenhuma dessas questões, mas é isso que surpreende na história: ela toma a iniciativa em buscar justiça para sua sogra. O conceito exemplar em que ela era tida era do conhecimento geral em Belém. A cidade julgava Rute como sendo uma mulher digna (Rt.2.11). Eset hayil, lit. “mulher de força”, expressão que, em outro lugar, aparece apenas em Provérbios 12.4 e 31.10, um elogio reservado na literatura de Sabedoria para a ‘mulher ideal’ (HUBBARD, 2008, p.291).
            Noemi dá a idéia para que Rute entre para a casa de Boaz, talvez não como esposa, mas certamente como concubina, então Rute se dirige a Boaz durante a noite:
·         “Eu sou Rute, tua serva” (Rt.3.9), usando o termo hebraico ‘amah, que habitualmente denota uma mulher que pode ser tomada por um homem livre como concubina ou esposa. A partir da reação de Boaz, fica claro que ela lhe propôs casamento (WALTON, 2003, p.288).
·         ‘Estende teu manto sobre tua serva’ – Boaz, como membro do clã de Elimeleque, é desafiado por Rute a agir como go’el (resgatador – Rt.2.20), evocando uma imagem que é usada para descrever Yahweh; é um apelo para ser trazida para dentro da casa de Boaz – Dt.23.1; Ez.16. Tipologicamente, tem-se uma representação do Espírito Santo envolvendo Maria (Lc.1.35; Rt.3.9). Em Ezequiel 16.8 se usa vocabulário similar quando o Senhor salva Jerusalém da destruição colocando Sua capa sobre sua nudez (SASSON, 1997, p.349).
A obrigação do go’el era comprar de volta a terra da família (Lv.25.25). Boaz interpreta o apelo de Rute como um pedido para que ele aja tanto como go’el quanto como levir (este último como um pedido de casamento, Rt. 3.10). Não havia provisão legal para que uma viúva herdasse a propriedade de seu falecido marido (Nm. 27.8-11). Levítico 25.25 indica que vender a terra da família é confirmação clara de pobreza e atesta-se a redenção dos membros da família comprando-a de volta, para mantê-la  (ROWELL, 2002, p.151). Já o levirato não era uma opção para Noemi, mas casando-se com Rute, a linhagem estaria salva. Se Rute não tivesse mais filhos, a linhagem pararia em Elimeleque.
A aproximação de Rute é como um enigma: em hebraico ‘pés’ (regel, cf. Rt. 3.4,7-8) é, algumas vezes, usado como um eufemismo para os órgãos sexuais. A ambigüidade sugere que esta não é parte integral da história. A palavra hebraica para ‘assustou-se’ (Rt.3.8) revela que Boaz não apenas se surpreendeu, mas temeu ao encontrar uma mulher deitada perto dele, sugerindo que não havia expectativa de sua parte em ser visitado dessa maneira (ROWELL, 2002, p.151.).
No trecho de Rute 3.1-18, tanto Rute quanto Boaz perdem a identidade ao serem chamados de ‘homem e mulher’ na narrativa. O capítulo é cheio de “ambigüidades cuidadosamente armadas” (HUBBARD, 2008, p.265) e de insinuação sexual.

Rute deveria ir lá (...), descobrir seus pés e deitar. O verbo glh no Piel (‘descobrir’, ‘tornar visível’ algo oculto) ocorre, sobretudo em expressões que descrevem variedades de relações sexuais ilícitas. (...) No Antigo Israel, um cenário de terreiro de debulha sugeria acordo sexual (v.2), e o autor enche sua prosa com entendidos duplos eróticos (v.4). Ele cria uma forte impressão de que Boaz pode ter tido relações sexuais naquela noite, mas nunca diz isso. Tal ambigüidade e linguagem sugestiva serve a dois propósitos. Primeiro, mantém a atenção do auditório facilmente (...).[1] Segundo, lançam Rute e Boaz num crisol de escolha moral: será que vão, como antes, viver de acordo com o ideal de hesed? (HUBBARD, 2008, pp.265-266).[2]


Rute estava preparada para manter a linhagem de seu sogro, a fim de redimir sua sogra da destruição. Entrando para a casa do homem que resgata a terra de Noemi, Rute pode manter o parentesco com ela, embora de uma maneira diferente. Boaz reconhecia que Rute era livre para escolher seu próprio protetor (Rt.3.10), mas apelou para um antigo costume (Rt.4.10) que encorajava um homem a gerar um filho em uma viúva, ‘de modo que o nome do falecido não desapareça do meio de seus irmãos’ (Rt.4.10). O primeiro filho da união seria, portanto, oficialmente de Malom, marido falecido de Rute e, quando crescesse, a terra resgatada de Noemi reverteria a esse filho (SASSON, 1997, p.351).
Outro parente mais próximo, não nomeado na narrativa, é procurado por Boaz para que assuma suas responsabilidades. Boaz apresenta Rute como ‘esposa do falecido’ (eset hammet). Esta identificação efetivamente tornou Rute viúva de Elimeleque, i.e., alguma espécie de substituta aceita legalmente por Noemi (HUBBARD, 2008, pp. 325-326). O parente, porém, recusou gerar filhos para outros, possivelmente por causa do destino de sua herança. Dessa forma, abdicou do direito a ser resgatador dos bens de Noemi, bem como de casar-se com a moabita Rute.
O casamento verdadeiro é descrito em Rute 4.13. Rute, então, gozou de plena cidadania na comunidade pactual de Israel. Em Rute 4.10 ela é comparada às mães fundadoras israelitas e com a mãe tribal de Judá, Tamar. Ela, então, concebe, e seu filho Obede (‘consolador’, em hebraico) é cuidado por Noemi. O primeiro filho nascido de Rute e Boaz seria dono da propriedade da família de Elimeleque e o conservaria com seus filhos vivos por associação com ela (HUBBARD, 2008, p.342). A linhagem foi salva, assim como os bens da família. As mulheres afirmam que a criança será go’el de Noemi – e aqui está a chave -- porque Rute, que ama profundamente a Noemi, é sua mãe – uma demonstração de que a afeição de Rute, não a lei, e costume ou lealdade de família, garantiriam o cuidado futuro de Noemi pela criança. (HUBBARD, 2008, p. 353). Interessante é notar que não foram os pais que escolheram o nome do menino, mas as vizinhas, algo bem incomum para a cultura e para a época. Os nomes de Elimeleque e de Malom são omitidos das genealogias. A linhagem de descendentes é através de Boaz em Rute 4.21 e Mateus 1.5, cumprindo a bênção feita sobre ele pelos anciãos (Rt.4.12).
Rute esvaziou-se de si mesma, ela era sensível e fez a escolha ética, vivendo por ela. Como mulher, ela tomou a iniciativa. Deus a usou para construir a casa de Israel. Em sua história há uma profecia a respeito do Messias; ela se tornou bisavó de Davi (Rt.4.17) e foi engrandecida como o foi Raquel – relação com Belém (HUBBARD, 2008, p.140.).
Rute provou ser melhor do que o ideal israelita. Como Tamar foi mais justa que Judá, Rute valeu mais para Noemi do que sete filhos. Ela incorporou a descrição da esposa virtuosa mostrada em Provérbios 31. Teologicamente, Deus operou aqui não por intervenção direta, mas dentro de atos humanos justos (HOUSE, 2005, pp.582-583). As atitudes de Rute que podem ser destacadas nesse contexto são:
·         Colocou-se como portadora da salvação nesta história;
·         Mostrou-se digna de ser membro pleno em Israel;
·         Assumiu uma obrigação familiar que não era dela;
·         Doou a si mesma – lealdade;
·         Deixou passar outras opções mais atraentes (Rt.3.9).
O status social de Rute subiu durante o avanço da narrativa: de moabita (estrangeira, 2.6) para esposa e nora, estranha viúva desprezada e nora, para serva inferior (2.13), para salvadora justa e bondosa, então mulher elegível (3.9), capaz de propor casamento, para mulher digna (3.11), então um bom partido que estava perto de ser tornar uma israelita, para esposa e mãe/matriarca.
            Rute 4.18-22 faz menção a Perez, Tamar e Judá, e talvez tenha sido a fonte de parte da genealogia encontrada no Evangelho de Mateus. Juntos eles providenciaram um sucessor para a linhagem messiânica, mas também se tornaram parte essencial dela (Mt.1.3,5).
            Tamar e Rute são ambas viúvas estrangeiras, ambas vitais nos propósitos de Deus em estabelecer uma linhagem de descendentes da família de maior importância em Judá. O autor do livro de Rute adaptou a genealogia para se adequar a um esquema de dez membros (HUBBARD, 2008, p.373). Perez encabeça a lista, e Boaz é o sétimo a ser mencionado, sinal de ênfase na literatura judaica. A genealogia identifica Perez como ancestral de Boaz, e nenhuma menção é feita a Elimeleque ou Malom ou à manutenção do nome dos falecidos com suas propriedades (ROWELL, 2002, p.152). Assim, apesar de parecer o contrário a leitores descuidados, não foi pelo levirato que a linhagem permaneceu neste caso. A genealogia é de Judá até Davi, ligando as histórias de Tamar, Raabe, Rute e Bate-Seba (BÍBLIA, 1994, p.385.).
            Rute, que buscou refúgio no Deus de Israel (Rt.1.16; 2:12) se tornou a bisavó do jovem pastor Davi, o rei de Israel e a semente da esperança messiânica (ROWELL, 2002, p.153).
            Alguns estudiosos argumentam que o livro de Rute foi escrito para defender um universalismo[3] que iria incluir todos os estrangeiros, até mesmo aqueles inimigos tradicionais de Israel, os moabitas. John Gray considera Rute um chamado aos exilados, que estão retornando numa época de restauração da fé em Deus, da caridade aos estrangeiros e de lealdade aos antigos e bons padrões sociais (OXLEY, 2009, p.402). Segundo nota na Bíblia Ecumênica, “se a Festa judaica de Pentecostes celebra o dom da Lei a Israel, o Livro de Rute estende este dom às nações pagãs” (BÍBLIA, 1994, p.1285).
            Na tradição cristã, Rute antecipa tematicamente Maria, que deu à luz Jesus (Lc.1.38). Pouco se admira que Mateus estenda a linhagem real de Davi e seus membros femininos estrangeiros (Tamar, Raabe, Rute, a esposa de Urias) descendendo até Jesus (Mt.1). Segundo Ap-Thomas, esta extensão de Mateus significa que, “sem essa moça moabita, o Cristianismo estaria sem seu Fundador: e Israel e o mundo estariam imensuravelmente mais pobres” (HUBBARD, 2008, p.369).
            Rute figura na genealogia de Jesus, segundo o Evangelho de Mateus (Mt.1.5). Este último traço enfatiza o universalismo e o messianismo (BÍBLIA, 1994, p.1285.). O livro se encerra como começa o Evangelho de Mateus (Mt.1.1-17), numa genealogia.


N271 Natel, Angela
                As mulheres da genealogia de Jesus em Mateus, e as
          Implicações teológicas na mensagem do reino / Angela Natel
          . ─ Curitiba, 2012.
                iii., 55 f. : il.

                 Monografia (Trabalho de conclusão de curso de Bacharel
           em Teologia da Faculdade Fidelis)
                  Inclui referências



[1] É importante lembrar das diferenças existentes entre as culturas antigas e os apelos hiperssexualizados da cultura ocidental no século XXI. Nas culturas antigas, esse tipo de situação estava relacionado com inúmeras questões de sobrevivência, manutenção da linhagem e, consequentemente, do povo, proteção e segurança dos envolvidos, não direcionados exclusamente ao prazer sexual.
[2] Hesed, como melhor se explanará na sequência, é a vida em plenitude e retidão, no perfeito shalom de Yahweh e em concordência com Ele.

[3] Universalismo é um termo que será usado na presente pesquisa com sentido de acessibilidade e abertura do Reino de Deus para além das fronteiras de Israel e dos judeus, e sem limites de raça, língua, sexo ou posição social.

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