Angela Natel On quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013 At 09:49

·         Tamar: cananéia que seduziu seu sogro Judá;
·         Rute: moabita que seduziu Boaz;
·         Raabe: prostituta de Jericó;
·         Bate-Seba: mulher de Urias, o heteu, que seduziu Davi.
Todas as quatro mulheres mencionadas são, de certa forma, uma sombra de Maria. As quatro são relatadas/mencionadas de uma forma diferente. Maria aparece na genealogia porque Mateus não pode explicar o relacionamento de José com Jesus sem mencionar seu nome (BRENNER, 2001, p.176).
O ponto de vista do narrador é encontrado várias vezes nas histórias dessas mulheres: quando dois princípios sociais entram em conflito (e nesse caso, o padrão sexual de um indivíduo versus a sobrevivência da comunidade), a Bíblia ensina que a sobrevivência vem em primeiro lugar (BRENNER, 2001, p.176). É por isso que certas condutas que aparecerão na presente pesquisa parecem não se destacar, apesar de reprovadas em diversos ambientes sócio-religiosos ou no todo da Escritura.
Para explicar a inclusão dessas mulheres na genealogia de Jesus, ao invés de outras matriarcas, segue algumas sugestões:
·         As quatro tidas como estrangeiras: confere com a referência a Abraão (Mt.1.1). O Messias judeu estenderia suas bênçãos além de Israel, também com gentios incluídos em sua linhagem. Essa era a posição de Lutero (BROWN, 1993, p.72). Já segundo Elaine Wain Wright, a classificação das quatro mulheres como estrangeiras reflete a perspectiva androcêntrica que vê as mulheres como forasteiras em um mundo e cultura patriarcais (BAUCKHAM, 2002, p.23). Uma genealogia patrilinear do Messias não significa a exclusão de mulheres, porém em diversos momentos a mulher estrangeira é retratada como um sujeito frágil, vulnerável. Em Provérbios 1-9 a mulher estrangeira é de fato apresentada como a prostituta, a adúltera, a sedutora, etc. (SCAIOLA, 2012, p.2).
·         Três das cinco estiveram envolvidas em grave pecado sexual e as outras duas em situações aparentemente ambíguas na mesma área. Mesmo assim, O povo de Rute originou-se de um incesto (Gn.19.30-37; Dt.23.3). Esse registro familiar, segundo Jerônimo, lembra a depravação da natureza humana e as providências de Deus no sentido de reconduzir a si mesmo tanto o pecador quanto o santo (MOUNCE, 1996, pp.16-17). Jerônimo defendia que Jesus veio para pecadores, por isso suas ancestrais eram pecadoras (BROWN, 1993, p.58).
·         Todas as cinco revelam algo dos obscuros e inesperados trabalhos da Providência na preparação e vinda do Messias, finalizando com a concepção de Jesus em Maria – uma maneira de mostrar que havia precedente na Escritura mesmo para a irregularidade do nascimento de Jesus, de uma mulher não casada (SCAIOLA, 2012, p.2).
·         Elas agiram com iniciativa e resolução que Deus usou para seguir adiante em Seu propósito. Foram mais ativas que seus parceiros em situações muito difíceis quando as circunstâncias se colocaram contra elas. Tamar tomou a responsabilidade das normas culturais quando Judá as negligenciou. Bate-Seba assumiu as consequências de sua gravidez mesmo quando a parábola do profeta apontou Davi como a parte culpada e transformou-se numa defensora dos direitos de seu filho como sucessor do pai no trono.
·         O perigo cercava essas mulheres: Tamar foi salva da execução no último minuto, Bate-Seba poderia ter sido executada por adultério, Raabe é salva do desastre de Jericó pelos espias que ela protegeu.
Segundo o Comentário Judaico do Novo Testamento:

A descendência judia ou não-judia é invariavelmente traçada pela mãe, não pelo pai. O filho de uma mãe judia e um pai gentio é um judeu; o filho de uma mãe gentia e pai judeu é gentio. Se uma mulher gentia se converte ao judaísmo, ela é judia; os filhos que tiver após a conversão são igualmente judeus (STERN, 2008, p.311).

A datação da descendência judia matrilinear implica que os filhos de pais judeus e mães gentias são gentios e não judeus (Ed.10.2-3; Gl.16.1). Obede, filho de Boaz e Rute, é judeu porque Rute tornara-se judia por confissão (Como se pode observar em Rt.1.16; 4.9-10,21-22).
A menção das quatro mulheres do Antigo Testamento, todas sem atrativos para os padrões ortodoxos judaicos, também deve ter sido incluída para neutralizar rumores infames acerca das circunstâncias do nascimento de Jesus nos círculos judaicos (ELLISON, 2009, p.1554).
Barbara Reid descreveu as quatro mulheres na genealogia de Mateus como mulheres de uma “obediência inconvencional”, que podiam discernir o tempo próprio e responder positivamente ao amor de Deus. Tamar usou um truque para conseguir engravidar e alcançar segurança e garantir a sucessão. Às escuras, Rute convenceu Boaz a tomar uma atitude e casar com ela. Com isso, ela não só garantiu o sustento de Noemi, como também manteve a linhagem como bisavó de Davi. Bate-Seba, conivente com o profeta Natã, persuadiu Davi a nomear Salomão seu sucessor. Raabe enganou as autoridades da cidade a fim de garantir a segurança sua e de sua família na conquista de Israel sobre Jericó. Maria também correu sério risco pessoal por causa das circunstâncias que envolviam sua primeira gravidez (NOWELL, 2008, pp.11-12.).


N271 Natel, Angela
                As mulheres da genealogia de Jesus em Mateus, e as
          Implicações teológicas na mensagem do reino / Angela Natel
          . ─ Curitiba, 2012.
                iii., 55 f. : il.

                 Monografia (Trabalho de conclusão de curso de Bacharel
           em Teologia da Faculdade Fidelis)
                  Inclui referências

                                                                     
                                                                    

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