Angela Natel On sexta-feira, 21 de setembro de 2012 At 06:00



Somos todos cadelas
Rosnando a quem se aproxime
Ou ameace nossos interesses.

São planos e bens
Visões do além
Crenças, opções sexuais
Que abraçamos acima de tudo e de todos
 E ai de quem fale contra, de quem ouse contrariar
Ai de quem manifeste  contrariedade
Ou tente nos questionar.
A sociedade não importa,
Mostramos os dentes
Porque somos cadelas em frente à cria de nossas histórias
São vidas vazias, são outras memórias
Pecado social (injustiça institucionalizada): eu defendo o que é meu
Ai de quem ultrapassar minha fronteira.
Sou cadela enfurecida, uso a lei a meu favor,
E mesmo quando se manifesta em prol do que lhe é próximo
Ganha IBOPE com isso, alimenta seu ego, planos e labor.
Somos todos cadelas no ninho a rosnar.
Somos todos injustos, cada um buscando seu interesse
Erguendo o punho a praguejar
Contra o diferente, o estranho, aquele que me vem discordar
Não vivemos mais juntos, não nos unimos, não lutamos uns pelos outros.
Somos ingratas cadelas
Preocupados em defender nossos deuses sem nenhuma capacidade de olhar para quem se encontra ao nosso lado, muito menos lhe estender a mão.
Deus não precisa de advogados, não há quem possa defendê-lo. Nunca Ele manifestou desejo de que fôssemos contra os que inventam argumentos para refutar nossa fé.
Mas como cadelas em torno de nossa cria que nada mais é que um deus inventado que precisa ser defendido, precisa ser  ajudado com nossas orações de poder, nos levantamos em fúria, em nossas manifestações  e campanhas para desmoralizar aqueles a quem deveríamos amar.
Porque se Deus, a quem precisamos amar acima de todas as coisas, se fez carne, tornando-se um homem, fica evidente que precisamos amar a humanidade – a cara que Deus assumiu.
Mas cadelas não amam. Cadelas agem por instinto, apegadas em seu zelo por sobrevivência. 
Como cadelas vagamos  agarrados em nossas opções sexuais, lutando com unhas e dentes contra os diferentes.  Não os amamos, não os recebemos em nossas casas, não os queremos visíveis aos nossos olhos.
Porque somos cadelas, e certas escolhas ferem nossas convicções. E cadelas não sabem amar.
Como cadelas gritamos contra os que se entregam a cultos religiosos com os quais não concordamos. São visões diferentes, estranhas, e não pensamos numa possibilidade de convivência pacífica. Porque somos cadelas, tal convivência não interessa, contanto que se defenda somente o que se concorda.
Nossa cria são nossas visões cristalizadas, as condições que impomos aos outros para que se aproximem de nós, os planos dos quais não abrimos mão, as decisões sobre as quais não permitimos questionamento, são nossos preconceitos, os rótulos que colocamos sobre as pessoas. Cada item defendido como se não houvesse outra opção, como se o mundo girasse em torno de nossas cabeças – nos tornamos os deuses de nós mesmos, as cadelas enfurecidas prontas para atacar o primeiro que se atrever a ameaçá-las.
Quando deixarmos de agir como cadelas neste mundo de ninguém, olharemos mais para o outro do que para o próprio umbigo, e o Reino de Deus que é coletivo poderá ser instaurado em pessoas que lutam contra a injustiça, ainda que institucionalizada, buscando a paz e priorizando o pobre, o excluído e o marginalizado, como Jesus fez.
Se não quisermos mudar de atitude, de pensamento, nem de prioridades, não seremos na da além de cadelas numa geração consumista e alienada das conseqüências do que faz.
Cadelas egoístas, que usam seus relacionamentos a fim de proteger seus objetivos.
Cadelas. Nada mais que cadelas.

Angela Natel
29/08/2012

0 comentários:

Liberdade de Expressão


É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se:
“é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença"(inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da"argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.