Angela Natel On sábado, 8 de setembro de 2012 At 09:25

Do Livro:  Ok, sei que voi levar pancada neste texto. Nao está referenciado devidamente nem pronto com os conceitos bem construídos. Mas é um assunto interessante e talvez valha a discussão. Lembre meu público é o jovem de 17-19 anos de idade.
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Muita gente pensa  que religiões em geral e código de comportamento moral andam juntas. Se você quiser fazer o que quer é só não ter religião de espécie alguma. Errado.  O cristianismo, judaísmo e islamismo, as três principais religiões monoteístas (um deus só) do mundo certamente tem como núcleo ideológico um código moral  mas não é a mesma coisa na  maioria das outras religiões.
Você deve ter estudado mitologia grega na escola. O que chamamos hoje de mitologia era para os gregos a sua religião. E  era uma religião cujos ritos eram as  orgias mais intensas, adorações a deusas através de prostitutas e práticas sexuais perversas, etc.
Moral sexual e religião eram coisas que, para os gregos  não tinham nada a ver uma com a outra.  O mesmo acontece com religiões animistas, versões do budismo, taoísmo, etc. Os castigos que vinham dos deuses para os humanos vinham motivados por caprichos, querelas, perrengues, ódios e complôs dos deuses uns contra os outros. Os humanos eram seu playground, joguetes dos sentimentos muito humanos daqueles seres “divinos”.
Algumas religiões comportam definições sobre o conceito ideal de família por exemplo, ( pai (homem), mãe (mulher), e fidelidade sexual). Mas estas definições não são produzidas pela religião em si, mas sim da necessidade social. Definições culturais de família acontecem por uma questão de sobrevivência daquela sociedade.
Uma comunidade nawa entre o Brasil e o Peru por exemplo com que nossos indigenistas trabalhavam à primeira vista tinha um conceito muito fluido de família.  A permissividade total afetava as crianças e até os animais que criavam. Mas num estudo mais cuidade  revelou-se ser uma sociedade suicida. A tribo sofreu  por anos,  violentos estupros em massa que acabaram se tornando a marca registrada de seu contato com os “brancos”. Os homens não se respeitavam porque não foram capazes de proteger suas mulheres. As mulheres não conseguiam amar os filhos do ódio, nem a si mesmas. O desespero existencial tomou conta da tribo.
O sexo perverso,  uma arma de guerra, usada contra o povo para  conduzí-lo à subserviência,  é agora usado pelo próprio povo para produzir a auto-aniquilação. A religião animista que seguiam não teve nada a ver com um comportamento ou com o outro. A dor, a mágoa e a vergonha os guiou a um comportamento e eventualmente os guiaria ao fim de sua tribo, se não houvessem encontrado o caminho do perdão.
A família, e as noções de restrição sexual que a acompanham, representa a sobrevivência do povo como povo que é, com sua identidade coletiva. Abandonando-se a família, abandona-se a vida.  Ao contrário de sinalizar um paraíso idíllico, o sexo praticado de maneira ampla geral e irrestrita é suicídio generacional. O ser humano intui isto. É parte de nosso ser gregário, emocional feito para a intimidade, aceitação, amor. Por isto não existe sociedade humana sem definição do que seja família. E quando esta definição se dissolve a sociedade acaba.
As razões de ser para os códigos sociais de muitas religiões são externas à religião em si.  Derivam da cultura, das normas de comportamento preservadas por aquela sociedade como sendo ideais. A religião é usada como uma maneira de reforço  do status quo político ou social e as entidades divinas em si não tem nada a ver com a definição moral.
Reforçar o status quo, e com ele as regras de comportamento que o viabiliza é alvo das religiões pagãs. Só o cristianismo propôs uma revolução político-social e até continua sendo a religião que desestabiliza estruturas sociais de opressão de uns pelos outros.
A ligação entre o Deus judaico-cristão e regras de comportamento humano é bem diferente. Ao invés de ser um Deus que impõe regras externas a si mesmo o Deus é bíblico é sim um Deus moral porque ele se define como amor. O Deus que é amor faz e vive o bem. O bem se define moralmente. Para se dizer que existe o bem, tem que se aceitar que existe o mal. Tem que se julgar comportamentos humanos de acordo com estas definições e tem que aplicá-las na sociedade.
Pra que Deus seja mesmo de verdade um Deus de amor, ele tem que se importar com o jeito que você vive, e te definir um jeito de viver que não fira outros. Vou falar mais sobre isto mais tarde no capítulo sobre a verdade e a santidade.

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Liberdade de Expressão


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