Angela Natel On sábado, 29 de setembro de 2012 At 09:10


Por Hermes C. Fernandes

Quem nunca foi tomado por um forte sentimento de culpa? Quem jamais desejou voltar no tempo para consertar as coisas? Mesmo Judas, o apóstolo traidor, sentiu-se profundamente arrependido do que fizera ao seu Mestre. Lembro-me quando me emprestaram um livro chamado “Eu, Judas”, onde o autor tentava redimir a figura do apóstolo traidor. Entre suas teorias, talvez a mais contundente era a que dizia que Judas fora movido por um propósito altruísta. Ele achava que se “cutucasse a onça com vara curta”, Jesus se levantaria, assumindo Seu papel messiânico, arregimentando Seu povo para uma tomada de poder. A traição seria apenas um empurrãozinho. Mas as coisas não aconteceram como planejadas.

Quando Judas ouviu de Jesus que os discípulos deveriam se armar para acompanhá-lo até o Getsêmane, ele imaginou que finalmente a revolução ocorreria. Porém, Jesusjogou um balde de d’água fria em seus planos quando não apenas reprovou a atitude violenta de Pedro ao desembainhar sua espada para defendê-lo, como também colocou no lugar a orelha decepada de um dos soldados do Sinédrio que vieram prendê-lo.

Amargurado com os rumos dos últimos acontecimentos, Judas dirigiu-se aos principais sacerdotes e anciãos para devolver-lhes o dinheiro que recebera para trair seu Senhor. Tudo deu errado! Jesus fora condenado, preso, e em mais algumas horas seria crucificado. A conclusão a que Judas chegara foi expressa na frase: “Pequei, traindo o sangue inocente”. Já que não dava pra voltar atrás, pelo menos o dinheiro que recebera deveria ser devolvido. Mas para sua surpresa, os sacerdotes recusaram recebê-lo de volta.  E olha que trinta moedas de prata eram uma quantia considerável.  Como os sacerdotes recusaram-se a recebê-la, Judas atirou-a para dentro do santuário e retirou-se já resolvido a suicidar-se.

Que destino deveriam tomar aquelas moedas?

Por mais sórdidos que fossem aqueles sacerdotes, ainda lhes restara certo senso de ética. Em conselho convocado de última hora, concluíram: “Não é lícito metê-las no cofre das ofertas, porque é preço de sangue.”

Como alguém que foi capaz de subornar um dos apóstolos de Jesus para traí-lo, ainda seria capaz de posicionar-se eticamente? Por incrível que pareça, tal senso ético não tem sido facilmente encontrado em muitas lideranças cristãs. Ouvem-se rumores de líderes que aceitaram dinheiro do tráfico para financiar a construção de seus templos ou a aquisição de canais de TV. Soube do caso de uma igreja que apoiou a candidatura de um governador, e que após as eleições bem-sucedidas, veio cobrar-lhe uma secretaria, como havia sido prometido. O governador alegou que todas as secretarias já estavam ocupadas, e que só sobrara a Loteria do Estado (achando que certamente a igreja não aceitaria). Para a surpresa do governador (evangélico, diga-se de passagem), os dirigentes da igreja aceitaram de bom grado a direção do jogo no Estado.  Imagine: como uma igreja poderia pregar contra o jogo, se ela mesma é quem está à frente dele?

A conclusão a que chego é que os principais sacerdotes que condenaram Jesus eram mais éticos que muitos líderes evangélicos de nosso tempo. Que vergonha! Quantos ministérios edificados sobre "Campos de Sangue"? Quantas ofertas recebidas que foram fruto de extorsão, venda de drogas, vidas arruinadas, dinheiro público desviado que deveria ser usado na compra de ambulâncias, merenda escolar, segurança, etc.?

Como eu poderia subir ao púlpito com a consciência tranquila sabendo que o dinheiro que mantém meu ministério vem de fontes erradas? Como eu poderia pregar honestidade vendendo os votos do meu rebanho para um político inescrupuloso? Será que os fins justificam os meios? Será que Maquiavel tinha razão? Já que não somos católicos romanos, em vez de canonizá-lo, que tal elegê-lo como patrono de nossa causa? Há que se ter redobrados cuidados com ministérios que explodem de uma hora pra outra, comprando tudo que vê pela frente... Quem trabalha duro à frente de um ministério sabe que dinheiro não cai do céu...

Já que aquele dinheiro sujo não deveria ser depositado no cofre do templo, algo precisaria ser feito. Alguém teve uma “brilhante” ideia: Vamos utilizá-lo na aquisição de um campo para servir de cemitério para os estrangeiros. O conselho prontamente votou e aceitou.

O dinheiro foi considerado tão sujo, que mesmo que fosse usado na construção de um cemitério, este deveria ser destinado unicamente aos estrangeiros. Nenhum judeu poderia ser enterrado nele. A propriedade adquirida recebeu o nome de “Campo de Sangue”.

Interessante notar que o relato feito por Lucas difere um pouco de Mateus, que é o que temos considerado até agora. Segundo Lucas em seu relatório conhecido como Livro de Atos dos Apóstolos, o próprio Judas teria adquirido aquele campo com o“salário da sua iniquidade”.

Não creio que haja contradição entre Mateus e Lucas. O fato é que Lucas intencionalmente atribuiu a Judas a compra daquele campo para enfatizar o seu terrível destino. Como que por coincidência, Judas sai em busca de um lugar ermo para dar cabo de sua vida, avista uma árvore à beira de um precipício, pendura-se nela, com o peso do seu corpo, o galho se quebra, e ele se precipita no abismo, tendo suas entranhas espalhadas pelo campo. Era uma imagem horrível de ser ver. O que ele jamais poderia supor é que aquele lugar escolhido para ser cenário de seu suicídio era justamente o campo comprado com dinheiro que recebera pela traição.

Judas bem que tentou livrar-se daquelas moedas, mas elas o perseguiram até o fim.

Em contraste com Jeremias, que mesmo preso adquiriu, por ordem do Senhor, um campo em Anatote (que quer dizer “Resposta à oração”), o campo adquirido com o dinheiro da traição foi chamado de Acéldama, que significa “Campo de Sangue”.

Acéldama representa o fim da linha, o precipício do qual a alma humana se lança quando trai a si mesma. Toda traição é auto-traição. Ninguém trai alguém se trair a si mesmo. E toda a traição tem um salário e um custo. O custo jamais compensa o salário que se recebe dela.  E não adianta tentar fugir, lançar as moedas de volta ao seu lugar de origem. Elas nos acharão!

O precipício é o preço da precipitação. Precipitamo-nos sempre que sacrificamos nossos princípios  e valores no altar do imediatismo. Traímos nossas convicções por conveniência. Somos iludidos pela ideia de que é possível apressar o processo.

Um dia o que estava oculto vem à tona. As entranhas de Judas são expostas. E aí... será tarde demais.

Mateus 27:3-8 e Atos 1:15-19

http://www.hermesfernandes.com/2012/09/o-fim-da-linha-para-ministerios.html
Angela Natel On sexta-feira, 28 de setembro de 2012 At 09:19
Angela Natel On quinta-feira, 27 de setembro de 2012 At 08:35
Angela Natel On quarta-feira, 26 de setembro de 2012 At 05:59
Angela Natel On terça-feira, 25 de setembro de 2012 At 10:40

Sempre que ouço alguém dizer assim: “Eu sou uma pessoa verdadeira e transparente”, desconfio. Tem coisas que dispensam propaganda. Se alguém é de fato verdadeira e transparente, não precisa dizer, mas será naturalmente reconhecida por estas características. Quem sai em defesa de suas qualidades possivelmente não as tenham. Aquilo que sou é mais bem definido pelos que me observam, não por mim mesmo, posto sermos todos nós hipócritas.
Talvez os mais hipócritas sejam os que acabaram de discordar desta afirmação acima, já que ao discordar, estão, na verdade, elogiando a si mesmos.

A hipocrisia foi duramente combatida por Jesus Cristo, como sendo um dos piores vícios ou pecados. Os escribas e fariseus sofreram severa crítica dele por suas posturas tão semelhantes às nossas, cheias de fantasias exteriores. Máscaras.

A hipocrisia se define pelo indivíduo “duas caras”, mascarado, que diz uma, mas faz outra coisa. Atitude muito encontrada no meio político e também religioso, já que nestes meios circulam pessoas como eu e você.

O moralista francês François Rochefoucauld, desencantado com o gênero humano revelou, de maneira mordaz, a essência do comportamento hipócrita: “A hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude”. Ou seja, todo hipócrita finge emular comportamentos corretos, virtuosos, socialmente aceitos.

No capítulo onze do Evangelho de Marcos lemos que “… Vendo Jesus de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa; e, chegando nela, não achou senão folhas, porque não era tempo de figos.”

Jesus secou uma figueira. Amaldiçoou e secou porque foi até ela procurar figos e nada encontrou se não folhas. A figueira primeiro dá os figos e só depois nascem as folhas. Figueira com folha é figueira que deve ter fruto. Mas Jesus, com fome, encontrou uma figueira hipócrita. Linda, cheia de folhas, frondosa, mas que mentia. Tinha jeito de quem estava produzindo, mas nada produzia. Tinha aparência, mas não essência. Uma figueira mentirosa, fingida, mascarada por sua folhagem, com aparência de virtude, mas, uma propaganda enganosa. Uma figueira fingida: a síndrome da figueira frondosa. Por isso a figueira foi amaldiçoada, por despertar nas pessoas falsas expectativas e desejos que não poderiam ser satisfeitos, uma defraudação do faminto.

Jesus não amaldiçoou a figueira por ela não ter fruto e nem por ela não dar frutos. O texto conta que não era tempo de figos. Nem todas as pessoas darão frutos todo o tempo e algumas pessoas serão naturalmente mais frutíferas em suas vidas que outras pessoas. A questão não é dar ou não frutos. A questão é fingir que tem frutos.

Você não ser uma pessoa boa, não é problema para Deus, mas você hipocritamente fingir ser uma pessoa que de fato não é, isto é uma mentira que Deus não tolera: hipócrita! Quando vemos os perfis nas redes sociais descobrimos o quanto gostamos de nos pintarmos mais belos, cultos, “smarts” e antenados do que realmente somos…

Nossa objetivo deve ser, racionalmente, travar uma luta contra a “síndrome da figueira frondosa”. Não fingir ser o que, de fato, não sou, mas assumir-me em minhas fraquezas, medos, inseguranças, feiúras, burrices, egoísmos, arrogâncias, preconceitos… Lutando diariamente contra as minhas mazelas comportamentais e existenciais.


Angela Natel On segunda-feira, 24 de setembro de 2012 At 09:16





Antônio C.Costa



A teologia da Serpente


Na passagem da Parábola do Filho Pródigo, o Senhor Jesus está falando sobre Deus. Uma passagem teológica na acepção do termo. Ela nos fala sobre o ser de Deus, seu caráter e verdades que tenciona que conheçamos. Acontece que Cristo não é, segundo a bíblia, a primeira pessoa a se colocar de pé a fim de falar sobre Deus para seres humanos. Encontramos nas Sagradas Escrituras um outro personagem tencionando ensinar teologia também. Eu gostaria de chamar a atenção de vocês para essa teologia que nos é ensinada no primeiro livro da Bíblia, Gênesis, no capitulo 3, verso primeiro:

“Mas a serpente”, notem que podemos conhecer teologia através de Cristo, e através da serpente. Isso é muito importante de ser frisado e observado por nós. Nossa salvação está em jogo, como também a nossa saúde psicológica. Há uma diferença brutal entre conhecer Deus através de Cristo e conhecer Deus através da serpente.

Veja o que significa conhecer teologia através da serpente: “Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que Deus tinha feito, disse à mulher: ‘é assim que Deus disse – não comereis de toda árvore do jardim? ’

Uma característica da teologia da serpente é a incerteza. É a teologia da dúvida, da suspeição, que põe em cheque o caráter de Deus, a sua veracidade e Palavra. Note como que a serpente...eu abro um parêntese aqui...fica uma boa lição sobre batalha espiritual. A Serpente nunca nos apresenta o pecado nu e cru. O Diabo sempre começa com uma dúvida, antes de apresentar a sugestão concreta do pecado. Por quê? Porque isso seria muito alarmante. O texto prossegue dizendo: “respondeu-lhe a mulher, do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim – disse Deus, dele não comereis, nem tocareis nele para que não morrais. E, aí então, mais um item da teologia da serpente nos é apresentado. “É certo que não morrereis.”

Uma característica da teologia da serpente é colocar nos lábios de Deus, o que Ele nunca falou. E o texto prossegue afirmando: “Porque Deus sabe que nos dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e como Deus serão conhecedores do bem e do mal.

Uma outra característica da teologia da serpente, segundo o livro de Gênesis é a comunicação da idéia de que Deus é um Deus arbitrário e pede de nós sandices – exigindo da sua e da minha vida o que não podemos dar – um mero capricho. É uma teologia que joga Deus contra o homem.

É uma teologia que não traz sentido para um culto como este. Uma teologia que nos revolta. Fazendo com que vejamos Deus como quem pede de nós aquilo que é absurdo e inviabiliza a nossa vida. Um ser nada interessado na nossa felicidade.

Se no capítulo 3 de Gênesis, nós vemos a serpente ensinando uma teologia que joga Deus contra o homem – fazendo com que este sinta raiva do Criador – na Parábola do Filho Pródigo, o Senhor Jesus trata de inverter o veredicto da serpente, mostrando outra espécie de teologia. Uma teologia que encanta, enternece que faz com que a prostituta com doença venérea, que não freqüenta sinagoga, tome a decisão de ouvir a Jesus Cristo e voltar para a casa do Pai.

É o que estava acontecendo naqueles dias. Esta parábola tem um contexto histórico definido que pode ser observado por todos nós. Prostitutas, cobradores de impostos estavam andando com Cristo. E, a liderança judaica olhando aquilo, julgou a Cristo. Levantando a seguinte questão: ‘Como que um homem que se diz um enviado por Deus, um profeta pode andar com transgressores da lei". Não é que aquelas pessoas não estivessem correspondendo às expectativas sociais do povo hebreu. Elas estavam de fato é transgredindo a lei de Deus e, contudo, andavam na companhia de Cristo. Ele permitia que aquelas pessoas gozassem do seu convívio. Para que a liderança judaica entendesse o que estava acontecendo, Cristo inventou três parábolas. A parábola da ovelha perdida, da dracma perdida e do filho perdido. E nesta parábola Cristo trata de ajudar os teólogos de Israel a entender o que estava acontecendo. Aquelas pessoas estavam voltando para a casa de Deus. Estavam dizendo: “Levantar-me-ei e irei ter com o meu Pai.” Ou seja, isso é de arrepiar. Houve alguma coisa na mensagem de Cristo que fez com que aquela gente se voltasse para Deus depois de anos e anos de pressão religiosa infrutífera – que só as manteve mais afastadas ainda do seu Criador.

Cristo trata, então, de descrever o que estava acontecendo. As pessoas através de sua mensagem, tomaram o conhecimento do conceito de pecado. Pecado não significa deixar de cumprir os mandamentos arbitrários de um ser neurótico, que tem um prazer patológico em se afirmar sobre as pobres criaturas sujeitas à morte que Ele mesmo criou. Pecado é gastar a nossa herança. É pecar contra aquele que nos sustenta – que se constitui na origem de nossa vida – o mantenedor do nosso fôlego de vida. Quando você dá um soco em alguém, não poderia fazer este movimento se não fosse pelo poder de Deus. Um segundo antes do golpe você poderia ter feito um aneurisma e morrido. Esse é o Deus que sustenta a sua vida, a quem Jesus Cristo chama de Pai. Pecar contra este Deus é pecar contra um Ser amável - o Pai. Não é pecar contra o demônio nosso que está nos céus.

Em seguida, Cristo descreve a conseqüência imediata do pecado. O pecado faz com que nos vendamos a pessoas que não tem interesse pela nossa vida. Ele nos nivela aos animais – nos leva ao chiqueiro, à miséria, nos conduz a desperdiçar toda a riqueza que nos foi dada graciosamente por Deus.

Acontece que Deus pode usar este estado de miséria para que nós possamos voltar para casa. Só de pensar no que tenho para dizer a vocês me dá vontade de orar na língua dos anjos, de tanta alegria. Veja o que aconteceu. Aquelas prostitutas e cobradores de impostos estavam se convertendo e Cristo trata de descrever o acontecido: "O que vocês não conseguiram com sinagoga, o Pai está operando na vida destas pessoas, através da minha mensagem. Estas pessoas estão se convertendo e o Pai está feliz!" Por que Jesus disse que elas estavam se convertendo? Porque estavam ocorrendo dois fenômenos nas vidas delas através da mensagem de Cristo. Primeiro estavam expressando arrependimento por seus feitos passados. Diziam: “Pai pequei contra o céu e diante de ti, não sou digno de ser chamado teu filho" – isso é arrependimento.

Só que, conversão é um voltar-se para Deus em arrependimento e fé. Aquelas pessoas não estavam apenas se arrependendo, estavam também crendo na mensagem de Cristo. Crendo no amor de Deus revelado através da mensagem do Evangelho que Cristo proclamava. Esse Evangelho que faz com que participemos da festa pelo retorno na maior "cara de pau".

Cristo está dizendo: esta gente está permitindo a si mesma ser tratada por Deus com doçura. A minha mensagem tornou-as imunes à mensagem da religião. Vocês não têm mais o poder sobre suas consciências. Elas estão surdas ao “irmão mais velho”. Estão aceitando anéis nos dedos, sandálias nos pés, vestes novas e comendo o novilho cevado. Estão na festa na maior “cara de pau” porque o amor de Deus é maior do que seus pecados. Elas descobriram isso!

Cristo trata então de descobrir a razão de ser da salvação daquelas pessoas. E do porque da conversão delas haver ocasionado festa nos céus. Cristo revela o amor de Deus e faz pelas nossas vidas o oposto do que a serpente fez no Jardim do Éden: ao invés de apresentar um Deus contra nós, apresenta um Deus que é a favor de nós.




***
Antônio Carlos Costa é pastor da Igreja Presbiteriana da Barra, Presidente do Rio de Paz e há dez anos apresenta o programa de televisão Palavra Plena.


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Angela Natel On domingo, 23 de setembro de 2012 At 07:19


Por David Murray ►

Você tem uma escolha.

Opção 1: O menor pecado imaginável, um pecado que lhe traria enorme riqueza e outros prazeres materiais.

Opção 2: O maior sofrimento que se possa imaginar por rejeitar esse pequeno pecado.

Sua escolha, por favor. Ou talvez você queira ler isso antes.

Em seu sermão sobre a escolha de Moisés por Cristo ao invés dos prazeres do Egito (Hebreus 11.25), o puritano Thomas Manton argumenta que o cristão saudável irá escolher a maior aflição em vez do menor pecado. Ele, então, dá uma série de razões “porque a maior aflição é melhor do que o menor pecado”.

1. No sofrimento a ofensa é feita a nós, mas ao pecar a ofensa é contra Deus, e que somos nós comparados a Deus?

2. O pecado nos separa de Deus, mas o sofrimento e aflição não, e, portanto a maior aflição deve para ser escolhida diante do menor pecado.

3. O pecado é o mal em si, quer o sintamos ou não, mas a aflição só é má para nossos sentidos e sentimentos.

4. A aflição traz inconvenientes somente sobre o corpo e as preocupações do corpo, mas o pecado traz inconvenientes sobre a alma.

5. Um estado de aflição é compatível com ser amado por Deus, mas um estado pecaminoso é um sinal do desagrado de Deus.

6. Aflição pode ser bom, mas o pecado nunca é bom.

7. Não há nada que humilhe um homem mais do que o pecado.

8. Aflições vem de Deus, mas o pecado do diabo.

9. A aflição é enviada para impedir o pecado, mas o pecado não deve ser cometido para evitar a aflição.

10. O mal do sofrimento é momentâneo, mas o mal do pecado é para sempre.

11. Nos sofrimentos e perseguições perdemos o favor dos homens, mas pelos pecados perdemos o favor de Deus.

12. Sofrer não é nossa escolha, mas pecar é escolha nossa. Aflições são infligidas, os pecados são cometidos.

13. Um homem aflito pode morrer alegremente, mas um homem em pecado não.

14.  O pecado é contrário à nova natureza, mas a aflição é contrária apenas à velha.

15. Quando você deliberadamente escolher o pecado, em pouco tempo terá a maior das aflições.

Ainda quer ficar com a sua escolha?


Traduzido por Josie Lima | iPródigo.com


Fonte: http://www.hospitaldalma.com/2012/08/15-razoes-pelas-quais-e-melhor-sofrer.html#ixzz25EBlSEp4
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Angela Natel On sábado, 22 de setembro de 2012 At 06:30




Luís Borges *

Dedicado ao amigo Pr. Ms. Cláudio Moreira

“Não tire vantagem do trabalhador, apenas porque é pobre, nem se aproveite daqueles que não tiverem quem os defenda no tribunal, pois Deus defenderá a sua causa” [...]  (Provérbios 22: 22-23)

Na época em que fui estudante de Filosofia e militava na política estudantil nos idos da década de 1980, vivíamos dias de grande entusiasmo com a perspectiva da Revolução Sandinista, na Nicarágua. Alguns dos grupos revolucionários mais significativos desse processo de transformação política na América Latina eram os adeptos da Teologia da Libertação, especialmente na formulação que lhe dera o filósofo e teólogo Enrique Dussel.

Entre os professores mais brilhantes, cujas aulas nos encantavam, estava o Dr. Jandir Zanotelli, que era o tradutor das obras de Dussel no Brasil. Além disso, pudemos conhecer pessoalmente e ouvir as conferências do autor de Filosofia da Libertação no I Encontro de Filosofia Latino-Americana, ocorrido em Pelotas, em setembro de 1986. Desse evento eu saí com a firme convicção de que a Filosofia / Teologia da Libertação não era mais que a cristianização do marxismo e que, no fundo, praticamente não havia muita diferença entre os objetivos de ambos, uma vez que propugnavam a Justiça social e a dignidade humana. O resto eram divergências pontuais, ligadas a questões teóricas ou metafísicas.

Alterei profundamente essa posição. Ao observar os processos históricos e a sucessiva falência dos sistemas, tanto capitalista quanto do chamado “Socialismo real”, percebi que a Justiça, tal como se apresentada no Evangelho, é mais profunda e mais abrangente.

Uma das mais terríveis acusações (parcialmente verdadeira) feitas à Igreja é que, ao longo de sua história, ela se tem posto ao lado dos opressores. A Igreja como instituição – santa e pecadora – nos descaminhos da história tem, por vezes, se desviado do ensino de Cristo, promovendo um cristianismo sem comprometimento com a Palavra de Deus, essencialmente libertadora, não apenas dos “pecados sociais”, mas do pecado como tal, que é a raiz de toda injustiça.

A Bíblia fala mais de duas mil vezes nos pobres e em suas demandas. Por isso fico muito surpreso com certas práticas da Igreja contemporânea que vem atraindo multidões com um apelo à ganância e ao individualismo, exatamente fatores que geram pobreza e injustiça, os quais foram fortemente condenados por Jesus. Evidentemente, não faço o discurso de um Cristianismo pauperista. Deus prospera o seu povo (1Rs 2, 3) Entretanto, o conceito bíblico de prosperidade é muito mais amplo que a riqueza material (Sl 127, 3). Vale dizer ainda, considerada a prosperidade em termos econômicos, também neste sentido nunca é um fim em si mesmo, resultado da exploração do trabalho alheio, da degradação da qualidade de vida das pessoas ou da destruição planetária. Isso porque o conceito bíblico de prosperidade não visa à satisfação egoísta de um grupo ou de um indivíduo contra os interesses e necessidades da comunidade.

Cada uma a seu modo, tanto a Teologia da Libertação (1) quanto a chamada Teologia da Prosperidade (2) representam distorções da mensagem evangélica, no que tange à Justiça Social.

Vivemos num mundo extremamente violento e individualista. O individualismo, a despeito de ser uma atitude identificável em todas as eras, como corrente político-filosófica se afirma com o Iluminismo e o movimento Liberal, que erigiram as bases práticas, éticas e econômicas do capitalismo.

Com os graves problemas que acompanharam a Revolução Industrial surgiram também diversas doutrinas que, reagindo a eles, procuravam criticar o sistema social e político. Entre as mais influentes estão o Socialismo, o Utilitarismo, o Positivismo e o Anarquismo, cada qual com seus respectivos matizes, representados por variados autores e movimentos. De maneira aparentemente semelhante às citadas correntes do pensamento político-social, o Cristianismo possui a luta pela justiça como um de seus elementos centrais. Apesar disso, conforme se advertiu, o Cristianismo se distingue dos grandes sistemas de reforma social porque não alimenta ilusões quanto à natureza humana, essencialmente egoísta e corrupta. Sob esse prisma, o Cristianismo, como expressão de pensamento social, é o único corpo doutrinário que não atribui a injustiça à falha na administração dos sistemas, mas ao fracasso moral do próprio homem, o qual entregue a si mesmo não está à altura dos nobres ideais que falaciosa e orgulhosamente proclama (Jo 15, 5).

Se tivéssemos que aproximar o Cristianismo de alguma Filosofia e Teoria Política, estas talvez fossem o Personalismo, de Emanuel Mounier, e o Solidarismo (3) , que embora não possa ser considerado uma filosofia homogênea, possui como base o pensamento de Leon Bourgeois (4) , Émile Boutroux (5) e Célestin Bouglé (6).

A “ditadura do ego”, que coloca a tudo e a todos debaixo dos interesses do indivíduo, é a fonte dos grandes males que assolam a humanidade. Nessa medida, o Cristianismo é intrinsecamente anti-individualista (Mt 18, 20). Entretanto, o Cristianismo não só respeita as diferenças individuais, como também reconhece e se empenha na defesa dos direitos daí advindos. Os direitos coletivos não podem esmagar o indivíduo, assim como não se pode prejudicar a sociedade sob o pretexto da liberdade individual.

De forma diferente das usuais práticas políticas, tão antigas quanto a própria humanidade, riqueza e poder nos termos do Cristianismo são sinônimos de Serviço ao próximo. Ao cristão nada que possa trazer vantagem ou privilégio, cuja condição seja o prejuízo de outrem, lhe interessa. Não foi à toa que Jesus elegeu como a lei mais importante, depois de amar a Deus sobre todas as coisas, o amor ao próximo, pois – continua o Divino Mestre – “aquele que diz amar a Deus, que não vê, e não ama seu irmão, que vê, é um mentiroso” (1 Jo 4: 20-21).

A utopia cristã, apesar das contradições que perpassam a história da Igreja, como instituição também humana, diferentemente das utopias do humanismo secular (7), é que ela só poderá se realizar em plenitude para além da dimensão histórica, na eternidade, no Céu. Em referência e em desconformidade com isso os revolucionários da Comuna de Paris de 1871 pretendiam “assaltar o céu”. Pensavam, equivocadamente, que o Cristianismo jogava as questões concretas da política e da economia para uma vaga compensação dos injustiçados num reino além-vida, tornando-os resignados e, por esse motivo, auxiliando os poderosos a manterem o status quo. Este foi o conceito, basicamente, expresso na célebre frase de Marx: “A religião é o ópio do povo”, constante em sua obra A crítica da Filosofia do Direito de Hegel (1844).

Ao considerar, segundo os princípios do materialismo histórico e dialético, a religião (ele não faz distinção entre religião e espiritualidade) um mero produto social, Marx reduz o homem – por definição irredutível e indefinível – à matéria dotada de consciência, esta, por sua vez, produto das relações materiais de produção. O resultado desse “homem minimizado” é uma ética empobrecida e interesseira, embora, sob certo aspecto, altruísta. A ética marxista é calcada no utilitarismo revolucionário, isto é, os fins justificam os meios. Esse relativismo ético levou à tragédia do stalinismo que, em termos de totalitarismo e violência, não se diferencia muito do nazismo, do fascismo ou do capitalismo selvagem.(8) Em suma, o homem, independente do sistema político, sem Deus está irremediavelmente perdido.

A crítica de Marx e outros aos problemas sociais não são novidade para o Cristianismo. Fernando Bastos de Ávila em sua obra Antes de Marx: as raízes do humanismo cristão (2003), afirma: “Muitos elementos integrados por Marx em sua síntese [o Manifesto de 1848], como dados originais, de fato, ele os encontrou elaborados numa corrente de pensamento que inundara o cenário cultural europeu. Antes de Marx, pensadores cristãos já conheciam o mecanismo da plus-valia e tinham descoberto, no processo espoliador do capitalismo, a causa secreta da questão social. Até expressões habitualmente atribuídas a Marx, como a exploração do homem pelo homem, são encontradas ipsis literis na tradição pré-marxista.”

Engana-se o Humanismo ateu ou agnóstico, sob todas as suas formas, ao propugnar que a filosofia, a ciência e a tecnologia são os únicos pressupostos da emancipação humana. Por quê? Ora, a própria história testemunha inelutavelmente o fracasso do homem e de seus sistemas em promover a justiça e a paz. Apesar de todas as conquistas científico-tecnológicas e do inegável desenvolvimento social e institucional obtidos duramente ao longo de séculos, a humanidade – embora já disponha de meios para tanto – não conseguiu abolir o horror das guerras, sanar o vergonhoso flagelo da fome, impedir a destruição da natureza, proporcionar condições dignas de saúde, educação e emprego a todas as pessoas. Desenvolveram-se fantásticos meios de comunicação e milhões vivem solitários; há uma poderosa indústria do lazer, da qual muitos se valem, numa inútil tentativa de superar o vazio existencial e a depressão.

O egoísmo é uma das expressões mais características de nossa natureza pecaminosa e não permite e jamais permitirá que o homem realize a Justiça, pois “não há um justo sequer” (Ec 7, 20). Não se depreenda daí que o Cristianismo professa uma visão pessimista do homem e da vida, recomendando a apatia e o indiferentismo diante dos problemas sociais e políticos. A Bíblia apenas descreve a natureza humana tal qual é. Na peculiar expressão do escritor João Simões Lopes Neto, no conto Boi Velho: “Cuê-pucha!... é mesmo bicho mau, o homem!”

Num mundo desesperançado e violento, terreno fértil para que vicejem a ganância e o individualismo, observamos cada vez mais estupefatos o grau de crueldade, crime e torpeza a que se chegou, cujas trágicas consequências estão cotidianamente estampadas nas manchetes dos jornais. Em meio a tanta depravação e sujidade apenas Jesus Cristo pode se apresentar como o “caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6).

Quando Jesus instituiu a Grande Comissão (Mt 28: 19-20) não nos chamou a uma responsabilidade abstrata, reduzindo o Evangelho a uma mensagem espiritual evasiva. Trata-se de uma ordenança integral. O Evangelho é tanto o anúncio da Boa Nova da Salvação em Cristo, quanto a denúncia do mal no mundo. O Antigo Testamento prenuncia essa concepção: João Batista não foi decapitado por proclamar a verdade, mas por escancarar a mentira e a corrupção dos poderosos, a quem Deus “despacha com as mãos vazias” (Lc 1, 53).

Só Jesus Cristo, como único e suficiente salvador em todas as dimensões da existência, pode suprir as forças do homem decaído em direção a um mundo melhor. Esse “outro mundo possível”, mais solidário, aprazível, pacífico e equânime é indissolúvel da seguinte constatação: os sistemas não conseguiram mudam favoravelmente o mundo, nos termos a que se propõem. Mas os homens podem pensar sistemas e tecnologias para melhorar o mundo. Contudo, só Deus pode mudar os homens suficientemente para fazê-lo com honestidade e eficácia.

Toda opressão, miséria, violência e discriminação desagrada a Deus. Em Cristo Jesus temos a restauração da dignidade da vida – e Ele no-la dá em abundância (Jo 10, 10). A regeneração operada por Cristo não é apenas individual, abrange também o social e começa desde agora, para alcançar a plenitude na Eternidade.

Deus, por meio de Cristo, instruiu os cristãos a se comprometerem com todos os que sofrem, assim somos impelidos para a ação social e política transformadora, animada pelo amor ao outro, independente de professar ou não a nossa fé, conforme declara a Escritura (Ts 5, 15).

Certamente você conhece pessoas íntegras, estaria disposto a confiar sua vida e seus havares, cem por cento, a elas? A maioria de nós também se considera uma pessoa decente, mas você assumiria diante da humanidade inteira que é totalmente digno de confiança? Se você responder sim a estas duas perguntas só lhe restarão estas alternativas: ou é inacreditavelmente ingênuo ou completamente maluco. A Bíblia adverte: “maldito é o homem que confia no homem” (Jr 17, 5). Isso não significa que não possamos confiar em nada nem em ninguém, mas que somos falíveis, ou seja, somos humanos e como tais, incapazes de criar sistemas perfeitos. Dessa maneira, depositar todas as esperanças em pessoas, sistemas ou ideologias como panacéia é conceder condição de absoluto ao que é apenas relativo. Sim, os homens podem e devem melhorar o mundo, mas lembrando-se de que em sua própria força estão fadados ao fracasso. É na força do Espírito Santo, o consolador, o guia, aquele que fortalece e “instruí o homem para toda boa obra” (2 Tm 3, 17), que esse mundo, que “jaz no Maligno” (1 Jo 5, 19), pode esperar não sucumbir, enquanto esperamos pela parousia de Cristo na consumação total da Justiça e do Amor.



* Luíz Borges é coordenador Regional de Educação e Cultura da IEQ. Mestre e Doutorando em Educação (UFPEL) e doutorando em Teologia (Universidade Metodista/SP)



NOTAS

1 Corrente teológica que possui como expoentes principais Gustavo Gutierrez, Leonardo Boff e Enrique Dussel.
2 Corrente teológica que possui como expoentes principais Joel Osteel e Rick Warren.
3 Para mais detalhes vide ÁVILA, Fernando Bastos de. Solidarismo: uma alternativa para a globalização. Editora Santuário, 1997.
4 Autor de Solidarité (1896).
5 Autor de Enssai d’une Philosophie de La Solidarité (1902).
6 Autor de Le solidarisme (1907)
7 Existe também o chamado “humanismo cristão”. No século 18, o termo “humanismo” praticamente esteve identificado com uma atitude puramente secular. No entanto, os estudos da Cultura Clássica, também foram retomados por eruditos cristãos, tais como o inglês John Colet (c. 1467-1519), que desenvolveu métodos para o estudo da Bíblia, fundamentado nos os humanistas italianos. Também Erasmo pode ser incluído entre os mais influentes pensadores do chamado “humanismo cristão”. No século 20, o termo tem assumido uma série de diferentes conotações, muitas vezes, conflitantes. Entre os mais conhecidos pensadores do “humanismo cristão” contemporâneo estão Jacques Maritain e Hans Küng.
8 Para mais detalhes vide: CORTOIS, S.; WERT, N. O livro negro do comunismo. Editora Bertrand do Brasil, 1999 e também PERRAULT, Gilles (Org.). O Livro negro do capitalismo. Editora Record, 2000.









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Angela Natel On sexta-feira, 21 de setembro de 2012 At 06:00



Somos todos cadelas
Rosnando a quem se aproxime
Ou ameace nossos interesses.

São planos e bens
Visões do além
Crenças, opções sexuais
Que abraçamos acima de tudo e de todos
 E ai de quem fale contra, de quem ouse contrariar
Ai de quem manifeste  contrariedade
Ou tente nos questionar.
A sociedade não importa,
Mostramos os dentes
Porque somos cadelas em frente à cria de nossas histórias
São vidas vazias, são outras memórias
Pecado social (injustiça institucionalizada): eu defendo o que é meu
Ai de quem ultrapassar minha fronteira.
Sou cadela enfurecida, uso a lei a meu favor,
E mesmo quando se manifesta em prol do que lhe é próximo
Ganha IBOPE com isso, alimenta seu ego, planos e labor.
Somos todos cadelas no ninho a rosnar.
Somos todos injustos, cada um buscando seu interesse
Erguendo o punho a praguejar
Contra o diferente, o estranho, aquele que me vem discordar
Não vivemos mais juntos, não nos unimos, não lutamos uns pelos outros.
Somos ingratas cadelas
Preocupados em defender nossos deuses sem nenhuma capacidade de olhar para quem se encontra ao nosso lado, muito menos lhe estender a mão.
Deus não precisa de advogados, não há quem possa defendê-lo. Nunca Ele manifestou desejo de que fôssemos contra os que inventam argumentos para refutar nossa fé.
Mas como cadelas em torno de nossa cria que nada mais é que um deus inventado que precisa ser defendido, precisa ser  ajudado com nossas orações de poder, nos levantamos em fúria, em nossas manifestações  e campanhas para desmoralizar aqueles a quem deveríamos amar.
Porque se Deus, a quem precisamos amar acima de todas as coisas, se fez carne, tornando-se um homem, fica evidente que precisamos amar a humanidade – a cara que Deus assumiu.
Mas cadelas não amam. Cadelas agem por instinto, apegadas em seu zelo por sobrevivência. 
Como cadelas vagamos  agarrados em nossas opções sexuais, lutando com unhas e dentes contra os diferentes.  Não os amamos, não os recebemos em nossas casas, não os queremos visíveis aos nossos olhos.
Porque somos cadelas, e certas escolhas ferem nossas convicções. E cadelas não sabem amar.
Como cadelas gritamos contra os que se entregam a cultos religiosos com os quais não concordamos. São visões diferentes, estranhas, e não pensamos numa possibilidade de convivência pacífica. Porque somos cadelas, tal convivência não interessa, contanto que se defenda somente o que se concorda.
Nossa cria são nossas visões cristalizadas, as condições que impomos aos outros para que se aproximem de nós, os planos dos quais não abrimos mão, as decisões sobre as quais não permitimos questionamento, são nossos preconceitos, os rótulos que colocamos sobre as pessoas. Cada item defendido como se não houvesse outra opção, como se o mundo girasse em torno de nossas cabeças – nos tornamos os deuses de nós mesmos, as cadelas enfurecidas prontas para atacar o primeiro que se atrever a ameaçá-las.
Quando deixarmos de agir como cadelas neste mundo de ninguém, olharemos mais para o outro do que para o próprio umbigo, e o Reino de Deus que é coletivo poderá ser instaurado em pessoas que lutam contra a injustiça, ainda que institucionalizada, buscando a paz e priorizando o pobre, o excluído e o marginalizado, como Jesus fez.
Se não quisermos mudar de atitude, de pensamento, nem de prioridades, não seremos na da além de cadelas numa geração consumista e alienada das conseqüências do que faz.
Cadelas egoístas, que usam seus relacionamentos a fim de proteger seus objetivos.
Cadelas. Nada mais que cadelas.

Angela Natel
29/08/2012
Angela Natel On quinta-feira, 20 de setembro de 2012 At 06:30




Por Hermes C. Fernandes


Segundo o diagnóstico dos reformadores do século XVI, o problema central do ser humano era a justiça própria. Foi a partir dessa conclusão, que eles estabeleceram a “Justificação pela fé” como a bandeira principal do cristianismo protestante.

Se fosse possível ao homem salvar-se mediante boas obras, isso retroalimentaria seu orgulho, cativando-o para sempre em um ciclo do pecado. Somente a graça seria capaz de romper com este ciclo, pois a mesma seria um golpe desferido por Deus no orgulho humano, salvando-o de si mesmo.

Embora concorde com as doutrinas defendidas pelo protestantismo histórico, acredito que houve um erro de diagnóstico. O problema humano não repousa sobre a justiça própria. Na verdade, a justiça própria equivale a um remédio errado que foi ministrado em cima de um sintoma.

Sabemos, pelas Escrituras, que o problema humano se chama “pecado”. Ainda que o conceito seja exclusivo das religiões originárias em Abraão (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo), todas as outras religiões concordam que alguma coisa esteja errada com o ser humano. E todas elas, exceto o cristianismo bíblico, acreditam que o remédio para isso é a justiça própria. Para superar sua alienação espiritual, o homem teria que praticar boas obras, que expressassem seu senso de justiça e retidão.

De acordo com as Escrituras, nossas boas obras são como trapos de imundícia (Is.64:4). Era assim que se chamava o pano usado pelas mulheres para conter o fluxo menstrual. Em outras palavras, nossas boas obras são uma tentativa inútil de conter nossa hemorragia espiritual. E por melhores que sejam, estão sempre manchadas pelo nosso pecado. Por isso, a salvação não poderia ser pelas obras, pois elas estariam manchadas pelo nosso orgulho e vaidade.

Quando os reformadores se aperceberam disso, resolveram combater a justiça própria, mostrando aos homens que a única maneira de serem salvos é confiar na justiça divina, demonstrada na Cruz, onde Cristo recebeu nossos pecados e suas conseqüências, e nos imputou Sua justiça e santidade. Aos olhos de Deus, tornamo-nos justos, a despeito de nossas obras, quando reconhecemos nossa bancarrota, e nos fiamos na justiça de Seu Filho Jesus. É pela fé, e tão somente por ela, que Sua justiça é computada em nossa conta.

Até aí, tudo bem. Não há o que rebater. Basta ler Romanos, Gálatas, e toda a Bíblia, para dar-se conta de que a justificação pela fé é uma doutrina imprescindível e inegociável.

A Justificação pela Fé estanca a hemorragia provocada pelo pecado, mas não nos cura de nossa anemia.

É importante combater a justiça própria, pois ela nada mais é do que um placebo, um “me-engana-que-eu-gosto”. É importante estancar a hemorragia, em vez de tentar contê-la com boas obras. Mas acima de tudo, é importante restaurar a saúde espiritual do ser humano. E pra isso, tem-se que combater o pecado. E o que seria o “pecado”?

Ora, o termo “pecado” significa “errar o alvo”. Mas acerca de quê alvo estamos falando? Qual o alvo original estabelecido por Deus à criatura humana?

Essa resposta pode ser encontrada nos dois principais mandamentos de Deus. Eles se constituem no alvo de nossa existência.
“...Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e grande mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas”(Mt.22:37-40).
Eis o alvo! Fomos feitos para o amor. E o alvo deste amor é Deus, e, por conseguinte, nossos semelhantes. Porém, ao cair, o homem desvirtuou o alvo, e introduziu um novo alvo: seu próprio eu.

Quem disse que Deus ordenou que o homem amasse a si mesmo? O amor próprio é a essência do pecado. É o próprio pecado. Deus jamais nos ordenaria que pecássemos. Ao dizer que deveríamos amar a nosso próximo como a nós mesmos, ele não está endossando o amor próprio, mas condenando-o. Com efeito, Ele disse: O amor que vocês nutrem por si mesmos, devem dedicar aos outros em vez de a si. O “amor próprio” aqui entra apenas como um referencial, e não como algo louvável e que deva ser estimulado.

As religiões aparam os ramos, e eles continuam a frutificar. O golpe desferido pelos reformadores atingiu o tronco da árvore, e não a sua raiz. Urge desferirmos um golpe na raiz da árvore, o amor próprio.

Todos os pecados têm no amor próprio seu ponto de partida.

Por exemplo: a mentira. Geralmente, a mentira visa a auto-promoção ou a auto-preservação. O indivíduo mente para promover-se, exagerando em seus dotes, enfatizando suas proezas. Ou mente para proteger-se. Portanto, a mentira é filha do amor próprio.

E o adultério? Quem se entrega a uma relação adúltera busca por auto-satisfação, sem importar com a dor que causará ao seu cônjuge e filhos.

Auto-promoção, auto-preservação e auto-satisfação são os principais alvos estabelecidos pelo amor próprio.

Há ainda a filha caçula do amor próprio, a auto-estima, um nome mais sofisticado para o velho orgulho. E há ainda o sobrinho do amor próprio, a auto-ajuda, tão em voga em nossos dias. Em vez de buscar ajuda do auto, o homem pós-moderno prefere acreditar em seu próprio potencial para resolver todos os seus problemas.

O antídoto para a justiça própria é a graça. Através dela a justiça humana é desbancada, e em seu lugar é entronizada a justiça de Deus. E qual seria o antídoto para a o amor próprio?
O antídoto para o amor próprio é a cruz.

Os reformadores protestantes enfatizaram a morte de Jesus em nosso lugar, mas se esqueceram de dar igual ênfase à nossa co-crucificação. Dizer que Jesus morreu por nós é a mais pura verdade, mas não expressa toda a verdade. Ele morreu por nós, mas nós também fomos crucificados com Ele.

O apóstolo Paulo conjuga com maestria essas duas verdades:
“Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressurgiu” (2 Coríntios 5:14-15).
O amor revelado na Cruz deve constranger-nos a ponto de não mais vivermos para nós. A Cruz é um golpe fatal no amor próprio.

Paulo compreendeu isso perfeitamente: “Estou crucificado com Cristo, e já não vivo, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl.2:20).

Onde foi parar a auto-estima de Jesus? Como Ele pôde entregar-Se de tal maneira por gente que sequer merecia?

Jesus estabeleceu um novo referencial de amor. Antes da Cruz, a referência mais eloqüente que o homem tinha era o amor próprio. Mas agora, Jesus o desbancou, entregando-Se por nós sem reservas.

E é este o tipo de amor que devemos dispensar aos nossos semelhantes.

Pela Cruz, somos salvos não apenas da condenação do inferno, ou da ira divina, mas somos salvos de nós mesmos.

Pelas pisaduras de Cristo, fomos curados de nossa hemorragia e de nossa anemia espiritual.
Agora somos instados a amar a Deus sobre todas as coisas e aos nossos semelhantes da maneira como Ele nos amou, e não como a nós mesmos.

Tudo isso sugere que o que a igreja cristã necessita não é de mais uma reforma, nos moldes do século XVI, mas de uma revolução de amor, onde o amor próprio seja deposto, e em seu lugar seja entronizado o Novo Mandamento de Jesus.


http://www.hermesfernandes.com/2009/08/eu-me-amo-eu-me-adoro.html

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