Angela Natel On segunda-feira, 20 de agosto de 2012 At 07:13

Você já ouviu muitas vezes que só cremos em Deus porque projetamos nossa necessidade de crer em Deus no Universo. Este é um argumento muito usado pelos ateus. Deus é uma invenção de nossa cabeça… Interessante que este também é um argumento usado pelos teólogos. Um deles, muito antigo, Anselmo de Cantenbury no século XXI até inventou um teorema lógico  à respeito, que é chamado de Argumento Ontológico.
A idéia é mais ou menos assim. Nada pode existir no entendimento humano se não existir primeiro na realidade. Ou seja, se existe no entendimento tem que necessariamente ser real, porque a realidade é sempre maior do que o entendimento. Se Deus é o maior ser do Universo superior a tudo o que existe e ele existe em nossa cabeça, tem que existir na realidade, senão seria impossível conceber-se uma idéia que é maior do que Ele mesmo. É mais ou menos isto, a  idéia de Deus é grande demais para ser criada por alguém que é menor do que Ele.
O filósofo Immanuel Kant rebateu o Argumento Ontológico, dizendo que existir não é um predicado, uma propriedade ou estado que a pessoa possui. Portanto esta condição tem que ser verificável no universo. Se não é, é porque a coisa não existe. Muitos cristãos criticaram o argumento de Anselmo e outros continuam defendendo.
Um deles é o filósofo cristão contemporâneo Alvin Plantinga. Ele  reconstruiu o argumento ontológico com uma lógica aparentemente  tão perfeita do que a de Kant. Ele diz, que se existe um ser de grandeza máxima, (onisciente, onipresente, onipotente) deve existir um mundo em que a existência deste ser seja possível. Se existe existe este mundo existe este Deus…
Mas o próprio Alvin Plantinga  mesmo diz que nunca perder um argumento lógico levou ninguém a Deus.  Provar que 5+2=7 não faz diferença nenhuma pra quem não quiser crer. A lógica da existência de Deus vai muito além dos meros argumentos racionais.
Argumentos lógicos à parte, o fato de que eu preciso debater a realidade de Deus na minha mente é um sinal de que não quero precisar dele. Resisto à idéia de sua existência porque tive experiências  ruins com a religião no passado, porque religiosos me hostilizaram ou me irritam, porque eu nunca tive que depender de ninguém.  Porque iria depender de um Deus que eu nem vejo?
A idéia de que preciso inventar um deus qualquer para crer tem dois lados. Preciso crer por isto inventei Deus? Ou preciso crer exatamente porque Ele existe, e me criou para crer, portanto o crer  é parte de minha natureza? Portanto não estou inventando mas cedendo à minha própria necessidade?
Deus não se sente ameaçado com minha dúvida. Posso duvidar o quanto eu quiser que Ele não corre o risco de des-existir. Ele sabe disto. Em nenhum momento a Bíblia argumenta em favor da existência d’Ele.  Na Bíblia inspirada e revelada por Ele, sua existência é ponto pacífico. Eu não tenho que sair por aí dizendo para todos que existo. Eu simplesmente existo. Mais ainda o Criador de todo o universo.
De acordo com a Bíblia, Deus tem uma paciência infinita com os que duvidam. Ele os chama para o teste. Não apenas na cabeça, mas tipo assim:
  • Me teste aí, ô. Se eu não existo então peça uma prova concreta de minha indiferença com você.
Todas as pessoas que desafiam a Deus desta maneira acabam surpreendidas pelo seu amor, porquê Deus não é um ser vingativo ou orgulhoso. Ele só quer uma oportunidade para mostrar-se a nós. Ainda que esta oportunidade venha no meio da dúvida, da raiva, da desesperança, ele vai aproveitá-la…
Braulia Ribeiro

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