Angela Natel On quarta-feira, 15 de agosto de 2012 At 04:18

O que os cristãos creram a respeito do inferno ao longo da história?
Após uma introdução das três principais visões sobre o inferno, apresentamos aqui grandes nomes da história e o que defendiam sobre o assunto. (acesse a introdução para ver o índice)
história do inferno - cobra
George MacDonald (1824-1905)
Pastor, novelista, escritor de fantasias e discípulo de F.D. Maurice, George MacDonald é mais bem conhecido hoje por sua profunda influência sobre C.S. Lewis e outros escritores cristãos do século XX.
O ponto inicial da teologia de MacDonald era o amor universal de Deus, o qual “está sempre fazendo o seu melhor por todos os homens”, fazendo com que todas as coisas cooperem para a salvação de cada um de seus filhos. Citando Hebreus 12.29, MacDonald sustentava que o “fogo consumidor” de Deus é, na verdade, a inexorável pureza do seu amor, o qual extingue todas as impurezas nos amados, destruindo aquilo que não é amável: “Deus os ama de tal maneira, que os purificará no fogo”. Toda punição existe tendo em vista o arrependimento.
Para MacDonald, o inferno é um estado mental do ser que começa na terra para muitas pessoas, e pode continuar após a morte de uma maneira muito mais intensa. O indivíduo no inferno é um objeto do amor de Deus tanto quanto o mais santo dos santos, mas esse indivíduo, ao resistir a Deus, experimenta aquele amor como ira. O inferno não é um lugar de tormentos sem fim, mas uma condição temporária de sofrimento purgatorial. “Eu creio que a justiça e a misericórdia são simplesmente uma e a mesma coisa… Eu creio que o inferno existe para servir a justa misericórdia de Deus em redimir os seus filhos.”
Para MacDonald, mesmo o abismo mais sombrio do inferno existe para um propósito: para trazer os pródigos aos pés de seu Pai, de boa vontade e com um novo amor. “Deus, na escuridão, pode fazer um homem sedento pela luz, aquele homem que na luz não busca outra coisa, senão a escuridão”. No final, MacDonald concluía, mesmo o diabo iria arrepender-se e voltar-se para o seu Mestre, e o próprio inferno seria destruído. Finalmente, o amor do Pai seria vitorioso.
“Ensaios e Resenhas” vs. a Declaração de Oxford
O altamente controverso volume Ensaios e Resenhas (1860) trouxe as questões relativas à inspiração da Escritura e à punição eterna para o debate público. O pensador liberal Henry Bristow Wilson sustentava que, em um tempo no qual os cristãos ocidentais descobriam mais e mais acerca do mundo não-cristão, fazia-se necessário reconsiderar os dogmas tradicionais relacionados à punição eterna. Ele sugeria como alternativa a possibilidade de um desenvolvimento espiritual adicional após a morte, uma espécie de “segunda chance” escatológica.
Em resposta à controvérsia dos Ensaios e Resenhas, 11.000 clérigos da Igreja da Inglaterra assinaram a Declaração de Oxford, em 1864, afirmando a sua crença “de que a ‘punição’ dos ‘ímpios’, semelhantemente à ‘vida’ dos ‘justos’, é ‘eterna’.
F.W. Farrar (1831-1903) vs. E.B. Pusey (1800-1882)
No final dos anos 1870 e 1880, um conhecido debate acerca da tradicional doutrina da punição eterna se deu entre F.W. Farrar, cônego de Westminster, e E.B. Pusey, líder do Movimento Oxford na Igreja da Inglaterra. Farrar pregou uma série de sermões que posteriormente foram publicados no livro Esperança Eterna. Na obra, ele defendeu aquilo que acreditava ser o âmago da visão bíblica do inferno: “Que há uma terrível retribuição ao pecado impenitente, tanto nesta vida quanto após ela; que sem santidade nenhum homem pode ver o Senhor; que o pecado não pode ser perdoado  até que o indivíduo se arrependa dele e o abandone; que a sentença que advém em razão do pecado é tanto misericordiosa quanto justa.”
Ele rejeitava, todavia, as ideias de que o inferno é um lugar de tormento corporal e eterno e que a maioria dos seres humanos acabarão lá. Ele desejava manter aberta a possibilidade de arrependimento após a morte. Muitas pessoas interpretaram o livro como se ele ensinasse o universalismo, apesar do fato de Farrar insistir que ele rejeitava tanto o universalismo como o condicionalismo.
Em refutação, Pusey publicou uma defesa acadêmica do ensino tradicional da igreja, com o título O que a fé ensina acerca da punição eterna?. Pusey sustentava que a doutrina ortodoxa não exigia que crêssemos que a punição será física, tampouco ela prediz quantos serão salvos ou condenados. Nós talvez nunca saibamos quantas pessoas estão em um estado de graça ou se arrependem em seus leitos de morte. Acerca daqueles que nunca ouviram o evangelho, ele insistia que “cada alma será julgada por ter respondido ou não à medida de luz que Ele lhe concedeu”. Contra Farrar, ele asseverou que o inferno é eterno e que o destino de cada indivíduo é determinado no momento da morte.
Adventistas do Sétimo Dia (formalmente estabelecidos em 1863)
A Igreja Adventista do Sétimo Dia brotou a partir do movimento millerista ocorrido nos Estados Unidos durante o século XIX (William Miller previu a segunda vinda de Cristo entre 1843 e 1844). O seu nome reflete a sua observância do sábado (o sétimo dia) como o dia do descanso (shabbat) e a sua ênfase no retorno iminente e premilenista de Cristo.
Uma das crenças distintivas dos adventistas é a imortalidade condicional ou aniquilacionismo: o ser humano é uma unidade indivisível e não possui uma alma imortal que existe após a morte. Apenas Deus é imortal e assegura a vida eterna aos redimidos na ressurreição, quando Cristo retornar. Aqueles que morrem entram em um estado inconsciente até lá, e os não redimidos ressuscitarão no final do Milênio, quando o fogo de Deus os destruirá.
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