Angela Natel On quinta-feira, 9 de agosto de 2012 At 06:00

Adaptação e tradução: Zé Luís

Você sabe o que são os apócrifos? Aqueles livros "bíblicos" que não foram incluídos entre os 66 que formaram as chamadas Escrituras Sagradas .

O Novo Testamento é uma das obras mais influentes do últimos dois milênios. Foi através desses escritos que a maior religião do mundo ocidental moldou o nosso mundo de muitas maneiras sutis. Mas a lista dos 27 livros que hoje conhecemos como o Novo Testamento se uniram gradualmente através de uma série de Concílios até que os livros se tornassem consenso para a maioria dos cristãos.

Esta lista mostra 10 dos livros mais interessantes não incluídos no Novo Testamento. Alguns foram excluídos por razões óbvias, outros provavelmente não serem de aceitação popular, até ser desenterrado em alguma biblioteca particular em meia a milhares de itens, anos mais tarde. Alguns ainda mostram certa obscuridade, e outros ainda não entraram no Canon sagrado dos cristão por um ou outro detalhe não justificável.

A forma em que o Novo Testamento foi composto é algo que, ainda hoje, beira a obscuridade, não havendo informações exatas sobre os critérios para a escolha de uns e descartes de outros.

Esta lista não é destinada a validar ou desacreditar a credibilidade de qualquer livro em particular, mas para fornecer algum contexto para a criação do Novo Testamento.

* Como o Novo Testamento é resultado da opinião ortodoxa da época, foram excluídos textos gnósticos desta lista.


10 - Apocalipse de Pedro

O Apocalipse mais conhecido (livro que descreve as visões do fim dos tempos) é, naturalmente, o Livro do Apocalipse de São João (ou comumente chamado de “Livro das Revelações”), mas nem de longe era o único a ser lido pelos primeiros cristãos. Um dos mais populares e amplamente divulgado foi o Apocalipse de Pedro, escrito em forma de diálogo entre Jesus e seus seguidores. Basicamente, descreve coisas horríveis que acontecem no inferno e as maravilhas que se sucedem no céu, além de apresentar muitos detalhes sobre as punições cabíveis para aqueles que padecem no inferno: Aqueles que são blasfemos são pendurados pela língua, homens e mulheres adúlteras são pendurados pelos cabelos e pés, respectivamente, em óleo fervendo, assassinos são lançados em um abismo com terríveis répteis.

Enquanto isso, os que vão para o céu cantam canções, revestidos em belos corpos, pele incorruptível, vestimentas resplandescente e cheiro agradável.

9 - A Epístola de Barnabé

A Epístola de Barnabé é um livro escrito entre 70 e 130 d.C.. Sabemos que o conteúdo foi escrito após a destruição do templo de Jerusalém, mas antes da rebelião judaica em 132. Ele foi muitas vezes atribuído a Barnabé, companheiro do apóstolo Paulo, mas pode ter referenciado a um outro Barnabé. Este livro coloca-se diretamente entre os debates da época, sobre a relação do cristianismo com o judaísmo. Ele rejeita o valor dos ensinamentos anteriores, no judaísmo, e rejeita todos os aspectos cerimoniais do judaísmo.

A Epístola estabelece interpretações completamente diferentes da Torá que, alega o livro, apontam para a validade do Cristianismo. A Epístola de Barnabé cita um monte do Antigo Testamento, além de Enoque, um dos livros mais fascinantes não incluídos no Antigo Testamento, mas isso fica para outra lista.

8 - Evangelho da Infância de Tiago

Sabemos por várias referências iniciais de que os quatro evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) foram totalmente escritos logo no início da história cristã, muito mais cedo do que os outros 23 livros. No entanto, isso não impediu a criação e disseminação ainda generalizada de outros evangelhos. O interesse na vida – e não só no ministério - de Jesus foi compreensivelmente intensa no mundo cristão primitivo. Todo um gênero de evangelho foi criado especificamente para lidar com a infância de Jesus, chamados apropriadamente de “os evangelhos da infância”. Um dos mais famosos é o “Evangelho da Infância de Tiago”.

Este livro atesta a importância de Maria para os primeiros cristãos, descrevendo seu nascimento original, sua adolescência e, claro, os primeiros anos da vida de Jesus. Faz afirmações sobre a virgindade perpétua de Maria e do envolvimento de Deus na escolha de Joseph. O livro descreve em detalhes o genocídio de crianças por Herodes em Belém, o exílio inicial de Jesus no Egito e paralelos entre o crescimento do messias e seu primo, João Batista. O livro apresenta uma diferença:o nascimento de Jesus ocorre em uma caverna.

7 - Pastor de Hermas

Provavelmente um dos livros mais obscuros para os leitores modernos, embora tenha sido um livro com grande influência nos dois primeiros séculos do cristianismo, muito conhecido para os primeiros cristãos, e muito popular nos séculos 2 e 3, embora quase caiu inteiramente no esquecimento pelo quarto século. O “Pastor” foi referenciado por muitos Pais da Igreja, como Orígenes, Tertuliano, Irineu e Clemente de Alexandria, embora, já na época, fosse considerado muito controverso.

Era usado como escritura sagrada por algumas igrejas primitivas, e desprezado por outras. Orígenes cita como escritura, mas Tertuliano e Clemente de Alexandria considerá-lo como texto herético. No entanto, foi influente para muitos e, portanto, deve ser observado. O Pastor de Hermas é um livro alegórico, escrito – quase todo - na primeira pessoa, descrevendo as visões de Hermas, um ex-escravo. Também inclui 12 mandamentos e 10 parábolas, direcionadas principalmente no trato com a ética cristã e a importância de ser fiel.

6 – 1ª de Clemente

1ª de Clemente é uma das duas cartas (mais uma vez para a igreja em Corinto) atribuída ao Papa Clemente de Roma. O primeiro é realmente acreditado por muitos estudiosos como um dos primeiros não-canônicos escritos cristãos que foram escritos pelo autor atribuído. Isso por si só torna uma raridade entre os primeiros textos cristãos. Era bem aceito na época e é influencia em várias listas finais de importantes textos cristãos. Junto com a Didaqué, é um dos primeiros livros escritos que, eventualmente, tendo todos os possíveis pré-requisitos, não foram incluídos no Novo Testamento, mesmo sendo datado em cerca de 95 d.C.

O livro, em si, foca nos conflitos da disputa na Igreja de Corinto, e sobre a remoção de vários líderes da igreja, além da uma remoção de objetos pessoais de Clemente.

5 - Evangelho de Tomé

Eis um dos livros mais famosos não incluídos no Novo Testamento. O Evangelho de Tomé não é um livro que foi passado através dos tempos pela tradição, como os outros, mas foi redescoberto como parte da Biblioteca de Nag Hammadi, em 1945. Não temos nenhuma evidência que tenha sido amplamente lido pelos primeiros cristãos e as poucas referências se referem a ele como herético. O Evangelho de Tomé é interessante pela diferença da estrutura em relação aos quatro evangelhos tradicionais: é uma coleção de ditos atribuídos a Jesus, em vez de uma narrativa da vida do Mestre, que inclui alguns dos seus ensinamentos. O Evangelho de Tomé foi um dos livros mais estudados e não incluídos no Novo Testamento, devida a forma que foi redescoberto, e a natureza de seu conteúdo interessante. Ao contrário dos evangelhos narrativos, este livro não menciona a morte e ressurreição de Jesus, mas concentra-se, em vez disso, nos ensinamentos, e como eles nos levam a vida eterna, quando adequadamente compreendida.

4 - A Didaqué

A Didaqué ou "doutrina do Senhor dos Doze Apóstolos" é um dos “apócrifos” mais apreciados pelos estudantes da área. A Didaqué é, basicamente, um “passo-a-passo” para uma vida cristã:

A primeira seção é sobre como os cristãos devem aplicar os mandamentos de Deus. A segunda seção trata dos Sacramentos (Batismo, Eucaristia e jejum). A terceira é sobre a estrutura da Igreja.

A Didaqué foi seriamente considerada para inclusão no Novo Testamento por alguns, nos primeiros dias da Igreja Cristã. É fascinante imaginar como este livro teria afetado as divisões nas igrejas que surgiram ao longo dos próximos 2000 anos. Argumentos sobre o Batismo e a Eucaristia (ceia), principais pontos de divisão, teriam sido drasticamente alteradas se este texto tivesse sido incluído. Regras para esses ritos principais - os únicos realmente obrigatórios - incluídos no cânon poderiam ter impedido alguns dos mais drásticas cisões, ou criar outras piores.


3 - Epístola perdida aos Coríntios

1ª e 2ª carta aos Coríntios, é claro, são os pilares principais das epístolas de Paulo no Novo Testamento. Estas cartas são a base da Ética Cristã e da importância de Paulo, mas havia outras cartas entre Paulo e a Igreja em Corinto. A primeira aparentemente foi escrita antes de 1 Coríntios e é referenciada por Paulo em 1 Coríntios 5:9 "Eu escrevi para você em minha carta (anterior) para não se associar com pessoas sexualmente imorais."

Nós se tem evidências desta carta ter sido escrita a partir desta referência . Seria fascinante ver a outra correspondência onde Paulo exorta aos moradores cristãos de Corintho, mas esta é aquela informação provavelmente perdida para sempre. Isso nos leva a ...


2 - Terceira carta aos Coríntios

Em segundo lugar dessa lista, está a Terceira Epístola aos Coríntios. Esta carta sobreviveu e foi incluído em algumas listas iniciais de documentos sagrados, mas por volta do século 4, não foi considerada válida. Ao contrário das 1ª e 2ª Epístolas, e é considerada pela maioria dos estudiosos ter sido escrita por alguém que não Paulo. A 3ª carta, em sua maior parte, trata de corrigir a interpretação dos dois primeiros livros e, provalvelmente foi escrita na intenção de advertir os considerados hereges.

1 - Q

Quem diria que o “apócrifo” mais bem cotado para a primeira posição não tem prova de existência, embora seja óbvio que foi a matriz de todos os outros evangelhos sínóticos.

Um livro que não tem nenhuma evidência sequer que existe. O suposto documento Q é um evangelho de hipotéticos ditos, que explicaria as semelhanças entre os três evangelhos sinóticos: Mateus, Marcos e Lucas. Sua existência foi postulada pela primeira vez em 1900 pelos estudiosos que tentam compreender a semelhança entre os três livros. Todos os três Evangelhos compartilham histórias, frases e citações diretas. Algumas passagens surgem entre dois, e alguns entre as três, mas nenhum livro contém todas as semelhanças. Marcos tem mais em comum com Mateus e Lucas, mas há partes de Mateus e Lucas que não estão em Marcos. Além disso, cada livro contém trechos únicos, que não estão em nenhum dos outros livros. Isso torna difícil determinar qual deles foi escrito primeiro, em relação aos outros.

Diferente de hoje, não havia tradição em referenciar origens estritas ao escrever. A hipótese Q afirma que haveria um quarto evangelho, originando todos (complementando partes que faltam de São Marcos) do material semelhante ao utilizado nos três evangelhos. Este documento teria sido amplamente difundido em toda a Igreja cristã primitiva, sendo esta a fonte de material para a criação dos evangelhos sinóticos. Tudo isso são hipóteses, já que não há uma cópia (parcial ou completa) deste livro, nem a este evangelho misterioso, em qualquer primeiros escritos cristãos. O debate “hipótese Q” ainda é intenso nos círculos de estudo nos dias de hoje, incluindo muitos estudiosos que fizeram carreira em cima do assunto, tanto em apoio como em oposição à sua existência.


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