Angela Natel On domingo, 1 de julho de 2012 At 06:30


Por Paulo Saraiva

Quando eu elegi a bancada evangélica, e ela deu 5 anos para o Sarney em troca de concessões de emissoras de rádio, me tornei culpado. A culpa é minha.Quando eles chutaram a santa, eu não falei nada, só abri minha boca para defender os “irmãos da fé”, logo a culpa é minha.

Quando eles compraram emissora de TV com dinheiro colombiano,eu não quis nem saber, apenas bati palmas, pensava que era a redenção do movimento evangélico, logo, a culpa é minha.

Quando eles invadiram nossos templos promovendo exorcismos, e terapias de libertação com 7 semanas, ou com retiros tremendos que prometiam curar todo o mal, quando isso aconteceu, o que eu fiz? Eu participei, apoiei, paguei para que meus parentes e meus amigos não crentes participassem. Logo a culpa é minha, somente minha.

Quando eles importaram containers de livros dos EUA com toda a sorte de heresias, ou teologia fundamentalista que não se sustentava nos trópicos, quando isto aconteceu, eu me omiti, comprei e li com avidez estes livros, inclusive dei muitos de presente. A culpa é minha.

Quando de novo os deputados da bancada evangélica se apropriaram de ambulâncias compradas com dinheiro publico se fazendo participantes da máfia dos sangue-sugas eu me omiti, e ainda reelegi alguns deles, a culpa é minha.

Quando o teto da igreja deles caiu matando gente inocente, e deixando tetraplégico outros sem nenhuma assistência, eu me calei, não quis saber onde andam estes, fingi que nada tinha acontecido, a culpa é minha.

Quando eles tentaram entrar nos EUA com dinheiro e foram presos eu acreditei que era perseguição, me omiti, esqueci rapidamente de tudo o que aconteceu. A culpa é minha.

A culpa é minha, sempre é minha, sempre que eu troco a proposta do evangelho por uma promessa de projeção. Sempre que eu aplaudo o império que eles constroem às custas do trabalho “voluntário/escravo” de pessoas frágeis e manipuladas, e ainda chamo isto de sucesso ministerial, sempre que ajo assim, eu me faço culpado. A culpa é minha.

Eu nunca digo não para as marchas deles, nunca digo não para os eventos deles, eu compartilho o meu stand nas feiras com eles. A culpa é minha, eu me associo a eles, sou consumidor do que eles produzem. A culpa é minha.

Até tem algum pastor que procura me avisar, um blogueiro que chama a minha atenção, algum escritor que tenta me vacinar, mas não adianta, eu ignoro, e continuo fingindo que é assim mesmo, e que não tem o que fazer, acredito que se eu quiser continuar no mercado fonográfico eu devo negligenciar isto tudo que eu já sei. A culpa é minha.

Eu procuro um lugar entre eles para poder demonstrar meus “dons”, um espaço para fazer meu network sem perguntar se a proposta deles é ética, é responsável, é bíblica, enfim, a culpa definitivamente é minha.

E depois eu me indigno com o “movimento evangélico” e aponto suas incoerências, suas mazelas, mas o que eu não me apercebo, é que essa anomalia, que eu defendo como algo de Deus, só existe, única e exclusivamente por culpa minha, somente minha culpa.
Logo a culpa é somente minha, de mais ninguém.

Que AQUELE que levou todas as minha culpas, inclusive as que eu contraí após a minha conversão me livre deste pecado, e me torne comprometido somente com ELE, o mesmo que quando esteve conosco promoveu o movimento do evangelho, não dependendo de nenhum movimento que se apresente como evangélico!!

Paulo Saraiva ( Via Rasgando o Verbo ) Li no Pavablog.

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