Angela Natel On domingo, 24 de junho de 2012 At 06:53


1.       I PEDRO

Certamente que o pensamento teológico de um autor bíblico está intimamente relacionado ao propósito dos seus escritos. Este propósito sempre visa um momento histórico do povo de Deus. É desta forma que podemos refletir sobre a teologia de Pedro em suas cartas: Pedro escreve a uma Igreja (“aos eleitos que são forasteiros da dispersão) que está sofrendo as hostilidades do Império Romano. “Babilônia” é a referência velada a Roma, de onde Pedro escreve suas cartas aos eleitos da dispersão. Logo, não é de se admirar que o tema predominante das cartas de Pedro seja o “sofrimento do crente”. Em torno dessa realidade é que Pedro exorta aos crentes ao testemunho e à perseverança. O pensamento teológico de Pedro é desenvolvido a fim de manter viva a esperança da Igreja em meio ao sofrimento. E isso é, certamente, a experiência mais difícil do crente. Não é de se admirar que em Pedro encontremos uma vasta lista de imperativos:
·         Sede santos (1:15); andai em amor (117); amai-vos uns aos outros (1:23); desejai afetuosamente (2:2); honrai a todos (2:17); amai a fraternidade (2:17); temei a Deus (2:17); honrai o rei (2:17); vós, servos, sujeitai-vos (2:18); vós, mulheres, sede sujeitas (3:1); vós, maridos, coabitai com elas (3:7); sede todos (3:8); não temais (3:14); nem vos turbeis (3:14); santificai (3:15); armai-vos (4:1); sede sóbrios (4:7); vigiai (4:7); não estranheis (4:12); alegrai-vos (4:13); que nenhum de vós padeça (4:15); não vos envergonhe (4:16); glorifique a Deus (4:16); encomendem-lhe as suas almas (4:19); apascentai (5:21); sede sujeitos (5:5); revesti-vos (5:5); humilhai-vos (5:6); sede sóbrios (5:8); vigiai (5:8; resisti ao Diabo (5:9).
O sofrimento do crente é diretamente mencionado em 1:6; 2:12,15; 4:12ss; 5:9. O sofrimento é visto como a tensão existente entre os cidadãos de um sistema mundano corrupto e os cidadãos dos céus. Os crentes são cidadãos do céu habitando, por enquanto, neste mundo corrupto e é natural que sofram, pois o mundo não é adequado à vida dos santos. Assim, o sofrimento do crente é prova de sua cidadania celeste e manter-se nesta postura em meio às adversidades é ter bom testemunho e maturidade da natureza da vida cristã. Desta forma devemos nos regozijar nos sofrimentos (1:6), pois isso traz honra a Cristo (1:7). O sofrimento resulta em alegria inexprimível e cheia de glória (1:8). O sofrimento resulta em vida e eterna e salvação da alma (1:9), pois a própria morte por causa da perseguição não significa o fim, pois Deus, que ressuscitou a Cristo, também nos ressuscitará após a purificação de nossas almas (1:21,22).
O sofrimento é, na maioria das vezes, apenas físico e sempre temporária na vida do crente porque “toda carne é erva” e logo haverá de perecer. É natural que pereça, mas para cidadãos celestes está reservada uma vida incorruptível porque a “palavra de Deus permanece para sempre e os que confiam na palavra eterna também não perecerão (1:24,25).
O próprio Cristo não pode evitar para si o sofrimento, entretanto o seu sofrimento redundou na expiação dos pecados dos crentes, assim como o sofrimento do crente pode revestir-se de imenso valor (2:6,21ss).
O sofrimento é necessário à conscientização do crente sobre sua transitoriedade neste mundo: somos apenas forasteiros aqui e não devemos nos apegar a este mundo. Este, certamente, não é um lugar seguro para construirmos nossa morada eterna (2:10). Também o sofrimento serve de lição moral a fim de que rejeitemos os pecados da carne, pois é o princípio do pecado que produz desastres bem como os atos desumanos dos homens (4:1ss). Os pastores e líderes do povo de Deus devem estar prontos para o sofrimento, tal como o “grande pastor” (5:1). Perseverar em meio aos sofrimentos é resistir ao Diabo, pois o Diabo está por traz de homens ímpios, inspirando seus atos maus (5:8ss).
O crente precisa crer que haverá um fim para o sofrimento, porquanto Deus chamou-nos para a vida eterna e haveremos de finalmente triunfar contra todos os obstáculos (5:11).
Ao desenvolver sua exortação, Pedro deixa transparecer temas teológicos da pregação da Igreja primitiva:
a) DEUS
O crente tem sua segurança em Deus que é vivo, criador, transcendental e santo, longânime e gracioso. Ele é nosso Deus e Pai, como também é Pai de nosso senhor Jesus Cristo. Deus é Juiz e dele devemos nos aproximar com respeito. Ele é o Deus da ressurreição (4:9; 1:15; 3:20; 5:10; 1:3,17; 1:7; 3:2; 1:17,3,21).
b) ENSINOS MORAIS
A purificação da mente, a invocação de Deus, as boas obras, a retribuição do mal com o bem, as bênçãos advindas dos sofrimentos por causa da justiça, o prestar contas a Deus (Juiz dos vivos e dos mortos), o humilhar-se sob a mão de Deus, a abstinência de toda ansiedade, bem como o procedimento correto em família são temas éticos e morais desenvolvidos por Pedro (1:13, 7; 2:12; 3:9,14; 4:5,14; 5:11,6,7; 3:1-8).
Na relação com as autoridades, será bom testemunho o sujeitar-se a elas (2:11-25). A sujeição às autoridades é tida como “prática do bem que fará emudecer a ignorância dos insensatos”. Livres que somos devemos ter em mente que a sujeição às autoridades não é negação dessa liberdade, mas afirmação, pois Deus está acima de todos as autoridades. Não haveria glória se fôssemos castigados pelas autoridades por pecados cometidos por nós, mas se somos injustiçados pelas autoridades por causa da nossa santidade e por causa da prática do bem isso, então, é “grato a Deus”. Esse foi o exemplo de Cristo (2:21-25).

c) CRISTO E SUA OBRA
Cristo é Senhor, ressurreto, o servo sofredor. Cristo é quem faz expiação dos pecados, ele é o Salvador cósmico, preexistente, Yahweh, Deus com o Pai e o Espírito Santo, é o instrumento de nossa fé em Deus (2:3; 3:15; 1:3, 21; 3:21; 2:21,22; 2:24,; 3:18ss; 3:18-20; 4:6; 1:2,21).
d) A DOUTRINA DO ESPÍRITO SANTO
Espírito Santo foi enviado dos céus como uma possível referência ao dia de pentecostes (1:2). Ele é a causa da nossa consagração e forma uma casa espiritual (1:2; 2:5). Ele repousa sobre os crentes e inspirou os profetas tanto no VT como no NT (4:14; 1:11).

e) A DOUTRINA DA IGREJA
A igreja é o povo de Deus e se forma de judeus e gentios crentes, reunidos em um corpo (2:10), assumindo títulos que pertenciam ao povo de Israel (2:9,10). A igreja é um templo espiritual e os crentes são pedras vivas sendo Cristo a principal pedra de esquina. Os crentes são sacerdotes desse templo e oferecem sacrifícios espirituais, são o rebanho de Deus tendo Cristo como sumo pastor (2:5; 5:2,4).
f) ESPERANÇA E VIDA ETERNA
Pedro enfatiza estes temas porque lhe servem ao objetivo de manter de pé a igreja em meio aos sofrimentos. Cristo é o motivo da esperança dos crentes: ressurreto, proclamou sua vitória aos espíritos em prisão e assentou-se à destra do Pai. Sua volta está próxima, quando virá em glória com grandes galardões (1:3,7,13; 4:13; 5:1,5; 4:5,17,18; 3:18-20; 4:6,7).
7.       A DESCIDA DE CRISTO AO HADES
A ressurreição de Cristo não foi mera revitalização de seu corpo físico. Ele foi morto na carne mas vivificado no espírito (3:18). A dificuldade está em se afirmar se “espírito” é uma referência ao espírito de Cristo, ou se uma referência ao Espírito Santo. Qualquer que seja a resposta trará consigo alguns problemas, pois se Cristo foi vivificado no espírito somente, ter-se-ia aqui uma negação da ressurreição do corpo e isto é contrário à pregação da Igreja primitiva. Se entendermos espírito como o Espírito Santo é bom que saibamos entender Cristo como uma unidade e não como carne e espírito. Assim, carne e espírito são duas formas de se falar do Cristo todo e desta forma temos a ressurreição corporal glorificada pelo Espírito Santo. Ora, com relação aos espíritos em prisão e a pregação de Jesus Cristo ressurreto, temos, pelo menos, três interpretações: a primeira diz respeito à interpretação patrística que afirmava que, no estado intermediário, Cristo, no Espírito, foi e pregou o evangelho aos espíritos dos homens mortos, aprisionados no Hades, os quais viveram ou nos dias de Noé ou no tempo antes de Cristo, mas esta interpretação foi refutada devido à possibilidade de salvação após a morte; a segunda, defendida por Agostinho e por alguns reformadores, diz que Cristo, em seu estado preexistente de ser, pregou o evangelho através de Noé, aos contemporâneos vivos de Noé; a terceira, mais aceita atualmente, diz que, no estado intermediário, Cristo proclamou a vitória do evangelho a anjos decaídos, aprisionados no Hades. A pregação no Hades pode não significar uma oferta de salvação, mas a anunciação triunfante de que, através de sua morte e ressurreição, Cristo rompeu o poder do mundo espiritual.
2.       II PEDRO
I e II Pedro são duas cartas distintas porque pretendem alcançar objetivos também distintos. Enquanto na primeira carta o objetivo era fortalecer a Igreja em meio às lutas, na segunda carta o objetivo é refutar os falsos mestres. Assim, é em torno desta refutação que o apóstolo Pedro aborda temas teológicos a fim de estabelecer a base de sua argumentação. Pode-se dizer que o tema central de II Pedro seja a escatologia, entretanto outros dois assuntos são abordados na luta contra o gnosticismo.
1.       A REVELAÇÃO BÍBLICA
De forma surpreendente Pedro mostra a necessidade de uma base sólida para manter-se a Igreja dentro da vontade de Deus. No seu argumento contra o gnosticismo, Pedro firma-se na palavra profética e no embasamento apostólico. O fundamento da Igreja não foi e nem pode ser construído sobre “fábulas engenhosamente inventadas” (2 Ped. 1:15-18), mas sim através de testemunhas oculares que tudo transmitiram pela inspiração do Espírito Santo para servir de base ao povo de Deus (2 Ped. 1:19-21).
“A palavra profética” referida por Pedro provém da Escritura: uma referência ao Velho Testamento e ao seu cumprimento no Novo Testamento. Assim, nenhuma profecia da Escritura é de particular elucidação, não é fruto da especulação dos homens, não pode ser baseada em pontos de vistas pessoais, porque “nunca, jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana, entretanto homens santos falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo” (1:21). A teologia de Pedro sobre a revelação bíblica de Pedro não deixa margens para a especulação gnóstica, tão presente nos dias atuais. Tudo precisa ser conferido com o fundamento registrado na Escritura, pois ela é como “uma candeia que brilha em lugar tenebroso, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em vossos corações” (1:19). O mundo é o lugar tenebroso onde, mesmo de forma ainda não completa, brilha a luz que emana da Escritura até que o Dia do Senhor chegue.
2.       O DIA DO JUÍZO
Depois de apoderar-se do fundamento da doutrina e fé que sedimentam a Igreja, Pedro volta-se para mostrar que os falsos mestres não ficarão impunes. Pedro fala dessa punição relacionando-a ao dia do juízo de Deus. Os gnósticos são mercenários como o foi Balaão (2:15-16); são como névoas impelidas por temporal, isto é, não têm firmeza e vão para onde possam melhor atender seus interesses, mas para eles está reservada a “negridão das trevas” (2:17-18), isto é uma referência ao inferno, ao castigo a que serão submetidos os ímpios; são libertinos por acharem que o pecado cometido com o corpo não contamina a alma, assim são imorais e acabam conduzindo ao abismo àqueles desejosos de se libertarem do pecado (2:18); são enganadores, mentirosos, mascarados, pois sendo prisioneiros se dizem livres (2:19-22); são adúlteros, avarentos, malditos, místicos (2:13-14); comercializam o evangelho (2:1-2). A eles está reservado o Dia do Juízo “lavrado há longo tempo” (2:3). O Dia do Juízo não tarda e Deus não os deixará impunes, pois nem a anjos Deus poupou, precipitando-os no inferno, no abismo de trevas, reservando-os para o Juízo, o mesmo juízo a que serão submetidos os falsos mestres, não poupou os infames nos dias de Noé, reduziu a cinzas Sodoma e Gomorra (2:4-8). O Dia do Juízo será de terror e destruição para os falsos mestres, mas de salvação para os justos (2:9-10). É impressionante a arrogância e atrevimento dos falsos mestres, pois os próprios anjos, maiores em força e poder, respeitam àqueles que eles menosprezam e desrespeitam: as autoridades superiores e os governos (2:10-11).
O Dia do Juízo é, pois, o dia em que o Senhor exercerá o seu julgamento sobre os homens e fará justiça conforme a sua justa forma de julgar. Desta maneira os ímpios não ficarão sem punição.
c) ESCATOLOGIA
Os gnósticos provocavam a Igreja argüindo-a: “onde está a promessa da sua vinda? Porque desde que os pais dormiram, todas as cousas permanecem como desde o princípio da criação” (3:4). Isto é, os gnósticos duvidavam da PAROUSIA. Assim Pedro, de forma clara passa a demonstrar o conceito bíblico da criação do universo para, da mesma forma, profetizar o seu fim. A terra surgiu da água por intermédio da palavra de Deus e pala água pereceu. E esta mesma terra e os céus, isto é, o universo, têm sido preservados para o fogo, no Dia do Juízo, quando os ímpios perecerão (3:5-7). A Igreja nasceu esperando a volto iminente de Cristo e o seu “retardamento” fez com que a PAROUSIA fosse desacreditada, entretanto Pedro mostra que os tempos de Deus e a sua forma de mensurá-lo é bem diferente da forma que o fazemos e, por isso mesmo, o Senhor não retarda a sua promessa. A “demora” de Deus tem base na sua longanimidade pois “não quer que nenhum se perca, senão que todos cheguem ao arrependimento” (3:8-9). A escatologia de Pedro não deixa margem para uma vida eterna numa terra renovada, mas prevê o fim cosmológico pela explosão e polo fogo e um novo céu e uma nova terra hão de emergir onde habita a justiça. Certamente este dia de Deus que é a mesma coisa que Dia do Senhor e Dia do Juízo tem seu paralelo escatológico nos outros autores bíblicos. Não há, pois, razão para duvidar da PAROUSIA ou achar que ela retarda. Não devem os crentes relaxarem por pensarem que Jesus retarda sua vinda, pelo contrário, devem os crentes estar empenhados por serem achados em paz, sem mácula e irrepreensíveis (3:10-16).



TEOLOGIA NA CARTA DE JUDAS

Não há muita diferença entre a carta de Judas e a II Carta de Pedro. Até os propósitos se assemelham. Desta forma pouco material teológico resta na carta de Judas que não foi discutido em II Pedro. É bom ressaltar o senhorio de Jesus Cristo como pano de fundo da carta de Judas.
Certamente, excluindo-se o material em Judas comum a Pedro, resta de interesse teológico em Judas a referência “aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, ele os tem reservado em prisões eternas na escuridão para o juízo do grande dia” (v.6) e o uso que Judas faz da literatura apócrifa: “Enoque, o sétimo depois de Adão” (v. 14), uma referência ao apócrifo apocalipse de Enoque, denominado I Enoque:

1.       A REFERÊNCIA AOS APÓCRIFOS

É possível que Judas tenha feito referência a dois livros apócrifos: I Enoque, ao citar Enoque, o sétimo depois de Adão e os anjos em prisão, e, Assunção de Moisés (v.9), ao se referir à disputa do corpo de Moisés. O problema está se Judas considerava tais apócrifos como Escritura canônica e se ele cria que as palavras de I Enoque vinham do Enoque da antigüidade. Pelo menos com relação a I Enoque, está claro que Judas lhe atribuía grande valor como literatura, entretanto não lhe atribuiu a classificação de Escritura. O mesmo se pode dizer da suposta segunda citação de Judas. Esta questão de citação de literatura não canônica também é encontrada em I Cor. 10:4, por Paulo, ao referir-se a um MIDRASH rabínico sobre a pedra que seguia os israelitas no deserto. Também Paulo cita um poeta pagão no seu discurso em Atenas (At. 17:28) e novamente em I Cor. 15:33 e II Tim. 3:8.

2.       OS ANJOS EM PRISÃO

Esta citação tirada de I Enoque, é paralela a II Pedro 2:4 e traz consigo a própria idéia do pensamento de Enoque com relação aos anjos em prisão: “Deus não dera esposas aos anjos porque eles eram santos e entes verdadeiramente espirituais. A missão deles era de atalaias e guardiães da criação de Deus. No entanto começaram a participar de concupiscência tipicamente humanas e buscaram sofregamente mulheres terrenas, e assim caíram em todas as modalidades de imoralidade.” Enoque pinta os anjos como que amarrados de pés e mãos, lançados nas trevas e reservados para o dia do juízo. Necessariamente pode não ser esse o pensamento de Judas ao fazer a citação, entretanto sua ênfase está na queda dos anjos que abandonaram seu estado original e sua posição exaltada junto a Deus para seguirem após Satanás. Eles estão reservados para o dia do juízo porque estão irremediavelmente perdidos. A queda dos anjos na literatura judaica é descrita como segue: 1) teriam caído juntamente com Lúcifer, na remota eternidade passada (Is. 14:12); 2) teriam caído por terem desejado mulheres terrenas (Gen. 6:1-4 e o trecho referido do livro apócrifo de Enoque); 3) teriam caído por participarem da tentação e da queda do homem, sobre o que se lê no terceiro capítulo do livro de Gênesis. Os falsos mestres, que incluíam a imoralidade como parte oficial de suas doutrinas, tinham-se tornado aliados espirituais dos anjos caídos, os quais haviam caído através da concupiscência. Sua mensagem amoral, portanto, levava os homens à queda, e não à redenção. O autor sagrado ensina que até mesmo os anjos, poderosos e inteligentes como eram, "podiam" cair e "realmente" caíram.

3.       OUTROS ASPECTOS DIGNOS DE NOTA

1.       A CONTENDA DO ARCANJO MIGUEL COM O DIABO (9). Certamente que esta é a porção do livro de Judas que é extraída do apócrifo "A Assunção de Moisés". O que Judas pretendeu ao citar este texto é demonstrar que até mesmo tão grande e santo poder como Miguel, um arcanjo, mostrou respeito pelos seres sobrenaturais, até os malignos, como é Satanás. Ele exerceu restrição e não "blasfemou" contra Satanás. Em contraste, os falsos mestres gnósticos não hesitavam em blasfemar e degradar os poderes angelicais bons e maus. Não há qualquer indício que eles negassem a existência de tais. Certamente não eram céticos como os saduceus que negaram a existência da alma e dos espíritos. Miguel deixou nas mãos de Deus o repreender a Satanás. Somente Deus pode fazer isso. Assim os gnósticos supunham um poder tão alto que fazia o que somente Deus pode fazer.

2.       A COMUNHÃO MÍSTICA COM O PAI (1). "Amados em Deus Pai" é a expressão utilizada por Judas que é possível mediante a comunhão mística com Deus, por intermédio de Jesus Cristo. Estando Deus identificado conosco como Pai, posto estarmos sendo transformados em filhos seus, segundo a imagem de seu Filho, o que nos confere todos os benefícios espirituais, pela mediação do amor.

3.       O SÉTIMO DEPOIS DE ADÃO (14). Enoque, personagem histórico, foi o sétimo dos patriarcas antediluvianos, conforme se vê no quinto capítulo de Gênesis. O registro bíblico mostra-nos que ele viveu por trezentos e sessenta e cinco anos, tendo sido homem especialmente piedoso, porquanto andava com Deus, até que finalmente foi arrebatado, sem ter experimentado a morte física. O número sete tem significado místico de perfeição e término de ciclos. Portanto, Enoque era estimadíssimo ( a piedade foi aperfeiçoada nele), tendo sido também profeta de acontecimentos apocalípticos e escatológicos, sobre o fim de um ciclo terreno e sobre o começo do estado eterno. O sétimo mundo e o reino de Deus, e Enoque foi o profeta especial a esse respeito. Nos escritos rabínicos encontramos as seguintes palavras: "O número sete é o número mais sagrado de todos; Enoque foi o sétimo depois de Adão e andou com Deus; Moisés foi o sétimo depois de Abraão; Finéias foi o sétimo depois de Jacó, nosso progenitor, tal como Enoque foi o sétimo depois de Adão. E eles correspondem ao sétimo dia, que é o sábado, o dia de descanso. Cada sétima era é a mais importante." O próprio Enoque viveu tantos anos quantos são os dias do ano solar, a saber, trezentos e sessenta e cinco dias; e então foi arrebatado, pelo que até mesmo os seus anos de vida nesta terra falam do término perfeito de um ciclo. "O sétimo depois de Adão agradou a Deus e foi arrebatado, tal como haverá um sétimo dia de descanso, em que todos serão arrebatados, os quais, durante o sexto dia da história do mundo foram novamente criados pela Palavra encarnada" (Agostinho em reposta a Fausto, o Maniqueu).

4.       BÊNÇÃO (24,25). "Ora, àquele que é poderoso para vos guardar, e apresentar-vos ante a sua glória imaculados e jubilosos, ao único Deus, nosso Salvador, por Jesus Cristo nosso Senhor, glória, majestade, domínio e poder, antes de todos os séculos, e agora, e para todo o sempre. Amém." Tem-se nessa bênção alguns aspectos importantes da teologia, tais como: 1) O poder de Deus é suficiente para nos guardar dos tropeços; 2) Deus mesmo nos manterá imaculados para que possamos nos apresentar diante da sua glória; 3) O monoteísmo vem na forma de "ao único Deus"; 4) A nossa salvação vem de Deus mediante Jesus Cristo; 5) Somente Deus é digno de culto na plenitude da sua glória, majestade, domínio e poder, pois ele é eterno.


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