Angela Natel On segunda-feira, 25 de junho de 2012 At 06:58

SEMADAR
ESCOLA DE MISSÕES DA ASEMBÉLIA DE DEUS EM ANGRA DOS REIS


MISSIO DEI
Teologia Bíblica de Missões do Antigo Testamento

LIÇÃO Nº 2



 JOÃO PESSOA / 2004



            Veremos nessa segunda lição que a MISSIO DEI (Missão de Deus), começa ainda no gênesis e se estende por toda a história humana. Deus usou o povo de Israel como povo de propriedade Sua, para a proclamação do Reino.
            Então vamos ver juntos quão grandes coisas o Senhor pode fazer, quando o alvo é a MISSIO DEI.


            Que a graça e a revelação do Senhor Jesus Cristo possa nos conduzir no desvendar das Escrituras.


 SUMÁRIO
  


LENDO A BÍBLIA COM UMA PERSPECTIVA MISSIONÁRIA



A Bíblia é um livro fantástico. Quando a estudamos temos a impressão que é uma espécie de poço que nos oferece água fresca a toda hora, que jamais chega ao fim. Nós, os cristãos, acreditamos que Deus escolheu se revelar aos seres humanos através da Sua Palavra. Só se pode conhecer o pensamento de uma pessoa, se ela disser o que está pensado. Eu creio que foi mais ou menos isso que Deus fez quando nos “presenteou” com as Escrituras.
            O objetivo desse texto é clarear um pouco a nossa mente no que diz respeito à base bíblica de missões no Antigo Testamento. Quando lemos a Bíblia com uma perspectiva missiológica, é como se ela se tornasse mais viva, fazendo com que a nossa teologia deixe de ser discussão de conceitos e divagações filosóficas, para ser algo vivo e vibrante. A Missio Dei, ou seja, A Missão de Deus.
            Mas, o que vem a ser Missio Dei? É simplesmente o termo latino para Missão de Deus. Eu creio que o tema central da Bíblia é Jesus Cristo. Logo, ela relata a expansão de um Reino que avança, que trás como base a Missão do Deus triúno: providenciar a redenção, encontrar os pedidos e, então, utilizá-los para mediar as bênçãos do Reino para aqueles que ainda estão perdidos.[1]
            É claro em toda a Bíblia que Deus tem uma missão. Se for assim, a Bíblia só pode ser compreendida se lida por uma ótica missionária, visto que nela está contida o plano de Deus de salvar o homem e toda a Sua criação das conseqüências do pecado.
            Outro termo que utilizaremos no nosso estudo é “universalidade”. Uso esse termo para mostrar que o domínio de Deus e, conseqüentemente, a sua preocupação é com toda a terra. Em diversos lugares veremos as Deus dizendo: “porque toda a terra é minha”, ou “saberá toda a terra que eu sou Deus”. A idéia da universalidade da salvação é muito importante em nosso estudo e deve ficar bem gravada em sua mente.
Sendo assim, partiremos para o nosso estudo missiológico do Antigo Testamento.






















A MISSIO DEI NO PENTATEUCO



CRIAÇÃO

Em Gênesis 1.1, podemos ver o Deus Criador que por ninguém foi criado, criando todas as coisas, mostrando o Seu domínio sobre toda a terra. Toda a criação de Gênesis tem a sua centralidade e finalidade na humanidade.[2] No capítulo 2, o homem surge como o centro da criação de Deus. Porém, em Gênesis 3, a humanidade, representada por Adão, não compreende a sua centralidade e responsabilidade e aliena-se de Deus, escolhendo pecar. E esse mesmo Deus, que domina sobre toda a criação, se preocupa em trazer para si a criação que passou a viver alienadamente.
            Quem procurou o homem após a que foi Deus. A única atitude do homem foi se esconder, mas Deus, preocupado com a Sua criação. Disse “Adão, onde estás?” (Gn 2.8,9). Essa mesma pergunta percorre toda a escritura. É o homem se escondendo, procurando viver a sua vida dissolutamente, como o filho pródigo, e Deus, em sua busca, para restaurá-lo do domínio do pecado.
            Ainda tratando da criação, podemos destacar duas implicações missiológica na declaração que a raça humana é feita segundo a imagem de Deus.
1.      Essa semelhança demonstra a capacidade de ser humano, de confraternizar-se com Deus. Segundo John York,[3] embora isso preceda a queda (Gn 3), esse fenômeno estabelece a base para a reconciliação que se seguirá. Uma vez que os seres humanos são feitos segundo a imagem de Deus, não pode haver grupos de pessoas em nenhuma parte do mundo que não possa ser restaurada para confraternizar-se com Ele.
A compreensão dessa verdade torna-se um alicerce para a Grande Comissão. Visto que Deus criou todos a Sua imagem e semelhança, Jesus, o Filho de Deus, deseja incluir todos, quando ordena que se faça discípulos de todas as nações. Assim, faz-se necessário uma Missão de Deus para proclamar a salvação a todos os povos.
2.      A segunda implicação, é que o ser humano foi criado para representar o seu Criador (Gn 1.28). Isso fica bem claro quando Adão recebe a incumbência de dar nome aos animais (Gn 2.19-20). Nesse texto fica bem explícita a autoridade de Adão. Alguns comentaristas vêem aqui um termo chamado de mandato cultural, ou seja, Deus deu autoridade ao homem para cuidar da terra.
Paulo entendeu essa prerrogativa quando escreveu que os que fazem parte da Igreja do Senhor são embaixadores de Cristo.[4]

Seguindo um pouco mais, no estudo do texto de Gênesis, podemos ver que há três eventos que servem como preparação para a primeira declaração explícita de Deus sobre a salvação da humanidade.
1.      A queda trágica da humanidade em pecado (Gn 3.1-19), faz com que Deus responda com, o que muitos chamam de proto-evangelho, a promessa da semente da mulher esmagaria a cabeça da serpente em Gênesis 3.15. Essa promessa se torna o alicerce de Deus para a salvação das nações e toda a base soteriológica e hermenêutica do Antigo Testamento.
2.      Logo após que aconteceu o assassinato de Abel por seu irmão Caim, demonstrando a presença e força desestabilizadora do pecado na destruição dos relacionamentos, tendo como conseqüência a maldade se espalhando sobre a Terra, Deus ordena o dilúvio para destruir a terra. Após o dilúvio, Deus faz um pacto com Noé. A universalidade da salvação é revelada nesse pacto e em seu pronunciamento quanto aos seus filhos. Não é apenas Noé e Sem que são relatados nesse pacto (Gn 9. 1,8,9), ele também incluía Jafé e Cam[5]. Logo, a palavra filhos é usada no plural três vezes e não pode ser ignorada. Devido a isso, podemos dizer, definitivamente, que a preocupação de Deus é com toda a humanidade, sem deixar de fora nenhum povo ou tribo do globo terrestre.
3.      Em seguida podemos destacar a arrogância humana que Deus julgou em Babel (Gn 11. 1-9). A dispersão da humanidade pela terra, fez com que novos povos fossem criados, criando a “introdução” para a chamada de Abraão, onde Deus diz que através de Abraão “todos os povos” seriam abençoados.

O contexto dos acontecimentos de Gênesis 11 é perturbador. A humanidade está em densas trevas. O conhecimento de Deus estava se extinguindo. Nesse contexto, há uma ruptura. Inicia-se Gênesis 12. Esse capítulo introduz uma nova era na história da salvação uma história que é particularista no método, mas universalista em promessa, designo e efeito.[6]
“O chamamento de Abraão reflete tanto a salvação de Deus (Gn 10), quanto o Seu julgamento, e estes terão predominância na maneira como Deus se relacionará com a humanidade desde esse ponto”.[7]
A relação da chamada de Abrão com os capítulos anteriores não demonstra um favoritismo exclusivista de salvação para um povo especifico, mas deixa claro que Deus está preocupado em salvar todos os povos da Terra. Da mesma forma que nos onze primeiros capítulos de Gênesis Deus estava se relacionando com as nações, também estava lançando base para o capitulo 12, e, nesse capítulo vem à base para a história de Israel, que por sua vez, recebe de Deus, através de Abraão, incumbência de cumprir o mandato redentivo[8] que se cumpre fielmente em Jesus Cristo, que leva sobre si os nossos pecados.
A promessa de Deus a Abraão, que nele seriam benditas todas as famílias da terra, não faz dele e de sua descendência um “depósito” da benção, mas um canal pelo qual Deus abençoaria as nações. Israel não era simplesmente o “escolhido”, mas “escolhido para”. A escolha de Israel não significa rejeição às outras nações. A eleição de Israel implicava em uma responsabilidade universal de salvação.[9]
A partir da escolha de Abraão e sua descendência, Deus fez com que desencadeasse uma longa história de um povo, Israel, que nem sempre cumpria o mandato redentivo que Deus havia ordenado a Abraão.
Uma vez que sobre Israel estava a Missão de Deus, não é surpresa encontrar inúmeras referencias missiológica na história de Israel. Vejamos a seqüência dessa historia.












ÊXODO, LEVÍTICO, NÚMEROS E DEUTERONÔMIO

            Israel estava uma nação escrava no Egito há 400 anos. A Bíblia diz que “Deus ouviu o clamor de Israel” (Ex 3.7). Israel havia crescido muitíssimo no tempo em que passou no Egito. Havia chegado a hora de Deus libertar o povo escolhido, e todo o processo de libertação de Israel é uma clara referência a universalidade da salvação que vimos anteriormente.

1.      Os milagres – O Êxodo registra e enfatiza os sinais milagrosos que antecedeu a saída do povo do Egito e os acompanhou até a terra prometida. Todos esses sinais miraculosos foram para demonstrar aos egípcios que o Deus verdadeiro é o Deus de Israel. A frase “saberão os egípcios que eu sou Javé” ocorre muito mais vezes que “saberá Israel” (Ex 7.5; 8.10; 12.12; 14.17.18; 34.10). A idéia central é que o nome de Deus seja glorificado em toda a terra e que toda a terra saiba que há Deus em Israel.

2.      A lei – Uma função da Lei dada através de Moisés é demonstrar favoravelmente vida e temor do Senhor. O modo diferenciado que Israel passaria a viver deveria ser um meio de instruir as nações. Os aspectos da Lei estão bem claros em Êxodo 20.1 a 23.33. A Lei foi dada para descrever o estilo de vida de um povo comprometido através da aliança com Javé. A razão, a justiça e a proteção oferecida sob essa Lei tiveram como objetivos estender a participação da aliança às nações que ainda não faziam parte dela.[10]

3.      Um reino de sacerdotes – Esse aspecto da aliança de Deus como Israel nos é apresentado em Êxodo 19. 5-6, com uma declaração que ecoa por toda a Escritura. Deus afirma que, embora o mundo seja Seu, Israel, através da obediência, poderia se tornar a Sua “propriedade peculiar”, um “reino de sacerdotes” e um “povo santo”. Fica explicito aqui a intenção de Deus abençoar as nações, visto que a função sacerdotal é intermediar, tanto através da proclamação quanto da intercessão, o encontro das pessoas com Deus, e ser santo significa ser separado para um propósito, podemos inferir que Deus estava revelando a Sua vontade que Israel abençoasse as nações da Terra. Séculos depois essa mesma declaração é feita para a Igreja em 1 Pedro 2.9, mostrando que a Missão de Deus percorre toda a Escritura.[11]

Nos outros livros do Pentateuco reflete-se a mesma colocação missionária do livro de Êxodo. Contudo, gostaria, ainda, de fazer menção de uma referência que se encontra em Números 10. 29-32 (ler o texto). Já na saída do povo do Egito podemos ver claramente que o intuito de Deus não era somente a salvação de Israel, e isso fica muito claro pela presença de Hobabe entre os Israelitas, pois o guia do povo seria o próprio Deus e não Hobabe. Podemos ter certeza que Hobabe foi com o povo de Israel e que o Senhor abençoou a sua descendência pelas citações que há a seu respeito na Bíblia, como por exemplo, em Juízes 1.16; 4.11; I Samuel 15.6 e I Crônicas 2.55, nesse texto demonstra claramente que este pagão passou a fazer parte do serviço do Senhor, tendo os seus descendentes sido escribas da Lei.





MISSIO DEI NOS LIVROS HISTÓRICOS



JOSUÉ

No livro de Josué, o povo passa de uma vida nômade para uma vida assentada na terra prometida. Em tantos pontos missiológicos nesse livro, citaremos dois para termos uma visão mais ampla.

  1. Em primeiro lugar, podemos ver que a presença de Deus acompanha os seus, que avançam para o alvo determinado por Ele. Ao longo do livro podemos ver que a vontade de Deus é a posse da Terra Prometida, que por sua vez, é um progresso em direção ao Reino prometido no Pentateuco (Dt 31. 6-8). Depois da morte de Moisés, Deus repete a mesma promessa feita ao seu sucessor, Josué (Js 1. 5-9).
Sob a liderança de Josué o povo marcha triunfante para a conquista ta Terra prometida. Essa promessa feita a Moisés e Josué torna-se a base e a garantia para a ordem de evangelização que Jesus deu aos seus discípulos em Mateus 28.19-30: “Portanto, ide, ensinai as nações... e eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”.

  1. O segundo princípio é que todas as vitórias que Josué teria, não seria dele, mas do Reino de Deus, que são colocadas como bênçãos para todas as nações. Em Josué 3.11,13 por três vezes há a referência que Deus é “o Senhor de toda a terra”. Pode parecer estranho que uma missão designada por Deus para abençoar as nações da terra comece com uma conquista militar. Porém, precisa se entender que no contexto em que se deram essas conquistas, isso era normal, Israel necessitava de uma base para as suas “operações”. Além disso, devemos lembrar que a conquista da Canaã é colocada como punição de sociedades que a maldade alcançou níveis insuportáveis, falava-se da terra como tendo “vomitado seus habitantes” (Lv 18.28). Toda essa conquista é para que: “todos os povos da terra conheçam a mão do Senhor, que é forte, para que temais ao Senhor, vosso Deus, todos os dias” (Js 4.24).





















JUÍZES E RUTE

Nos livros de Juízes e Rute, o Reino de Deus é antecipado, como uma abertura para os gentios. A linha central de Juízes é: “o Senhor sobre vós dominará” (8.23)[12]. Nesse contexto, o Reino de Deus entra em contraste com a futilidade da vida fora do Seu Reino.
            Na época da conquista de Canaã, Israel era um povo tribal comandado por clãs, por quase dois séculos não houve um governo central em Israel[13]. Nessa época havia os juízes que em épocas emergenciais, como por exemplo, guerra, Deus, pelo Seu Espírito, levantava juízes para julgar o povo e libertá-los dos opressores.
            Muitas vezes, particularmente nos livros históricos, as nações são ameaças a Israel no campo da política e tentação com respeito ás religiões pagãs que possuíam essas nações. Sempre que Israel não resistiu a tentação de associar-se aos deuses das nações perdia a razão da sua existência, sendo, então, derrotado e escravizado pelos outros povos. Esse é o modo que Deus age, Ele pune Israel e usa as nações para isso[14]. No livro de Juízes isso fica totalmente explicito, e, de tempo em tempo, quando o povo se arrependia, Deus levantava um Juiz para que “toda a terra saiba que há Deus em Israel”.
            Rute nos brinda com uma bela narrativa de uma gentia, que juntamente com a sua sogra judia, vai para Israel em busca de alimentos. Porém, mas do que as aventuras dessa gentia, podemos ver através dos relatos mais uma vez a disposição de Deus abençoar as nações gentílicas, aqui representadas por Rute. Um texto chave para entendermos essa benção é dito pela própria Rute a sua sogra: “... aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus[15]. E para tornar ainda mais missionária a leitura desse livro, Rute que casou com Boaz, faz parte da genealogia de Jesus.


O LIVRO DOS REIS (I e II SAMUEL, I e II REIS, I e II CRÔNICAS)

Os livros que tratam da monarquia judaica são cheios de implicações missiológicas, ou seja, nesses livros é retratada a Missão de Deus, que, muitas vezes durante vários reinados, deixou de ser praticada por Israel.
            No reinado de Davi temos a descrição de uma conversa entre o Senhor e Davi, através do profeta Natan. Davi se oferece a Deus para construir uma casa (um templo), para servir de morada para Deus. Natan, a princípio, acolhe bem a idéia, mas logo em seguida volta a Davi e lhe repassa a mensagem do Senhor, dizendo que ele não construiria uma casa para Deus, mas o seu filho iria construir essa casa. Todavia, Deus iria construir uma casa para Davi (uma dinastia), e essa dinastia seria eterna (II Samuel 7. 11-17 – ler o texto). Nessa resposta de Deus está implícito e explicito o Seu reinado sobre a terra. Jesus é o Rei do Reino de Deus que jamais terá fim (Dn 2.44).
            Podemos ver ainda uma forte implicação missionária na construção do Templo por Salomão. Quando Salomão edificou o Templo para ser a casa de Deus, a sua oração possuía palavras que deixavam bem explicito como este Templo seria usado, disse então o rei:
Também ao estrangeiro, que não for do teu povo Israel, porém vier de terras remotas, por amor de teu nome (porque ouvirão do teu grande nome e da tua mão poderosa, e do teu braço estendido), e orar, voltado para esta casa, ouve tu nos céus, lugar da tua habitação, e os povos da terra conheçam o teu nome, para te temerem como o teu povo de Israel e para saberem que esta casa que eu edifiquei, é chamada pelo teu nome (I Reis 8. 41-43).
            Todo o louvor virá do Senhor. Todos os louvores são estimulados pelo amor a Deus, que traz salvação a todos os homens. Isto é algo que nos impulsiona, que nos leva a fazer missões para que a Glória de Deus seja restaurada nos seres humanos.
            Como dissemos, por muitas vezes Israel deixou-se levar por deuses pagãos. Um desses deuses chamava-se Baal. A adoração a Baal era uma religião cíclica, classificada pela ciência da religião como um hierofania, significando o aparecimento do santo. Na visão de mundo dos adoradores de Baal, os eventos da vida diária seguiam e refletiam os eventos sacros. Esses eventos se repetiam anualmente, ou seja, não havia possibilidade de mudança, melhoramento ou desenvolvimentos verdadeiros[16].
            Ao contrario de Baal, a religião de Israel era uma religião de esperança, em crer na promessa de Deus e não fatalista. A própria existência do povo dependia de crer nas promessas de Deus.
            Nesse contexto de invasão do paganismo na nação de Israel, Deus levanta Elias para dar um ultimato ao povo de Israel: ou seguem Baal ou Javé. Em 1 Reis 18. 17-40 Elias desafia os 450 profetas de Baal e os 400 profetas de Assera para uma disputa no monte Carmelo. O fim da história é conhecido. Os profetas de Baal fazem as suas orações, e evidentemente, não são atendidos. Ao passo que Elias ora ao Deus Todo-Poderoso e cai fogo do céu e consome o holocausto, e mais uma vez, “toda a terra soube que há Deus em Israel”.
































MISSIO DEI NOS LIVROS POÉTICOS


O tema de Missões é muito comum entre os poéticos. A soberania de Deus é cantada e “poetizada”. O tema missionário frui com beleza e harmonia.



Esse livro é provavelmente o mais antigo do Cânon sagrado. Nele não contem referencias aos patriarcas, ou a Lei Mosaica. Todavia, mostra-nos o amor de Deus pelo homem, mantendo-o justo e íntegro mesmo antes da eleição de Israel para abençoar as nações. No livro de Jó podemos ver Deus como o grande Consolador da Historia e podemos ver Jó profetizar sobre Jesus Cristo, quando diz: Porque eu sei que o meu redentor vive e por fim se levantará sobre a terra (19.25).


SALMOS

Há cento e cinqüenta Salmos, que podem ser divididos em várias categorias, dentre elas encontram-se os Salmos missionários. Todos estes Salmos apresentam o juízo e a salvação do Soberano Criador dos céus e da terra.
            Como os seus vizinhos da Mesopotâmia e de Canaã, Israel cultivou desde as suas origens poesias em suas diferentes formas. O Saltério (do grego Psaltérion, propriamente nome do instrumento de cordas que acompanhava os cânticos), é a coleção dos cento e cinqüenta Salmos. O livro dos Salmos é uma coletânea de poesias hebraicas inspiradas pelo Espírito Santo que descreve experiências espirituais do povo de Deus. Todo o texto de Salmos contém um material antiqüíssimo. Porém não há surpresa nenhuma nisso, visto que os tabletes de Ras Shanra mostram que quando Israel invadiu Canaã, o tipo de poesia representada nos Salmos, já era utilizado por longas tradições estabelecidas entre os habitantes de Ugarite. Portanto, o cântico de Moisés em Êxodo 15 e de Débora em Juízes 5, não eram exemplos isolados da poesia semítica. A autoria de alguns Salmos eram dedicados a Deus. Da mesma forma no Templo, sendo Salomão também autor de Salmos. Moisés e Salomão comporam ao todo, três Salmos.
            Diz que o livro de Salmos é a linguagem da alma. Enquanto na Bíblia em geral está relatado o que Deus fez pelo seu povo e lhes falou, o livro de Salmos é principalmente o homem que fala com Deus. É Deus inspirando os seus próprios filhos a respeito do sentimento que deveriam ter a Seus respeito, e as palavras que devem servir-se ao dirigirem-se a Ele. O Senhor Jesus, os apóstolos (Ef 5.19) e os pais da igreja, no decorrer dos séculos fizeram deles a sua literatura oficial. Os gritos de louvor, de súplicas, de agradecimentos a Deus, que foram tirados de seus autores em circunstâncias das mais diversas, têm um caráter universal.
            Davi causou um grande impacto na vida religiosa de Israel. Davi transformou Israel em uma comunidade de adoradores. Organizou o culto a Deus em vinte e quatro turnos, em uma demonstração que o louvor a Deus será contínuo, sem interrupção. Deixou todo o plano de construção do Templo pronto para o seu filho Salomão edificá-lo. A construção de uma casa permanente para substituir o Tabernáculo sempre ocupou lugar de destaque no pensamento de Davi, por isso ocupou-se desde cedo ajuntar materiais necessários para a construção. O Templo possuía três divisões principais: a) Átrio dos Gentios; b) Lugar Santo; c) Santo dos Santos. O Átrio dos gentios era o lugar reservado para que os viajantes e moradores gentios adorassem o Deus de Israel, e a Ele ofereceram sacrifícios. Quando Jesus fez a purificação do Templo (Lc 19.45), a realizou, pois o lugar reservado para os gentios serem abençoados estava sendo ocupado com venda de animais, a função missionária do Templo estava anulada. Assim como em muitas igrejas que deixaram de abençoar as nações, para se transformarem em simples comércio, onde o que importa é o lucro o poder aquisitivo, deixando as nações sem participarem do culto de louvor a Deus. Em seu tempo, Jesus virá e julgará os que fazem de Sua casa covil de salteadores.
            O Templo no seu inicio possuía uma função missionária, como era o desejo de Salomão e do seu pai Davi, que foi o autor de setenta e três dos cento e cinqüenta Salmos, ou seja, quase a metade. Porém, a autoria davídica de muitos Salmos tem sido muitas vezes negada. Alguns eruditos dizem que o Davi conhecido pelas suas belas poesias e cânticos, não se assemelha ao Davi guerreiro descrito no Livro de Samuel e dos Reis. Não obstante, o próprio livro que descreve as vitórias majestosas de Davi, declara que ele era músico (1 Sm 16.14) e poeta (2 Sm 1.14). Estes eruditos tentam provar que Davi não foi o autor dos Salmos contidos em 2 Samuel 22 e 23. 1-7, procurando com isso destruir ou extirpar as palavras “como Davi” contidas em Amós 6.5. Passagem esta, que, trezentos anos depois faz menção à música e cânticos de Davi. Estas dúvidas levantadas carecem de provas históricas e arqueológicas, além de serem fruto de uma péssima hermenêutica bíblica.
            O âmago de toda vida religiosa dos salmistas, incontestavelmente era a concepção que possuíam, nos céus, na terra e no mar. Pois Ele se fizera conhecido como Deus Onipotente, Onipresente e Onisciente. Ele é o Deus de toda a história, guia tudo para um alvo final. O governador do mundo, o Rei dos Reis, é legislador e juiz. O vingador de todos os que são oprimidos, misericordioso e salvador de todos aqueles que o buscam. Com este grande conhecimento de Deus. Os Salmos são bastante espontâneos, pois foram feitos por pessoas que tiveram um encontro pessoal com Deus. Eles confiam na Sua presença e providência. Essas orações são comunhão, súplicas e refrigério para os feridos que encontram abrigo debaixo das Suas asas.
            Davi possuía uma alma quebrantada, e ansiava por andar pelos caminhos do coração de Deus. Buscava entender esta espiritualidade. Tudo isto o levou a escrever uma das grandes obras de missões: Os Salmos.
            A pregação missionária é sustentada nos Salmos por mais de centro e setenta e cinco referências sobre a salvação universal, ou seja, a conversão das nações pagãs a Deus. Possuem também, desafios missionários incontestáveis. Pode-se dizer que os salmos compõem uma das literaturas mais completas do mundo.
            Os salmos com temas específicos sobre missões são: 2, 9, 18, 22, 33, 45, 46, 47, 48, 49, 57, 65, 67, 72, 76, 77, 79, 83, 86, 87, 94, 95, 97, 98, 99, 100, 102, 103, 105, 108, 114, 117, 118, 126, 138, 139, 144, 145, 146, 150. Visto que o espaço é pouco, vou fazer apenas a análise do Salmo 2 como amostra do riquíssimo material missiológico contido nos Salmos e como pode ser aplicado em nossos dias.

Salmo 2 – O Reinado Ungido de Deus

A questão abordada nos primeiros versículos (1,2) é apenas uma retórica e não algo que possa ter fundamento. Pode-se afirmar isto com clareza, visto que qualquer rebelião contra Deus é ilógica e infundada. Esta questão de “romper laços” é apenas uma rebelião de homens que maquinam somente coisas vãs, e incitados pelos dominadores do mal, pelo poder da iniqüidade que opera no mundo, tentam afetar a Deus. Logicamente isto não ocorre. Acarretam para si somente o juízo de Deus. Com os seus projetos ineficazes, conseguem apenas demonstrar as suas fraquezas e condição caída. Ficando impedidos de realizarem plenamente o mandato o cultural ordenado por Deus. O mandato cultural consistia na ordem da por Deus em Gênesis 1.28 de sujeitar a terra. Ou seja, encher a terra, cuidar dos animais e da sua preservação ambiental. A imagem de Deus colocada no homem fazia dele um representante da Divindade para preservar a criação. Com a queda, a terra foi amaldiçoada (Gn 3.17), e perdeu o seu domínio. Porém, até hoje tenta por suas próprias forças “subjugá-la”. Cria alimentos transgênicos, transforma animais herbívoros em carnívoros, como é o caso dos bois que se alimentavam de mato nas pastagens, e agora se alimentam de ração feita de outros animais. Mudam geneticamente animais e pessoas, “brincam de deus”. Acham que podem dominar a terra mesmo com a imagem de Deus completamente afetada pelo poder do pecado. O resultado desta “brincadeira” foi a morte de mais de duzentos mil animais no ano de 2001 somente na Inglaterra acometidos da doença da vaca louca. As geleiras estão derretendo devido ao aquecimento global, que é ocasionado pela emissão de gases tóxicos na atmosfera. Um bilhão de habitantes no planeta não possuem água potável e dois terço das florestas foram destruídos, ocasionando o aparecimento de muitas doenças que antes era restrita a animais que viviam nas florestas, como é o caso do ebóla. O homem precisa voltar-se para o seu criador recuperar a “Imago Dei”, para salvar-se da destruição anunciada.
            Hoje, com pós-modernismo, onde ninguém é o dono da verdade e tudo é relativo, a idéia de um único caminho para chegar a Deus parece ser muito limitada, pois o homem quer ter opção de escolher qual o caminho irá levá-lo mais fácil e mais rápido a Deus. Prefere quebrar os laços que o prende ao Criador, e buscar outras opções. Opções estas, que o levará a mais completa ruína, pois somente Jesus Cristo é o caminho que conduz o homem ao Céu. Deus com o Seu poder ilimitado, assentado no trono, contempla esta rebelião e inssurreição e “ri” (4). Este termo é uma forma de expressar a Sua Onipotência, e que qualquer coisa ou arma, ainda que seja a mais sofisticada já produzida, se desfaz com um único sopro de Sua boca (Ap 19.21).
            Todo este relativismo que hoje impera, será aniquilado (5). Não haverá espaço para meias verdades. Jesus enquanto esteve na terra, disse que quem conhecesse a verdade seria liberto. Ele é a verdade. O homem acha que o seu pós-modernismo irá levá-lo à liberdade! Puro engano! Está indo rápido para o abismo. Deus está trazendo o fim da liberdade que o homem pensa ter, quando Ele vir com a Sua ira, trazendo juízo sobre todos os rebeldes. Estará concretizado na terra o Seu propósito. Por mais que se passem os anos, séculos, milênios, esta aparente liberdade do homem acabará. Jesus Cristo reinará visivelmente.
            Ao lermos estes versículos (7-9), temos a impressão que houve um certo silêncio sobre a terra. Parecendo que a sentença de Deus tivesse sido ouvida em toda a terra, e a rebelião apaziguada. Neste suposto silêncio, Jesus toma a palavra, (é interessante perceber que há três momentos neste Salmo: primeiro o homem fala; em seguida Deus fala e então, Jesus fala), afirmando ser o Filho de Deus, e que as nações são a Sua herança e toda a terra Sua possessão (8). No versículo nove Jesus faz um paralelo com Gênesis 49.10. Onde Israel abençoa Judá, dizendo: “O cetro não se arredará de Judá, nem o bastão de autoridade de entre os seus pés, até que venha Silo”. Esta profecia esta relacionada ao Messias, que regerá as nações com vara de ferro (Ap 19.15), demonstrando o Seu poder e Glória, para a Salvação de alguns e destruição de outros. Este texto leva-nos aos acontecimentos futuros, desde a destruição dos exércitos do Anticristo, ao Milênio onde Cristo e a Igreja reinarão e todos O louvarão.
            Tudo isso é muito impressionante, e forte. Todas as agruras do sentimento humano irão desaparecer. Os servos de Deus nesta vida, não precisam procurar solução para as amarguras desta vida em vãs filosofias, pois Deus é o único que conhece o caminho do coração. Os salvos sabem o que lhes aguardam. Entendem que reinarão com Cristo. Crêem que, enquanto este dia não chega, a presença do Espírito Santo lhes conforta.
            Deixai-vos advertir (8). Os homens precisam deixar a sua arrogância, prepotência e curvarem-se diante do Soberano Criador. Precisam beijar literalmente o Filho (11,12). Tributar-lhe louvores de coração puro e sincero, pois quando Sua ira se inflamar consumirá todos que se fizeram da iniqüidade, que amaram mais o mundo que ao Deus Soberano.
            Não se enganem, Deus não se deixe escarnecer, os que forem mornos serão vomitados da Sua boca (Ap 3.16). Não terão parte no Reino de Deus. Deixai-vos advertir, aceitai a correção de Deus, mude o homem a sua vã maneira de pensar e viver. Fazendo assim, haverá sentido na sua vida terrena e salvação para a sua alma. Deixem os homens o seu relativismo, seu dualismo e suas infundadas rebeliões contra Deus, pois Deus os quer sarar, e curar as suas feridas. Apagar todas as amarguras, enxugar dos seus olhos todas as lágrimas (Ap 21.4). Para isto, basta que glorifiquem a Deus, cumpram os Seus mandamentos. Herdarão um novo Céu e uma nova terra, onde as coisas velhas se passaram e tudo se fez novo (Ap 21.1).
            Após o que já foi comentado, podemos resumir a condição humana da seguinte forma:

            1º - Os homens são rebeldes à Lei de Deus;
            2º - Deus trará julgamento aos rebeldes da Terra;
            3º - Jesus Cristo reinará sobre toda a Terra;
            4º - Os homens para livrarem-se da ira de Deus, precisam honrar o Filho, Segui-lO de coração puro e verdadeiro.
            O homem que se deixar advertir pelo Senhor, terá um Deus amigo para todas as horas de angustias e alegrias. Terá o privilegio de proclamar a salvação que vem do Senhor para toda a Terra.


PROVÉRBIOS

A função dos provérbios na sociedade antiga, assim como o seu conteúdo, faz com que eles sirvam de orientação para que os homens de todas as nações possam encontrar o caminho da sabedoria. No caso especifico dos Provérbios de Salomão, é evidente a Missão de Deus, visto que a sabedoria colocada pelo sábio é o temor a Javé, ao Deus de Israel. Alem do mais, o temor do Senhor pode ser considerado como um aspecto essencial da fé de Israel. Cada um dos temas tratados em Provérbios de um modo ou de outro contribui para a compreensão de como se deve viver a vida no temor do Senhor.[17]


ECLESIASTES

Esse livro possui um grande significado na Missão de Deus. Posso dizer isso, pois, as suas historias demonstram a futilidade que a vida é, quando é vivida sem a presença do Criador. Por outro lado, também mostra que a vida pode ser vivida na sua plenitude quando vivida no temor do Senhor (12.13). Deus colocou no coração do homem a “eternidade” sem que o homem possa descobri-la. A eternidade em questão refere-se ao conhecimento verdadeiro de Deus, que por si só o homem não pode descobrir. Sendo que, essa eternidade que é colocada em seu coração, tende a se transformar em um grande vazio, se o homem não estiver diante do seu Criador. Esse conceito fantástico pode ser lido no capitulo 3. 11-15.


CANTARES DE SALOMANÃO

Segundo John York[18] há pelo menos três formas pelas quais esse livro pode ser considerado missiológico:
1.      Em primeiro lugar o livro oferece a proteção e a bênção de Deus nos relacionamentos maritais dos que estão dentro da comunidade da Aliança, ou seja, dentro de Israel. Eliminando assim a sensação de vazio que leva a tentação sexual.
2.      Em segundo lugar ele oferece uma declaração de testemunho para o mundo pagão sobre a força e a beleza do amor matrimonial dos servos de Deus, contrastando com a inferioridade do pseudo-amor que havia nas sociedades circunvizinhas a Israel.
3.      Visto que por muitas gerações esse livro é tratado de uma forma alegórica, podemos inferir nele uma demonstração do amor de Deus para com o povo da Sua aliança, para servir de testemunho para as nações gentílicas.



MISSIO DEI NOS PROFETAS


Para efeito de um melhor estudo, adotamos aqui a divisão de profetas pré-exílio e pós-exílio , segundo estudo feito por Gerge W. Peters[19].


OS PROFETAS PRÉ-EXÍLIO

Antes de iniciarmos o estudo dos profetas pré-exílio, deve-se notar duas coisas:
1.      Todos eles profetizaram sobre o mesmo tema, para as mesmas pessoas e sobre as mesmas coisas.
2.      Todos esses profetas apresentam pelo menos uma alusão sobre a universalidade do controle de Deus.
Vejamos então a Missão de Deus nos profetas.


SOFONIAS

Apresenta talvez a mais breve palavra sobre a universalidade, já que está se dirigindo a Judá sobre os futuros julgamentos de Deus (Sf 1. 2-3 – a face da terra; 2.11 – Todas as terras das nações; 3.8 – Toda a terra será consumida; 3.20 – entre todos os povos da terra).
            Dessa forma, deixa explicito que no Dia do Senhor, o julgamento de Deus irá se estender por todas as nações da Terra (Sf 1.2,3; 3.8) por isso todos os povos da terra irão honrar o Senhor (Sf 2.11), e todos irão conhecer o Seu poder de salvação (Sf 3.19-20). A mensagem de juízo contida em Sofonias é uma forma de Missio Dei, visto que o mesmo Deus que quer salvar é justo para abençoar a exercer juízo sobre a terra, recompensando os que guardam o seu nome e punindo os infiéis.



HABACUQUE

Estabelece três princípios básicos de relevância universal:
1.      Um principio universal de justificação pela fé (Hc 2.4);
2.      Um conhecimento universal da Glória do Senhor (Hc 2.14);
3.      Um culto universal a Deus (Hc 2.20).

Habacuque se qualifica como um profeta que proclama a universalidade do domínio do Senhor, dentro de uma nação que cada vez mais se torna particularista em relação a salvação. Em Habacuque Deus está mostrando que a extensão do Seu Reino é toda terra.




JOEL

A sua mensagem é dirigida a Judá e, também, vem prevenir a terra sobre o terrível julgamento no Dia do Senhor, relatando pelo menos sete desses julgamentos (Jl 2.20; 3.4,6,8,9; referências sobre todas as nações: 3.9,11,12). Profetiza, também, sobre as futuras bênçãos que nações irão compartilhar no derramamento do Espírito sobre “toda a carne” (Jl .28), e a paz que se seguirá ao Dia do Senhor (3. 9-12).


AMÓS

Uma voz poderosa em Betel. Ele é vibrante e tem um coração de convicção e paixão. Ele é mais que um pregador. É um profeta de justiça social que se baseia em justiça pessoal. Embora Amós, aparentemente, seja um homem iletrado e de ocupação humilde, ele é um dos estudantes mais atentos da história e questões mundiais. Possui um conhecimento apurado da nação, isso salta-nos aos olhos quando vemos a forma que profetiza contra os pecados de Israel. Tão espantoso quanto o seu conhecimento é a forma como ele apregoa os julgamentos avassaladores que há de vir.
            O conceito de universalidade do livro de Amós é mais implícito do que explícito. Ainda assim, o fato de que Deus é o juiz universal, incluiria também o fato que Deus é o Salvador universal. Pois Ele é o Deus das nações, ninguém escapa de Suas observações, Sua atenção e seu julgamento. Esse pensamento é expresso na mensagem de restauração que conclui o livro de Amós: “... todas as nações que são chamadas pelo meu nome, diz o senhor, que faz estas coisas” (Am 9.12). Aqui, a esperança de todas as nações ilumina a obscuridade do livro. Na esperança de restauração de Israel encontra-se a esperança de salvação das nações.
            A universalidade de Deus é reforçada ainda pelo seu controle e domínio cósmico, como o profeta ousadamente o declara (Am 5.8,9; 9.5,6).


OSÉIAS

Talvez tenha sido um contemporâneo ou seguidor mais próximo de Amós. É um filho do Reino do Norte e fala como um “missionário local” ao seu próprio povo. Com amor, temor e grande compaixão, ele entrega seu coração e sua vida à renovação da sua terra. Seus pronunciamentos rigorosos do julgamento de Israel, assim como o de Judá, são amplos e sem referência a pessoas, embora fossem exprimidos com uma tenra simpatia e uma esperança de arrependimento. Porém, Oséias não vai a além do seu próprio povo. Assim, toda a mensagem de precaução e julgamento é feita a Israel. Nenhuma alusão é feita sobre a universalidade de Deus. É possível que isso seja pelo fato que, tanto Amós quanto Oséias, profetizaram no Reino do Norte e o fato de não conter elementos da universalidade, deva-se mais ao fato das pessoas a quem se dirigiam do que a mensagem em si.
            O Antigo Testamento deixa bem claro que Deus jamais aprovou a ruptura de Israel, e que não poderia haver um futuro para Israel como uma nação de dez tribos. Apenas quando Judá estivesse novamente incorporada a nação, eles voltariam ao seu devido lugar na economia de Deus. Talvez por isso, a idéia da universalidade seja muito mais abrangente na mensagem dos profetas de Judá, como veremos agora.





JONAS

O livro de Jonas ocupa um espaço significativo na questão da Missão de Deus no Antigo Testamento, tanto no que diz respeito na exigência de Deus para um profeta ir a uma nação gentílica, como sobre a resposta de Deus ao arrependimento do povo.
            Alguns passos são importantes nessa história de Jonas:
1.      Ele foi enviado numa missão redentora a uma cidade gentia. Ele não possuía um conhecimento vago da obrigação de Israel abençoar outras nações, pois ele recebeu do próprio Deus a ordem de ir até Nínive. Além do mais ele era um profeta experiente e não um iniciante no ministério.
2.      O reino da natureza universal de Deus é apresentado de diversos modos, como por exemplo, Jonas descobre que não pode fugir de Deus.
3.      No texto de Jonas podemos ver que a cidade de Nínive está sob o controle de Deus. Após a pregação de Jonas e o arrependimento do povo, Deus poupa a cidade, demonstrando que até mesmo os animais estavam sob os Seus olhos e, conseqüentemente, da Sua preocupação (Jn 4.11).
4.      A história da aboboreira no capitulo 4 demonstra claramente a preocupação de Deus, não só com Nínive, mas de uma forma geral com toda a humanidade. Mostra que Deus se preocupa com os que foram criados a sua imagem e semelhança, e, se Jonas sentiu pesar pr uma planta, que ele não fez nada para que nascesse, imagine o que Deus não estava sentido a respeito de todo aquele povo?
A história de Jonas deixa bem claro que a preocupação de Deus continua sendo a mesma que Ele tinha no Gênesis. Deus quer resgatar a Sua criação. Mais uma vez a universalidade da salvação é manifesta.


ISAÍAS E MIQUÉIAS

            Eram contemporâneos e ambos tem a mesma linha missiológica e podem ser estudados juntos. É bem divulgado o fato que Isaías é o príncipe dos profetas do Antigo Testamento. Ele era um grande internacionalista e um profeta de visão cósmica. Ele não apenas enxergava Israel e as nações vizinhas, mas também os céus e a terra.
            Em Isaías Israel é o servo de Javé. Qual é então a principal responsabilidade de Israel de acordo com Isaías? Parece que essa pergunta é respondida com duas frases recorrentes: “Sois minhas testemunhas” (Is 43.10,12; 44.8) e “o mensageiro que enviou” (Is 42.19; 44.26). Israel tinha uma mensagem para declarar ao mundo e, segundo Isaías, possuía três verdades.
1.      A missão de Israel é uma missão centrada em Deus e por Ele designada. Israel não é um povo que se fez sozinho. Ele criou Jacó, Ele libertou Seu povo; Ele é o criador e o Libertador, o Rei e o Santo de Israel. Israel “é o povo que formei para mim, proclamará os meus louvores” (Is 43.21). Israel não pertence a si mesmo, mas é peculiarmente o povo de Deus para uma missão e um propósito único e Divino.
2.      A missão de Israel é centrada em Deus. Assim como Ele é o originador da missão de Israel, Ele também é o seu centro e a sua essência. Israel existia para sustentar o monoteísmo étnico em oposição a um mar de nações politeístas. Isso fica claro a partir da contínua ênfase na divindade única de Deus. “Sou o primeiro e o Último. Fora de mim, não há Deus” (Is 44.6; Cf 44.8; 45.5,6,21). Dessa forma, o caráter absoluto, único e singular de Deus são declarados repetidamente. Deve ser comentado aqui que devido a esse fato, e para tornar essa verdade viva para Israel e as nações, o culto era permitido e aprovado apenas em um lugar de Israel. Israel devia ter apenas um templo.
3.      A missão de Israel e uma missão para com as nações. Isaías apresenta alguns dos textos missionários mais notáveis do Antigo Testamento (Cf 40.5; 42.1,6,7,10; 45.22,23; 49.6,26; 51.4,5; 52.10,15). Israel existe para as nações e encontra verdadeiro significado em missão mundial.
Embora o julgamento das nações e dos reis insubordinados esteja implicado e a idolatria e a falta de religião não seja tolerada, a salvação é para toda a humanidade e deve ser ofertada a todas as nações em termos iguais. Nessa grande e gloriosa tarefa, Isaías mostra que Israel deve ser o instrumento e o mediador de Deus. Esse é o propósito e o chamado de Israel. A nação não deve viver para si e para o seu próprio engrandecimento. Jacó, o suplantador, deveria ceder e dar passagem para Israel, o príncipe de Deus, e tornar-se o mediador entre Deus e as nações do mundo.


PROFETAS DO EXÍLIO E PÓS EXÍLIO


Os profetas do exílio: Jeremias, Ezequias e Daniel – e os profetas do pós-exílio: Ageu, Zacarias e Malaquias, não acrescentam ou se estendem mais do que os temas já abordados. Da mesma forma também não diminuem o conteúdo universalista da Missio Dei. Portanto a universalidade da mensagem de Deus é normativa também nesses livros.
No grupo do exílio[20]Jeremias procura preservar a consciência de pecado, Ezequiel a consciência de Deus, Daniel a consciência do Reino.
O ultimo grupo dos profetas, os pós-exílio[21], trabalham duro para preservar a nação de Israel da prostituição espiritual e moldá-la como servo de Javé. Ageu, Zacarias e Malaquias trabalham a consciência de Israel como o povo de Deus de forma peculiar.


ESDRAS E NEEMIAS

Embora Esdras e Neemias não sejam considerados livros proféticos, mas históricos, podem ser considerados nessa seção, visto que, cronologicamente, narra a reconstrução do templo na época dos profetas pós–exílio. No livro de Esdras encontra-se quase tudo que se sabe da história dos Judeus entre 538 a.C., quando Ciro conquistou a Babilônia, e 457 a.C., quando Esdras chegou a Jerusalém. Nesse livro, a missão de Deus, a sua universalidade e Seu controle torna-se explicito quando Deus usa os governantes para cumprir os Seus propósitos e, mas ainda, quando Javé, que é Deus sobre toda a terra, usa gentios para contribuir para a reconstrução do templo (Ed 1.1-4). Como vimos, o templo tinha uma grande função missionária.
            Em Neemias, está retratado a reorganização do culto do Senhor e a volta aos princípios da Lei de Moisés. Neemias convoca o povo a louvar ao Senhor, mostrando o controle de Deus sobre toda a terra. Reconhece que Abrão saiu de uma terra pagã e pela graça de Deus, teve o nome mudado para Abraão, ou seja, o pai de uma grande nação (Ne 9.5-7). Ainda louva o nome de Deus, pois através dos milagres, Javé adquiriu renome entre os povos (Ne 9.10). Embora em algumas partes do livro os gentios estivessem sendo expulsos do meio do povo, isso não nega que Deus é o Deus de todos os povos. Neemias, como já foi dito, estava reorganizando o culto ao Senhor e nenhum costume pagão poderia influenciar esta tarefa.



 

 


CONCLUSÃO


Depois de tudo o que vimos, podemos afirmar que a missão no Antigo Testamento não é periférica, mas ao contrário, permeia todo o texto sagrado. Dessa forma, a universalidade da salvação permeia toda a história relatada.
            O Antigo Testamento não contém Missões, ele é por si mesmo missões no mundo.
            De fato, o testemunho uniforme de Deus através do Antigo Testamento sobre o Seu plano de redimir os gentios é um testemunho forte da unidade de todo o Antigo Testamento e da inspiração das Escrituras como um todo.
            Nosso desejo é que após esse estudo você possa aplicar as verdades de Deus na sua vida. Se você entendeu que a preocupação de Deus é com toda a terra, e se você é súdito desse Rei, essa também deve ser a sua preocupação: “Levar as Boas Novas de Salvação a todos os povos da terra”.
            Louvamos a Deus por sua vida esperando nEle que sua vida possa produzirmuitos frutos para o reino de Deus.





































REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



BÍBLIA SAGRADA, Português, Bíblia de Jerusalém, Tradutores, Euclides, M. Balancim e outros. 8. ed. São Paulo: Editora Paulos, 2000.

BÍBLIA SAGRADA, Português, Bíblia Shedd. Tradução João Ferreira de Almeida. São Paulo: Edições Vida Nova, 1997.

BÍBLIA SAGRADA, Português, Nova Versão Internacional, Tradução, comissão de tradução da sociedade bíblica internacional. São Paulo: Editora vida, 2000.

BLAUW, Johannes, A natureza missionária da igreja. São Paulo: ASTE, 1966.

CARRIKER, C. Timothy. O caminho missionário de Deus. 2. ed. São Paulo: Sepal. 2002.

DAVIDSON, F, org. O novo comentário da Bíblia. 3. ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 1997.

KAISER Jr, Walter C. Teologia do Antigo Testamento. 7. ed. São Paulo. Edições Vida Nova, 2000

PETERS Jr, Walter C. Teologia bíblica de missões. Rio de Janeiro: CPAD, 2000.

YORK, John V. Missões na era do Espírito Santo. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.


[1] Cf. York, Missões na era do Espírito Santo, p. 2.
[2] Cf. Carriker, O caminho missionário de Deus, p. 15.
[3] Cf. York, Op. Cit, p.4
[4] 2 Corintios 5.20
[5] Cf. Peters, Teologia bíblica de missões, p 106
[6] Cf. Idem, p Cit. 109
[7] Carriker. Op Cit 41
[8] Mandato Redentivo: reconciliar a humanidade com o Seu Criador.
[9] Cf. Idem, p 43
[10] Cf. York, Op Cit p 9.
[11] Cf. idem, p. 10.
[12] Cf. Idem, pág 21.
[13] Cf. Carriker, op. cit. p. 83.
[14] Blauw, A natureza missionária da Igreja, p. 25.
[15] Rute 1.16
[16] Cf. Crriker, Op. Cit. p. 95
[17] Cf. York. Op. Cit p 37.
[18] Cf. Op. Cit p. 38.
[19] Cf. Peters, Op. Cit. p. 147ss.
[20] Alguns textos missiológicos desses profetas: Jr 10.10-12; 29; 31.31; - Ez 2.1,5; 16.3; 28.22, 24-26; 36.22-26 – Dn 2.28,37; 4.34,35; 5.21; 6.29,25-27; 9.4,15; 12.13
[21] Alguns textos missiológicos do pós-exílio: Ag 2.5-7 – Zc 1.21; 2.13; 4.10,14; 5.3 esse versículo é uma referencia a maldição de Gênesis 3.17, que percorre toda a história humana. Ml 3.1,12; 4.6 o AT termina com a palavra maldição. Mostrando a sua permanência na terra, logo, havia a necessidade de vir um salvador. Em Gálatas 3.13 Jesus toma a maldição sobre si. Como o AT termina com a palavra maldição, o último capítulo da Bíblia, Apocalipse 22.3; mostra que a maldição foi vencida e tirada para sempre. Jesus venceu.

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