Angela Natel On quinta-feira, 31 de maio de 2012 At 07:10
Caros leitores, a tirinha acima foi para demonstrar o perigo de se usar texto fora do seu contexto. Sabemos-nos pelo contexto que quando “Jesus disse Pai, perdoa-lhes porque eles não sabem o fazem...” (Lc 23.34) ele estava se referindo aqueles que o estavam crucificando e não aos noivos. Sei que é risível, mas ao mesmo tempo preocupante, posto que isso vem acontecendo dentro da igreja por expositores que não tem de fato compromisso com a Palavra de Deus.

Desde a minha época de faculdade que venho ouvindo a frase: “Texto fora do contexto é pretexto para uma heresia”. E de fato isso é uma grande verdade. As pessoas decoram uma série de versículos e os verbalizam adequando-os no seu contexto, mas se esquecem que o escritor o registrou em outro contexto. E isto é mais comum do que se pode imaginar.

Vez por outra ouço na igreja: “Tudo posso naquele que me fortalece”. Este versículo fora do contexto é ma frase triunfalista, de alguém que pode conquistar seus alvos, que pode obter todas as coisas. Por esta razão, este versículo é o mais repetido pelos pregadores da teologia da prosperidade, que apregoam a idéia do super crente. “Você pode ter saúde, você pode ter dinheiro, você pode ter sucesso... tudo posso naquele que me fortalece!”

Mas será que era essa a intenção de Paulo quando registrou tais palavras? Vejamos o contexto: “Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece. Todavia, fizestes bem, associando-vos na minha tribulação.” (Fp 4.11-14)

Paulo estava dizendo que: quer eu seja humilhado, quer eu seja honrado, quer eu esteja na fartura, quer eu esteja na fome, quer eu esteja na abundância, quer eu esteja na escassez, “tudo posso naquele que me fortalece”. Em outras palavras ele estava dizendo “tudo posso suportar”.

Outro bastante usado é: “Somos mais do que vencedores”. Usado fora de seu contexto, esta frase transmite a falsa idéia de que a vida do crente “é só vitória”, como costumam dizer alguns. Mas o apóstolo Paulo especificou em quais situações é que somos mais do que vencedores. O versículo completo diz o seguinte: “Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou.” (Rm 8.37). “Em todas estas coisas...” Quais coisas? A resposta, bem como o entendimento para este versículo, está em seu contexto:

“Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia: fomos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou.” (Rm 8.35-37)

Ao contrário de uma vida isenta de lutas e sofrimento, o apóstolo Paulo declara que somos mais do que vencedores nas seguintes circunstâncias: Tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, ou espada. E, qual a nossa vitória, em meio a tantas adversidades? Novamente, o contexto nos responderá:

“Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor!” (Rm 8.37-39)

A nossa grande vitória é não duvidar deste amor que Deus tem por nós, provado em nosso Senhor Jesus Cristo. Ainda que venha tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, ou mesmo a morte, nada poderá nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor!



Fonte: Anderson Ribeiro em seu blog

http://libertosdoopressor.blogspot.com.br/2012/05/textos-fora-do-contexto.html
Angela Natel On quarta-feira, 30 de maio de 2012 At 07:13
Angela Natel On terça-feira, 29 de maio de 2012 At 06:50


"Assim, para os cristãos, humildade e incerteza não são sinônimos."

 Por Michael J. Kruger  

Uma das objeções mais comuns feitas às reivindicações absolutas do cristianismo é de que os cristãos são arrogantes. Os cristãos são arrogantes ao afirmar que estão certos, arrogantes ao afirmar que os outros estão errados; arrogantes ao afirmar que a verdade pode ser conhecida. Infelizmente, no meio de tais acusações, ninguém se preocupa em perguntar que definição de humildade está sendo usada. Ao longo dos anos, a definição de humildade sofreu uma gradual, mas ainda assim profunda, mudança. Especialmente na comunidade intelectual. Atualmente, humildade se tornou, basicamente, sinônimo de outra palavra: incerteza. Estar incerto é ser humilde. Estar certo é ser arrogante. Assim, o pecado capital no mundo intelectual é afirmar saber alguma coisa com certeza.

Claro, essa mudança representa um problema real para o cristianismo. Os cristãos acreditam que Deus revelou-se claramente em sua Palavra. Assim, quando se trata de questões históricas importantes (Quem foi Jesus? O que ele disse? O que ele fez?) ou questões teológicas importantes (Quem é Deus? O que é o céu? Como se chega lá?), os cristãos acreditam que têm uma base sobre a qual podem afirmar com certeza: a revelação de Deus. Na verdade se afirmarmos não saber a verdade sobre tais assuntos, isso seria negar a Deus e negar sua Palavra. (Isso não significa, é claro, que os cristãos estão certos sobre tudo, mas podem estar seguros sobre essas verdades básicas do cristianismo).

Assim, para os cristãos, humildade e incerteza não são sinônimos. Uma pessoa pode estar certa e ser humilde ao mesmo tempo. Como? Por esta simples razão: os cristãos acreditam compreender a verdade apenas porque Deus revelou a eles (1 Coríntios 1.26-30). Em outras palavras, os cristãos são humildes porque sua compreensão da verdade não se baseia em sua própria inteligência, em sua própria investigação, em sua própria perspicácia. Pelo contrário, é 100% dependente da graça de Deus. Conhecimento cristão é um conhecimento dependente. E isso leva à humildade (1 Coríntios 1.31). Isto obviamente não significa que todos os cristãos são pessoalmente humildes. Mas significa que eles devem ser, e que têm motivos suficientes para ser.

Embora cristãos tenham uma base sobre a qual podem ser humildes e estar certos ao mesmo tempo, não é necessariamente o caso com as outras cosmovisões. Considere o ateu, por exemplo. Ele é bastante seguro de muitas coisas (ao contrário da sua afirmação de que não se pode ter certeza de nada). Ele está certo de que ou Deus não existe (ateísmo pesado), ou de que não se pode saber se Deus existe (ateísmo leve). E, em sua crítica ao cristianismo, estão absolutamente certos de que os cristãos estão errados ao afirmar que estão certos. Em essência, o ateu está afirmando: “Eu sei o suficiente sobre o mundo para saber que uma pessoa não pode ter uma base para a certeza.” Isso em si é uma afirmação bastante dogmática.

Mas, sobre o que o estão baseadas essas afirmações de amplo alcance dos ateus sobre o universo? Em sua própria mente finita, caída e humana. Ele tem acesso apenas ao seu próprio e limitado conhecimento. Então, agora devemos fazer a pergunta novamente: Quem está sendo arrogante? O cristão ou o ateu? Ambos reivindicam estar certos sobre um grande número de questões transcendentais. Mas um faz isso enquanto afirma ser dependente da pessoa que sabe essas coisas (Deus), e o outro faz dependente apenas de si mesmo. Se uma das posições é uma postura de arrogância, não seria a cristã.

Sem dúvida, o ateu se oporia a essa linha de raciocínio pelo fato de ele rejeitar a Bíblia como revelação divina. Mas, isto sai completamente da questão. O ponto não é se ele está convencido da verdade da Bíblia, mas a questão é qual visão de mundo, do cristão ou do ateu, tem uma base racional para reclamar certezas sobre questões transcendentais. Somente o cristão tem essa base. E já que seu conhecimento de tais coisas é dependente da graça divina, ele pode ser humilde e seguro, ao mesmo tempo.


Traduzido por Josie Lima | iPródigo.com | original aqui 

Angela Natel On segunda-feira, 28 de maio de 2012 At 06:49



Marcelo Lemos

Você já ouviu falar em Thomas Cranmer? Talvez sua resposta seja não, e seria perfeitamente compreensível. Porém, para nós, os anglicanos, Cranmer é um dos grandes Heróis da Fé. Para o resto do cristianismo evangélico também. Não foi um homem perfeito. Nem santo. Quando a coisa complicou chegou a negar sua fé, arrependendo-se depois, terminando atado a uma fogueira (1).

Martirizado por suas convicções evangélicas, deixou como herança uma das maiores contribuições litúrgicas de todos os tempos: O Livro de Oração Comum (2).


É certo que boa parte dos cristãos evangélicos a nossa volta não gosta do termo “Liturgia”. Acreditam que esse palavrão diabólico engessa a adoração e encaixota do Espírito Santo. Defendem que o mover do Espírito deva ser “livre”. Contudo, o fato é que toda Igreja possui algum tipo de Liturgia. Vou dar um exemplo fácil de entender. Provavelmente falo a uma maioria que não possui uma Liturgia “formal”, como a nossa. Nem por isso falo a pessoas destituídas de alguma liturgia. Querem ver? Pensem bem antes de arriscar um palpite: “Qual a posição do Púlpito em sua congregação?”. A resposta da maioria, acredito, será “na frente da nave da Igreja, ao centro”. Mas, saberiam o motivo?

A tradição de posicionar o Púlpito – plataforma de onde o pregador expõe a Palavra de Deus – numa posição central nasceu com os Puritanos. Para a tradição cristã mais antiga o lugar do Púlpito sempre havia sido algum lugar nas laterais da Igreja, sendo o centro reservado para a Mesa do Senhor, num convite para que todos participassem do Santo Banquete da Eucaristia. Os Puritanos, no entanto, olhavam esse costume com certa desconfiança. Temiam que houvesse excesso de ritualismo, e que o resultado seria a superstição. Assim, tiraram a Mesa do Senhor do centro, substituindo-a pelo Púlpito – simbolizando a centralidade da Palavra de Deus. Isso é Liturgia, e é seguida por milhões de cristãos que não querem - ou não sabem - pensar sobre o assunto.

Alheia a nossa possível aversão, a Liturgia impõe-se sobre todos. Não existe culto sem Liturgia. Originalmente, em grego, o termo queria dizer “serviço publico”. Já nos dias no Novo Testamento a Igreja apossou-se deste termo, incluindo-o em sua tradição. O termo é usado na Bíblia para descrever a celebração do culto divino, como em Atos 3:2 “E, servindo (gre. liturgia) eles ao Senhor”, ou em S. Lucas 1:23 “Sucedeu que, terminados os dias do seu serviço (gre. liturgia)”. Ao contrário do que muitos cristãos modernos possam supor, o culto divino é descrito primordialmente como um “serviço”. Isso pode parecer surpreendente para alguns, não? De fato, nos acostumamos a ir a Igreja a procura de milagres, louvores performáticos e pregadores exibicionistas; sentamos em nossos bancos para satisfazer a nós mesmos, aos nossos próprios desejos e ambições. Fatigados por toda a Semana, a última palavra que desejamos ter em nossa mente aos Domingos é “serviço”. Nossos cultos, talvez por isso, tenham se transformado em momentos de socialização, lazer e entretenimento.

Como íamos dizendo, não existe culto sem Liturgia. Cabe descobrirmos a quem estamos servindo em nossas reuniões publicas. Como cristãos, nosso serviço deve ser dedicado a Cristo. Mas nem sempre é assim. Um modo simples de tirarmos a prova é olhando para os “nomes” que temos dado aos nossos “cultos”. Alguns exemplos: Fogueira Santa, Reunião dos Valentes, Culto dos Empresários, Sete Voltas ao Redor de Jericó, Campanha da Multiplicação, Culto das Sementes, e assim por diante. Ter ou não uma Liturgia é um falso debate, um dilema inexistente. A questão verdadeira é: a quem estamos servindo, afinal?

Thomas Cranmer tem muito a ensinar a Igreja evangélica do nosso tempo. Mesmo que você nunca coloque os pés em uma Igreja anglicana, vale a pena considerar alguns pontos.

Cranmer compreendeu que o culto deveria edificar a Igreja. Em seu tempo, na Inglaterra, a Liturgia cristã estava engessada. O padre só podia ministrar ‘voltado para Deus’ – que muitos evangélicos entendem, erroneamente, como ‘de costas para o povo’. A celebração era feita em Latim, e havia excesso de ritualismo. Tudo isso dificultava a participação e o entendimento do povo comum. Cranmer, seguindo os passos dos Reformadores do continente, modificou a liturgia a fim de corrigir tais desvios. O culto passou a ser ministrado na língua do povo, os excessos ritualísticos foram retirados, e Ministros e leigos participavam em conjunto do serviço religioso.

No culto evangélico as pessoas leem a Bíblia, muitas vezes longas porções inteiras. Elas oram conjuntamente, e aprendem as verdades da fé cristã. A Liturgia tem a oportunidade de ser realmente catequética. “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação” (I Coríntios 14:26). Se nada disso descreve os cultos que você aprecia, algo triste está acontecendo.

Se hoje o alvo de muitos líderes religiosos é produzir diversão, os ministros do Evangelho devem buscar a edificação da Igreja. E tal tem sido a meta das liturgias evangélicas, não só entre os anglicanos, como também entre luteranos, presbiterianos e outros. No já citado “Ritos Alternativos” (veja nota de rodapé), - autorizado para uso em nossas comunidades - pode ser encontrado o seguinte esboço de culto:

Parte Um: Aproximando-nos a Deus
1.       Cântico de abertura;
2.       Confissão de pecado;
3.       Cânticos de louvor;
Parte Dois: Ouvindo a Palavra de Deus
1.       Leituras Bíblicas (Antigo e Novo Testamento, Salmos)
2.       Cântico
3.       Sermão
4.       Credo (Apostólico, Niceno)
Parte Três: Orando pelo Mundo
1.       Orações (Coletas, livres)
2.       Cântico
Parte Quatro: Indo servir a Deus no mundo
1.       Anúncios
2.       Benção Final

Cranmer compreendeu que a História da Igreja segue sendo escrita pelo Espírito Santo. Quando tornamos nossas tradições sagradas, estagnamos. Creio que esse era um grande mal no cristianismo anterior a Reforma. Mas, quando tentamos reinventar a roda, recriar a fé cristã, tornamo-nos tolos. Creio ser este um dos piores males que afeta a Igreja atual. Para muitos católicos romanos a tradição da Igreja é infalível, inquestionável. Para a maioria dos Evangélicos, a tradição da Igreja não passa de lixo, coisa descartável. Cranmer, e muitos outros reformadores, tiveram uma compreensão bem melhor: continuidade e reforma!

Vamos retornar ao nosso exemplo sobre o posicionamento do Púlpito. Os evangélicos modernos o colocaram no centro da nave, os anglicanos o mantém na lateral da Igreja. Talvez muitos estranhem este fato, mas há um propósito pedagógico. A Mesa do Senhor permanece no centro, enfatizando o convite amoroso de Cristo para que todos os seus filhos participem do Pão e do Vinho, no qual Ele está presente. Conquanto o Púlpito na lateral da Igreja, com sua posição mais elevada, enfatiza o poder da pregação, também nos permite lembrar que ali está apenas um homem, e que a pregação, por mais importante, não é igual a Palavra de Deus, e deve ser devidamente avaliada. A culpa não é necessariamente do Púlpito transformado em centro das atenções, mas é fato que muitos de nossos pregadores são vistos como infalíveis, cujas palavras e opiniões não podem ser julgadas, e suas performances são tidas como mais atraentes que a Mesa, que é onde espiritualmente nos servimos do Corpo e do Sangue do Cristo.

Novamente, o debate não tem haver com “liturgia sim” e “liturgia não”, mas sim, como entendemos a História da Igreja. A questão é se nossa Liturgia – e certamente todos nós temos uma – faz parte da “igreja de sempre”, ou pretende reinventar como “andar pra frente”. Podemos rasgar a História da igreja, bem como podemos coloca-la sobre um pedestal, fazendo-a infalível. Ou podemos compreender que o Espírito se fez presente em todas as idades da igreja, e que hoje podemos aprender com o passado, a fim de vivermos a fé de modo melhor no presente, e construirmos o futuro.


Cranmer insistiu numa pregação bíblica e sólida em todos os Domingos. Isso é engraçado, pois quando muitos olham para um ministro anglicano, com sua camisa clerical, sua alva e seu típete, a ideia que fazem é um cristão cheio de ritualismo e vazio da Palavra. Um grande enganado. Para ter certeza de que haveria pregação bíblica constante, Cranmer criou as famosas “Homilias”, que deveriam ser lidas ao longo do ano litúrgico, sendo que os seis primeiros sermões das “Homilias”, falavam da necessidade de uma compreensão bíblica a respeito da Obra de Cristo e da Salvação Pela Fé!

Ray Sutton, professor de Bíblia e Teologia  no Cranmer Theological House, em Huston, Texas, num livro recentemente traduzido pela Latimer Press, tem algo mais a nos dizer:

“Nosso livro de adoração, chamado Livro de Oração Comum, 70% é Escritura, e 20% é parafraseado da Escritura. Nossos cultos nada mais são que uma oração organizada, baseada nas Escrituras” (3).

De fato, procuramos nos centrar nas Escrituras. Daí nossos cultos estarem impregnados por textos bíblicos. Daí termos, além do Livro de Oração Comum, um recurso adicional chamado Lecionário. Varias Igrejas evangélicas tem os seus próprios Lecionários, ou partilham algum em especial. Manhã, Tarde e Noite na companhia do Santo Livro, auxiliados pelas Leituras indicadas. Tudo isso visando fortalecer a fé, e vida devocional do povo de Deus. Acredito que isso não pareça muito divertido...

Hoje Cranmer seria martirizado novamente, mas não nas mãos de católicos romanos. Os próprios Evangélicos se encarregariam do trabalho. Talvez não o amarassem a fogueiras, mas o acusariam de ser um crente frio, com defeito de fabricação, e sem o Espírito Santo. Evidentemente não foi Cranmer quem iniciou o movimento em prol de uma pregação mais Bíblica. Os reformadores já estavam trabalhando no Continente, mas foi ele quem pagou o preço de liderar a mesma reforma das Ilhas Britânicas. Hoje, séculos depois, o anglicanismo tem se espalhado, e somos a terceira maior família cristã do mundo.

O culto não foi feito para mim, nem foi feito para você. O culto cristão é um serviço que, publica e conjuntamente, ofertamos a Deus. Deus é a razão e o objetivo da nossa adoração. Não a nossa vontade, mas a d’Ele. Lembre-se disso da próxima vez que sentir a tentação de dizer “o culto não me agradou”. Talvez possamos aprender um pouco mais sobre isso honrando a memória do Thomas Cranmer, cristão, evangélico, mártir. Aceita o convite?





(1) No Brasil, um bom relato de sua vida pode ser lida na obra O Livros do Mártires, de John Foxe, Editora Mundo Cristão;

(2) Quem deseja conhecer um pouco mais a respeito da Liturgia Reformada, da tradição anglicana e herdeira da teologia de Cranmer, pode começar com a leitura de O Culto Comum, publicação gratuita da Latimer Press. O livro reúne os Ritos Alternativos da Igreja Anglicana Reformada do Brasil.

(2) Porque Fazemos o Que Fazemos?, do Revm. Ray Sutton, gratuitamente disponibilizado pela Latimer Press. 


Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/2012/05/convite-um-martir-evangelico.html#ixzz1v2ZDiMWQ
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Angela Natel On domingo, 27 de maio de 2012 At 07:00
Batismo no Espírito Santo
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Angela Natel On sábado, 26 de maio de 2012 At 07:00
Doutrina esp santo
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Angela Natel On sexta-feira, 25 de maio de 2012 At 07:59



Por Hermes C. Fernandes

Prometa-me que vai ler até o fim…


“No meio da sua praça, em ambas as margens do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês. E as folhas da árvores são para a cura das nações.” Apocalipse 22:2

Para quem imagina que o tema tratado em Apocalipse seja o fim do mundo e a vida na eternidade, como explicar o verso acima?

A Nova Jerusalém descrita no capítulo anterior é uma figura da igreja de Cristo, uma vez que é apresentada como a esposa do Cordeiro. Ora, que outra esposa Ele teria senão Sua igreja? Trata-se, portanto, da sociedade dos santos, locomotiva da civilização do Reino de Deus.

Se a Nova Jerusalém fosse algo a ser esperado no futuro, para além da História, que sentido faria seus muros? De quê a cidade precisaria se proteger, já que os inimigos de Deus terão sido aniquilados?

O vidente João diz que não havia templos na cidade. Portanto, não se trata de uma sociedade religiosa. O Cristianismo original não pretendia ser uma nova religião, mas a pedra fundamental de uma nova civilização. Embora não houvesse santuários, havia uma praça. O que isso nos diz? Praça fala de vida social, de interação, lugar de encontro, de diálogo, de luz, fora das quatro paredes. E no meio desta praça, em vez do coreto encontramos uma árvore.

Quem é, afinal, o centro de todas as nossas atividades? Quem ocupa o lugar central de nossas existências? De quem nos alimentamos? Em quem encontamos o fruto da vida eterna? Não há outra resposta possível senão uma: CRISTO! Ele é a Árvore da Vida! Foi Ele quem disse: “Quem de mim se alimenta, por mim viverá!”

Seus frutos não são esporádicos, mas constantes. Toda estação é propícia para dar seus frutos.
O que mais chama a minha atenção neste verso em particular é a última sentença.

Naquela época era comum o uso de folhas como remédio. É daí que vem o hábito de tomar chá, fartamente cultivado nas cidades grandes. Ninguém duvida do poder medicinal que tem algumas plantas. Lembro-me do quanto chá de quebra-pedra tive que tomar quando sofri de cálculos renais. E ainda hoje, quando não consigo dormir, recorro ao chá de camomila ou de erva-doce.

Como se processa o chá? Folhas são deixadas por alguns minutos em água fervendo. Aos poucos, a água vai absorvendo as propriedades da planta, mudando sua coloração. O nome deste processo é infusão.

Estudos sugerem que o chá tem muitas propriedades benéficas importantes, por exemplo: é anticancerígeno, aumenta o metabolismo, ajuda o sistema imunológico, reduz o mau-hálito, diminui o stress, tem efeitos até sobre o HIV.

A folhagem da árvore da vida aponta para a inserção da igreja na vida social do mundo. Em vez de assimilarmos, somos assimilados.

Isso explica porque Deus não removeu Seu povo deste mundo. Nossa vocação promordial é a de ser sal da terra, provendo não apenas sabor, mas também preservação.

Para tal, temos que estar inseridos na xícara (mundo), liberando nossas propriedades terapêuticas.

Em vez disso, tornamo-nos numa sociedade extremamente religiosa e alienada do mundo. Cristo almeja curar as nações, e o único remédio de que dispõe já foi ministrado: é a presença da igreja no mundo.

A igreja precisa inserir-se na cultura, nas ciências, na política, no mundo empresarial, na educação, etc. Não me refiro à igreja como instituição, mas como organismo vivo, representado por cada um dos seus membros.

Marx tinha razão. A religião é o ópio do povo. Trazendo pra nossa realidade latino-americana, diríamos que a religião é a cocaína do povo. De onde vem a cocaína? Ou mesmo a maconha? De folhas. Tais plantas foram igualmente criadas por Deus, e têm, comprovadamente, propriedades medicinais. Porém, Deus não as criou para serem fumadas, ou transformadas em pó para ser inaladas.

Da  mesma forma, a impressão que se tem é que a igreja entrou no ramo de tráfico da droga religiosa. Estamos oferencendo ao mundo o produto da árvore da vida processado para ser fumado e cheirado.

Que efeito a droga produz no usuário? Entorpecimento. Quem usa droga fica desligado da realidade. Cria até uma espécie de realidade paralela, onde a fantasia se confunde com o mundo real. Até que ponto a mensagem que tem sido pregada em nossos púlpitos não tem efeito alucinógeno nos crentes?

Que pena! O que deveria ser remédio, virou droga. E que droga!!!

Ao invés de nos posicionarmos no centro da praça, preferimos a comodidade dos guetos. Sentimo-nos mais seguros na pinumbra, com nossa subcultura, nosso evangeliquês imbecilizado. Enquanto isso, a criação segue aguardando impaciente a manifestação dos filhos de Deus.

Publicado originalmente em 17/05/2010



http://www.hermesfernandes.com/2010/05/estao-oferecendo-drogas-na-igreja.html
Angela Natel On quinta-feira, 24 de maio de 2012 At 07:30
Angela Natel On quarta-feira, 23 de maio de 2012 At 07:30

 Francesco Hayez, A destruição do Templo de Jerusalém (1867).

Dia 10 saiu mais um prêmio milionário pela Mega Sena. Dia 11 alguma casa lotérica pendurou uma faixa com dizeres afirmando ter saído dali o vencedor do prêmio. Dia 12 essa mesma lotérica vendeu milhões de bilhetes como nunca vendeu antes á pessoas que irão crer ser aquele um lugar de sorte.

De modo semelhante o povo de Deus acreditava que os pontos de contado com Deus, que podiam ser lugares onde atos miraculosos haviam acontecido, como Gilgal (Js 4:20) que virou local de adoração e posteriormente é condenado pelo profeta Amós, eram lugares especiais donde seria possível ter certa proximidade com o Altíssimo quando fossem adorá-lo. Ou locais onde os Patriarcas haviam tido algum tipo de contato com Deus.

Na Reforma do rei Josias alguns altares foram extintos em busca de uma práxis, digamos,pura da religião de Israel. Em 2 Reis 23, o texto narra que em tais locais haviam culto aoutros deuses. Até mesmo as árvores eram utilizadas como pontos de contato (2 Rs 17; Os 4:13). Antes dele o rei Davi tentou centralizar o culto em Jerusalém, mas foi Salomão quem o fez. Isso fortaleceu a economia da capital do reino unificado, uma vez que osdízimos eram entregues na "casa do tesouro" (Ml 3:10).

Tanto a crença nos pontos de contato quanto à centralização cúltica trouxeram danos á espiritualidade do povo. Os locais ditos sagrados levaram, e ainda levam, terríveis guerras no mundo religioso. Além disso, devemos considerar que a razão de tais lugares serem santificados foram às pessoas que neles tiveram um contato com o divino. Sem as pessoas e Deus, seriam aqueles lugares comuns quanto qualquer outro na Terra. A adoração permitida era feita somente em Jerusalém. E os conflitos entre as tribos e posteriormente, entre os povos de Israel e Judá, dificultavam o livre acesso ao Templo, isto é, a presença de Deus.

Se por um lado a tentativa de eliminar os lugares altos em busca de uma purificação ou conserto, contribuiu para uma revisão da fé em Javé, eliminando a confiança nos falsos deuses, por outro lado causou enorme dano á livre espiritualidade, no Deus que é livre (At 17:14). Deus foi confinado a uma ortodoxia chauvinista, fazendo que o povo pensasse ser o melhor dos demais povos da Terra. O profeta Jonas exemplifica isso ao se entristecer mediante a conversão dos ninivitas (Jn 4:1). Tal ideologia foi refutada por Jesus em seu célebre Sermão do Monte, quando disse:
Vocês conhecem a antiga Lei: 'Amem seus inimigos', e seu complemento não escrito: 'Odeiem seus inimigos'. Quero redefinir isso. Digo que vocês devem amar os inimigos. - Mt 5:43, A Mensagem
Inimigos poderiam ser todos aqueles que fossem não praticantes da fé judaica.

No período narrado nos Evangelhos da vida de Jesus, percebemos que a espiritualidade que o Messias direcionou seus seguidores é uma volta ao livre acesso ao Altíssimo. Quando foi indagado pela mulher do poço de Sicar sobre qual local se deveria adorar a Deus, ele respondeu que havia chegado a hora de sentirem-se livres para adorar em espírito e genuinamente. Ou seja, não importa o local, desde que haja sinceridade daquele que busca. Jesus ainda sugeriu a destruição do Templo, afirmou que os nascidos do Espírito são livres como o vento, afirmou ainda ter outras ovelhas, e numa leitura anterior¹ condicionou a presença de Deus apenas no reunir-se da comunidade de fé (Mt 18:20).

Jesus, então, aponta para uma espiritualidade do livre acesso á Deus aonde quer que esteja um cristão. Deus rasga o véu de alto á baixo, como se estivesse querendo dizer "fui eu quem acabei com essa limitação imposta por vocês". Nessa espiritualidade, os próprios preceitos de Deus podem ser relativizados em prol da Vida (Mt 12). Dessa espiritualidade depende toda a mensagem da Cruz. Sem ela retornaremos para a religiosidade que dizFora da Igreja não há Salvação², em vez de anunciar o "Venham [...], todos os que estão cansados e oprimidos, e eu [Jesus] os aliviarei" (Mt 11:28).

Lugar especial é onde o cristão está. É lugar de cultuar, isto é, servir ao Altíssimo em toda terra (1 Co 10:26). Embora muitos tencionem dizer que um ambiente de quatro paredes é o lugar de cultuar, as Escrituras nos dizem o contrário. Filipe não viu empecilho em para batizar o eunuco etíope, pois é a reunião dos fiéis que faz a água do batismo um símbolo importante assim como o local onde se encontram. A espiritualidade apresentada por Jesus é escandalosa, pois não há lugar especial, sacerdote especial, rito especial ou qualquer outra condição que impeça aquele busca; "e, o que busca, encontra". E ao mesmo tempo é encantadora, pois a única condição que impede alguém de adorar a Deus é o próprio adorador (Pv 8:17; Jr 29:13).

¹ - Embora o texto sugira que para Deus estar presente é necessário a presença de mais de uma pessoa, o Novo Testamento aponta para uma espiritualidade do Deus que habita no adorador (1 Co 3:16)
² - Extra Ecclesiam nulla salus

Angela Natel On terça-feira, 22 de maio de 2012 At 08:29
respeitoaoateu
   Não sou de discutir com os ateus — é um direito deles que se recusem a crer em qualquer coisa que se relacione ao Senhor Deus e, uma vez avisados, que assumam as consequências por suas opções (pois seu sangue não clamará em minhas mãos) — acho muito ruim quando uma pessoa (tentando ser “cristã”) fica funhenhando a paciência de alguém (não apenas os ateus!), querendo enfiar sua fé goela abaixo de quem quer que seja!
   A própria Bíblia ensina:
   “Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o, Sabendo que esse tal está pervertido, e peca, estando já em si mesmo condenado.” (Tito 3:10-11)
   Até pouco tempo atrás, costumava ficar muito indignado quando um ateu (ou qualquer um com outra crença… ou descrença…) vinha com aquele papinho acusativo sobre os cristãos e as cruzadas, os horrores da inquisição… sempre via nisso uma tentativa de se fazerem de vítimas…
   Caramba! Esses episódios foram causados por conta de homens corruptos e gananciosos, baseados em interpretações errôneas e deturpadas de passagens bíblicas: é altamente improvável que nos dias de hoje apareça algum ser tapado que não compreenda os fatores cronológicos e específicos inseridos no texto bíblico… ou não?
   Mantenho firme meu propósito de não me repetir, ou seja, não creio ser necessário criar uma postagem apologética a cada “passinho do endemoniado” ou “dízimo e oferta” que apareçam (vindas do inferno, por inspiração de Mamom!): já escrevi “Possessões”, já publiquei um estudo exaustivo sobre os dízimos!!! Não quero agir como um conhecido satanista que, para aumentar sua própria audiência, dá destaque a esse tipo de material…
   Estou calado por esses dias e ando me arriscando apenas a comentar e postar notinhas lá pelos domínios do facebook (já curtiram minha página??)… e foi justamente por lá que eu levei um verdadeiro susto: lembrando que é fundamental compreender a cronologia bíblica, vou proteger a identidade dos participantes e inserir alguns comentários entre as imagens, pois creio que só mostrando o que aconteceu vou conseguir me fazer entender.
   Tudo começou quando uma pessoa postou a seguinte imagem:
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   Eu, que tenho por hábito sempre consultar a Bíblia para comprovar se as coisas são mesmo como querem que engulamos (culpa de Atos 17:11…), descobri a propagação de um engano através disso e tentei advertir acerca da deturpação, seguindo-se o seguinte diálogo:
discuss01
   Notem que a autora, sem razão aparente, adicionou a questão “Autoridades” a partir de seu segundo comentário, ou seja, além do perceptível incômodo por ser admoestada, começou a criar o que chamo de “bolo doido”, citando diversos chavões (frases de impacto, extraídas da Bíblia, mas sem preservar seu contexto) sem observar se estariam adequadamente encaixados na ideia apresentada.
   Por exemplo, “feliz é a nação cujo Deus é o Senhor” (e não “quando Deus”, conforme escrito por ela), dentro de seu contexto original é:
   “Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo ao qual escolheu para sua herança.” (Salmos 33:12)
   Ora, esse é um dos chavões mais citados pelos evangeligóspeis através dos tempos, mas é uma passagem definitivamente restritiva, pois a ÚNICA nação cujo Deus FOI o Senhor… é Israel, assim como “o povo ao qual escolheu para sua herança” — sendo essa uma passagem em Salmos, a referência de “herança” é uma promessa acerca de Jesus Cristo — obrigatória e exclusivamente o povo judeu!
   Se mesmo na época da Lei haviam os desvios em Israel, fica meio óbvio que, no sentido geopolítico, nenhuma outra nação do mundo teve PLENAMENTE o Senhor como Deus… e a cada dia essa rebelião vai apenas se intensificar (vejamSalmos 2)!
   Na intenção de esclarecer com rapidez o assunto acrescentado (autoridades), cometi a idiotice de indicar um link a ele relacionado, pensando que “discernimento” é coisa comum a quem lê a Bíblia… o diálogo a seguir prova que não:
discuss02
   A começar pelo absurdo de querer culpar a “falta de oração” pelo atual estado decadente do mundo — na verdade tudo o que estamos testemunhando é cumprimento profético, ou seja, a realização da vontade de Deus e, por acaso, registrada na Bíblia — a mulher ainda foi capaz de me acusar por estar “criando confusão” e, para piorar, diz que meu questionamento — que classificou como “julgamento carnal” — estaria “criando incredulidade”!!!
   Por favor, prestem bastante atenção em como ela se utiliza de termos bíblicos, proféticos e (aparentemente) cristãos — termos que eu próprio emprego regularmente — para negar tudo o que a Bíblia verdadeiramente registra… e faz isso em nome de um suposto “amor”, que (segundo subentendi) estaria faltando em mim…
   Acerca de julgamento e liderança, lembrando sempre que a medida perfeita de julgamento é a própria Palavra de Deus, há uma passagem que se encaixaria especialmente bem após esse episódio:
   “Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados. Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando vos deitarão no regaço; porque com a mesma medida com que medis, vos medirão a vós. E propôs-lhes também uma parábola: Pode porventura um cego guiar outro cego? não cairão ambos no barranco?” (Lucas 6:37-39)
   É assombroso testemunhar que, diante de um questionamento bíblico, surja uma acusação de “julgamento carnal”… quem é o cego nessa história?
   E foi nesse ponto que apareceu alguém (destacado em verde) que registrou um comentário importante acerca de como devemos interpretar a Palavra de Deus:
   O cristianismo não começou ontem e, sem dúvida alguma, tem toda uma história ao redor de sua evolução: a Lei apresentou os tipos do que viria a ser estabelecido na Graça, tendo sido a primeira cumprida em Jesus Cristo e, por isso, TODOS os seus preceitos com referência jurídica ou ritual não têm mais absolutamente nada a ver com os gentios que, por sinal, somos nós! Se alguém quer retornar à Lei, não pode selecionar apenas a parte dela que lhe convier… ou segue tudo ou saberá que está vivendo um grande engano (como é o caso dos dizimistas e dos sabatistas, por exemplo…).
   E ainda que conseguissem cumprir todas as exigências da Lei, tenho a árdua tarefa de informar que:
   “Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais de outro, daquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus. Porque, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, que são pela lei, operavam em nossos membros para darem fruto para a morte. Mas agora temos sido libertados da lei, tendo morrido para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra.” (Romanos 7:4-6)
   Se alguém não sabe discernir entre Lei e Graça, entre judeu e gentio… entre mandamento e pretexto… esse alguém não pode ser considerado um legítimo cristão, mas apenas um arremedo vergonhoso que finge pregar o evangelho, mas não passa de um recalcitrante à Bíblia!
   É sobre esses que versa a profecia acerca dos que “têm aparência de piedade, mas negam o verdadeiro poder de Deus”…
   Prossigamos observando o desenrolar da conversa:
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   Desculpem a provável indelicadeza, mas uma pessoa que é incapaz de reconhecer um desvio textual tão óbvio mal deve ter sido instruída em interpretação de texto e, pior, promove um testemunho ignorante e capaz de afugentar qualquer mente com um mínimo de raciocínio lógico!
   Um evangelho ignorante e teimoso como esse só vai convencer outros ignorantes a se tornarem teimosos, porém — pelo que pude perceber através dessa discussão — pessoas como essas podem passar a vida inteira com a Bíblia arreganhada diante de suas fuças e, ainda assim, nunca vão compreender o que ali está escrito!
   O mais incrível é que ainda foi mencionado o discernimento sobrenatural dado pelo Espírito Santo como se esse fosse o “fator emburrecedor” a ser obedecido, como se essa fosse a desculpa para o “cala a boca e não questiona” que ela vem, desde o início, tentando me impor: notem que absolutamente todas as acusações pessoais partem dela, diante da incapacidade de responder objetivamente a uma questão simples!
   É dessa forma que um cristão deve tratar a qualquer um que chegue para questionar sua fé? É a Bíblia um livro libertador ou, pelo contrário, promulgador do “cala a boca e obedece”?!?
   Vendo que a argumentação seria inútil, tentei partir para uma “terapia de choque” e mandei, conforme a imagem, o grito expositor da incompatibilidade entre o “público alvo” da passagem e ela que, obviamente, não foi transportada em cativeiro para sua atual cidade.
   A resposta a seguir é uma mostra de puro escapismo delirante e revela toda a inconsistência e invencionice às quais está submetido o chamado “evangelho moderno”:
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   Ao menos uma verdade dita por ela: não há deturpação na Palavra!
   Quem deturpa a Palavra são pessoas como ela, que tiram o texto de seu contexto original para criar pretextos para movimentos “bonitinhos” e “bem intencionados”, mas que, no final das contas, são completamente vazios de verdadeiro significado cristão.
   A inconsistência do discurso é tão absurda que os cativos — segundo a interpretação dela para os nossos dias: “os que não tem liberdade em Cristo Jesus” e que, portanto, NÃO ENTENDEM E NÃO CRÊEM na Palavra! — são convocados a orar por suas cidades, pois (segundo ela) “quem entende vai orar sim”…
   Ora bolas!!! Ou se é cativo ou não! Ou os cativos são os ímpios (que não entendem, por não ter fé), aos quais está destinada a seguinte advertência (que invalida qualquer oração proveniente deles):
   “Mas ao ímpio diz Deus: Que fazes tu em recitar os meus estatutos, e em tomar a minha aliança na tua boca? Visto que odeias a correção, e lanças as minhas palavras para detrás de ti.” (Salmos 50:16-17)
   Ou os cativos em questão são os judeus que, conforme explicitado na passagem, foram conduzidos em cativeiro até a Babilônia… não existe a mínima possibilidade de que tais cativos sejam genuínos cristãos gentios!!!
   Diante de tal lógica absurdamente óbvia, resta a ela se assumir então apenas como mais uma dentre a infinidade de gente que se acha cristã e, infelizmente, vive nas trevas… é para tais que foi escrito:
   “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.” (Mateus 7:21-23)
   Para piorar o atestado de cegueira espiritual, ela ainda foi capaz de criticar o ato de julgar, postura que é OBRIGATÓRIA PARA QUALQUER CRISTÃO!!! Mas, já quase convencido de que seria mais vantajoso estar falando para uma parede do que com aquela mente cauterizada, ainda fiz uma última tentativa antes de desistir completamente:
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   Me apiedo um pouco do comentarista que chegou por último (marcações em azul) e sentiu-se confuso, porém se fosse menos preguiçoso mentalmente (clicar na frase “Ver mais”, que aparece em azul sempre que algum comentário é mais extenso, seria útil, não é mesmo?) também seria capaz de compreender… mas eu já estava desgastado demais para tentar explicar mais alguma coisa a esse “confuso” de última hora: sim, me cansei!!!
   Lembrei da passagem que citei logo no início dessa postagem e decidi parar de falar, pois a exortação branda e lógica foi, para ela, como uma ofensiva discussão.
   Exponho a íntegra do diálogo a todos, pois aos que têm discernimento ficará óbvia a lição de como uma pessoa intelectualmente possessa é capaz de agir: criando confusão, deturpando a Palavra, inventando acusações, culpando quem está correto pelos erros que ela própria comete, considerando tudo o que não lhe agrada como “isso é opinião sua”…
   “Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” (2 Pedro 1:20-21)
   A menção constante de uma suposta “fé sobrenatural” não encontra amparo bíblico para justificar uma “fé ignorante”: é gente como ela que assume um comportamento triunfalista, que participa das satânicas “marchas para gezuz”, que lota as empresas eclesiásticas de rituais místicos e de expectativas que, simplesmente, não vão se cumprir!!!
   É gente como ela que, dependendo da forma que for manipulada, vai abastecer seus líderes com trízimos; usar “óleos de unção”; cair com o “ventinho do Malafaia”; ouvir lixo musical gospel e ainda por cima dizer que “é benção”; apoiar os absurdos da apostasia ecumênica e depois dizer “importa que o ‘evangelho’ seja pregado”… iniciar uma guerra civil em nome de um mal interpretado “reino de deus” nessa terra e até praticar atos análogos aos que ocorreram na inquisição!
   É gente como ela que está preparada e ansiosa para entregar gente como eu aos tribunais e sinédrios…
   Depois disso posso dizer que compreendo, em parte, os ateus: se essa fosse a primeira vez que eu estivesse ouvindo algo acerca da Bíblia… provavelmente eu nunca iria aceitar o deus dessa mulher: se é gente como ela que se mete a discutir com ateus, só vai conseguir (pela imposição de sua latente ignorância) afastá-los de uma visão real e lógica do evangelho, dando a eles, no final das contas, a impressão de que todos os cristãos são uma gigantesca massa anencéfala!
   Senhor meu Deus… que vergonha!!!
   Dia desses vi um grande “pensador” cristão da atualidade querendo, através de sua retórica, qualificar qualquer um que prefira se denominar apenas como cristão de “anencéfalo”: pelo gosto e vontade dele — como se os termos “evangélico” e “protestante” estivessem registrados na Bíblia e “cristão” não — todos somos “evangélicos” e ponto final!
   Se gente como ela é azul, não quero ser azul. Se gente como ela é partidária, eu saio do partido! Se gente como ela é evangélica…  não posso negar ao Senhor Deus, mas, por favor… não quero ser encaixado nas mesmas denominações que ela!!!
   Não posso negar que ele tenha alguns bons textos publicados, mas se, por querer ser identificado apenas como cristão, alguém — que por alguns momentos se permitiu ser convencido pelo próprio umbigo — vai passar a me taxar como anencéfalo, prefiro então ser qualificado como “jumentinha de Balaão”!!!
   Fica aqui registrado meu protesto a favor da liberdade: seja cristão, seja protestante, seja evangélico… só não seja ignorante e manipulador da Palavra como o exemplo apresentado nessa postagem!
   O texto bíblico que me leva a tentar viver bem com todos não está no Antigo Testamento, mas é esse aqui:
   “Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens.” (Romanos 12:18)
   Notem que está bem claro e logo no início: SE FOR POSSÍVEL!!!
   Se não for… escrevo uma postagem!
   Se ela tivesse apenas me ofendido, me ameaçado de morte, me chamado de feio ou ridículo — qualquer uma dessas coisas às quais já estou até acostumado — provavelmente até teria relevado, mas como ela concluiu a discussão convencida de que sua deturpação e seu comportamento trazem algum bem ao verdadeiro evangelho, aí tive que me preocupar: o engano dela pode levar ainda outros pelas mesmas veredas de ignorância e deturpação!!!
   Nada tenho pessoalmente contra essa pessoa e sinceramente considero esse episódio lamentável, mas a ordem é clara:
   “Todo aquele que vai além do ensino de Cristo e não permanece nele, não tem a Deus; quem permanece neste ensino, esse tem tanto ao Pai como ao Filho. Se alguém vem ter convosco, e não traz este ensino, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis.” (2 João 1:9-10)
   Resta alguma dúvida?
   Depois de toda essa decepção, no dia seguinte acabei indo parar numa cerimônia de crisma… na igreja católica!!!
   Mas isso é assunto para uma próxima postagem.
   “Estou admirado de que tão depressa estejais desertando daquele que vos chamou na graça de Cristo, para outro evangelho, o qual não é outro; senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema. Como antes temos dito, assim agora novamente o digo: Se alguém vos pregar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.” (Gálatas 1:6-9)
   Que o Senhor Deus preserve aqueles que O amam em espírito e em verdade dos males que se agigantam nesse mundo e seduzem os incautos.


Extraído de: Ponto Para Os Ateus! http://blog.teophilo.info/2012/05/ponto-para-os-ateus.html#ixzz1uZjo4mRh
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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se:
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