Angela Natel On sexta-feira, 6 de abril de 2012 At 06:55




A Páscoa, em sua origem, é uma festa judaica familiar, onde basicamente se comemora o livramento dos primogênitos no Egito, mas foi adotada pelos cristãos porque, justamente durante esta festa ocorreu a crucificação de Cristo (não por coincidência, mas por cumprimento profético).

Os judeus comemoravam a Páscoa da seguinte maneira: um cordeiro era escolhido como oferta pelo pecado (Ex.12:2,6), o animal precisava ser sem defeito nem manchas, e devia assado por inteiro. No dia da Páscoa, dia 14 do mês de abibe – março/abril no nosso calendário (Lv.23:15; Ex.13:4), entre 15:00h e 18:00h, este cordeiro era sacrificado e comido juntamente com ervas amargas e pão sem fermento.

A fixação da data

Como se calcula, a cada ano, o dia da Páscoa?
A Páscoa é sempre no primeiro domingo depois da primeira lua cheia seguinte à entrada do equinócio de outono no hemisfério sul ou o equinócio de primavera no hemisfério norte (ponto da órbita da Terra em que se registra uma igual duração do dia e da noite: dia 20/21 de Março). Esta datação da Páscoa baseia-se no calendário lunar em que o povo hebreu se baseava, razão pela qual a Páscoa é uma festa móvel no calendário romano, podendo ocorrer entre 22 de março e 25 de abril.

Várias outras datas são determinadas a partir do dia da Páscoa, tais como Carnaval, Pentecostes e Corpus Christi, dentre outras.


Símbolos ocidentais
Desde o primeiro século, a celebração da Páscoa no Ocidente agregou dois fortes símbolos: o ovo de chocolate e o coelho.

O ovo simboliza a ressurreição (surgimento de uma nova vida de algo que parece estar morto), e o coelho representa a capacidade da Igreja em multiplicar seus fiéis, devido o coelho ser um animal extremamente fértil. Calcula-se que as lendas relacionadas ao coelho da Páscoa surgiram por volta de 1215, na região francesa da Alsácia. No Brasil, chegaram no início do século 20 por meio dos imigrantes europeus. O chocolate foi uma criação meramente comercial, apenas um subterfúgio para os comerciantes lucrarem um pouco mais nesta época do ano.

É sugerido por alguns historiadores que tais símbolos ligados à Páscoa (ovos de chocolate, ovos coloridos e o coelhinho da Páscoa) são resquícios culturais da festividade de primavera em honra a Eostre, deusa germânica. Um ritual importante ocorria nessa época, onde os participantes pintavam e decoravam ovos (símbolo da fertilidade) e os escondiam e enterravam em tocas nos campos. Este ritual teria sido adaptado pela Igreja Católica no início do 1º milênio, fundindo-o com a Páscoa.


Jesus e o cordeiro pascal
De acordo com o Novo Testamento, Jesus Cristo é o sacrifício da Páscoa, conforme profetizado por João Batista: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29) e ensinado pelo apóstolo Paulo: “Purificai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós.” (1Co 5:7).

Jesus é o Cordeiro de Deus que foi morto para salvação e libertação de todo aquele que crê. Para isso Deus teria designado sua morte exatamente no dia da Páscoa judaica para criar o paralelo entre a aliança antiga, no sangue do cordeiro imolado, e a nova aliança, no sangue do próprio Jesus imolado.

PÁSCOA DOS JUDEUS
PÁSCOA DOS CRISTÃOS
Sangue nos batentes das portas dos hebreus no Egito (“pinceladas” no sentido vertical e horizontal.Este gesto já indicava profeticamente o formato da cruz de Cristo.
Escolha de um cordeiro sem manchas, perfeitoJesus é o Cordeiro de Deus, sem pecado ou dolo (Jo 1:29, II Co 5:21, I Pe 1:18-19)
O cordeiro era sacrificado simbolicamente no lugar dos primogênitos que foram poupados, ou seja, devido à morte expiatória de um animal, os primogênitos que tiveram suas casas pintadas com sangue não precisaram morrer.Jesus tomou sobre ele os nossos pecados, por isso a sua morte precisou ser tão traumática e terrível. Sobre ele, naquela cruz, estava todo o pecado da humanidade (Lv 17:11, Is 53:6, Jo 3:14-15)
O cordeiro era servido juntamente com ervas amargas e pães sem fermento.
  • Ervas amargas = símbolo de tristeza e agonia
  • Fermento = símbolo de pecado
  • Pães asmos = símbolo de limpeza, santidade
A morte de Jesus foi algo terrível para Ele, quase insuportável: dor física, dor emocional, dor espiritual (Is 53:10), sendo que Ele mesmo não possuía em si mesmo pecado algum (pão sem fermento)
Morte do cordeiro entre as 15:00h e 18:00hJesus foi crucificado para pagar pelos nossos pecados (Hb 9:22, Is 53:4-5, Gl 3:13). Ele morreu depois das 15:00h e foi sepultado antes das 18:00h.
Festa das Primícias três dias depois da PáscoaRessurreição de Cristo três dias depois da sua morte (Mt 28:7, At 2:24, I Ts 1:10)
O sacrifício do cordeiro precisava se repetir continuamenteA morte de Jesus foi suficiente, e não é mais necessário que Cristo morra novamente ou que nenhuma outra pessoa tente outros métodos para conseguir a sua redenção (Hb 9:11-28, I Pe 3:18, I Jo 2:2)

Nós cristãos, devemos comemorar a Páscoa como os judeus?
Como já foi dito, a Páscoa em si é uma festa judaica. Foi instituída por Deus para o povo de Israel, como um símbolo da salvação messiânica. Assim sendo, nós cristãos brasileiros, não precisamos comemorar a Páscoa, assim como não comemoramos a Festa das Trombetas, a Festa dos Tabernáculos ou a Festa do Purim. Algumas igrejas evangélicas judaizantes têm implantado a celebração da páscoa judaica em seus cultos, inclusive com os rituais culturais que foram acrescidos à festa com o passar do tempo. Entretanto, entendemos que Bíblia é bem clara ao ensinar que nós, cristãos, não precisamos seguir as leis e rituais dados ao povo de Israel – veja Atos 15:1-30; Cl 2:13-17; Gl 3:1-14; Rm 14:14-18.

É errado comer ovo de páscoa?
Certamente que, pensando no significado transcendental da morte e ressurreição de Cristo, um ovo de chocolate, por mais caro e delicioso que seja, não é nada! Essa deve ser uma decisão pessoal, segundo o costume de cada família. Pessoalmente não vejo problemas em presentear pessoas queridas com chocolate, desde que o verdadeiro sentido da Páscoa seja lembrado, e que as crianças sejam ensinadas a perceberem que a ressurreição de Jesus é infinitamente mais preciosa do que qualquer ovo de chocolate.

Entre a sexta-feira e o domingo
Muitas igrejas enfatizam em demasia a Via Dolorosa e a crucificação de Jesus, e praticamente se esquecem do principal: sua ressurreição.

A morte de Cristo não deve ser vista com penúria ou pesar, mas como a maior prova de amor de Deus por nós. Jesus foi traído por Judas Iscariotes, acusado pelos fariseus, julgado pelos sacerdotes, desprezado pelo povo e considerado culpado pelos romanos. No entanto, tudo isso aconteceu apenas e tão somente porque Ele mesmo permitiu. Jesus poderia, a qualquer momento, desistir da cruz. Mas, por amor a mim e a você, e em obediência ao Pai, Ele amou e amou até o fim.

Mas a cruz de Cristo não é derrota, antes, é o caminho para a vitória. Vitória não só do próprio Jesus, mas de todo aquele que nele crer. Sim, Ele foi crucificado na sexta-feira de Páscoa, mas ressuscitou no domingo das Primícias! Ele não está na cruz nem permaneceu no túmulo, mas venceu a morte e abriu o caminho para quem o aceitar.
Se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos. Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens. Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso SENHOR Jesus Cristo! 1 Co 15:17-20; 54-57

Márcia Cristina Rezende

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