Angela Natel On sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012 At 04:14


(Adoração da Santíssima Trindade - ano 1511 -, de Albrecht Dürer)

A terminologia aplicável à doutrina da Trindade é, sem dúvida, uma das maiores dificuldades dos estudantes. A expressão "três pessoas, uma substância" não é exatamente esclarecedoras para dizer o mínimo. entretanto, talvez o modo mais eficaz de verificar sua importância e significado seja entender a maneira como surgiram os termos ligados a essa doutrina.

Podemos alegar que Tertuliano foi o teólogo responsável pelo desenvolvimento da terminologia característica da Trindade. De acordo com certas análises, ele foi o responsável pela criação de 509 novos substantivos, 284 adjetivos e 161 novos verbos na língua latina. Felizmente, nem todos parecem ter sido incorporados. portanto, não nos surpreende o fato de uma enxurrada de novos termos ter surgido, quando ele voltou sua atenção para a doutrina da Trindade. Três deles são especialmente importantes.

1. Trinitas. Foi Tertuliano quem criou a palavra "Trindade" (no latim, Trinitas), a qual, desde sua época, tornou-se um aspecto característico da teologia cristã. Embora outras possibilidades tenham sido exploradas, a influência de Tertuliano era tão grande, que esse termo tornou-se normativo na igreja ocidental.

2. Persona. Tertuliano introduziu esse termo latino, para traduzir a palavra gregahypostasis, que começou a ter aceitação em igrejas de língua grega. Estudiosos têm debatido minuciosamente a respeito do que Tertuliano quis dizer com esse termo latino, o qual é invariavelmente traduzido com "pessoa". A seguir, explicações que exigem um alto grau de aceitação e emitem alguma luz sobre as complexidades da Trindade.
O termo persona significa, literalmente, "uma máscara" como a que era usada por um ator em uma tragédia grega. Naquela época, os atores usavam máscaras para permitir que a audiência entendesse qual dos distintos personagens da peça eles estavam interpretando. Por essa razão, o termo persona adquiriu um novo significado que tinha relação com o "papel que alguém representava". É bastante provável que Tertuliano tenha pretendido que seus leitores entendessem a ideia de "uma substância , três pessoas", como algo que significasse relacionamentos no grande drama da redenção humana.
Por trás da pluralidade dos papéis encontrava-se um único ator. A complexidade do processo de criação e de redenção não implicava existência de vários deuses; significava, simplesmente, que havia um único Deus, que agia de múltiplas maneiras na "economia (plano) da salvação".

3. Substantia. Tertuliano introduziu esse termo para expressar a ideia da existência de uma unidade fundamental na Trindade, apesar da complexidade inerente à revelação de Deus na história. A "substância" é o que as três pessoas da Trindade têm em comum. Isso não pode ser entendido como alguma coisa que existia independentemente das três pessoas; ao contrário, exprime o fundamento de sua unidade comum, apesar da distinção em suas manifestações exteriores.

MCGRATH, Alister E. Teologia sistemática, história e filosófica: uma introdução à teologia cristã. São Paulo: Shed Publicações, 2005, p. 375-6.

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