Angela Natel On sábado, 11 de fevereiro de 2012 At 06:11




Silas Magela
 

"A música gospel reflete a caminhada da igreja..." - foi o que declarou o cantor Kleber Lucas em entrevista ao site Vitrine do Tocantins.

Nos púlpitos evangélicos também acontece o mesmo processo, prega-se o pensar, o viver e as pretensões dos que caminham na igreja evangélica.

Como sempre, o inimigo da Igreja age com muita sutileza para enganar e desvirtuar os valores genuínos do Reino de Deus. Isso tem afetado a postura de muitas pessoas que mesmo se declarando evangélicas parece não perceber que estão se distanciando das práticas graciosas dos ensinamentos puros de Jesus.

Qual é o impacto causado por frases como estas?

"Um novo nome ouvirá sobre essa terra, Quem sabe, este nome seja o seu..."
ou então:

"Deus está anunciando um novo nome, Tem grande chance de esse nome ser o seu!"
ou ainda:
"Deus vai bradar, anunciar em alta voz pra o universo ouvir, Eis que um novo vencedor está chegando ai..."
Essas frases expressam uma forma de enxergar a proposta do Evangelho absolutamente distorcida, onde não só se busca a exaltação do próprio "eu", faz-se de forma quase megalomaníaca,  em uma percepção pessoal que se agiganta em detrimento do outro: "quem sabe esse nome seja o seu...!!!".

Tal cultura destoa completamente da essência do Evangelho que nos ensina um posicionamento do "eu" que caminha ao lado do "outro" quando não inferior(*). Portanto, o Evangelho não sugere egoísmo, nem jactância, muito menos estrelismo de um ego adoecido que só é possível se ter quando não se conhece a verdade plena do Evangelho.
O Evangelho que eu conheço pela narrativa de Jesus e dos apóstolos nos ensina a considerar o próximo superior a nós mesmos(*), a dar de graça o que de graça recebemos, sem interposição pessoal com reinvidicação de mérito. O Evangelho que eu conheço nos ensina a sermos unânimes entre nós; não ambicionando coisas altas, mas acomodando-nos às humildes[1].

Observe outro exemplo do equivocado entendimento do Evangelho no meio "gospel":

"...Quem te viu passar na prova
E não te ajudou
Quando ver você na benção
Vão se arrepender
Vai estar entre a plateia
E você no palco..."

Quem pensa em palco, pensa em lugar alto e de destaque com o privilégio de ser admirado, ovacionado e venerado por uma platéia. E essa relação Palco X Platéia  tem sido o teor de inúmeras pregações pentecostais nos últimos anos o que comprova a infiltração de uma cultura de egocentrismo de forma sutil e com discurso dissimulado, que nunca encontraremos nas linhas do Evangelho. Com um quê de  sentimento de vingança, evangélicos Brasil a fora cantam quase que em êxtase esses refrões que por mais que possam parecer inspirações bem intencionadas ou talvez ingênuas (fazer um julgamento aqui certamente não é o meu objetivo), o fato é que qualquer sutileza que desvirtua o Evangelho é perigosa, pois muitos, por estarem famintos, vão comer o que tiver na panela e pode haver veneno ali (leia sobre a morte na panela).

Se esses sentimentos forem os agentes inspiradores de nossas canções e pregações, o que dizer dos ensinamentos de Jesus, que nos ensina a amar até os nossos inimigos, bendizer os que nos maldizem, fazer bem aos que nos odeiam, e orar pelos que nos maltratam e nos perseguem;  (ler mais em Mateus 5:44)


Não há canção mais pura e linda do que a que canta Jesus, o nome que está muito acima de todo principado, e autoridade, e poder, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; (Efésios 1.21) - a canção que canta Cristo vivendo em nós  e não mais nós mesmos.


Vale refletir:


(*)"...nada façais por contenda ou por vanglória, mas com humildade cada um considere os outros superiores a si mesmo; não olhe cada um somente para o que é seu, mas cada qual também para o que é dos outros. Tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus, o qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz".
Publicado originalmente em no blog Do AUTOR 
Diviulgação Genizah  


Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/2012/02/evangelho-do-palco-x-evangelho-da.html#ixzz1m5AuTwap
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial Share Alike

0 comentários:

Liberdade de Expressão


É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se:
“é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença"(inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da"argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.