Angela Natel On domingo, 29 de janeiro de 2012 At 06:51



Por Hermes C. Fernandes

Hoje cedo fui surpreendido com uma foto postada por algum amigo em meu facebook. Barack Obama, considerado o homem mais poderoso do mundo, cumprimentando de maneira informa um faxineiro. Não sei se aquilo foi proposital, com objetivo eleitoreiro, ou se apenas espontâneo. Mas certamente, impactou a muitos, fazendo-os refletir sobre a questão que quero tratar neste texto.

Nossa sociedade vive uma crise de valores. Temos atribuído valor à coisas que não têm valor algum, ao passo que deixamos de honrar o que, de fato, tem valor. Um exemplo notório desta inversão de valores é a saudação feita por Pedro Bial ao dirigir-se aos participantes do programa Big Brother Brasil. Nela, o apresentador os chama de "nossos heróis". Sem querer generalizar, o que tem-se visto em todas as edições desse programa são pessoas fúteis, vazias, expondo suas intimidades por fama e dinheiro. É isso que devemos considerar heroísmo? É a esse tipo de comportamento que devemos honrar? A mesma sociedade que honra os participantes de um reality show através de sua audiência e sua participação por telefone, esquece-se de genuínos heróis como os bombeiros, os médicos, os professores, os garis, e tantos outros, sem os quais nossa vida seria uma lástima.

Diz-se que no Japão, o único profissional que não precisa curvar-se diante do imperador é o professor, pois segundo os japoneses, numa terra em que não há professores não pode haver imperadores.

Quando somos regenerados pelo Espírito, recebemos um novo coração, que ama o que Deus ama, e detesta o que Deus detesta, isto é, somos guiados por uma nova escala de valores. Se antes valorizávamos mais ao dinheiro, à posse de bens materiais, ao poder, à fama, agora aprendemos a honrar às pessoas, aos relacionamentos, ao serviço pretado, à memória dos que nos atencederam, aos sentimentos puros como o amor, a compaixão. E sobretudo, aprendemos a honrar a Deus.

Honrar é atribuir valor e dignidade a algo ou alguém. 

O padrão de honra é estabelecido pelo próprio Deus. Veja o que Ele diz acerca de Israel, Seu povo na Antiga Aliança:
“Visto que és precioso e honrado aos meus olhos, e porque te amo, darei os homens por ti, e os povos pela tua vida.” Isaías 43:4
Somente o amor produz a genuína honra. Foi por nos amar que Ele nos tornou honrados. Não tínhamos qualquer valor intrísseco. Pelo contrário, nossos pecados nos tornavam desprezíveis aos Seus olhos. Porém, por amar-nos, Deus atribuiu-nos valor. Fez-nos preciosos. E se por Israel, Deus era  capaz de dar a vida de homens e povos, por nós, Seu povo eterno, Ele foi capaz de dar a vida de Seu único Filho. Ou não é isso que diz João 3:16?: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

Deve-se honrar sem exigir ser honrado. Honra é aquilo que devemos dar, sem jamais requisitar.  O único que tem o direito de requisitá-la é Aquele de Quem se origina toda vida. Confira o que Ele mesmo diz:
“O filho honra o pai, e o servo o seu senhor; se eu sou pai, onde está a minha honra? E, se eu sou senhor, onde está o meu temor? diz o SENHOR dos Exércitos a vós, ó sacerdotes, que desprezais o meu nome. E vós dizeis: Em que nós temos desprezado o teu nome?”Malaquias 1:6
Não há meio termo. Quem não honra, despreza. Quem odeia, despreza. Quem trata com indiferença, igualmente despreza. Os sacerdotes estavam desprezando o Senhor ao oferecer-Lhe animais defeituosos e pães imundos:
“Ofereceis sobre o meu altar pão imundo, e dizeis: Em que te havemos profanado? Nisto que dizeis: A mesa do SENHOR é desprezível. Porque, quando ofereceis animal cego para o sacrifício, isso não é mau? E quando ofereceis o coxo ou enfermo, isso não é mau? Ora apresenta-o ao teu governador; porventura terá ele agrado em ti? ou aceitará ele a tua pessoa? diz o SENHOR dos Exércitos.” Malaquias 1:7-8
Mesmo vivendo sob a nova aliança, em que sacrifícios foram abolidos, devemos oferecer ao Senhor um culto que faça jus à honra que lhe é devida. E nosso culto a Deus não se limita ao templo, isto é, ao momento em que nos congregamos para louvá-Lo. Nosso culto a Deus abrange todos os nossos relacionamentos, o estilo de vida que adotamos, nosso procedimento cotidiano. Não se pode divorciar espiritualidade de vida prática.
“Depois perguntaram-lhe os fariseus e os mestres da lei: Por que não andam os teus discípulos conforme a tradição dos antigos, mas comem com as mãos sem lavar? Respondeu-lhes Jesus: Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito:  Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão, porém, me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. Deixando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens, como o lavar dos jarros e dos copos, e muitas outras coisas semelhantes a estas. E disse-lhes: Jeitosamente rejeitais o mandamento de Deus para guardardes a vossa própria tradição. Pois Moisés disse: Honra teu pai e tua mão, e quem amaldiçoar seu pai ou sua mãe, seja punido de morte. Vós, porém, dizeis: Se alguém disser a seu pai oou a sua mãe: Aquilo que poderias aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta ao Senhor, está ele desobrigado, por vós, de qualquer dever para com seu pai ou sua mãe. Invalidais, assim, a palavra de Deus pela vossa própria tradição, que vós mesmos transmitistes. E fazeis muitas coisas semelhantes a essas.” Marcos 7:5-13
Tradição é aquilo que a gente recebe e pratica sem questionar. Temos a tendência de atribuir valor demasiado às tradições. Os fariseus questionaram a postura dos discípulos de Jesus por não cumprirem o ritual de lavar as mãos antes das refeições. Não se tratava de higiene pessoal, mas de ritual religioso. Jesus aproveitou o gancho da provocação para denunciar sua tentativa de usar a tradição para burlar o mandamento de Deus. Aqueles religiosos de fachada sabiam que deviam honrar aos seus pais, mantendo-os durante a velhice. Em vez disso, alegavam que o que deveriam gastar com o sustento deles, já havia sido comprometido como oferta ao Senhor. O que hoje a gente chama de “jeitinho brasileiro”, tem seu precedente no“jeitinho fariseu”.

De acordo com Jesus, agir de maneira semelhante é o mesmo que honrar a Deus com os lábios, mas não com o coração. Deus abomina religiosidade de fachada, e a chama de hipocrisia. Artifício semelhante tem sido usado toda vez que queremos livrar-nos de alguma obrigação imposta pela Palavra, visando driblar nossa consciência. Somos capazes de usar a mesma Palavra, distorcendo-a para que pareça favorável à nossa postura. Tudo isso por recusar-nos honrar àquilo que deve ser honrado. Escondemo-nos atrás das tradições, usando-as como escudo e justificativa para nosso desleixo. E assim, desonramos ao Deus a quem hipocritamente declaramos amar.

Porém, com Deus não há “jeitinho”. Sua Palavra é clara:
“Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra. A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros, pois quem ama ao próximo cumpriu a Lei.”  Romanos 13:7
Quando deixamos de honrar a Deus, ou àquele a quem Deus atribui honra, contraímos uma dívida. Deixar de honrar constitui-se não apenas numa afronta, mas sobretudo, numa injustiça. Privamos alguém daquilo que lhe é devido. 

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