Angela Natel On terça-feira, 31 de janeiro de 2012 At 12:27
Angela Natel On At 06:24


Novas estratégias de interpretação das Escrituras podem aprofundar a vida do fiel com Cristo. Por ser um livro extenso, mesmo os leitores mais cuidadosos podem interpretá-la de muitas maneiras.
Por J. Todd Billings
Muitas vozes têm se levantado – e com razão – para dizer que uma crise de interpretação bíblica está em curso. Embora a Bíblia Sagrada seja o livro de maior circulação no mundo e os cristãos, estimados em mais de 2,3 bilhões de pessoas, sejam o maior grupo religioso do planeta, é preciso salientar que tal crise não envolve exatamente o declínio do número de leitores que reconhecem a autoridade das Sagradas Escrituras como Palavra de Deus. O problema é de outra natureza, bem mais sutil – e preocupante. Acontece que muitos que leem e interpretam o livro sagrado da fé instituída por Jesus não o fazem, necessariamente, do ponto de vista cristão.
Em tempos de pragmatismo exacerbado em praticamente todas as áreas de atividade humana e de uma crescente importância ao chamado bem estar do indivíduo, mais e mais pessoas têm enxergado a Bíblia como uma espécie de panaceia para todos os males e angústias. Textos e princípios da Palavra de Deus são empregados ao arrepio da boa hermenêutica, no objetivo de estimular, e até mesmo justificar, mesmo as práticas mais mesquinhas. Livros, pregações e palestras de cunho cristão prometem soluções bíblicas para se ter sucesso nas finanças, boa saúde, relacionamentos amorosos bem sucedidos – vitória, enfim, em todas as áreas. Assim, cada crente é incentivado a ver aplicações práticas de sua fé em vários aspectos da vida, com se a Bíblia fosse um “livro-resposta” para toda a sorte de necessidades e problemas.
Entretanto, esse tipo de mensagem, centrada no indivíduo e em suas preferências, carece de uma interpretação da Bíblia como um livro que questiona as necessidades essenciais do ser humano ou que aponta para muito além delas. E não são apenas os escritores e preletores bem-intencionados que falham em oferecer uma abordagem bíblica realmente cristã. Vários estudiosos interpretam as Escrituras como parte da História antiga, utilizando-a somente como mais um elemento para responder a questões arqueológicas e sociológicas sobre a Antiguidade. Outros tentam reconstruir o pensamento de um livro ou de um autor específico à luz da modernidade. Há quem seja capaz de escrever profundos ensaios sobre a teologia de Paulo sem considerar, em momento algum, que Deus esteja falando às pessoas de seu tempo por meio dos textos antigos do apóstolo – sem falar naqueles que procuram fazer uma correlação entre o contexto histórico de uma passagem com o mundo atual, mas, inadvertidamente, sugerem que muitos cristãos não são capazes de entender a Palavra de Deus por não terem a necessária formação acadêmica.
Em parte, devido a inadequações tanto na leitura popular quanto acadêmica da Bíblia, um número crescente de estudiosos passou a defender o que chamam de “interpretação teológica das Escrituras”. Eles incentivam uma leitura do texto bíblico como instrumento de autorrevelação divina e de salvação do homem por meio de Jesus, enredo central de toda a narrativa do Antigo e do Novo Testamento. Esta escola de interpretação inclui uma grande variedade de práticas, mas todas elas visam a promover o conhecimento do Deus Trino e o discipulado cristão por meio das Escrituras.
Quando se examina a interpretação bíblica, é preciso prestar atenção à chamada teologia funcional, ou seja, o fato de que a maneira como se usa a Bíblia reflete as convicções que se têm a respeito dela. Existem, basicamente, duas abordagens comuns para a utilização das Escrituras. Alguns leitores se voltam para a Bíblia como se tivessem em mãos o projeto de construção de um prédio. Em seguida, passam a tentar encaixar passagens isoladas como se fossem os tijolos. Tal prática parte do princípio de que já se sabe o sentido maior das Escrituras – portanto, a tarefa de interpretação bíblica se torna uma questão apenas de descobrir onde determinada passagem se encaixa no sistema teológico defendido por cada um.
Outros preferem uma abordagem do tipo self-service. Nesta ótica, muito empregada hoje em dia, a Palavra de Deus é como um enorme buffet de comida a quilo – cada um escolhe o que vai consumir à vontade, de acordo com suas preferências teológicas e interesses. Em ambas os casos, tanto o do projeto de construção quanto o do self-service, as Escrituras são usadas no sentido de atender a um propósito pessoal. Quem está no controle é o usuário; ele pode até reconhecer a autoridade bíblica, desde que ela confirme suas ideias preconcebidas ou o abasteça com conselhos divinos acerca de suas necessidades. Os leitores que trazem consigo seu próprio projeto pré-concebido acreditam que não se pode ler as Sagradas Escrituras sem trazer à tona algum entendimento. Já os do tipo self-service acreditam que a Bíblia é um livro pelo qual Deus fala diretamente com eles.


“REGRA DE FÉ”
Uma leitura teológica das Escrituras faz uso das duas suposições, embora de uma forma muito mais profunda e completa. É como se, em vez de fornecer ao leitor um projeto detalhado, a análise teológica da Bíblia trouxesse uma espécie de mapa de viagem. Tal mapa, entretanto, não nos oferece todas as respostas sobre qualquer texto em particular. Em vez disso, a leitura é o começo de uma jornada na qual Deus, através de sua Palavra, vai ao encontro do indivíduo repetidas vezes, trazendo reconfortantes sinais de sua presença e surpresas que podem até confundir, mas também descortinam novas perspectivas. A leitura bíblica, portanto, não tem a ver com a montagem de um quebra-cabeças, mas com a resolução de um mistério. Através das Escrituras, encontramos nada menos que o misterioso Deus Trino, em pessoa.
Os primeiros cristãos também ensinavam que os seguidores de Jesus deveriam aproximar-se das Escrituras com uma espécie de mapa teológico básico em mãos. Por volta do segundo século, Irineu falou sobre a “regra de fé”, como forma de entender os princípios básicos com os quais os crentes ortodoxos (em oposição aos gnósticos) deveriam aproximar-se da Palavra de Deus. Essa regra de fé não foi criação de algum estudioso em particular, mas provinha do Evangelho e da identidade cristã, fundamentada no batismo: quem lia as Escrituras o fazia como seguidor de Jesus, batizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Assim, os primeiros credos batismais, ou declarações de fé, tinham um caráter trinitário – como o Credo Apostólico, por exemplo – e forneceram o conteúdo básico da regra de fé.
Mas por que isso foi e é necessário? A Bíblia é um livro extenso, e mesmo os leitores mais cuidadosos podem interpretá-la de muitas e diferentes maneiras. Contudo, nem todas essas formas de interpretação são, de fato, cristãs, na plena acepção da palavra. Por exemplo, uma pessoa pode ler a Bíblia de modo que veja o Deus de Israel apenas como um juiz, ou seja, uma antítese do Pai gracioso apresentado nos evangelhos. Mas esta não é a leitura cristã nem do Antigo nem do Novo Testamento. Nos primeiros séculos do cristianismo, a regra de fé ajudou a assegurar que os cristãos mantivessem a conexão entre as duas partes das Escrituras, uma visão ampla na qual o Deus da Criação e da Aliança, revelado aos patriarcas e à nação de Israel, é também o Deus revelado em Jesus Cristo.
A regra de fé, baseada na crença no Deus Trino, tem sido um elemento crítico para a leitura da Bíblia desde a Igreja Primitiva, passando pela Idade Média e pela Reforma Protestante. Os reformadores enfatizaram que a Escritura (e não a tradição da Igreja) era a única e definitiva regra de fé. Lutero, Calvino e outros confirmaram isso, de forma clara e entusiástica, ao defender uma abordagem das Escrituras com base na Trindade. Ao interpretar o Velho Testamento assim como o Novo, os reformadores buscavam ler as Escrituras à luz de Cristo, como o cumprimento das promessas de Deus na Criação e na Aliança, aplicando esse princípio à Igreja e aos discípulos de Jesus. Segundo muitos estudiosos contemporâneos, essa regra de fé trinitária básica estabelece as bases apropriadas para a interpretação da Bíblia como o livro-texto do cristianismo.
A regra de fé, neste sentido, é o que nos dá a percepção do que é central e do que é periférico em termos de interpretação bíblica. Ele não define com antecedência o significado de determinadas passagens; em vez disso, fornece ao leitor uma melhor percepção da esfera em que se dá a jornada da leitura da Bíblia, forjando um caminho para uma comunhão mais profunda com o divino. O novo mundo em que Deus nos coloca por meio das Escrituras é vasto e amplo, mas também tem um caráter específico. É uma jornada pelo caminho de Jesus Cristo, pelo poder do Espírito, uma antecipação do clímax da comunhão final com o Deus Trino.
Mas e a questão da necessidade de conhecimento especializado para a correta interpretação teológica das Escrituras? Ao mesmo tempo que alguns adeptos do movimento da interpretação teológica nos encorajam a um envolvimento maior com comentaristas pré-modernos e com a moderna crítica bíblica, eles também têm grande confiança na capacidade das congregações comuns de se aproximarem das Escrituras como sendo a Palavra de Deus. Duas dinâmicas são, muitas vezes, ignoradas nas interpretações bíblicas contemporâneas, especialmente, aquelas baseadas em suposições histórico-críticas. A primeira é a obra do Espírito de trazer luz à Escritura; a segunda, a interpretação bíblica “em Cristo”.
Congregações cristãs em todo o mundo cultivam uma percepção dessas duas realidades quando oram pela iluminação do Espírito, quando adoram a Deus ou quando aplicam as Escrituras na vida da comunidade em forma de discipulado e testemunho. É claro que essas práticas não são garantia de uma hermenêutica fiel, porém são dinâmicas indispensáveis para interpretar a Bíblia como, de fato, Escritura Sagrada. Isso porque a presença do Espírito em uma comunidade cristã, estabelecida em Jesus, tem a capacidade única de equipar esse grupo para interpretar a Bíblia como Palavra de Deus.

IDENTIDADE EM CRISTO
Acontece que aproximar-se da Bíblia com tais pressupostos teológicos é considerado anátema para muitos teólogos da atualidade. Eles supõem que as convicções teológicas opõem-se à fiel interpretação bíblica, ao invés de ser sua potencial aliada. Há uma preocupação genuína por trás dessa objeção: a de que a teologia deve ser extraída da Bíblia, e não imposta ao texto escriturístico. Aqueles que fazem esse tipo de objeção, normalmente, partem do pressuposto de que não somos capazes de ser imparciais em nossa interpretação, mas sim, que a Bíblia é que deve dar uma espécie de suporte a nossas conjecturas teológicas.
Embora seja correto procurar extrair da Bíblia a nossa teologia (e não o contrário), outros estudiosos observam que as convicções teológicas e as práticas religiosas, como a adoração, tornam a leitura bíblica mais frutífera. Como afirma R.R. Reno, no seu prefácio ao Comentário Brazos, a doutrina teológica “é um aspecto crucial da pegagogia divina, um agente de esclarecimento para nossas mentes turvadas pelos enganos”. Naturalmente, uma leitura teológica da Escritura pode conter também armadilhas. Mas a solução, definitivamente, não é deixar o estudo da Bíblia somente para os especialistas acadêmicos. Pelo contrário – é recuperar a perspectiva do lugar das Escrituras em meio à obra de redenção divina e abraçar a tarefa de ler o texto bíblico com abertura suficiente para que Deus possa reformar e remodelar nossa caminhada. Assim, faremos morrer o velho homem e dar espaço a uma nova identidade em Cristo.
Devemos também evitar o outro extremo: interpretar a Bíblia sozinhos, sem qualquer ajuda. Em nossos dias, muitos acreditam que o indivíduo pode ser um intérprete “todo-poderoso” do texto sagrado – não haveria necessidade de consultar o que dizem os comentaristas nem tampouco estar integrado a uma comunidade de fé. Apenas o indivíduo, a Bíblia e o Espírito Santo bastariam. Embora, por vezes, o dito reformado Sola Scriptura seja usado para justificar tal procedimento, ele é, na verdade, uma grave distorção desse princípio protestante. Os principais exegetas da Reforma consultaram o que outros escreveram através dos tempos, bem como aprimoraram seus conhecimentos das línguas bíblicas e se aperfeiçoaram em outras habilidades necessárias à correta hermenêutica.
O movimento da interpretação teológica das Escrituras busca reunir o que a modernidade dividiu: o discipulado e o estudo bíblico crítico. Agostinho, em sua obra intitulada Sobre o ensino cristão, afirma que Jesus Cristo, como o Deus-humano encarnado, é a “estrada” para nossa pátria celestial. Assim, toda interpretação da Escritura deve ser necessariamente feita à luz de Jesus Cristo – e conduzir ao nosso crescimento no amor a Deus e ao próximo. Paralelamente, Agostinho destaca que ter conhecimento do grego e do hebraico é muito importante para a interpretação das Escrituras. Em pleno século 5, Le já dizia que a leitura bíblica agrupa as disciplinas da história, da retórica, da lógica e do que modernamente chamaríamos de antropologia cultural.
Assim como Agostinho, o movimento da interpretação teológica tem buscado aproximar o discipulado cristão do estudo acadêmico das Escrituras. Desta maneira, mesmo narrativas extremamente ligadas ao contexto cultural e religioso no qual foram escritas ganham novos contornos. As passagens dos evangelhos que se referem aos fariseus, por exemplo. À primeira vista, as repreensões de Jesus àquele grupo não dizem respeito ao leitor moderno. Mas o estudo histórico tem mostrado que os fariseus não eram apenas legalistas estereotipados – eles buscavam de fato uma renovação na obediência à Lei da Aliança, a partir das promessas de Deus para Israel. É verdade que pensavam diferente de Jesus e dos primeiros cristãos, mas também é certo que havia aspectos comuns entre eles.
Assim, quando pensamos estar livres de quaisquer implicações das duras palavras de Jesus aos fariseus, o raciocínio em perspectiva histórica nos ajuda a, mais uma vez, a aplicar em nossas vidas a mensagem (sempre tão pungente) da Palavra de Deus. Em termos mais gerais, pode-se dizer que o estudo crítico ajuda os leitores a evitarem erros que atrapalhem uma leitura bíblica frutífera. Tais equívocos podem ser mal-entendidos quanto aos tipos bíblicos ou equívocos de interpretação de natureza linguística ou cultural. Daí a importância do conhecimento das línguas originais e de crítica textual. Embora tais elementos não sejam imprescindíveis à apropriação dos conteúdos espirituais da Palavra de Deus, eles fornecem caminhos seguros para uma hermenêutica mais fundamentada. Como Agostinho sugeriu, vários métodos interpretativos são válidos. Entretanto, eles precisam conduzir a uma compreensão da Bíblia como a poderosa Palavra de Deus e a um entendimento da Igreja como uma comunidade de discípulos, que cresce à imagem de Cristo.

VIVER PELA PALAVRA
Uma característica fundamental de muitos trabalhos na área da interpretação teológica tem sido o renascimento de formas de interpretação bíblica essencialmente simbólica. Sob esse ponto de vista, o Antigo Testamento não tem apenas um sentido histórico – como querem muitas correntes –, mas também espiritual, que se estende a Jesus e à sua Igreja nos dias de hoje, na forma de alegorias ou tipologias essenciais à vida cristã. Ao longo dos últimos dois mil anos de cristianismo, raramente os exegetas deixaram a figura de Jesus fora de sua leitura do Antigo Testamento. Assim, a narrativa da primeira parte da Bíblia Sagrada continuou a ter integridade, mesmo quando significados “espirituais” referentes a Cristo foram sobrepostos a ela.
Esta abordagem do Velho Testamento está baseada no próprio Novo Testamento, que nos dá bons exemplos dela. Para os escritores neotestamentários, não é apenas um salmo ou profecia messiânica ocasional que se aplica a Cristo – eles leem todas as Escrituras de Israel sob a perspectiva do advento e da obra salvadora do Filho de Deus. Por exemplo, o livro de Hebreus começa com sete citações de textos do Antigo Testamento a partir de diversos contextos (Salmos, Deuteronômio e II Samuel); no entanto, é inegável que todas elas se aplicam a Cristo. Isso não se deve à hermenêutica particular do autor da epístola, mas a seu entendimento de quem é Cristo no plano de salvação de Deus: “Há muito tempo Deus falou muitas vezes e de várias maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas, mas nestes últimos dias falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez o universo. O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser” (Hebreus 1.1-3, na Nova Versão Internacional).
O Filho foi o cumprimento de diferentes passagens do Antigo Testamento. Embora, nas palavras do escritor, ele não tenha sido reconhecido como verdadeiro Messias em seus dias, o Filho é o Criador e também é o “herdeiro de todas as coisas” – e, em Jesus Cristo, deu-se a conhecer na história humana. Isso significa que uma leitura espiritual do Antigo Testamento não pode aniquilar a sua narrativa em si. Quando o Jesus ressurreto abriu o entendimento de seus companheiros no caminho de Emaús “para entender as Escrituras”, ele não disse que a lei de Moisés, os escritos dos profetas e os Salmos tinham sido descartados, mas sim, que estavam se cumprindo nele (Lucas 24.44-45).
Como observa John Webster, teólogo da Universidade de Aberdeen, na Escócia, e um dos maiores defensores da interpretação teológica, a “leitura das Escrituras é um episódio na história do pecado e de sua superação; e vencer o pecado é a obra única obra de Cristo e do Espírito”. Assim, de acordo com esse raciocínio, a leitura bíblica está inevitavelmente ligado à regeneração.  Como tal, lemos a Bíblia esperando receber uma palavra divina – tanto de conforto, quanto de confronto. A Palavra de Deus nos renova, ao mesmo tempo em que confronta nossos ídolos pessoais e culturais, traz luz ao nosso caminho e nos equipa para nosso serviço neste mundo.
Assim, ver a Bíblia como a Palavra de Deus envolve deleitar-se nela, memorizá-la e viver por ela. Quando Jesus foi tentado por Satanás, respondeu com passagens bíblicas que tinha na memória. Paulo, em sua Epístola aos Colossenses, adverte os crentes a deixarem a palavra de Cristo “habitar” abundantemente em si.  Já o evangelho de João mostra a dinâmica trinitária do viver pela palavra do Filho de Deus, quando diz que o Espírito, enviado aos crentes, glorificará Cristo. Deleitar-se e viver pela Palavra de Deus é algo extremamente prático e tem a ver com nossas finanças, família e até mesmo nossos corpos. No entanto, não se deve entrar por tal caminho em busca de sucesso neste mundo, mas, sim, da mortificação de nossa velha criatura e para a nova vida realizada pelo Espírito Santo.
Desta forma, podemos ler a Bíblia confiantemente, sabendo que Deus age de forma poderosa através de sua Palavra, por meio da adoração comunitária, em meio à oração, à memorização, ao ensino e ao testemunho. Não temos, necessariamente, que dominar plenamente a Bíblia para, então, torná-la relevante em nossas vidas. Pelo contrário: através das Escrituras, o Senhor nos abre um novo lugar de habitação – um local de comunhão com Cristo em um caminho que conduz ao amor a Deus e ao próximo.
Nossa jornada rumo à santificação não termina nesta vida; assim, também, não é neste mundo que finda nossa jornada de meditação nas Escrituras. Lutamos contra elas, muitas vezes, quando nos diz o que não queremos ouvir. Mas elas também confirmam e edificam nossa nova identidade em Cristo. Em tudo isso, o valor da Palavra de Deus é inesgotável, porque o Espírito usa a Escritura para testificar de Cristo, que é o Verbo enviado pelo Pai. Quando lemos a Bíblia como Escritura divinamente inspirada, não somos os dominadores, mas os dominados – e, por meio dela, recebemos do Deus Trino o seu fôlego de vida.  (Tradução: Élidi Miranda)
        
J. Todd Billings é professor de teologia reformada do Seminário Teológico Ocidental em Holland, Michiga (EUA)

Angela Natel On segunda-feira, 30 de janeiro de 2012 At 06:13

Angela Natel On domingo, 29 de janeiro de 2012 At 06:51



Por Hermes C. Fernandes

Hoje cedo fui surpreendido com uma foto postada por algum amigo em meu facebook. Barack Obama, considerado o homem mais poderoso do mundo, cumprimentando de maneira informa um faxineiro. Não sei se aquilo foi proposital, com objetivo eleitoreiro, ou se apenas espontâneo. Mas certamente, impactou a muitos, fazendo-os refletir sobre a questão que quero tratar neste texto.

Nossa sociedade vive uma crise de valores. Temos atribuído valor à coisas que não têm valor algum, ao passo que deixamos de honrar o que, de fato, tem valor. Um exemplo notório desta inversão de valores é a saudação feita por Pedro Bial ao dirigir-se aos participantes do programa Big Brother Brasil. Nela, o apresentador os chama de "nossos heróis". Sem querer generalizar, o que tem-se visto em todas as edições desse programa são pessoas fúteis, vazias, expondo suas intimidades por fama e dinheiro. É isso que devemos considerar heroísmo? É a esse tipo de comportamento que devemos honrar? A mesma sociedade que honra os participantes de um reality show através de sua audiência e sua participação por telefone, esquece-se de genuínos heróis como os bombeiros, os médicos, os professores, os garis, e tantos outros, sem os quais nossa vida seria uma lástima.

Diz-se que no Japão, o único profissional que não precisa curvar-se diante do imperador é o professor, pois segundo os japoneses, numa terra em que não há professores não pode haver imperadores.

Quando somos regenerados pelo Espírito, recebemos um novo coração, que ama o que Deus ama, e detesta o que Deus detesta, isto é, somos guiados por uma nova escala de valores. Se antes valorizávamos mais ao dinheiro, à posse de bens materiais, ao poder, à fama, agora aprendemos a honrar às pessoas, aos relacionamentos, ao serviço pretado, à memória dos que nos atencederam, aos sentimentos puros como o amor, a compaixão. E sobretudo, aprendemos a honrar a Deus.

Honrar é atribuir valor e dignidade a algo ou alguém. 

O padrão de honra é estabelecido pelo próprio Deus. Veja o que Ele diz acerca de Israel, Seu povo na Antiga Aliança:
“Visto que és precioso e honrado aos meus olhos, e porque te amo, darei os homens por ti, e os povos pela tua vida.” Isaías 43:4
Somente o amor produz a genuína honra. Foi por nos amar que Ele nos tornou honrados. Não tínhamos qualquer valor intrísseco. Pelo contrário, nossos pecados nos tornavam desprezíveis aos Seus olhos. Porém, por amar-nos, Deus atribuiu-nos valor. Fez-nos preciosos. E se por Israel, Deus era  capaz de dar a vida de homens e povos, por nós, Seu povo eterno, Ele foi capaz de dar a vida de Seu único Filho. Ou não é isso que diz João 3:16?: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

Deve-se honrar sem exigir ser honrado. Honra é aquilo que devemos dar, sem jamais requisitar.  O único que tem o direito de requisitá-la é Aquele de Quem se origina toda vida. Confira o que Ele mesmo diz:
“O filho honra o pai, e o servo o seu senhor; se eu sou pai, onde está a minha honra? E, se eu sou senhor, onde está o meu temor? diz o SENHOR dos Exércitos a vós, ó sacerdotes, que desprezais o meu nome. E vós dizeis: Em que nós temos desprezado o teu nome?”Malaquias 1:6
Não há meio termo. Quem não honra, despreza. Quem odeia, despreza. Quem trata com indiferença, igualmente despreza. Os sacerdotes estavam desprezando o Senhor ao oferecer-Lhe animais defeituosos e pães imundos:
“Ofereceis sobre o meu altar pão imundo, e dizeis: Em que te havemos profanado? Nisto que dizeis: A mesa do SENHOR é desprezível. Porque, quando ofereceis animal cego para o sacrifício, isso não é mau? E quando ofereceis o coxo ou enfermo, isso não é mau? Ora apresenta-o ao teu governador; porventura terá ele agrado em ti? ou aceitará ele a tua pessoa? diz o SENHOR dos Exércitos.” Malaquias 1:7-8
Mesmo vivendo sob a nova aliança, em que sacrifícios foram abolidos, devemos oferecer ao Senhor um culto que faça jus à honra que lhe é devida. E nosso culto a Deus não se limita ao templo, isto é, ao momento em que nos congregamos para louvá-Lo. Nosso culto a Deus abrange todos os nossos relacionamentos, o estilo de vida que adotamos, nosso procedimento cotidiano. Não se pode divorciar espiritualidade de vida prática.
“Depois perguntaram-lhe os fariseus e os mestres da lei: Por que não andam os teus discípulos conforme a tradição dos antigos, mas comem com as mãos sem lavar? Respondeu-lhes Jesus: Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito:  Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão, porém, me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. Deixando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens, como o lavar dos jarros e dos copos, e muitas outras coisas semelhantes a estas. E disse-lhes: Jeitosamente rejeitais o mandamento de Deus para guardardes a vossa própria tradição. Pois Moisés disse: Honra teu pai e tua mão, e quem amaldiçoar seu pai ou sua mãe, seja punido de morte. Vós, porém, dizeis: Se alguém disser a seu pai oou a sua mãe: Aquilo que poderias aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta ao Senhor, está ele desobrigado, por vós, de qualquer dever para com seu pai ou sua mãe. Invalidais, assim, a palavra de Deus pela vossa própria tradição, que vós mesmos transmitistes. E fazeis muitas coisas semelhantes a essas.” Marcos 7:5-13
Tradição é aquilo que a gente recebe e pratica sem questionar. Temos a tendência de atribuir valor demasiado às tradições. Os fariseus questionaram a postura dos discípulos de Jesus por não cumprirem o ritual de lavar as mãos antes das refeições. Não se tratava de higiene pessoal, mas de ritual religioso. Jesus aproveitou o gancho da provocação para denunciar sua tentativa de usar a tradição para burlar o mandamento de Deus. Aqueles religiosos de fachada sabiam que deviam honrar aos seus pais, mantendo-os durante a velhice. Em vez disso, alegavam que o que deveriam gastar com o sustento deles, já havia sido comprometido como oferta ao Senhor. O que hoje a gente chama de “jeitinho brasileiro”, tem seu precedente no“jeitinho fariseu”.

De acordo com Jesus, agir de maneira semelhante é o mesmo que honrar a Deus com os lábios, mas não com o coração. Deus abomina religiosidade de fachada, e a chama de hipocrisia. Artifício semelhante tem sido usado toda vez que queremos livrar-nos de alguma obrigação imposta pela Palavra, visando driblar nossa consciência. Somos capazes de usar a mesma Palavra, distorcendo-a para que pareça favorável à nossa postura. Tudo isso por recusar-nos honrar àquilo que deve ser honrado. Escondemo-nos atrás das tradições, usando-as como escudo e justificativa para nosso desleixo. E assim, desonramos ao Deus a quem hipocritamente declaramos amar.

Porém, com Deus não há “jeitinho”. Sua Palavra é clara:
“Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra. A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros, pois quem ama ao próximo cumpriu a Lei.”  Romanos 13:7
Quando deixamos de honrar a Deus, ou àquele a quem Deus atribui honra, contraímos uma dívida. Deixar de honrar constitui-se não apenas numa afronta, mas sobretudo, numa injustiça. Privamos alguém daquilo que lhe é devido. 

Angela Natel On At 04:02



Pai Nosso na antiga língua da Terra do Nilo, no seu estrato hieroglífico.

Transliteração (Manuel de Codage):

pAyw.n it m pt
wn.s wab rn.k yi.s HqAt.k 
im m.iry.k mryt.k m tA 
my m pt di.k n.n mi n ra aqw tp ra nb
Sdi.k r bwt.n mi Sd.n.n rdi wAw 
mtw.k di.k r.n m wSm 
ir nHm.k n.n m bin

Pronúncia*: 

payun yet em pet
uenes wa'eb erenek yeis hekatek
yem yerit meretek em ta mi em pet
dik enen mi enera aqu tep ra neb
shedik er beuten
mi shedienen er di uauen
metuk dik eren em ueshem
ir nehemek enen em bin

*Reconstrução da pronúncia, inexata, feita pelos egiptólogos. A leitura de cada linha é feita a partir da direção do olhar dos animais representados, isto é, da esquerda para a direita (nesta imagem).

Angela Natel On sábado, 28 de janeiro de 2012 At 06:08


Moisés Gomes, no blog  Mera palavra
Quando temos acesso à história da civilização, nos deparamos com mitos que foram cridos, vivenciados e expirados com o tempo por ferir e vitimar seres vivos, seja animais ou humanos. Sacrifícios, ofertas e inimigos foram mortos por uma crença de tradição mística, baseada numa religião ou apenas numa cultura.
O tempo passa, a evolução da consciência desponta, mas a cadeia que engrena o mito>obediência>barbárie, é o carro-chefe do pensamento, não importa o nível de informação e tecnologia que se irrompe e que pode servir para o bem do Homem.
Organizamos-nos com neuroses e dispostos a nos encabrestar. Somos obcecados por tudo que aplaque nossa psicopatia gerada pela ausência de felicidade, que por sua vez, esta sensação de infelicidade, é gerada pelo modo de vida que vivemos na sociedade. Submetemos-nos a qualquer formato social que possa oferecer entorpecimento e isso se dá através do abuso do intelecto frágil de pessoas que não são estimuladas a pensar com lógica.
A igreja cristã, com raras exceções, é o maior exemplo desta conexão alienante. Não precisa ir muito longe para se deparar com uma igreja onde o ambiente é desconexo da realidade, perfilando um lugar quase alienígena e irracional. Os jovens, totalmente devotos e entorpecidos por aquele ambiente, renegam a lógica e a lucidez até o seu atrofio. Tornam-se os bobos-da-corte, se contentando com a mais esquisita rotina e com cultos de linguagens irracionais, ilógicos e não poucas vezes, cômicos.
É constatável que a ambiência é nutrida pelo tipo de povo que freqüenta, que por sua vez, desistiu ou nunca teve chance de ventilar a coerência, assim, a maior bizarrice dita no púlpito é correspondida com améns sem questionamentos óbvios e balizamentos simples. Por conseguinte, não nos deixa dúvida, que tais lugares, são as maiores congregações de alienados e possuem um poder enorme de adoecer pessoas, privando-as do mundo real, dando-lhes entorpecimentos que os fazem tocar os seus barcos e ao mesmo tempo, sustentando e alimentando a congregação insana.
Ao dizer isso, eu não digo que tais pessoas são infelizes, muito pelo contrário, elas se sentem bem e defendem o servilismo com força. Hasteiam bandeiras e se orgulham do submundo infantil, porém doentil. Aplacam as nuvens turvas da vida real, com um mundo de ficção. Um mundo de mentira, escravismo, capachismo e infantilismo. Não poucas vezes, temos a sensação de estarmos entrando num hospício, onde seus anárquicos pacientes mantêm o controle da situação, nus, rodando no alto, suas camisas de força.
Eles riem e aplaudem o vergonhoso, dizem amém para a mentira descarada, que existe para atingir, perversamente, determinados fins e arregaçam as mangas por declararem falência de seus intelectos a fim de serem direcionados como marionetes na terra da bênção encantada.
Alguns se confinam em ambientes hostis pela propaganda enganosa e se deixam fustigar pelos apaches da fé. Nem de longe se pode comparar com os anseios repercutidos por Jesus Cristo, pois, apesar da nossa necessidade de forjar muletas, Cristo nunca se fez valer de uma conexão doentia para lidar com o Homem.
A busca de uma resposta que satisfaça ao Homem através da fé não passa por engrenagens que prendem pessoas num ambiente paralelo, provido de jargões, atrativos, gincanas, e estratégias bizarras. Nesses ambientes, o interlocutor é o mais alienígena. Misturam suor, esbravejos, ameaças, tom de inteligência e uma latente preocupação de “incendiar a igreja” com seus esforços, descomunalmente, esquisitos.
Toda essa engrenagem, que se torna o “carro-chefe do pensamento”, não é nova, mas encantam e arrebatam milhares todos os dias. É duro ter de conviver com isso, ainda que seja de longe, no outro lado da calçada; de fora e dissociado até da mínima linha que possa interligar.
A igreja evangélica no Brasil (com raras exceções) faz o bem à altura que faz o mal. Ela pode fazer com que o ladrão do morro pare de roubar, mas o prende num mundo sinistro que o tornará um ser do bem, cheio de doenças que não afetam a sociedade, apenas o torna esquisito e alienado.
Para nós brasileiros, é isso que vale, não é?
Se não pode libertar, entorpeça com qualquer coisa que o neutralize. Ofereça uma liberdade condicionada a loucura e autentique com o emblema “liberdade em Cristo”.
É incrível como existem pessoas que respeitam esse tipo de fórceps que extrai a lucidez. Uma coisa é respeitar o direito de eles existirem e praticarem suas aberrações, outra, é dizer que isso serve, pois “o importante é que a igreja está cheia de gente ouvindo a palavra”. Valha-me Deus. Dizer que a má fé que extorque o dinheiro e a lucidez do ser humano serve a boa fé é um grande erro.
“O verdadeiro trabalho cristão e aquilo que no mundo dá os maiores frutos, consistem em ações negativas: não fazer o que é contrário a Deus e à consciência”  (Léon Tolstoi, anarquista russo).

Angela Natel On At 04:05
Angela Natel On sexta-feira, 27 de janeiro de 2012 At 06:32


Por Pastor Folton Nogueira ►

O que desvia os ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável
Provérbios 28.9

A história nos mostra que não é de hoje, nem de minha geração, que se enfatiza a necessidade de oração.

Fui ensinado, desde criança pequena, a não dormir, não me levantar e nem comer, sem orar. Mais tarde conheci quem não começa o mês sem uma semana de oração ou o ano sem uma reunião especial agradecendo a Deus pelo que passou e pedindo um bom ano novo.

Não estou dizendo que orar seja errado. De modo algum. As Sagradas Escrituras estão cheias de exemplos de homens de oração, a começar com o próprio Senhor Jesus. Vão mais longe: são claras em ordenar o quase incompreensível: “Orai sem cessar” (1Ts 5.17). Entretanto uma oração pode ser abominável como o texto acima nos garante.

O Senhor Jesus também condena as orações repetitivas: “E orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos”(Mt.6.7).

Porém, além de não ser ouvida, como as orações cheias de repetições tolas, o texto fala de uma oração, que aos olhos de Deus é abominável, e deixa claro que ela tem essa qualidade em função de ser feita por quem não considera a Lei de Deus.

O original se refere à Torah - o que nós protestantes chamamos de Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) - porém, à luz do Evangelho, entendemos como uma referência direta à totalidade das Sagradas Escrituras: consequência daqueles cinco benditos livros.

Mas, deve ficar claro que “tapar os ouvidos à Lei” não significa apenas gesto físico. Aqui temos uma figura de linguagem em que a coisa material é tomada por sua função.

O texto está dizendo que a pessoa que não orienta seu viver pelos ensinos da Escritura, ao orar, está cometendo uma abominação diante de Deus. Isso fica óbvio quando se pensa em alguns aspectos. Por exemplo:

1. Pedidos que contrariam os desígnios de Deus. Na maioria das vezes não conhecemos a vontade de Deus a respeito de nossa própria vida - o Apóstolo Paulo pediu que lhe fosse tirado o “espinho da carne” e ouviu “minha graça te basta” - mas sabemos a vontade geral. Deus não deseja que quebremos seus mandamentos. Portanto pedir sua bênção sobre uma união desonesta, ou sobre um negócio ilícito, por exemplo, é abominação.

2. Orar com outra intenção que não seja falar com Deus. Há quem ore para ser visto pelos outros ou para predispor-se a alguma ação.

No primeiro caso, nosso Senhor Jesus condenou tal prática com tanta veemência que parece que era corriqueira em seus dias. Por sua descrição no Sermão do Monte, parece que alguns ficavam em pontos estratégicos para serem vistos orando.

Já conheci quem aproveitasse a oração para elogiar a si próprio ou fazer um verdadeiro sermão com exortação.

Há como documentar algo semelhante: No livro Este Mundo Tenebroso (não é uma recomendação de leitura. Pelo contrário: se não leu, não leia) há uma oração de uma velhinha, muito marcante no enredo, que se dirige a Deus cândida e fervorosamente, mas logo começa a repreender a Satanás. Quando li, fiquei pensando com quem ela estava realmente falando.

No segundo caso, há quem ore para si mesmo. É o que ensinam muitos pregadores do evangelho da prosperidade. Dizem: Repita o que você quer. Exija com detalhes e você conseguirá ver seu desejo realizado. Isso sequer pode ser chamado oração.

Nossa oração deve ser feita com a simplicidade e confiança de uma criança que pede algo a seu pai. Não um moleque traquinas e mimado, mas uma criança amável e amada. Do contrário Deus a terá por abominável.

Originalmente postado no blog do Pastor Folton Nogueira


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Liberdade de Expressão


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