Angela Natel On sábado, 24 de setembro de 2011 At 06:45


Há de fato, ainda que inconscientemente ignorado, um problema de compreensão relacionados aos três elementos apontados no título dessa reflexão. Começando pelo último deles, houve de fato uma importante conceituação e retirada das obras do errôneo lugar e da importância dada a elas no cenário da salvação humana. Ou seja: a salvação unicamente pela fé, intermediada e levada a cabo unicamente pelo Salvador Jesus Cristo é de uma importância sem igual, fato que promoveu a maior mudança no cristianismo recente ( embora date esse fato espiritual-histórico de mais de cinco séculos ).

Desse modo, amplo leque de cristãos e crentes entendem que a salvação se dá aparte das obras e portanto unicamente pela graça de Deus, sem nenhuma relação explícita ou implícita com as obras produzidas por quem quer que seja. Crer em Jesus Cristo como Deus e Filho de Deus é o suficiente para garantia da salvação, algo revelado, referendado pelas Escrituras, ou seja, reflete o que a Bíblia declara enfaticamente não poucas vezes.

O pensamento cristão consiste na toda reflexão acerca do cristianismo, da relação homem-Deus, da cosmovisão humana reconstruída e corrigida com base na compreensão ena experiência do crente enquanto ser humano frente a todos os desafios e experiências vividas nesse mundo. Normalmente encontrado nos muitos livros, canções, hinos, tratados, ideologias, filosofias, teologias oficiais e leigas, nas tradições, na arquitetura, na liturgia, nos costumes e em tudo mais que possa ser encontrado uma referência atitudinal ou religiosa de um cristão.

Enquanto a salvação, e claro a graça de Deus, seja algo tido como uma experiência pessoal e interna, o pensamento cristão é resultado de um recorrente exercício intelectual e mental que pode se debruçar sobre a própria experiência vivenciada, explicando-a ( aos outros e sobretudo a si mesmo ). Guardadas as devidas proporções pode modificar, negando ou valorizando certos aspectos da experiência vivenciada factualmente. Em outras palavras pode torná-la ( como compreensão e resultados ) melhor ou pior do que realmente foi. Isso significa na prática que refletida em livros cristãos ( ficcionais, romances, testemunhais, históricos e teológicos ) encontrada na prática e posicionamentos denominacionais e congregacionais ( da igreja local ), no modo de vida e nas interrelações humanas entre a própria membresia da igreja, pode traduzir a mais legítima forma de vida cristã ou algo deteriorado com o tempo. Dito de outro modo, após a conversão o crente tem diante de si o desafio de, na relação com os seus pares, se tornar melhor ou pior no decorrer da vida e da experiência cristã, isso baseado nas relações e experiências religiosas denomiancionais e da sua igreja local.

Dai podemos acertada e seguramente concluir que tanto o pensamento cristão e as obras não são manifestações tão espontâneas mas circunstanciais. Embora produzidos individualmente pode o pensamento cristão não afetar outras pessoas a não ser que seja registrado e difundido, e receba por parte de outros cristãos um assentimento e concordância,  e seja inclusive aceito como uma "certa verdade" a ser seguida. Trata-se de um fenômeno legítimo em toda a história do cristianismo. Li hoje mesmo em um blog de um querido irmão em Cristo ( O Kálamos ), um excelente comentário acerca das "Confissões de Santo Agostinho". Tais registros de Santo Agostinho, de São Tomas de Aquino, de João Calvino, de Arminius, de João e Carlos Wesley e de tantos inumeráveis cristãos de todas as épocas, abordando diferentes e até coincidentes pontos, refletem o pensamento cristão. Para bem ou para o mal, tecnicamente os fundadores de igrejas paraprotestantes ( igrejas que divergem em maior grau da chamada ortodoxia cristã mais importante como as Testemunhas de Jeová, Mórmons, Adventistas e tantos outros ) vistos de fora ( pelos não cristãos, refletem em certo grau os ideais e cosmovisão cristãs.

Isso explicaria a grande divergência acerca de comportamentos e leituras da realidade e em menor grau, embora ainda assim importantes, acerca das questões primordiais. Por exemplo: todos os cristãos, em tese, não negam a criação do mundo e do homem por parte de um único e eterno Deus, embora divirjam sobre questões importantes secundárias como a Trindade, por exemplo, ou sobre, também em menos casos sobre a divindade-humanidade de Cristo, sobre a existência do inferno, de como seja o céu, se há uma alma eterna ou não, se a alma é pré-existente ou não, se alma e espírito são a mesma coisa ou elementos concretamente diferentes, só para citar no momento. Essas inferências não deveriam afetar a salvação mas se supervalorizadas podem comprometer ao que de fato é mais importante para a salvação do indivíduo, na medida que se afastam e complometem ao que primordial nas Escrituras, como por exemplo, alguém que cria sinceramente em Cristo como Deus e Filho de Deus ( algo claramente revelado nas Escrituras ) a titulo de maior compreensão e explicitação, passa a detalhar tanto essa verdade que se desvia dela e passa a negá-la. 

Um dos casos públicos é a posição das Testemunhas de Jeová, que por simples oposição ao catolicismo romano e à compreensão ( que não é proprietária e particular da igreja católica romana mas escriturística ) da Trindade, passa na tentativa de explicação mais válida, afirmar que o diabo é Filho de Deus e que Jesus Cristo é um anjo, criado e um "deus " com "d" minúsculo. Mas há inúmeros outros de menor impacto na genuína fé cristã como a posição esposada por João Calvino e na predestinação compreendida como tal na ótica calvinista. A dupla eleição não afeta a fé do crente. Um calvinista renascido é tão ou mais crente que outro crente ( seja pentecostal, neopentecostal, etc. ) mesmo porque não é exatamente na diferença de posição que consiste a virtude da fé e genuína vida cristã. O problema, e é apenas uma opinião minha ( mas também não solitária, muitos outros crentes chegam a essa constatação ) é que afeta o evangelismo e muda o foco na pregação do evangelho. Ninguém é melhor crente por ser simpático do pentecostalaismo  por exemplo, ou do neopentecostalismo, valendo o que afirmei acerca do calvinismo e dos calvinistas. Logo a fonte de divergência no critianismo reside no pensamento cristão como exposto acima. Não é algo ilegítimo e nem antinatural, e até para isso a eterna Palavra de Deus tráz respostas, pelas quais o crente onde esteja, possa se relacionar da forma mais justa, que não redunde em tropeço e escândalo a seus irmãos na fé. 

Deixei de lado as considerações acerca dos frutos para agora por uma razão simples: ao contrário do pensamento cristão e das obras o fruto não depende do esforço pessoal do crente. Eles ( os frutos ) estarão lá, se manfestarão na vida do crente, ou não. A Bíblia diz claramente em muitas ocasiões ( e parto do pressuposto que você leia a sua Bíblia e esteja bastante familiarizado com seus textos por isso não relacionarei por ora os versos nos quais baseio essa opinião  ) para pensarmos nas coisas do alto, para que tudo o que bom e louvável ocupe os nossos pensamentos e que se na constatação de falta de sabedoria, a peçamos a Deus, etc. Sobre o que deve ser feito ou não, a Bíblia novamente é clara e insinsiva, como igreja, como discípulos e como pessoas individualmente. Entrtanto em relação aos frutos nos é dito que devemos simplesmente estarmos ligados a Ele , Jesus Cristo. Sem essa ligação pessoal e íntima, embora mantenhamos a produção e a reflexão do pensamento cristão  ( embora legítimo e útil quando esse pensamenteo reflete o que é nos revelado nas Escrituras e fiel a elas, a Bíblia Sagrada ) ou façamos coisas legítimas tidas como obras de um autêntico cristão e portanto crente ( como ir a igreja,  vestir-se, falar e estar em círculos cristãos ) os frutos genuínos de um crente não aparecerão na vida do crente. Portanto o fruto é consequência de uma factual, comunhão como Senhor. Quando ligados ao Senhor os frutos aparecem, surgem, quando distantes dEle, os frutos não se mostram presentes.

Eu posso ser educado e me esforçar para ser justo com as pessoas, refletindo em boa medida tanto o pensamento cristão ao qual eu me simpatizo, ao meu ideal e filosofia de vida, mas em uma situação mais contundente, reagirei como todos os demais seres humanos, sejam crentes ou não. O nível de amor, de perdão, de compreensão, de confiança, de superação, de justiça, serão no máximo do mesmo nível, e até inferior,  ao de qualquer outro ser humanos incluindo, não cristãos e porque não, ateus. Esse é o dilema que um cristão eventualmente enfrenta: o que crê é a verdade e razoavelmente muito superior a qualquer outra mensagem religiosa, mas na maioria das vezes, se for justa a comparação, esse mesmo cristão  ( ou crente ) não está acima de uma outra pessoa qualquer, comum, sem fé alguma as vezes, o que  aparentetemente descredencia a sua mensagem e testemunho ao mundo.

Não somos melhores do que as demais pessoas ( pelo menos nem sempre, nem na maioria das vezes ) e o que parece uma desculpa para não crerem na Palavra de Deus, consiste na mais clara realidade: somos pecadores, tão imperfeitos quanto os não crentes, não cristãos, quanto os que nem sequer acreditam que haja por possibildade real um Deus criador de todas as coisas e que se relacione, busque o homem na sua pequenês. Do mundo fomos sacados, tirados, pela fé no que ouvimos pela pregação da Palavra de Deus. Essa experiência nos diferenciou a princípio. E ela que nos distingue dos demais seres humanos. Experiência gratuitamente proclamada e aberta a todos, sejam grandes, pequenos, ricos ou pobres, cultos ou incultos, famosos ou anônimos, amados ou odiados, religiosos ou não religiosos, enfim a todos os seres humanos, independentemente de lugar, etinia ou condição social e temporal conforme João 3:16.

Acertamos e erramos em muitas áreas como todos os demais: no lar no trabalho, nos negócios, com filhos, cônjuge, colegas, com desconhecidos, necessitados, amigos, inimigos, etc. Embora desejável o Evangelho é verdadeiro e a verdade por si só, portanto independe até de nossa coerência e testemunho. Ninguém terá desculpa diante de Deus no dia do juízo, de não ter crido em Cristo, e dessa forma ser mais um salvo por causa do desempenho abaixo da média desejável, de nenhum cristão ou crente. Nos esforçamos sinceramente ( muitos  de nós ) e as vezes somos relápsos, simples, não nos damos conta de como as nossas atitudes afetam péssimamente a outros e a nosso testemunho. Nos julgamos e nos condenamos mutualmente e isso soa estranho a nós mesmos e muito mais aos que não são da mesma fé. Divergimos em estratégias e prioridades mas só acertamos quando em momentos de comunhão íntima com o Senhor produzimos os mesmos frutos.

Deus certamente tem em mente que possamos fazer a Sua obra, particularmente Jesus tinha ( e tem ) em mente, que faríamos obras iguais e maiores que as feita por Ele. Da mesma forma os frutos são desejados por Deus, e que sejam abudantes e efetivos em cada uma de nossas vidas, e que esse fato seja algo tão visível como uma cidade edificada sobre um monte. 

O segredo? Escolhermos a melhor parte e colocarmos os elementos na ordem certa:

FRUTOS, PENSAMENTOS E OBRAS finalmente.

Normalmente priorizamos as obras ou os pensamentos.Quantos se apressam ( e eu me incluo e me penitencio ) em fazer coisas ou em dizer coisas ainda que momentaneamente aparte do Senhor ( não quero dizer desviado, mas naquele momento, deveria se ver próximo ou não do Senhor ). Alguém pode achar ser esse exemplo simplório e até improvável para alguns crentes, mas eu considero real e objetivo: diante de um doente  terminal, não basta o ato de orar e um pensamento baseado em inúmeros bons livros cristãos, ou posição teológica, mas no nível de intimidade, de ligação com o próprio Senhor - "se estiverdes em mim e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis o que quiserdes e vos será feito..."

O segredo da vida de Abraão foi o nível de intimidade com Deus, igualmente a vida de Pedro e de Paulo, cuja sombra curava as pessoas. Que essa breve refexão possa ajudar-nos a colocarmos as coisas prioritariamente nos seus devidos  lugares na  nossa experiência cristã, para que possamos dar muito fruto e e o nosso fruto permaneça. Amém.

Por Helvécio S. Pereira

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