Angela Natel On domingo, 4 de setembro de 2011 At 06:25


Dois dos maiores ícones da filosofia e da psicanálise do século XIX foram grandes inimigos da religião: Sigmund Freud e Friedrich Nietzsche.

Freud via a religião como um sistema irracional, indemonstrável e de recusa à realidade. Nietzsche, por sua vez, repudiou os valores cristãos como “humanos, demasiadamente humanos” e chamou a moral cristã de “moral de escravos”.

Sigmund Freud afirmava que em todas as épocas, a imoralidade não encontrou menos apoio na religião do que na moralidade. Friedrich Nietzsche, bem mais enfático do que Freud, disse certa vez: “sempre tive a necessidade de lavar as mãos ao entrar em contato com as pessoas religiosas”.

A essa altura você deve está perguntando por que estes homens tão inteligentes nutriram tal repulsa pela religião e pela igreja? De onde vêm a indiferença de Freud e o ódio de Nietzsche?

Como pode um homem como Nietzsche, criado em lar protestante, filho de pastor, tornar-se um inimigo declarado da religião e da igreja? Que fatores teriam contribuído para essa aversão? Eu explico.

Para entender os motivos dessa indisposição de Freud e Nietzsche quanto à religião é preciso, logo de início, descartar certas explicações fantasiosas e infundadas como, por exemplo, dizer que satanás “cegou” a ambos para que não enxergassem a vontade de Deus. Deixe o diabo fora disso; desta vez ele não tem culpa nenhuma!

A aversão de Freud e Nietzsche pela religião é coisa deste mundo, obra de homens e não tem qualquer ligação com nenhum ser metafísico, habitante do inferno ou não. A atitude de ambos foi uma reação a uma religião castradora, hipócrita e mesquinha.

Nietzsche via no cristianismo uma negação da vontade para a vida e na igreja um ambiente propício ao florescimento das atitudes hipócritas e dissimuladas. “Se você quer respirar um pouco de ar puro não vá a um templo”, disse certa vez ao referir-se à igreja como coisa da gentalha.

Tanto Freud como Nietzsche perceberam que a igreja não resolvia os dilemas humanos, apenas ajudava a reprimir certos impulsos para o “pecado” que em pouco tempo voltavam a aflorar de forma mais avassaladora ainda. A igreja, neste caso, agia como uma empregada doméstica que ao invés de recolher a sujeira jogando-a no lixo, apenas empurrava-a para debaixo do tapete.

Reprimir impulsos não é o mesmo que controlá-los racionalmente. Um “cristão” produzido nestes termos não demora muito para “adornar a casa e receber mais sete demônios” com festa de boas vindas e de braços abertos.

Quem nunca se deparou com um “crente afastado dos caminhos do senhor” e que transgride dez vezes mais depois de descobrir que lhe ensinaram uma mentira e ter rompido totalmente com a igreja? O erro da igreja é querer ser certa demais quando não possui autoridade e nem moral para tanto!

O diabo não está fora das igrejas, pelo contrário, ele freqüenta os cultos e missas assiduamente e inspira certos bobalhões que não sabem o que estão dizendo quando proferem baboseiras sem fim dos seus púlpitos alienantes e desprezíveis!

Além disso, há também o problema da corrupção política dentro da igreja. Uma reunião de clérigos e uma de políticos sagazes e desonestos não tem muita diferença. A instituição eclesiástica e Brasília não destoam muito uma da outra. O templo e o plenário da câmara também não!

É a igreja que afasta as pessoas da igreja, e não o coitado do diabo, como dizem os clérigos muito “espirituais”. O cristianismo é como o mítico deus grego kronos que se alimentava dos seus próprios filhos matando-os quando deveria salvá-los!

No segundo século da era cristã, os pais apostólicos discutiam entre si sobre a possibilidade ou não de haver salvação dentro da igreja. Hoje a questão inverteu-se e talvez seja mais correto perguntar se há possibilidade de alguém salvar-se estando dentro da igreja. Nietzsche e Freud recomendariam: “por via das dúvidas, é melhor ficar longe dos templos”!

André Pessoa Via Século XXI

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