Angela Natel On sábado, 10 de setembro de 2011 At 06:27

Como já observamos, em Êxodo e Deuteronômio temos duas realidades completamente diferentes que, de certa forma, criam uma necessidade específica para um tipo diferente de revelação do mesmo Deus.

Em se tratando de Êxodo, temos uma geração escravizada, imersa numa cultura politeísta e de valores completamente contrários à vontade de Deus. E, no decorrer do livro, encontramos a revelação de um Deus que exige exclusividade, que proporciona liberdade, fornece instruções e mandamentos que vão gerar uma vida saudável e centralizada em Deus. A confiança nEle se torna a condição básica de sustento e sobrevivência do povo, não mais seu próprio trabalho braçal às custas de agressividade do opressor. A única perspectiva de perda na vida é ligada intimamente à falta de confiança neste Deus, que é todo poderoso, que é maior que os deuses dos outros povos, que se comunica constantemente, que assusta por meio de fenômenos da natureza, mas que livra e liberta quem nEle coloca sua esperança.

Ao chegarmos em Deuteronômio, nos deparamos com outra realidade, não com outro Deus. A nova geração foi testemunha de muitos livramentos e sobreviveu ao deserto. Era uma geração jovem, cheia de vigor, que tinha ouvido de seus pais a história, em primeira mão, da grande libertação que ADONAI tinha realizado em favor deles no Egito. Essa nova geração estava sendo preparada também para ser um pequeno exército contra os povos da terra de Canaã. Aqui encontramos várias dificuldades que eles poderiam enfrentar ao ter uma visão errada de Deus: Eles poderiam pensar que Deus os tinha escolhido porque eram mais valorosos que as outras nações; poderiam associar toda a libertação de Deus a um amor incondicional que, independentemente de suas más ações, estaria sempre ali para servi-los e atendê-los, nos momentos de maior necessidade. É por estas e outras razões que Deus se revela em Deuteronômio como um Deus que ama o pequeno, e que em nós não há nada que mereça Seu amor. Além disso, temos a revelação de que há condições para o favor de Deus ao povo, como as bênçãos e maldições que seguem a aliança em Deuteronômio 27 e 28. São fatores que deveriam manter o povo de Deus constantemente dependente dEle e não de seus atos, obras ou merecimentos.

A partir dessa pequena análise, é claro que parece similar, em parte, a revelação de Deus nestes dois livros, mas na verdade não é. Quer o povo esteja em total desestabilidade, quer esteja seguro demais de si, Deus se revela em diferentes circunstâncias para que O busquemos e saibamos que Ele é o único que pode nos sustentar e ser nosso guia na jornada da vida.

(Angela Natel)

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