Angela Natel On sexta-feira, 9 de setembro de 2011 At 06:26


Considerando o semestre de estudo e diversas discussões a respeito do tema em questão, pude observar e/ou constatar inúmeras diferenças entre os livros de Êxodo e Deuteronômio. Algumas delas abrangem apenas o aspecto literário do texto, outras, seu contexto histórico e comunicativo mais abrangente, e outras ainda giram em torno do aspecto temático propriamente dito.

Dentre as diferenças literárias, das quais sinto mais segurança em comentar por causa de minha formação em Letras, em sentido geral, Êxodo é caracterizado por uma narrativa histórica marcante, contendo porções de poesia, legislação, sabedoria, entre outros. Porém, é muito importante compreender que, em sua totalidade, a maior parte do texto de Êxodo é narrativo, o que dá ao texto maior agilidade, peso de autoridade onde outros textos (como o de Deuteronômio) podem se basear, e um enfoque em relacionamentos e pessoas. O nome hebraico do livro tômüH (“nomes”) já sinaliza a ênfase do texto nas vidas ali contidas e na revelação do Nome do próprio Deus no capítulo 3 (é neste livro que Deus revela Seu nome). Em contraponto, o livro de Deuteronômio apresenta uma literatura discursiva menos ativa, ainda que narrativa, mais reflexiva, por se tratar dos discursos de Moisés a uma geração diferente da sua. Aqui, a objetivo do texto é instruir pela reflexão do passado, do presente e do futuro, interna e externamente, por isso os tempos verbais se alternam com mais freqüência e muito do que encontramos em Êxodo repete-se aqui, numa releitura para a nova realidade que se encontra para essa geração. Interessante é notar que Deuteronômio parece mesmo ser um livro aberto a releituras, pois foi o livro que Jesus mais citou da Bíblia Hebraica, numa releitura constante de seu conteúdo. Não é à toa que o título hebraico deste livro seja £yærAbèÐdah (“as palavras”), termo que lembra a própria Lei de Moisés, ou Os Dez Mandamentos, conhecidos como “As dez Palavras”.

Outras diferenças se podem encontrar, e daria para escrever muito a esse respeito, como o público alvo, o contexto histórico da época em que o texto foi escrito, a temática principal, as mudanças e adaptações legislativas, etc., mas o importante é perceber que cada detalhe não passou despercebido no plano mais abrangente de Deus em salvar Seu povo e revelar-se às pessoas.


(Angela Natel)

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