Angela Natel On quarta-feira, 31 de agosto de 2011 At 09:20
Há muita confusão nas rodas cristãs atualmente
sobre o Islã. Por um lado, testemunhos da
perseguição de cristãos, violência e discriminação acontecem em países como Paquistão, Arábia Saudita, Irã e outros. O movimento para banir o vel de rosto
inteiro (niqab) em diversos países da Europa também
faz com que generalizemos versões extremas da Lei Islâmica (Sharia) com o Islã e muçulmanos em geral.
Por outro lado, o slogan “Islã é uma religião de paz”
aparece na mídia secular ao lado de novos atentados
terroristas do al-Qaeda e outros. Aonde está a verdade?
A verdade é, conforme a história Islãmica revela, bem
mais complexa que os próprios muçulmanos reconhecem. A Lei Islâmica, que apenas apareceu gradativamente no terceiro século após a morte de Maomé, foi
desenvolvida com o passar do tempo por pelo menos
seis escolas, com discórdias significantes entre elas.
Isto era a “jurisprudência aplicada” (ou fiqh), como
termo “Sharia”, normalmente referindo-se ao plano
ideal de Deus para uma sociedade humana santa,
como desenhado no Alcorào e no Exemplo (Sunna)
do Profeta. Alguns poucos textos, no entanto, falam
do que nós hoje chamamos de “lei constitucional”. Na
prática, dos primeiros califados aos muitos pequenos
reinos que surgiram à sombra de impérios, ao último
grande império dos Otomanos, a história das sociedades muçulmanas pode ser resumida no constante cabo de guerra entre os especialistas legais (ulama) e
os líderes políticos. Mais frequente que o contrário, eles
estavam em disputa.
Hoje, nações muçulmanas são todos estados-nações
modernos, signatários das convenções da ONU que
hoje são consideradas “lei internacionais”. A maioria
deles são autoritários. Ainda assim, da acordo com o levantamento Gallup Poll, conduzido entre 2001 e 2007 em 35 países muçulmanos, uma grande maioria dos
muçulmanos consideram o Islã e a democracia, igualdade entre generos e liberdade de discurso como chaves para uma sociedade pacífica e próspera. Eles simplesmente não concordam com a forma que estes valores são moldados no Ocidente; eles preferem aplicá-los de
acordo com suas próprias tradições.
Globalização – o fluxo sem precedentes de bens, capital, imigrações e informações em todas as direções – aprofundou profundamente não somente as sociedades muçulmanas, bem como as Ocidentais. Estudos sociológicos narram o grande fenômeno de avivamento
e como a globalização “desterriterializou” a religião
tradicional. Para os muçulmanos, apesar da internet e
das grandes imigrações, isso significou uma reformulação do Islã tradicional em diversas direções. Claramente, a maioria dos muçulmanos internalizaram as
idéias de direitos humanos e de democracia. Mas eles
também se tornaram mais religiosos e conservadores,
especialmente na área de modéstia para mulheres.
Para alguns, o desmanche de antigas marcas culturais
significou uma nova religiosidade enfocada primariamente no que é “Islâmico” e o que não é. Então é uma pequena, mas audível minoria (os “Salafis”) que mesmo no Ocidente militam pela ” completa aplicação da Sharia”. Aqui, “Sharia” sifnifica o consenso medieval
de escolas legais baseadas no status familiar, o hudud
(as cinco punições, como amputações para ladrões e
morte para “apóstatas”) e novas adições, dependendo
da facção. Os “jihadistas” são uma facção.
Para ser justo, no entanto, seria errado ver todos os
muçulmanos como “extremistas”, quando a maioria
está na verdade se engajando como resto da sociedade
civil global para trabalhar por mais paz e compreensão entre os povos de nosso mundo. Como cristãos, nós devemos simplesmente nos tornar amigos de nossos vizinhos muçulmanos, ouvir e aprender deles, e compartilhar o amor de nosso Salvador, por palavras e obras.


A maioria dos muçulmanos já
assimilou os ideais de direitos
humanos e democracia, no
entanto, eles também se tornaram
mais religiosos e conservadores ao
mesmo tempo.

A globalização impactou
profundamente os muçulmanos...


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