Angela Natel On sexta-feira, 8 de julho de 2011 At 06:28


por Zé Luís

Na calada da noite, o nobre religioso não se aguenta: apesar das severas críticas contra ao Rabi por seus amigos, Nicodemos vai até o Mestre. Ele secretamente discorda da opinião de seus colegas de teologia, o porquê nem ele entende.

“Se Ele for realmente quem desconfio que seja, como deixar de ter a oportunidade de ter um encontro com Deus em pessoa?” Pensando dessa forma, me admira que alguém não tenha ido ao seu encontro.

Houve ali um dialogo louco ao meu ver: o nobre fariseu faz perguntas, Jesus responde a outras. Nicodemus parece entender a resposta, mas não sabe como torná-la prática, já que enxerga com os olhos pragmáticos da Lei: “Como assim nascer de novo?” Ele pensava em úteros, placentas, maternidade. Esses eram os critérios que ele tinha para avaliar a resposta. Eram critérios medíocres mas satisfatório para seu meio social, que então, se julgava a elite da época.

“Como Moisés ergueu a serpente no deserto, convém que eu também o seja...” - disse o Cristo em seu discurso temporalmente incorreto. Ele sabia que falava pelo entendimento de sua “pátria” natal, onde o tempo não faz sentido, isso porque aquele homem se sentia habilitado a entender as coisas do céu por saber interpretar meia duzia de pergaminhos antigos.

Jesus se referia a seu destino quando citou Neustã, que como qualquer outro judeu da época, conhecia a história: Quando o povo hebreu, ainda no deserto, começou a repudiar o destino que Deus os havia imposto, os murmúrios e reclamações começaram, e se deram ao direito de buscar afasta-Lo de suas almas com repúdio. Um problema, já que afastavam de si mesmas a única coisa que mantinha o mal a distância. A brecha necessária para que venenosas serpentes se aproximassem e fizessem deles vítimas.

Eles souberam de imediato qual a causa daquela situação e não demorou a procurarem Moisés e lamentarem seu infortúnio. Ele então manda fazer uma serpente de bronze, e a pendura em um madeiro: “Aquele que olhar para a serpente, será curado...”

As pessoas, ao reconhecerem a culpa de seus atos, vinham até Neustã, e a contemplavam, sendo curados de imediato.

A serpente de Bronze, séculos depois
foi destruída por um rei bom daquele mesmo povo: Com o passar dos anos, foi criado um culto àquele objeto, e a idolatravam como deus, e a tratavam com a idolatria própria de um deus pagão.

Jesus também foi erguido em meio a um deserto de pessoas doentes pelo veneno que o mundo oferece. Ele está lá, no momento da história, para ser curado a todo que o contempla.

O grande problema é que se faz necessário saber a razão que nos leva a contemplar esse sacrifíco é simplesmente o reconhecimento de que o mal nos aflige é resultado deste mundo que nos deixamos submergir e isso deve nos levar diante da cruz, para sermos curados e voltar a vida.

Qualquer outra razão para prestarmos homenagens ao madeiro é pura idolatria, para ser destruída, desconstruída, arrasada pelo servo Dele, independente da opinião mais justificada ser contrária.

Neustã foi cura, depois virou pedra de tropeço. Cuidados não com ela, mas com a forma que a tornamos em nosso íntimo.

Necessário é manter a cruz dentro e destruir tudo que se faz ídolo morto.

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