Angela Natel On quinta-feira, 23 de junho de 2011 At 08:19

Um trecho do sermão “A Divine Cordial” (Um Tônico Divino)- 1663

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Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito. (Romanos 8:28)

3. O mal do ABANDONO coopera para o bem do piedoso.

O mal do abandono coopera para o bem. O cônjuge reclama da deserção. “Meu amado tinha se afastado, e tinha ido!” (Cantares 5:6). Há um afastamento duplo:

Ou em relação à graça, quando Deus suspende a influência de Seu Espírito, e retém as vívidas ações da graça. Se o Espírito se foi, a graça congela na frieza e na indolência.

Ou um afastamento com relação ao conforto. Quando Deus retém as doces manifestações de Seu favor, Ele não olha com um aspecto muito agradável — mas esconde Seu rosto, e parece estar bem distante da alma.

Deus é justo em todos Seus afastamentos. Nós O abandonamos antes que ele nos abandonasse. Nós abandonamos a Deus: quando deixamos de ter comunhão íntima com Ele; quando abandonamos Suas verdades e nos atrevemos a não aparecer a Ele; quando deixamos orientação e condução de Sua palavra, e seguimos a luz enganadora de nossas próprias afeições e paixões corruptas. Nós abandonamos a Deus primeiro; portanto, não temos ninguém para culpar senão nós mesmos.

O abandono é muito triste, pois, assim como quando a luz é retirada, as trevas seguem no ar, assim também quando Deus se retira, há trevas e sofrimento na alma. O abandono é uma agonia da consciência. Deus segura a alma sobre o inferno. “As flechas do Todo-Poderoso estão em mim, cujo ardente veneno suga o meu espírito” (Jó 6:4). Era um costume entre os persas em suas guerras, mergulhar suas flechas em veneno de serpentes para torná-las mais mortais. Assim fez Deus atirar as flechas envenenadas do abandono em Jó, sob as feridas as quais seu espírito deita ensanguentado. Em tempos de abandono, o povo de Deus está inclinado a desanimar-se. Eles contendem contra si mesmos, e pensam que Deus realmente os rejeitou. Portanto, eu receitarei algum conforto para a alma abandonada.

Quando o marinheiro não tem estrela para guiar-lhe — ele ainda tem luz em sua lanterna, que pode ajudá-lo a ver sua bússola; então, eu entregarei quatro consolos, que são como a lanterna do marinheiro, para dar alguma luz quando a pobre alma está navegando na escuridão do abandono e precisa da estrela da manhã.

(1). Somente os piedosos são capazes de sofrer abandono. Os perversos não sabem o que significa o amor de Deus — nem o que significa carecer dele. Eles sabem o que é carecer saúde, amigos, emprego — mas não sabem o que é carecer do favor de Deus. Você teme que você não seja filho de Deus porque está abandonado. O Senhor não pode retirar seu amor dos perversos, porque eles nunca o tiveram. Ser abandonado evidencia que você é um filho de Deus. Como você poderia reclamar que Deus se afastou, se nunca tivesse recebido algumas vezes sorrisos e sinais de amor vindos d’Ele?

(2). Pode haver a semente da graça, onde não há a flor da alegria. A terra pode carecer de uma safra de grãos — e ainda assim pode ter uma mina de ouro em seu interior! Um cristão pode ter a graça em seu interior, ainda que os doces frutos da alegria não cresçam. Embarcações no mar, que estão fartamente carregadas de joias e especiarias, podem estar na escuridão do abandono, e tão sacudidos que podem pensar que foram jogados na tempestade! Davi, em um estado de melancolia, ora: “Não retires de mim o teu Santo Espírito” (Salmo 51:11). Ele não ora , diz Agostinho, “Senhor, dê-me o teu Espírito”, mas “Não retires o teu Espírito”, de modo que ele ainda tinha o Espírito de Deus a permanecer dentro dele.

(3). Esses abandonos só duram um tempo. Cristo pode retirar-se, e deixar a alma por algum tempo — mas Ele virá novamente. “Com um pouco de ira escondi a minha face de ti por um momento; mas com benignidade eterna me compadecerei de ti” (Isaías 54:8). Quando a água está baixa, a maré subirá novamente. “Não me indignarei para sempre” (Isaías 57:16). A mãe sensível trata seu filho com ira; mas o tomará novamente em seus braços e irá beijá-lo. Deus pode pôr a alma de lado em ira; mas Ele a tomará novamente em seus abraços amorosos, e mostrará seu estandarte de amor sobre ela.

Por Thomas Watson. Original: A Divine Cordial By Thomas Watson

Tradução: voltemosaoevangelho.com

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