Angela Natel On quinta-feira, 14 de abril de 2011 At 08:26


Leitura bíblica: Lucas 11:1-4 e Mateus 6:9-13

A oração é difícil, consome nossos afazeres diários e pode ser tanto uma fonte de frustrações quanto de satisfação. No fundo, a oração é simples. É uma comunicação de amor com Deus. Tudo o que precisamos para orar é um coração aberto. Mas isso não significa que não haja tempos prolongados de oração, numa verdadeira batalha.

A boa notícia é que temos a Oração do Senhor. Os discípulos estavam lutando com a própria vida de oração. Depois de observar Jesus orar, um dos discípulos falou: “Senhor, ensina-nos a orar”. Para ajudá-los, Ele lhes deu uma oração que os cristãos chamam de “Pai Nosso” ou “A Oração do Senhor”.

Quando os discípulos ouviram, pela primeira vez, a oração que Jesus lhes dera, reconheceram-na, mas era algo diferente. Para verificarmos isso, precisamos observar a antiga oração judaica e, então, examinar como Jesus a complementou:

O KADISH DO JUDAÍSMO E O KADISH DE JESUS

Na época de Jesus, havia uma oração judaica chamada de Kadish (“A santificação”):

‘Exaltado e santificado seja seu nome no mundo por ele criado segundo sua vontade.

Que ele estabeleça seu reino durante sua vida, ao longo de todos os seus dias, e na vida de toda a casa de Israel, rapidamente e em um futuro próximo.

Amém.’

Essa prece litúrgica, que contém algumas similaridades notáveis com o ‘Pai Nosso’, é uma das preces prediletas de Jesus – tão predileta que ele se apropria dela.

Quando os discípulos pedem uma oração a Jesus, ele usa o Kadish e o complementa:

O Kadish do Judaísmo O Kadish de Jesus

Pai

Nome exaltado e santificado Nome santificado (não exaltado)

Reino estabelecido depressa Reino estabelecido (não depressa)

Pão

Perdão

Tentação

Amém (sem Amém, nada mais, porque todos

dizem mesmo assim)

Jesus revisou uma oração sagrada. Existem três mudanças básicas nessa revisão:

1) O ‘Pai Nosso’ começa com a palavra ‘Pai’ (Abba).

2) Jesus acrescenta três linhas (sublinhadas acima).

3) As linhas acrescentadas são transferidas de ‘teu’ para ‘nosso’.

Como resultado dessas alterações, a oração do ‘Pai Nosso’ tem duas partes: as petições relacionadas ao Senhor (teu, tua) e as petições referentes a nós (nosso, nossas, nos).

Petições referentes ao Senhor Petições referentes a nós

Santificado seja o teu nome Dá-nos hoje o pão de cada dia

Venha o teu Reino Perdoa as nossas dívidas

assim como...

Seja feita a tua vontade, assim na terra... E não nos deixes cair em tentação,

mas livra-nos do mal...

No Kadish do Judaísmo existe uma preocupação com Deus, mas no Kadish de Jesus há uma preocupação tanto com Deus quanto com os outros (o próximo). Assim, temos o seguinte:

Kadish do Judaísmo - petição pela glória de Deus

Kadish de Jesus – petição pela glória do Pai (Abba) e petição pelo próximo.

Esses últimos parágrafos nos mostram que a oração do ‘Pai Nosso’ tem duas partes: uma baseada no amor a Deus e a outra, no amor ao próximo.

A primeira característica diferencial da ‘Oração do Senhor’ é a ênfase em tratar Deus como Pai (Abba). Começamos a partir daqui: do amor cúmplice e confiante com nosso Abba. Amar Deus significa, em oração, chamá-lo de Pai.

Se amamos alguém, amamos o que essa pessoa ama. O plano de amor de Deus é honrar seu glorioso nome e concretizar sua vontade na terra. Ao meditarmos no Nome, no Reino e na vontade de Deus, estaremos preparados diariamente para desejar ardentemente o que Ele deseja.

Porém, Jesus não deixou o Kadish ser algo apenas referente a Deus. Ele também não quer que seja algo somente relacionado a mim. Se aprendermos a basear nossas orações no ‘Pai Nosso’, também aprenderemos a orar pelos outros. Não o fazemos para seguir uma rotina, mas pelo fato de que é isso o que acontece quando o amor ao próximo assume a forma de oração.

Ao basear nossas orações no ‘Pai Nosso’, desejaremos ardentemente que todos tenham provisão, recebam o perdão e sejam libertos da tentação. Isso significa que temos de nos preocupar que Deus invada a História, e isso quer dizer orar pelos outros para que tenham as provisões adequadas, pureza espiritual e estabilidade moral. Temos a tendência de orar pelos outros usando o que sabemos a respeito deles e do que precisam. Jesus propõe outro caminho: podemos começar com o que Ele deseja para eles. Ao usarmos o ‘Pai Nosso’, participamos dessa amável oração do Senhor por eles.

A oração não termina com o ‘Amém’, mas se põe de pé e caminha com nosso anseio edificado e posto em ação. A oração do ‘Pai Nosso’ é um compromisso de quem ora com os valores da Oração do Senhor. Frank Laubach disse: “(...) A oração do ‘Pai Nosso’ não se destina a pedir que Deus faça algo que desejamos. (...) A oração do Senhor não é intercessão, mas alistamento.”

E, segundo Breaux: “Ore pelo que deseja seu Abba; ore por aquilo de que o próximo necessita e viva o que Jesus crê.

Baseado em “O credo de Jesus” (Scot Mcknight) – Ed. Esperança.

Transcrito por Angela Natel – abril/2011.

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