Angela Natel On quinta-feira, 14 de abril de 2011 At 05:43



Roberta Lima


Muito se fala da santidade, genialidade, amor, carisma, milagres, liderança, ensino e diversas facetas que expressam a pessoa de Cristo, mas sinceramente pouco ouço falar da marginalidade de Jesus.


Parece até conflitante falar de Jesus e associarmos a palavra marginal ao mesmo, mas não há nenhuma conotação ofensiva nisto, pois se bem analisarmos os fatos: Jesus foi um marginal de sua época.


Antes de você me chamar de herege ou me xingar, acompanhe o raciocínio...


Jesus era um homem simples, de uma profissão simples [até ouso fazer o paralelo com um operário padrão de nossos tempos], morava na Galiléia, considerada uma cidade que não produzia expoentes divinos [João 7:52] e pertencia a um povo subjugado pelo Império Romano, sendo que sua nação estava bem distante do pulsante coração econômico da época.


Creio que esses fatores, por si mesmos, já colocariam Jesus à margem do mundo de sua época, mas o mesmo foi além e também se colocou à margem da religião de sua época...Parece até mesmo um contra-senso mas o filho de Deus era marginalizado pela religião.


Prova mais do que cabal de que religião e Deus realmente não devem se misturar, eu sei, é um paradoxo daqueles difíceis de serem digeridos por nossas mentes muitas vezes totalmente formatadas pela tradição religiosa.


Mas voltemos à marginalidade de Jesus...me salta aos olhos o seguinte trecho do evangelho de Lucas:



“Muitas vezes vinham cobradores de impostos (gente desonesta) e outras pessoas de má fama para ouvir os sermões de Jesus; com isso começaram diversas queixas dos líderes religiosos e dos estudiosos da lei judaica, porque Ele estava fazendo amizade com aquela gente baixa – e até comendo com eles.”
Lc 15: 1-2 [Biblia Viva]



Aos olhos dos religiosos da época era inadmissível a relação de Jesus com a “ralé” da sociedade, ter amizade e comer com pessoas desonestas, baixas e de má fama era algo surreal para as mentes farisaícas e legalistas de plantão.


Há outros trechos na bíblia que falam que o mesmo foi chamado de glutão, beberrão, amigo de pecadores [Lucas 7:34], enfim, meu querido Jesus não era portador de boa fama, escolheu frequentar a margem da sociedade, escolheu o caminho longe do academicismo, longe do clericalismo, longe dos holofotes, longe das classes abastadas na maior parte do tempo.


É tão interessante mas o filho de Deus, o Messias prometido, não veio travestido de vestes religiosas, comportamento tradicional ou amizades seletas. Algo que nossa mente engessada pela religiosidade muitas vezes não consegue vislumbrar, mas que é plenamente explicada pelas palavras de Paulo quando o mesmo diz aos coríntios que Deus escolheu as coisas loucas desse mundo para confundir as sábias, Deus escolheu as coisas fracas desse mundo para confundir as fortes e Deus escolheu as coisas vis, desprezíveis e as que NÃO SÃO para confundir aquelas que são...quer algo mais marginal do que essa passagem das escrituras? [1 Coríntios 1:27-28]


Ao pensar em tudo isso e olhar para a igreja, me pergunto: que caminhos temos trilhado? Onde está a marginalidade do povo que se auto-intitula como de Deus?


O mais comum é ouvir sermões que mais parecem discursos de auto-ajuda e que prezam pela formatação com o sistema de valores reinante, no qual o TER vem sempre antes do SER.



O mínimo que consigo concluir após tudo isso é: revisemos a rota, os rumos...busquemos a margem! Não nos importemos com nossas posições, qualificações e até mesmo convicções pessoais, mas busquemos aquilo que o Mestre buscava: os pequeninos, os esquecidos e marginalizados para que também possamos ouvir Dele naquele dia: tive fome e me deste de comer, estava preso e foste ver-me, estava nu e me vestiste, estive com sede e me deste de beber [Mateus 25:35-36].

Frisando que nem sempre a sede será de água, a fome de pão, a nudez de roupas e a prisão de algemas...eis um desafio!




Roberta Lima é uma das superpoderosas do Genizah e do Meninas do Reino


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