Angela Natel On domingo, 6 de março de 2011 At 06:49


POR WILLIAM MAZZA

Essa é a minha “tradução” para a parábola do “filho pródigo” (Lucas 15: 11-32). Confesso que nunca gostei desse título, pois a figura central da estória é o pai amoroso, não o filho caçula, mas não adianta querer lutar contra tradições tão enraizadas. Vamos lá. Entendo que se Jesus contasse essa parábola hoje, diria o seguinte:

“Numa certa família muito rica, o caçula pediu algo absurdo: ‘quero minha parte na herança, antecipadamente e agora!’. Mesmo sendo algo sem pé nem cabeça, o pai resolveu atender ao pedido. Somou suas posses, viu quanto cada filho teria de direito, e vendendo algumas propriedades, antecipou a parte do caçula emcash, mesmo ainda gozando perfeitas condições de saúde. Assim, o fanfarrão foi curtir a vida na maior, e deixou o pai arrasado.

Totalmente despreparado para administrar o dinheiro, o jovenzinho torrou tudo com bebidas, drogas e mulheres, e, em um ano ficou sem a grana. Pobretão, entretanto, todos se afastaram. Por piedade, algumas prostitutas o deixaram trabalhando no seu outrora bordéu preferido, mas ganhando apenas o suficiente para comer e ter uma cama. Foi humilhado pelos clientes e ex-colegas do local na mesma proporção de sua estupidez. Mas em um raro momento de lucidez pensou: ‘Caramba! Os empregados do meu pai vivem de maneira muito mais digna do que a minha. Eu tinha de tudo, mas jamais dei valor. Vou voltar e pedir perdão, mesmo que ele nunca mais queira olhar na minha cara, pois não tenho nada a perder.’.

Ao voltar e ser anunciado ao pai, esse veio correndo para abraçar seu filho mais novo. Chamou todos os amigos e mandou fechar a melhor churrascaria da cidade para dar uma festa ao recém-chegado. Contudo, ao ouvir isso, o irmão mais velho ficou furioso e foi tirar satisfação com o pai: ‘Que palhaçada é essa? Sempre fui um cara certinho, mas o senhor nunca fez nem um churrasquinho sequer para mim e para meus amigos. Agora, chega esse maluco que torrou toda a grana da família, e o senhor o recebe como a um herói?!’ Assim, o pai respondeu: ‘Ah! Meu filho, que ciúmes bobo! Não existe nada meu aqui, pois tudo é nosso! Faça quantas festas você quiser. Quanto a seu irmão, eu pensei que já estivesse morto, mas graças a Deus, ele retornou e está muito arrependido. Ele aprendeu a lição e vai ficar conosco para sempre agora! Alegre-se.’ ”

Moral da estória: um coração arrependido pode obter perdão, mesmo depois de grave ofensa.

Como disse, o personagem central da parábola é o pai, que representa Deus, é claro. Todos nós somos como o filho caçula: rebeldes, ingratos e pseudo-independentes. E os presunçosos são como o filho mais velho. Jesus tem dois objetivos a mostrar: bondade e arrependimento. Deus é bondoso tanto com o ingrato, quanto com o invejoso. Ele está disposto a perdoar aquele que se arrepende. Veja que o pai não foi buscar o filho mais novo, mas o recebeu de braços abertos quando retornou. Muito coerente com o que Jesus diz em outra passagem “aquele que vier a mim, de maneira nenhuma o lançarei fora”. Contudo, a chave para entender essa parábola é o arrependimento do filho. Se tivesse voltado para pegar mais uma graninha emprestada, certamente iria lidar com a dureza do pai. Isso não ocorreu por causa de sua atitude humilde.

A figura do filho mais velho representa a dos religiosos de plantão. Vivem ao lado do Pai, mas não o conhecem. Tanto é verdade, que o rapaz fica bravo com a bondade do pai, pois nem mesmo imagina o tamanho do seu grande coração. São insossos porque nunca “necessitaram” do perdão de ninguém, já que não pecam. Além disso, mostram que a convivência com o pai é distante, na medida em que nunca estão felizes, nem comemorando nada, pois levam uma vida sem direito ao lazer, provavelmente, por achar que divertir-se é pecado. Cuidado para não replicar esse modelo de chatice aguda.

A próxima parábola a ser analisada é a “do rico e do Lázaro” (Lucas 16: 19-31). Não deixe de votar e escolher a próxima. Até mais.


http://lombel.com.br/bereiablog/?p=1167

0 comentários:

Liberdade de Expressão


É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se:
“é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença"(inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da"argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.