Angela Natel On sábado, 12 de março de 2011 At 04:33





Por Leonardo Gonçalves

Hoje pela manhã uma tragédia horrível abateu a costa do Japão: Um terremoto de 8.9 seguido de um Tsunami destruiu cidades e casas, deixou aproximadamente 300 mortos e outras 300 pessoas feridas, número que pode aumentar nas próximas horas.

De manhã, Jonara ligou para a Carla, uma amiga que mora no Japão. Na conversa, ela contou que o terremoto durou cerca de 3 minutos, mas que o epicentro estava longe da sua cidade, e apesar do susto ela estava bem. Infelizmente, centenas de pessoas não tiveram a mesma sorte e se encontram agora debaixo dos escombros desta terrível catástrofe.

Nas redes sociais, especialmente no twitter, líderes religiosos expunham suas crenças e atacavam as crenças opostas. Por um lado, os defensores do open theism (ou teísmo aberto) e os adeptos da teologia relacional teclavam frases que podem ser sintetizada como: “Deus não sabia; ele foi pego de surpresa”. Do outro lado, alguns calvinistas pareciam fazer questão de deixar claro que o Tsunami foi obra do Deus soberano. Só faltou mesmo o senhor “Severo” para colocar a culpa na idolatria milenar do povo japonês, afirmando ser esta a grande responsável pelo tsunami, pelo terremoto e pelas centenas de mortes no Japão.

Diante de tudo isso, me pergunto qual deve ser a posição do cristão diante desta catástrofe? Devemos aproveitar o momento para discutir teologia? Devemos nos esforçar para criar uma teologia sistemática acerca da dor? Será que é hora de que se levantem os “advogados” de Deus com seus discursos melancólicos para afirmar sua inocência? Seria o tempo apropriado para que nós, calvinistas bíblicos, bradarmos a justiça punitiva de Deus no terremoto?

A resposta a que chego é que este é um momento inapropriado para os teólogos. E me refiro a todos eles. Não creio que o discurso relacional sobre uma divindade oca e movediça possa ajudar aqueles que precisam de uma rocha firme onde se apoiar neste tempo de calamidade. Um Deus que nada pode fazer pelo Japão é tudo o que os japoneses não precisam. Mas também creio que o discurso ortodoxo-fundamentalista que afirma que Deus estava presente ativamente no terremoto pode levar a confusão e dificilmente produzirá conforto.

Assim, acho que a discussão neste momento não é de teologia, mas de praxis. O mundo se pergunta onde está Deus em meio a este tão grande sofrimento: A resposta de Deus é (e sempre será) a ação da igreja, embaixadora do seu Cristo e seu corpo místico à serviço do mundo.

Redundo: Um Deus relacional oco em poder que é incapaz de intervir na situação dos japoneses não é o que precisamos! E um Deus soberano que em sua soberania não impulsiona seus filhos a servirem em amor às vítimas de tais calamidades também não é útil. Deixemos de inconveniências e oremos pelos japoneses.


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