Angela Natel On sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011 At 06:12


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Por Pb. Wanderley Santana
Presbítero da Assembléia de Deus – Belém em Birigui/SP
Publicado originalmente em: Pb. Wanderley Santana


Paradoxo ”é uma declaração aparentemente verdadeira que leva a uma contradição lógica, ou a uma situação que contradiz a intuição comum. Em termos simples, um paradoxo é o oposto do que alguém pensa ser a verdade. Os “paradoxos bíblicos” seriam algo do tipo: Jesus é 100% homem e 100% Deus; Deus é soberano e o homem é responsável etc.

• Se Deus é Todo-Poderoso, Ele pode criar uma pedra que Ele mesmo não possa carregar?
• Deus pode criar um circulo quadrado?
• Deus pode criar alguém que seja mais poderoso que Ele?

Estes são alguns exemplos de paradoxos famosos que alguns usam para “demonstrar” que o Deus Todo-Poderoso não existe.

Quando olhamos para a pergunta, imediatamente tiramos a conclusão: Deus não é Todo-Poderoso. Por quê? Bem, se ele pode criar uma pedra, mas NÃO pode carregá-la, então Ele não é Todo-Poderoso. Por outro lado, se Ele NÃO pode criar tal pedra, Ele também NÃO é Todo-Poderoso. Parece que estamos num dilema insolúvel. Apenas parece…

Há, no mínimo, quatro problemas na pergunta que se entrelaçam: dois de caráter lógico (da matéria Lógica, não de “obviedade”) e dois de caráter teológico.

Problemas Lógicos:

Contradição: Este é o mais óbvio. É o que constitui o paradoxo. E a contradição se dá por causa dos termos “Todo-Poderoso” (supondo que signifique “pode tudo”) e o “não pode”. Afirma-se que Deus “pode tudo” e, ao mesmo tempo, afirma-se que ele “não pode”. Em outras palavras, afirma-se que Deus “pode tudo” e simultaneamente nega-se que Deus “pode tudo”. A frase, por si só, não faz o menor sentido. É como se eu dissesse que “minha cachorrinha Pitukinha é um gato”. Não faz sentido. Afirma-se que a Pitukinha é uma cachorrinha e simultaneamente nega-se que ela é uma cachorrinha. É uma contradição: ela não pode ser uma cachorrinha E um gato ao mesmo tempo e no mesmo sentido.

Falácia Lógica:

Uma falácia “é um argumento logicamente inconsistente, sem fundamento, inválido ou falho na capacidade de provar eficazmente o que alega”. Em outras palavras é um erro lógico que contamina a validade de um raciocínio. Por exemplo:

(Premissa 1) Todo gato é mamífero.
(Premissa 2) A Pitukinha é um mamífero.
(Conclusão) A Pitukinha é um gato.

O argumento acima é falacioso, pois, apesar das duas premissas serem verdadeiras a conclusão é falsa. Existem outros mamíferos além de gatos. Um animal ser mamífero não é suficiente para caracterizá-lo como gato! A Pitukinha é, de fato, um mamífero, mas ela é uma cachorrinha!

A falácia que ocorre em “Deus e a pedra” é dizer que Deus “carrega” a pedra. A frase pressupõe que as forças físicas (peso, gravidade etc.) podem limitar o poder de Deus. Ora, Deus é espírito, imaterial, incorpóreo. Ele não tem dimensões físicas (altura, largura, profundidade etc.) e não é limitado por elas. Ele mesmo as criou. Não é correto dizer que Deus possa “carregar” a pedra, como se esta exercesse alguma influência física em Deus ou que Deus usa seus músculos para tentar levantar uma pedra pesada. As categorias físicas não são aplicáveis a Deus.

É como se eu perguntasse a Pitukinha: tem quantos Megabytes? Não faz sentido. As categorias da informática não são aplicáveis à Pitukinha.

Problemas Teológicos:

Má compreensão da Onipotência divina: Deus ser “Todo-Poderoso” não significa que Deus é “Todo-Poderoso-Absurdo”. Em outras palavras, Deus não faz algo que contradiga, ou seja, inconsistente com sua própria natureza, por exemplo: Deus não pode pecar, Deus não pode deixar de ser Deus.

A Onipotência divina não implica que Deus possa “fazer todo tipo de coisas inerentemente contraditórias entre si”. Dessa forma, Deus não pode criar um “círculo-quadrado” por ser um conceito autocontraditório, uma impossibilidade lógica. “Não existe em Deus um poder absoluto divorciado de suas perfeições divinas”.

O propósito de Deus: Deus sempre faz algo com um propósito. “O SENHOR fez todas as coisas para determinados fins e até o perverso, para o dia da calamidade” (Pv 16.4). Se Ele cria uma pedra, não importa quão pesada ela seja, Ele tem uma finalidade para ela. E, como vimos, não pode ser o de “carregá-la”. O fim supremo e principal de todas as ações de Deus é glorificar a si mesmo. A pedra criada tem esta mesma finalidade: a glória de Deus.

Fonte: [ Mantendedor da Fé ]


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