Angela Natel On domingo, 31 de outubro de 2010 At 15:49

A cada dia, os meios de comunicação tem pulverizado informações, conceitos e modismos que muitas vezes são absorvidos por nossas mentes, de uma forma sutil, sem que percebamos. Através de seriados e programas, temos sido aguçados na curiosidade, a conhecermos outras "religiões" e a praticarmos rituais para a nossa "purificação". Algumas séries de Tv ensinam aos nossos jovens que ser descolado é praticar e conhecer ocultismos e exoterismos. Veja abaixo uma das práticas que tem influenciado e muito os jovens: A Wicca.


Wicca - A feitiçaria chique...

Dr. Samuel Fernandes Magalhães Costa

Extraído da revista Chamada da Meia-Noite, maio de 2003

"Amado, não imites o que é mau, senão o que é bom. Aquele que pratica o bem procede de Deus; aquele que pratica o mal jamais viu a Deus" (3 João 11).

Fiquei sabendo de uma festa de aniversário de uma pré-adolescente, filha de um grã-fino da alta sociedade inglesa, em que o tema foi "a feitiçaria". "Chique, não é mesmo?", sentenciavam alguns convidados.

Fiquei curioso e li mais sobre a matéria: muitos estavam fantasiados de personagens de vários seriados de TV, que defendem a bruxaria, outros de monstros e, claro, de Harry Potter e sua turma. Era tudo em um estilo elegante e havia até "zumbis". Não, não, a festa não ocorreu em uma santería cubana, nem em um terreiro de candomblé brasileiro e, tampouco, em uma casa de vodu haitiano. Esse fetichismo infantil foi realizado em uma casa luxuosa em Londres, com direito até a manobrista à porta para estacionar os carrões dos figurões que traziam seus filhos.

Hoje em dia, os feiticeiros estão presentes em inúmeros lugares: fantasiados nas ladeiras da cidade de Olinda durante o carnaval, nas telinhas das TVs e nos protestos globalizados pela paz mundial. Eles estão lá... muitas vezes tímidos freqüentadores de covens (grupos de pessoas que estudam e praticam a bruxaria) em sítios distantes dos centros urbanos. Outras vezes, exibidos e provocando aqueles que passam ao largo (com a mesma desenvoltura das prostitutas do "Bairro da Luz Vermelha", em Amsterdã).

A visibilidade deles se traduz como um novo status social – o da "feitiçaria chique"!

Em nossos dias, fetiches marcam culturalmente a identidade dos nossos adolescentes, mas afetam também suas vidas espirituais em pelo menos dois aspectos:

1. Familiarizando-se com o paganismo

Nossos adolescentes passaram a ser indiretamente apresentados ao ocultismo. Por exemplo, no livro e no filme Harry Potter e A Pedra Filosofal, aparece um cachorrão de três cabeças chamado "Fofo", que protege a entrada de uma câmara onde está contida a pedra filosofal. Qualquer um pode até presentear crianças com esse "Fofo" – ele está à venda, em pelúcia, em várias lojas nos shopping centers. As crianças podem levá-lo para casa e até dormir com ele nas suas próprias camas.

Coincidência ou não, na mitologia grega somos apresentados a "Cerberus", também um cachorrão de três cabeças que protege a entrada do Hades. Ambos, "Fofo" e "Cerberus", ficam calmos ao som de música. Nossos adolescentes, quando estudarem sobre "Cerberus", na mitologia grega, vão se lembrar do "Fofo" de Harry Potter. "Cerberus", porém, mata pessoas e não é, de forma alguma, uma criatura agradável. Chique? Claro que não. Tenebroso? Sim senhor!

A Bíblia nos adverte sobre o perigo de confundir o que é reto e luminoso com o que é perverso e escuro:"Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!" (Isaías 5.20).

2. Criando fantasias pagãs no imaginário das adolescentes

A cultura adolescente está sendo bombardeada pela bruxaria. Antes mesmo de surgir Harry Potter, elas já podiam assistir o filme Jovens Bruxas (1996). Ele tratava de jovens bruxas colegiais que acabam brigando entre si – é a "boa" contra a "má" bruxaria. Segundo a Bíblia, porém, bruxaria é sempre bruxaria, independente de ser "boa" ou "má", e é algo que devemos evitar.

Se a adolescente possui televisão a cabo, aí mesmo é que ela pode ser influenciada ou iniciada diariamente na feitiçaria e no modo de vida da wicca (nome moderno da bruxaria). Há vários seriados onde as heroínas são bruxas adolescentes bonitas e agradáveis: Sabrina, Aprendiz de Feiticeira; Charmed; Buffy, a Caça-Vampiros, entre outros.

"Ser bruxa é chique e legal", fantasiam nossas adolescentes após assistirem tais seriados. Muitas vezes querem imitá-las, procuram mudar de identidade para serem mais aceitas pela sua turma, entusiasmam-se e passam a ler mais e a estudar com afinco sobre a wicca. Ninguém precisa mais caçar bruxas, elas estão na nossa vizinhança e, às vezes, na nossa própria família. Muitas crianças estão cegas e sendo iniciadas prematuramente no paganismo através de filmes, jogos, modas, TV, internet e muitos livros de incentivo à bruxaria.

Conclusão

Satanás é um vampiro da psique humana. Ele nos seduz, ilude e depois mata. Na Bíblia Sagrada, feitiçaria é uma espiritualidade associada às obras da carne e jamais à vida no Espírito. Lemos:"não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam"(Gálatas 5.20-21).

Portanto, é das mentes dos nossos adolescentes que o inimigo quer se apossar. O Diabo quer desestabilizar a lucidez espiritual dos nossos jovens e plantar nas mentes mais frágeis o interesse, ainda que aparentemente ingênuo, pela "chiquérrima" espiritualidade wiccana.

Assim sendo, cientes de que nossos filhos podem estar sendo indiretamente aprendizes de feiticeiros e que estamos vendo uma nova geração de cananeus chiques surgindo no planeta, não temos tempo a perder!

Inculquemos nas nossas mentes e nas dos nossos filhos o amor genuíno por Deus e, "finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe os vosso pensamento" (Filipenses 4.8)

Deus nos abençoe.

Fonte: VINACC

http://www.cemabrasil.org/2010/10/voce-ja-ouviu-falar-em-wicca.html

Angela Natel On At 12:00
Por Renato Vargens

Em um ambiente marcado por poucas luzes, ao som de muitothrash metal, numa decoração onde abóboras se fazem presentes, dezenas de jovens vestidos de preto, dançam efusivamente naquilo que denominam de Festa de Elohin, vulgarmente conhecido como Halloween Gospel.

Ficou surpreso? Pois é, eu também! Parece que alguns dos evangélicos continuam teimando em se superar quanto as suas invencionices.

Infelizmente em nome da espiritualidade e do gospel, a fé bíblica-cristã tem sido comercializada de modo escandaloso. Ah! Preciso lhe confessar uma coisa: Estou cansado dessa coisa denominada “Gospel”! Estou farto de gente que se locupleta em nome de Deus! Estou cansado do mercantilismo evangélico, da prosperidade desprovida da ética, bem como dos profetas mercadores dessa geração.

Prezado leitor, sem sombra de dúvidas, as sandices cometidas por alguns que tomam o nome de Deus, nos deixam profundamente envergonhados. Ora, é imprescindível que entendamos que do ponto de vista bíblico não se é possível misturar o santo com o profano, até porque, o que está por trás do Halloween são pressupostos absolutamente demoníacos, os quais se contrapõem veementemente a todo conceito evangélico-cristão.

Por favor, pare e pense comigo:

“Os celtas acreditavam que na noite de 31 de outubro as leis do tempo e do espaço eram suspensas. Nesta data comemorava-se o ano novo dos feiticeiros. Por causa disto, os espíritos vagavam soltos e os mortos visitavam seus antigos lares para exigirem comida. Havia também no fim de outubro o festival da colheita, conhecido como "Samhain", também chamado de "O Senhor dos mortos", onde se faziam grandes fogueiras para assustar os espíritos. Para que estes fossem embora, as pessoas saiam pelas ruas carregando velas acesas e nabos esculpidos com rostos humanos, vestidos de modo mais assustador possível. Nos Estados Unidos o Halloween chegou no século 19, e o nabo foi substituído pela abóbora, fruto mais comum que o primeiro. Tanto o nabo quanto a abóbora são símbolos de imortalidade e juntando-se ao preto que significa a morte em muitas culturas, fazem o par perfeito para o ritualismo macabro e demoníaco. Na década de 20 a antiga tradição virou brincadeira e hoje é uma das principais festas do país. Crianças saem fantasiadas pelas ruas batendo nas portas, dizendo "trick or treat" literalmente travessuras ou bons tratos, para ganhar doces, tudo isto nos dia das bruxas.”

Com esse
background histórico lhe pergunto: O que o santo evangelho de Cristo tem haver com isso? Claro que nada.

Amados, 31 de outubro não é dia para se comemorar ou celebrar o Halloween dos
“evangeli-wicca, antes pelo contrário, esta data obrigatoriamente deveria remeter-nos aos idos de 1517, quando o monge alemão Martinho Lutero afixou às portas do castelo de Wittenberg as 95 teses denunciando as indulgências e os excessos da Igreja Católica, dando inicio a Reforma Protestante.

31 de outubro se aproxima e com ele a possibilidade de refletirmos a luz da história sobre o significado e importância da Reforma. Acredito piamente que os conceitos pregados pelos reformadores precisam ser resgatados e proclamados a quantos pudermos, até porque, somente assim, poderemos novamente sair deste momento preocupante e patológico da Igreja evangélica.

Uma nova reforma Já!

Soli Deo Gloria,

Angela Natel On At 04:16

"É preciso exortar os fiéis a entrarem no céu por meio de muitas tribulações, em vez de descansarem na segurança de uma falsa paz" - 95ª tese.

Há 478 anos, no dia 31 de Outubro de 1519, Martinho Lutero fixou suas famosas teses (total de 95) contra a venda de indulgências, na porta da Igreja Católica do Castelo de Wittenberg, na Alemanha, contrariando os interesses teológicos e, principalmente, económicos da Igreja Católica. O impacto foi tamanho, que se comemora nessa data o início da Reforma Protestante.
Lutero não foi, como alguns pensam, o fundador de uma nova religião, o protestantismo. A Reforma Protestante, da qual foi impulsionador, foi além do movimento da libertação nacional, que resultou na formação de igrejas nacionais entre os anos de1517 a 1563. Foi, sem dúvida, o grande precursor da liberdade religiosa actual e quem mais contribuiu para um retorno do cristianismo às Escrituras.
Para não admitir suas falhas, são diversas as acusações da Igreja Católica a Lutero, de louco a rebelde orgulhoso.

A preparação para a Reforma
No decorrer dos séculos, desde os tempos de Cristo, tem havido um desvio daquilo que Jesus ensinou. Sempre se levantaram vozes em defesa da pureza do Evangelho.
Apesar do zelo, sempre existiram aqueles que se desviavam, trazendo para dentro da Igreja práticas de outras religiões. Esses desvios, a princípio em número reduzido, foram aumentando a ponto de paganizar a Igreja, transformando-a no que conhecemos hoje por Igreja Católica.
No começo, foi apenas a inclusão da hierarquia onde o papa era o líder supremo; depois vieram o baptismo para a salvação, a adoração de santos, e outros, atingindo um patamar tal, que por volta do século XIV, a Igreja Católica estava completamente envolvida no paganismo. Daí a salvação passou a ser comercializada como qualquer outro objecto.
Enquanto o cristianismo romano se paganizava, muitas pessoas às quais o nome "cristão" fora negado, lutavam para que a Igreja retornasse aos princípios do Novo Testamento. Entretanto, ela já havia se institucionalizado, e esses reformadores passaram a ser acusados de hereges. Geralmente eram expulsos de suas congregações e perseguidos, pagando, muitas vezes com a vida, pelo zelo cristão.
Até o século XIV, os protestos dessas pessoas foram abafados; porém com o advento de uma nova mentalidade, que deu origem às transformações políticas, sociais, científicas, literárias e mais, foram sendo notados. Naquele período, as grandes descobertas marítimas, a invenção da imprensa, a descoberta do maravilhoso mundo clássico da literatura e arte, até então perdidos, produziram um despertar da natureza humana, que se processou de forma intensa e geral. Esse período ficou conhecido como Renascença, movimento que produziu a energia necessária para a revolução religiosa que se daria no século XVI.
O grande nome dessa revolução religiosa foi Martinho Lutero, monge agostiniano. que, revoltado contra a venda de indulgências, levantou a bandeira da liberdade religiosa frente à corrompida Igreja Católica.

Peregrinação espiritual
Lutero nasceu em 1483, em Eisleben, Alemanha, onde seu pai, de origem camponesa, trabalhava em minas. A sua infância não foi feliz. Seus pais eram extremamente severos. Durante toda a sua vida foi prisioneiro de períodos de depressão e angústia profunda, quando aspirava pela salvação de sua alma.
Em 1505, antes de completar 22 anos, ingressou - contra a vontade de seu pai, que sonhava com a carreira de advogado para ele - no mosteiro Agostinho de Erfurt. Dos motivos que o levaram a tal passo, esse acontecimento foi decisivo: duas semanas antes, quando sobremaneira o temor da morte e do inferno o afligia, prometeu a santa Ana caso se salvasse se tornaria um monge. Portanto, a razão principal, foi o seu interesse pela própria salvação.
Ingressou no mosteiro como filho fiel da Igreja no propósito de utilizar os meios de salvação que ela lhe oferecia e dos quais o mais seguro lhe parecia o monástico. Acreditava que, sendo um sacerdote, as boas obras e a confissão seriam as respostas para suas necessidades, almejadas desde a infância. Mas não bastava.
Embora tentasse ser um monge perfeito - repentinamente castigava seu corpo, a conselho de seu superior - tinha consciência de sua pecaminosidade e cada vez, por isso, tratava de sobrepor-se a ela. Porém, quanto mais lutava contra esse sentimento, mais se apercebia de que o pecado era muito mais poderoso do que ele.
Frente a essa situação desesperadora, o seu conselheiro espiritual recomendou que lesse as obras dos místicos, mas não adiantou; então, foi proposto que se preparasse para dirigir cursos sobre as Escrituras na Universidade de Wittenberg.

A grande descoberta
É certo que, quando se viu obrigado a preparar conferências sobre a Bíblia, Lutero começou a ver nelas uma possível resposta para suas angústias.
Em 1513, começou a dar aulas sobre Salmos, os quais interpretava cristologicamente. Neles, era Cristo quem falava. E assim, viu Cristo passando pelas angústias semelhantes às que passava. Esse foi o princípio de sua grande descoberta, que aconteceu provavelmente em 1515, quando começou a dar conferências sobre a Epístola aos Romanos. Lutero confessou que encontrou resposta para as suas dificuldades, no primeiro capítulo dessa Epístola.
Essa resposta, no entanto, não veio facilmente. Não ocorreu de um dia para outro. A grande descoberta foi precedida por uma grande luta e uma amarga angústia.
O texto básico é Romanos 1.17, no qual é dito que o Evangelho é a revelação da justiça de Deus, e era precisamente essa justiça que Lutero não podia tolerar e dizia que odiava a frase "justiça de Deus". Nela, esteve meditando dia e noite para compreender a relação entre as duas partes do versículo que diz "a justiça de Deus se revela no evangelho", e conclui dizendo que "o justo viverá pela fé".

O protesto
A resposta foi surpreendente. Lutero concluiu que a justiça de Deus, em Romanos 1.17. não se refere ao fato de que Deus castigue os pecadores, mas ao fato de que a justiça do justo não é obra sua, mas dom de Deus. Portanto, a justiça de Deus só tem quem vive pela fé: não porque seja em si mesmo justo ou porque Deus lhe dê esse dom, mas por causa da misericórdia de Deus que, gratuitamente, justifica o pecador desde que este creia.
A partir dessa descoberta, a justiça de Deus não passou mais a ser odiada; agora, ela tornou-se em uma frase doce para sua vida. Em consequência as Escrituras passaram a ter um novo sentido para ele. Inconformado com a Igreja Católica, Lutero compôs algumas teses, que deveriam servir como base para um debate académico.
Naquele período, teve início, por ordem do papa Leão X, a venda de indulgências por Tetzel, através da qual o portador tinha a garantia de sua salvação. Não concordando com a exploração de seus compatriotas, Lutero fixou suas famosas 95 teses na porta da Igreja (local utilizado para colocar informações da universidade) do Castelo de Wittenberg.
As teses foram escritas acaloradamente com sentimento de indignação profunda, mas com todo o respaldo Bíblico. E além do mais. ao atacar a venda de indulgências, colocava em perigo os projectos dos exploradores, dentre eles, a ganância do papa Leão X em arrecadar dinheiro suficiente para terminar a construção da Basílica de São Pedro. Os impressos despertaram o povo e produziram um sentimento de patriotismo, o que facilitou a Reforma na Alemanha.
A importância de Lutero para o protestantismo moderno não deve ser esquecida. Foi ele quem teve mais sucesso na investida contra Roma. Foi ele o grande bandeirante da volta às Escrituras como regra de fé e prática. Foi um dos poucos homens que alterou profundamente a História do mundo. Através do seu exemplo, outras pessoas seguiram o caminho da Reforma em seus próprios países, e em poucos anos quase toda a Europa havia sido varrida pelos ventos reformadores.
Lutero foi responsável por três pontos básicos do protestantismo actual: a supremacia das Escrituras sobre a tradição; a supremacia da fé sobre as obras; e a supremacia do sacerdócio de cada cristão sobre o sacerdócio exclusivo de um líder. Humanamente falando, deve-se a Lutero um retomo à leitura da Bíblia.

A Contra-Reforma e os jesuítas
Lutero teve de enfrentar o tremendo poderio da Igreja Católica que, imediatamente organizou a Companhia de Jesus (jesuítas) para atacar a Reforma. Vide o juramento dos jesuítas (livro Congregacional de Relatórios, página 3.362) que em resumo, diz: "Prometo na presença de Deus e da Virgem Maria e de ti meu pai espiritual, superior da Ordem Geral dos Jesuítas... e pelas entranhas da Santíssima Virgem defender a doutrina contra os usurpadores protestantes, liberais e maçons sem hesitar. Prometo e declaro que farei e ensinarei a guerra lenta e secreta contra os hereges... tudo farei para extirpá-los da face da terra, não pouparei idade, nem sexo, nem cor... farei arruinar, extirpar, estrangular e queimar vivo esses hereges. Farei arrancar seus estômagos e o ventre de suas mulheres e esmagarei a cabeça de suas crianças contra a parede a fim de extirpar a raça.Quando não puder fazer isso publicamente usarei o veneno, a corda de estrangular, o laço, o punhal e a bala e chumbo. Com este punhal molhado no meu sangue farei minha rubrica como testemunho! Se eu for falso ou perjuro, podem meus irmãos, os Soldados do Papa cortar mãos e pés, e minha garganta; minha barriga seja aberta e queimada com enxofre e que minha alma seja torturada pelos demónios para sempre no inferno!".
Preocupada em conter o avanço dessas ideias, a igreja Romana iniciou através do Tribunal da Santa Inquisição a perseguição mais infame e sangrenta da história, onde, no caso da França, numa única noite, chamada de "Noite de São Bartolomeu", três mil protestantes foram assassinados e seus corpos jogados nas ruas francesas, com as bênçãos católicas. Muitos jesuítas, tais quais espiões, levaram os ditos "hereges" às mais variadas torturas, até a morte.

EIS AS 95 TESES DE MARTINHO LUTERO
Movido pelo amor e pelo empenho em prol do esclarecimento da verdade discutir-se-á em Wittemberg, sob a presidência do Rev. padre Martinho Lutero, o que segue. Aqueles que não puderem estar presentes para tratarem o assunto verbalmente conosco, o poderão fazer por escrito. Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

1ª Tese
Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: Arrependei-vos...., certamente quer que toda a vida dos seus crentes na terra seja contínuo arrependimento.
2ª Tese
E esta expressão não pode e não deve ser interpretada como referindo-se ao sacramento da penitência, isto é, à confissão e satisfação, a cargo do ofício dos sacerdotes.
3ª Tese
Todavia não quer que apenas se entenda o arrependimento interno; o arrependimento interno nem mesmo é arrependimento quando não produz toda sorte de modificações da carne.
4ª Tese
Assim sendo, o arrependimento e o pesar, isto é, a verdadeira penitência, perdura enquanto o homem se desagradar de si mesmo, a saber, até a entrada desta para a vida eterna.
5ª Tese
O papa não quer e não pode dispensar outras penas, além das que impôs ao seu alvitre ou em acordo com os cânones, que são estatutos papais.
6ª Tese
O papa não pode perdoar divida senão declarar e confirmar aquilo que Já foi perdoado por Deus; ou então faz nos casos que lhe foram reservados. Nestes casos, se desprezados, a dívida deixaria de ser em absoluto anulada ou perdoada.
7ª Tese
Deus a ninguém perdoa a dívida sem que ao mesmo tempo o subordine, em sincera humildade, ao sacerdote, seu vigário.
8ª Tese
Canones poenitendiales, que não as ordenanças de prescrição da maneira em que se deve confessar e expiar, apenas aio Impostas aos vivos, e, de acordo com as mesmas ordenanças, não dizem respeito aos moribundos.
9ª Tese
Eis porque o Espírito Santo nos faz bem mediante o papa, excluído este de todos os seus decretos ou direitos o artigo da morte e da necessidade suprema
10ª Tese
Procedem desajuizadamente e mal os sacerdotes que reservam e impõem aos moribundos poenitentias canonicas ou penitências para o purgatório a fim de ali serem cumpridas.
11ª Tese
Este joio, que é o de se transformar a penitência e satisfação, Previstas pelos cânones ou estatutos, em penitência ou penas do purgatório, foi semeado quando os bispos se achavam dormindo.
12ª Tese
Outrora canonicae poenae, ou sejam penitência e satisfação por pecadores cometidos eram impostos, não depois, mas antes da absolvição, com a finalidade de provar a sinceridade do arrependimento e do pesar.
13ª Tese
Os moribundos tudo satisfazem com a sua morte e estão mortos para o direito canônico, sendo, portanto, dispensados, com justiça, de sua imposição.
14ª Tese
Piedade ou amor Imperfeitos da parte daquele que se acha às portas da morte necessariamente resultam em grande temor; logo, quanto menor o amor, tanto maior o temor.
15ª Tese
Este temor e espanto em si tão só, sem falar de outras cousas, bastam para causar o tormento e o horror do purgatório, pois que se avizinham da angústia do desespero.
16ª Tese
Inferno, purgatório e céu parecem ser tão diferentes quanto o são um do outro o desespero completo, incompleto ou quase desespero e certeza.
17ª Tese
Parece que assim como no purgatório diminuem a angústia e o espanto das almas, nelas também deve crescer e aumentar o amor.
18ª Tese
Bem assim parece não ter sido provado, nem por boas ações e nem pela Escritura, que as almas no purgatório se encontram fora da possibilidade do mérito ou do crescimento no amor.
19ª Tese
Ainda parece não ter sido provado que todas as almas do purgatório tenham certeza de sua salvação e não receiem por ela, não obstante nós termos absoluta certeza disto.
20ª Tese
Por isso o papa não quer dizer e nem compreende com as palavras “perdão plenário de todas as penas” que todo o tormento é perdoado, mas as penas por ele impostas.
21ª Tese
Eis porque erram os apregoadores de indulgências ao afirmarem ser o homem perdoado de todas as penas e salvo mediante a indulgência do papa.
22ª Tese
Pensa com efeito, o papa nenhuma pena dispensa às almas no purgatório das que segundo os cânones da Igreja deviam ter expiado e pago na presente vida.
23ª Tese
Verdade é que se houver qualquer perdão plenário das penas, este apenas será dado aos mais perfeitos, que são muito poucos.
24ª Tese
Assim sendo, a maioria do povo é ludibriada com as pomposas promessas do indistinto perdão, impressionando-se o homem singelo com as penas pagas.
25ª Tese
Exatamente o mesmo poder geral, que o papa tem sobre o purgatório, qualquer bispo e cura d'almas o tem no seu bispado e na sua paróquia, quer de modo especial e quer para com os seus em particular.
26ª Tese
O papa faz muito bem em não conceder às almas o perdão em virtude do poder das chaves (ao qual não possui), mas pela ajuda ou em forma de intercessão.
27ª Tese
Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório.
28ª Tese
Certo é que no momento em que a moeda soa na caixa vêm o lucro e o amor ao dinheiro cresce e aumenta; a ajuda, porém, ou a intercessão da Igreja tão só correspondem à vontade e ao agrado de Deus.
29ª Tese
E quem sabe, se todas as almas do purgatório querem ser libertadas, quando há quem diga o que sucedeu com Santo Severino e Pascoal.
30ª Tese
Ninguém tem certeza da suficiência do seu arrependimento e pesar verdadeiros; muito menos certeza pode ter de haver alcançado pleno perdão dos seus pecados.
31ª Tese
Tão raro como existe alguém que possui arrependimento e, pesar verdadeiros, tão raro também é aquele que verdadeiramente alcança indulgência, sendo bem poucos os que se encontram.
32ª Tese
Irão para o diabo juntamente com os seus mestres aqueles que julgam obter certeza de sua salvação mediante breves de indulgência.
33ª Tese
Há que acautelasse muito e ter cuidado daqueles que dizem: A indulgência do papa é a mais sublime e mais preciosa graça ou dadiva de Deus, pela qual o homem é reconciliado com Deus.
34ª Tese
Tanto assim que a graça da indulgência apenas se refere à pena satisfatória estipulada por homens.
35ª Tese
Ensinam de maneira ímpia quantos alegam que aqueles que querem livrar almas do purgatório ou adquirir breves de confissão não necessitam de arrependimento e pesar.
36ª Tese
Todo e qualquer cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados, sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão da pena e da dívida, perdão esse que lhe pertence mesmo sem breve de indulgência.
37ª Tese
Todo e qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, é participante de todos os bens de Cristo e da Igreja, dádiva de Deus, mesmo sem breve de indulgência.
38ª Tese
Entretanto se não deve desprezar o perdão e a distribuição por parte do papa. Pois, conforme declarei, o seu perdão constitui uma declaração do perdão divino.
39ª Tese
É extremamente difícil, mesmo para os mais doutos teólogos, exaltar diante do povo ao mesmo tempo a grande riqueza da indulgência e ao contrário o verdadeiro arrependimento e pesar.
40ª Tese
O verdadeiro arrependimento e pesar buscam e amam o castigo: mas a profusão da indulgência livra das penas e faz com que se as aborreça, pelo menos quando há oportunidade para isso.
41ª Tese
É necessário pregar cautelosamente sobre a indulgência papal para que o homem singelo não julgue erroneamente ser a indulgência preferível às demais obras de caridade ou melhor do que elas.
42ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos, não ser pensamento e opinião do papa que a aquisição de indulgência de alguma maneira possa ser comparada com qualquer obra de caridade.
43ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos proceder melhor quem dá aos pobres ou empresta aos necessitados do que os que compram indulgências.
44ª Tese
Ê que pela obra de caridade cresce o amor ao próximo e o homem torna-se mais piedoso; pelas indulgências, porém, não se torna melhor senão mais seguro e livre da pena.
45ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que aquele que vê seu próximo padecer necessidade e a despeito disto gasta dinheiro com indulgências, não adquire indulgências do papa. mas provoca a ira de Deus.
46ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem fartura , fiquem com o necessário para a casa e de maneira nenhuma o esbanjem com indulgências.
47ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos, ser a compra de indulgências livre e não ordenada
48ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa precisa conceder mais indulgências, mais necessita de uma oração fervorosa do que de dinheiro.
49ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos, serem muito boas as indulgências do papa enquanto o homem não confiar nelas; mas muito prejudiciais quando, em conseqüência delas, se perde o temor de Deus.
50ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa tivesse conhecimento da traficância dos apregoadores de indulgências, preferiria ver a catedral de São Pedro ser reduzida a cinzas a ser edificada com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.
51ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que o papa, por dever seu, preferiria distribuir o seu dinheiro aos que em geral são despojados do dinheiro pelos apregoadores de indulgências, vendendo, se necessário fosse, a própria catedral de São Pedro.
52º Tese
Comete-se injustiça contra a Palavra de Deus quando, no mesmo sermão, se consagra tanto ou mais tempo à indulgência do que à pregação da Palavra do Senhor.
53ª Tese
São inimigos de Cristo e do papa quantos por causa da prédica de indulgências proíbem a Palavra de Deus nas demais igrejas.
54ª Tese
Esperar ser salvo mediante breves de indulgência é vaidade e mentira, mesmo se o comissário de indulgências, mesmo se o próprio papa oferecesse sua alma como garantia.
55ª Tese
A intenção do papa não pode ser outra do que celebrar a indulgência, que é a causa menor, com um sino, uma pompa e uma cerimônia, enquanto o Evangelho, que é o essencial, importa ser anunciado mediante cem sinos, centenas de pompas e solenidades.
56ª Tese
Os tesouros da Igreja, dos quais o papa tira e distribui as indulgências, não são bastante mencionados e nem suficientemente conhecido na Igreja de Cristo.
57ª Tese
Que não são bens temporais, é evidente, porquanto muitos pregadores a estes não distribuem com facilidade, antes os ajuntam.
58ª Tese
Tão pouco são os merecimentos de Cristo e dos santos, porquanto estes sempre são eficientes e, independentemente do papa, operam salvação do homem interior e a cruz, a morte e o inferno para o homem exterior.
59ª Tese
São Lourenço aos pobres chamava tesouros da Igreja, mas no sentido em que a palavra era usada na sua época.
60ª Tese
Afirmamos com boa razão, sem temeridade ou leviandade, que estes tesouros são as chaves da Igreja, a ela dado pelo merecimento de Cristo.
61ª Tese
Evidente é que para o perdão de penas e para a absolvição em determinados casos o poder do papa por si só basta.
62ª Tese
O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.
63ª Tese
Este tesouro, porém, é muito desprezado e odiado, porquanto faz com que os primeiros sejam os últimos.
64ª Tese
Enquanto isso o tesouro das indulgências é sabiamente o mais apreciado, porquanto faz com que os últimos sejam os primeiros.
65ª Tese
Por essa razão os tesouros evangélicos outrora foram as redes com que se apanhavam os ricos e abastados.
66ª Tese
Os tesouros das indulgências, porém, são as redes com que hoje se apanham as riquezas dos homens.
67ª Tese
As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como a mais sublime graça decerto assim são consideradas porque lhes trazem grandes proventos.
68ª Tese
Nem por isso semelhante indigência não deixa de ser a mais Intima graça comparada com a graça de Deus e a piedade da cruz.
69ª Tese
Os bispos e os sacerdotes são obrigados a receber os comissários das indulgências apostólicas com toda a reverência-
70ª Tese
Entretanto têm muito maior dever de conservar abertos olhos e ouvidos, para que estes comissários, em vez de cumprirem as ordens recebidas do papa, não preguem os seus próprios sonhos.
71ª Tese
Aquele, porém, que se insurgir contra as palavras insolentes e arrogantes dos apregoadores de indulgências, seja abençoado.
72ª Tese
Quem levanta a sua voz contra a verdade das indulgências papais é excomungado e maldito.
73ª Tese
Da mesma maneira em que o papa usa de justiça ao fulminar com a excomunhão aos que em prejuízo do comércio de indulgências procedem astuciosamente.
74ª Tese
Muito mais deseja atingir com o desfavor e a excomunhão àqueles que, sob o pretexto de indulgência, prejudiquem a santa caridade e a verdade pela sua maneira de agir.
75ª Tese
Considerar as indulgências do papa tão poderosas, a ponto de poderem absolver alguém dos pecados, mesmo que (cousa impossível) tivesse desonrado a mãe de Deus, significa ser demente.
78 ª Tese
Bem ao contrario, afirmamos que a indulgência do papa nem mesmo o menor pecado venial pode anular o que diz respeito à culpa que constitui.
77ª Tese
Dizer que mesmo São Pedro, se agora fosse papa, não poderia dispensar maior indulgência, significa blasfemar S. Pedro e o papa.
78ª Tese
Em contrario dizemos que o atual papa, e todos os que o sucederam, é detentor de muito maior indulgência, isto é, o Evangelho, as virtudes o dom de curar, etc., de acordo com o que diz 1Coríntios 12.
79ª Tese
Afirmar ter a cruz de indulgências adornada com as armas do papa e colocada na igreja tanto valor como a própria cruz de Cristo, é blasfêmia.
80ª Tese
Os bispos, padres e teólogos que consentem em semelhante linguagem diante do povo, terão de prestar contas deste procedimento.
81ª Tese
Semelhante pregação, a enaltecer atrevida e insolentemente a Indulgência, faz com que mesmo a homens doutos é difícil proteger a devida reverência ao papa contra a maledicência e as fortes objeções dos leigos.
82 ª Tese
Eis um exemplo: Por que o papa não tira duma só vez todas as almas do purgatório, movido por santíssima' caridade e em face da mais premente necessidade das almas, que seria justíssimo motivo para tanto, quando em troca de vil dinheiro para a construção da catedral de S. Pedro, livra um sem número de almas, logo por motivo bastante Insignificante?
83ª Tese
Outrossim: Por que continuam as exéquias e missas de ano em sufrágio das almas dos defuntos e não se devolve o dinheiro recebido para o mesmo fim ou não se permite os doadores busquem de novo os benefícios ou pretendas oferecidos em favor dos mortos, visto' ser Injusto continuar a rezar pelos já resgatados?
84ª Tese
Ainda: Que nova piedade de Deus e dó papa é esta, que permite a um ímpio e inimigo resgatar uma alma piedosa e agradável a Deus por amor ao dinheiro e não resgatar esta mesma alma piedosa e querida de sua grande necessidade por livre amor e sem paga?
85ª Tese
Ainda: Por que os cânones de penitencia, que, de fato, faz muito caducaram e morreram pelo desuso, tornam a ser resgatados mediante dinheiro em forma de indulgência como se continuassem bem vivos e em vigor?
86ª Tese
Ainda: Por que o papa, cuja fortuna hoje é mais principesca do que a de qualquer Credo, não prefere edificar a catedral de S. Pedro de seu próprio bolso em vez de o fazer com o dinheiro de fiéis pobres?
87ª Tese
Ainda: Quê ou que parte concede o papa do dinheiro proveniente de indulgências aos que pela penitência completa assiste o direito à indulgência plenária?
88ª Tese
Afinal: Que maior bem poderia receber a Igreja, se o papa, como Já O faz, cem vezes ao dia, concedesse a cada fiel semelhante dispensa e participação da indulgência a título gratuito.
89ª Tese
Visto o papa visar mais a salvação das almas do que o dinheiro, por que revoga os breves de indulgência outrora por ele concedidos, aos quais atribuía as mesmas virtudes?
90ª Tese
Refutar estes argumentos sagazes dos leigos pelo uso da força e não mediante argumentos da lógica, significa entregar a Igreja e o papa a zombaria dos inimigos e desgraçar os cristãos.
91ª Tese
Se a Indulgência fosse apregoada segundo o espírito e sentido do papa, aqueles receios seriam facilmente desfeitos, nem mesmo teriam surgido.
92ª Tese
Fora, pois, com todos estes profetas que dizem ao povo de Cristo: Paz! Paz! e não há Paz.
93ª Tese
Abençoados sejam, porém, todos os profetas que dizem à grei de Cristo: Cruz! Cruz! e não há cruz.
94ª Tese
Admoestem-se os cristãos a que se empenhem em seguir sua Cabeça Cristo através do padecimento, morte e inferno.
95ª Tese
E assim esperem mais entrar no Reino dos céus através de muitas tribulações do que facilitados diante de consolações infundadas.


BIBLIOGRAFIA:
CAIRNS, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos. Uma nova História da Igreja Cristã. Nova Edição Revisada e Ampliada. Editora Vida Nova.
SAUSSRE, A. de. Lutero: O grande reformador que revolucionou seu tempo e mudou a história da igreja. Editora vida.
BÍBLIA DE ESTUDO APOLOGÉTICA, ICP.

“A oração,entre outras,deve ser a nossa primeira ocupação da manhã e a última da noite.Saibamos defender-nos contra os pensamentos enganosos que nos dizem:”Deixa para mais tarde,ocupa-te de tal ou tal negócio e orarás depois”.Desse modo,troca-se a oração pelas ocupações,e depois que estas lançam mão de nós,não nos largam mais.Quando no fim de nossa súplica dizeis “Amém”,acentuai bem esse amém e de modo algum duvidai de que Deus ponha toda a sua graça em ouvir-vos e não responda sim à vossa oração.Um bom barbeiro tem constantemente os olhos e o pensamento fixos na navalha.Cada coisa,para ser bem feita,requer o homem inteiro.A oração também, para ser sincera,exige o coração inteiro”. (Martinho Lutero)

Angela Natel On sábado, 30 de outubro de 2010 At 12:27



O maior doador de sangue que já houve foi Jesus.
Para doar, as pessoas vão aos hemocentros,
hospitais particulares ou mesmo ao SUS.
Ele foi mesmo doar na cruz.

O procedimento para doação não passa de meia hora.
Para ele durou umas seis horas.
A quantidade de sangue retirada não passa de 10% do total
e em até quarenta e oito horas é recuperada.

O que foi extraído de Jesus é incalculável e bem superior,
Mas até que recuperou rápido: setenta e duas horas.
Nas doações, usa-se uma agulha descartável para recolher.
Em Jesus, três cravos e uma lança, fora o chicote preliminar.

Alguém estará inapto para doar se:
Tiver ingerido bebida acoólica nas últimas 24hs,
Estiver em jejum e não tiver dormido pelo menos 6hs nas últimas 24hs.
Não ter tido mais de dois parceiros íntimos nos últimos 3 meses...

E Jesus estava completamente embriagado do Espirito,
passou a última noite acordado comendo só oração
e teve nessa mesma noite, um parceiro de caráter e beijos questionáveis...
Mas o tal Pilatos que fez a triagem, não o recusou.

Quanto ao por que Ele foi levado a fazer isso... Bem, não sei se dá pra dizer.
Porque condenou a união espúria da Religião dominante com o Estado.
Acabou com o negócio lucrativo dos religiosos que era o de perdoar pecados.

Subverteu-se à polícia e a política do Templo.
Apresentou um Novo Reino de abominação ao opressivo poder romano.
Apresentou um Novo Reino do Messias Debochado, montado em jumento...
Porque foi traído, se deixou beijar e se deixou levar, mas especialmente,
porque amou o mundo.

Então, nós, que nem amamos o mundo tanto assim, nem fomos traídos, nem perdoamos pecados de graça, nem brigamos tanto pelo estado de opressão, de injustiças, de indignidades, do Estado como das religiões... Ora, tomemos vergonha na cara e ao menos façamos uma doaçãozinha de 8 ml de sangue por quilo útil de corpo.

Informações úteis:


http://www.bssp.com.br/

http://www.hemominas.mg.gov.br/portal/

http://www.hemorio.rj.gov.br/


Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/#ixzz0yC4kSEud
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial Share Alike
Angela Natel On At 08:32

Dia 6 de novembro deste ano será um marco para a história. Nesta data ocorrerá em Indiana, EUA, a “Primeira Conferência Católica Anual sobre o Geocentrismo”. Segundo seus promotores, Galileu estava enganado e a Igreja Católica é que tinha razão. O programa anuncia as seguintes palestras:

Dr. Robert Sungenis: Geocentrismo: eles sabem mas estão escondendo.
Mark Wyatt : Uma introdução à mecânica do geocentrismo.
Dr. Robert Bennett: Experiências científicas que demonstram que a Terra está parada no espaço.
Ryk e Win Delano: Evidência científica: a Terra como centro do universo.
Martin Selbrede: Respondendo às objeções comuns ao geocentrismo.
Gary Bouw: O firmamento bíblico: o espaço não é vazio
Dr. Robert Sungenis: Galileu e a igreja: o que realmente aconteceu?
John Salza: Os pais da igreja e a Exegese das Escrituras sobre o Geocentrismo
Dr Michale Jones: Ideologia inglesa, Newton e a Exploração da ciência.
Hugh Miller: Carbono 14 e datação radiométrica revelam que a Terra é um planeta jovem.

Custa apenas 50 dólares, com almoço incluído.

conference Galileu estava errado, a igreja estava certa!

Na conferência estarão à venda os dois volumes do livro de Sungenis e Bennett, Galileo Was Wrong: The Church Was Right [Galileu estava errado, a igreja estava certa](compre http://www.amazon.com/gp/product/0977964051?tag=apture-20).

Fisicamente, o geocentrismo não faz sentido. Neste caso, parece ser uma certeza metafísica baseada na fé e na interpretação deles das Escrituras. Afirmar que a Terra está imóvel no centro do universo contradiz o que a ciência afirma desde a Idade Média. No argumento deles, a questão da posição da Terra é um problema teológico e não científico.

O objetivo principal desse evento parece provar que o papa Urbano VIII e a Igreja Católica não estavam errados quando duvidaram dos argumentos de Galileu. Por sua visão heliocêntrica, o astrônomo italiano precisou ir a Roma em 1611, para defender-se da acusado de heresia. Condenado, foi obrigado a assinar um decreto do Tribunal da Inquisição, onde declarava que o sistema heliocêntrico era apenas uma hipótese. Algum tempo a igreja voltou atrás, aceitando que a Terra girava ao redor do sol. Depois de “resolvida”, essa questão fez com que começassem os primeiros questionamentos incisivos sobre a infalibilidade da Igreja e do papa.

Agência Pavanews, com informações de Boing Boing e Ateismo.net


http://www.pavablog.com/2010/09/14/galileu-estava-errado-a-igreja-estava-certa/?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed:+pavablog+(PavaBlog)

Angela Natel On At 06:55

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Esse post é a décimo primeiro de uma série de doze. O conteúdo vem de“Doze Apelos aos Pregadores da Prosperidade”, que pode ser encontrado na nova edição do Let the Nations Be GladRegozijem-se as Nações, publicado pela Editora Cultura Cristã*).

O apóstolo Paulo nos dá um exemplo do quão cauteloso ele era para não dar a impressão de que estava no ministério por dinheiro. Ele disse que os ministros da palavra têm o direito de viver do ministério. Mas então, para mostrar-nos o perigo nisso, ele se recusa a usar plenamente esse direito.

“Na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi, quando pisa o trigo. [...] Certo que é por nós que está escrito; pois o que lavra cumpre fazê-lo com esperança; o que pisa o trigo faça-o na esperança de receber a parte que lhe é devida. Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito recolhermos de vós bens materiais? Se outros participam desse direito sobre vós, não o temos nós em maior medida? Entretanto, não usamos desse direito; antes, suportamos tudo, para não criarmos qualquer obstáculo ao evangelho de Cristo.” (1Coríntios 9:9-12)

Em outras palavras, ele renunciou a um direito legítimo justamente para não dar a ninguém a impressão de que o dinheiro era a motivação de seu ministério. Ele não queria dinheiro de seus neófitos: “Nunca usamos de linguagem de bajulação, como sabeis, nem de intuitos gananciosos. Deus disto é testemunha” (1Tessalonicenses 2:5).

Ele preferia trabalhar com suas mãos ao invés de dar a impressão de que estava mercadejando o evangelho: “De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem vestes; vós mesmos sabeis que estas mãos serviram para o que me era necessário a mim e aos que estavam comigo. Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é mister socorrer os necessitados e recordar as palavras do próprio Senhor Jesus: Mais bem-aventurado é dar que receber” (Atos 20:33-35).

Ele sabia que havia mercadores da palavra de Deus que pensavam que “a piedade é fonte de lucro” (1Timóteo 6:5-6). Mas ele se recusava a fazer qualquer coisa que o pusesse naquela categoria: “Nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus” (2Coríntios 2:17).

Muitíssimos pregadores da prosperidade não apenas dão a impressão de que estão “mercadejando a palavra de Deus” e fazem da “piedade uma fonte de lucro”, mas realmente desenvolvem uma teologia fictícia para justificar suas extravagantes exibições de riqueza.

Paulo fez exatamente o oposto.

Fonte: [ Voltemos ao Evangelho ]
Angela Natel On sexta-feira, 29 de outubro de 2010 At 12:06
Lembro-me de quando ainda “pequeno” meu avô me ensinava o que era servir a Deus.
Ele dizia: “Servir a Deus é servir a Deus.” E sinceramente eu não entendia o que ele dizia, e até depois de “grande” continuei a não entender a frase: “Servir a Deus é servir a Deus”.
Tanto que passei longos anos de minha vida, fazendo o que me foi ensinado como o que era “Servir a Deus”.

Foi-me ensinado que “Servir a Deus” era:
1)Ir à igreja
2)Dar o dizimo
3)Observar o estatuto da igreja
4)Obedecer ao pastor
5)Pertencer a um grupo (jovens, coral, oração, missão, casados e por ai vai)
6)Domingo era dia do Senhor
7)Almejar uma função eclesiástica (diácono, presbítero, pastor, bispo e agora apóstolo)

E olha que fui o mais carola de todos os carolas, fiz tudo isso da maneira mais metódica, que alguém pode fazer, e descobri depois de alguns anos, que não é nada disso que Deus espera de nós.

Tudo isso acaba nos fazendo mais religiosos, nos fazendo mais vitrine de admiração para alguns, até meu antigo pastor quando me via de terno na igreja dizia: Vejam isso sim é um modelo de jovem de Deus...
Mas a grande verdade, é que dentro de mim, nunca a frase de meu avô, fez coerência com tudo aquilo que eu buscava e vivia.

Com isso fui me aprofundando mais e mais neste mundo evangélico de como servir a Deus, na esperança de entender o que significava “Servir a Deus é servir a Deus”.

Olhava para os meus “lideres” e dizia: Um dia chego lá... e cheguei...freqüentei os bastidores da fé, os camarins e vi tanta gente que se revelavam com seus sinais exteriores de poder, riqueza, fama e gloria , alguns discutindo com os outros, qual modelo de carro iria comprar (BMW, Mercedes, Audi), outros qual o modelo de helicóptero mais adequado e os mais bam-bam-bam que tipo de jato compraria...tudo conquistado em cima de um povo que é na verdade massa de manobra nas mãos destes poderosos e vendilhões da fé.

Com estes tipos de exemplos, comecei a distanciar dessa busca evangélica de “Servir a Deus”, comecei a entender outros parâmetros do que o meu avo dizia: “Servir a Deus é servir a Deus”.

Hoje não sirvo mais a Deus na ótica evangélica, hoje entendo o que meu avo me dizia, e sirvo a Deus verdadeiramente, e alguém me perguntaria: Como?
Hoje sirvo a Deus com um abraço no meu próximo, com um passeio no parque com minhas filhas, com um beijo cheio de amor e paixão em minha esposa, em minhas pescarias fabulosas, no meu trabalho, em minha torcida em um jogo do São Paulo, numa tarde com meus amigos, sendo apenas eu, com meus erros e acertos, com minhas partes boas e ruins, hora sendo o bom samaritano e hora nem tão bom assim, enfim sirvo a Deus, servindo-o com tudo o que eu sou, faço e em toda hora.

Servir a Deus hoje pra mim, não está mais resumida a templo, domingo, sacerdote ou liturgia, mas sim em tudo o que a vida tem para oferecer, isso sim é servir a Deus.
É vovô você tinha razão: “Servir a Deus é servir a Deus”... e não há invencionismos humanos.

Por: Pensador Compulsivo
http://oreinoemnos.blogspot.com/
Angela Natel On At 06:52





Por José María Castillo


A mensagem e a vida de Jesus foram historicamente geridos e controlados pela Igreja. Isto é, a "memória subversiva" (J. B. Metz) de Jesus foi conservada por uma instituição (a Igreja) que, com o passar dos anos e por virtude de um lento processo, acabou se constituindo em: 1) uma Religião, 2) que é, de fato, a Religião do Ocidente. (…)


A estas alturas da história, são muitos aqueles que veem essa transformação como um processo de adulteração e inclusive de decomposição do projeto original, tal como nos são descritos pelos documentos fundacionais do Novo Testamento e pelo que sabemos com segurança que aconteceu nos séculos seguintes (...).


1. O cristianismo como Religião
Por aquilo que os evangelhos nos relatam, podemos afirmar com segurança que Jesus não pensou em fundar uma Igreja. Nem pensou em fundar uma nova Religião. Jesus foi um judeu que se deu conta de que a Religião, a partir do que ele viu e viveu no judaísmo do primeiro século, não era nem o que Deus queria, nem o que o mundo precisa. Aviso que, quando falo de "Religião", não me refiro somente à Religião de Israel. Refiro-me à Religião tal como Jesus podia ver e viver no seu povo e no seu tempo. Isto é, refiro-me a uma Religião 1) monoteísta e, portanto, 2) excludente; 3) nacionalista; 4) centrada em três pilares fundamentais: a lei, o templo, os sacerdotes.


Sem dúvida, Jesus se relacionou com o Pai do céu e falou sobre o Pai do céu. Mas nunca falou de um Pai "excludente" das pessoas que tinham outras crenças ou que procediam de outras culturas.E nem de um Pai "nacionalista", isto é, pensado para um povo, e no qual esse povo (e apenas esse povo) encontra "seu Deus". E nem de um Pai ligado à observância da Lei, ao qual se encontra no Templo, e cujos mediadores são os funcionários do "sagrado", os Sacerdotes, mediante seus cerimoniais, sacrifícios, ritos e observâncias. Nada disso aparece em alguma parte do Novo Testamento. E é bem curioso que coisas tão fundamentais para a mentalidade eclesiástica atual não sejam ditas, em nenhum momento, nos escritos ou documentos fundacionais do cristianismo. Pelo contrário, afirma-se insistentemente todo o contrário.


1) O Pai de Jesus não exclui os pecadores, os publicanos, os samaritanos, o centurião romano, a mulher siro-fenícia, os estrangeiros, os presos, os endemoninhados, os pagãos. Mais ainda, trata-se de um Pai que trata a todos igualmente, como fazem o sol e a chuva com os bons e os maus, assim como com os justos e os pecadores. Evidentemente, esse Deus não se encaixa no esquema de nenhum dos "deuses monoteístas" que, desde os distantes tempos em que ainda estava vigente o henoteísmo, justificaram e fomentaram, já não só a exclusão, mas principalmente a violência contra os deuses falsos e seus fiéis observantes.


2) O Pai de Jesus não tolera os nacionalistas fanáticos, como ficou evidente no episódio da visita de Jesus a Nazaré (Lc 4, 14-30). Aqui, ao ler a passagem de Isaías 61, 1-2, Jesus falou do Deus que liberta os prisioneiros e os oprimidos, mas suprimiu a alusão ao "dia da vingança do Senhor nosso Deus", que se referia à vitória de Israel sobre os pagãos (Is 61, 3). E para que a questão ficasse inteiramente clara, Jesus, ao notar como todos se colocavam contra ele (Lc 4, 22), insistiu na sua postura, lembrando os casos de Elias e de Eliseu, quando ambos antepuseram a pessoas estrangeiras os necessitados israelitas. E sabemos que a reação dos nacionalistas foi tão forte que quiseram matar Jesus ali mesmo.


3) A religião de Jesus não se assenta nem tem sua consistência nos três pilares fundamentais de não poucas religiões, concretamente a religião que Jesus viveu em seu tempo.


a) A lei. Jesus disse que não veio para aboli-la, mas para levá-la à sua "plenitude" (Mt 5, 17). Jesus propôs essa "plenitude" em duas direções opostas: uma linha de maior exigência e uma linha de maior libertação. Jesus impôs uma maior exigência da lei naquilo que se refere às relações humanas: não matar, mas também não insultar (Mt 5, 21-22); não cometer adultério, mas também não desejar o que é de outrem (Mt 5, 27-28; nada de desigualdade de direitos entre o homem e a mulher; Mt 5, 31-32; 19, 1-12 par); não jurar, mas também considerar suficiente a palavra humana (Mt 5, 33-37); não só rejeita a lei do talião, mas também propõe uma generosidade sem limites (Mt 5, 38-42); nada de ódio ao inimigo, mas também amor a todos sem distinção (Mt 5, 43-48). Em definitivo, para Jesus, a "plenitude" da lei é o amor (Mt 7, 12; cf. Rom 13, 10).


Pelo contrário, na linha de maior libertação, Jesus violou insistentemente as normas religiosas relativas à observância do sábado (Mc 2, 23-27; 3, 1-6 par), ao jejum (Mc 2, 18-22 par), às purificações rituais (Mc 7, 1-7), às proibições alimentares (Mc 7, 14-19).


b) O templo. Com base no que os evangelhos relatam, Jesus jamais foi ao templo para participar das cerimônias sagradas, nos sacrifícios ou no culto ritual estabelecido. Quando se fala de Jesus no templo é para falar às pessoas, já que aquele era o lugar das maiores concentrações humanas em Israel. Por outro lado, sabemos que Jesus disse à samaritana que havia chegado a hora em que os verdadeiros adoradores não adorariam Deus em templo algum, mas sim "em espírito e verdade" (Jo 4, 21-24). Mas, sobretudo, o aspecto mais forte na vida de Jesus foi sua ação violenta contra o templo, ao qual qualificou como um "covil de ladrões" (Mt 21, 13 par), um fato escandaloso e que foi determinante para a condenação à morte, no julgamento religioso (Mt 26, 61 par), e que foi o que jogaram na cara de Jesus nos deboches diante da cruz (Mt 27, 40 par). Além disso, Jesus havia anunciado a total e definitiva destruição e ruína do templo (Mt 24, 1-2 par). Definitivamente, o Deus de Jesus não está no templo, mas sim nas relações humanas e, sobretudo, no comportamento de cada um com aqueles que sofrem (Mt 25, 31-46).


c) Os sacerdotes. A relação de Jesus com eles, pelos dados que os evangelhos nos dão, foi mais do que distante: foi de claro e duríssimo enfrentamento. Com os "simples sacerdotes", como sabemos pela palavra do bom samaritano (Lc 10, 31), e principalmente com os "sumos sacerdotes", que, quando aparecem nos evangelhos e no livro dos Atos, nunca são apresentados como representantes de Deus, mas sempre como agentes de sofrimento e de morte (Mc 8, 31 par; 10, 33 par), especialmente na condenação à morte (Jo 11, 47-53) e no relato da paixão.


Conclusão: definitivamente, a religiosidade de Jesus não se limita nem se identifica com o "sagrado". Pelo contrário, é no "laico" em que ela tem sua presença e em que se realiza, naquilo que é comum a todos os seres humanos, de forma que a religiosidade que Jesus nos ensinou é a religiosidade que não exclui ninguém, nem se enfrenta com ninguém, mas que é vivida como Jesus a viveu, na relação com o Pai, na oração que se faz na solidão do escondido e colocando a insistência maior nas melhores relações humanas que podemos ter com os demais. (…)


2. O cristianismo como Religião do Ocidente
Por razões históricas que todos conhecemos, o cristianismo não se expandiu para a Ásia, mas se inseriu nas culturas mediterrânicas, colocando seu centro no centro do Império, em Roma. Assim, paulatinamente, as comunidades cristãs foram se configurando como grupos humanos que viviam simultaneamente da tradição do Evangelho e, ao mesmo tempo, da cultura do Ocidente. A consequência, inevitável e lógica, foi que o cristianismo que chegou a nós não é só a "recordação" de Jesus e "a forma de vida que Jesus nos trouxe", mas também a herança de uma cultura: a cultura greco-romana que configurou o Império.


Como se sabe, no dia 28 de fevereiro de 380, os imperadores Graciano, Valentiniano II e Teodósio I formularam seu projeto: "Desejamos que todos os povos que são governados pela moderação da nossa clemência se mantenham na religião que o santo apóstolo Pedro transmitiu aos romanos" (Cth XVI, 1, 2). A partir de então, a "religiosidade de Jesus" e a "mensagem de Jesus" ficaram oficialmente deformadas. O Evangelho começou a ser assim a fusão da mensagem de Jesus com os dois grandes legados que a cultura greco-romana nos deixou: a filosofia helenista e o direito romano. De forma que a Igreja que chegou até nós é fruto, sem dúvida, do Evangelho. Mas também é o resultado de uma teologia profundamente marcada pelo pensamento helenista e por um código legal marcado pelo direito romano.


As consequências, que se seguiram de tudo isso, não são fáceis de analisar. (...) Em todo o caso, devo chamar a atenção sobre dois fatos que me parecem de especial relevância para a Igreja e para a vida cristã:

1) Um pensamento determinado mais pela metafísica do que pela história, isto é, mais preocupado com o "ser" do que com o "acontecer" (B. Welte). Por isso, a Igreja e sua teologia se interessam mais, por exemplo, em saber quem é Deus ou Jesus, do que ter presente o que acontece quando Deus está presente ou quando Jesus é quem conduz a nossa vida. Isso teve uma influência de enormes consequências, por exemplo, no dogma cristológico. E, antes que isso, no próprio "Credo" da Igreja.


2) Um direito eclesiástico em que o direito romano deixou sua marca em assuntos de enorme importância, por exemplo a ideia e a práxis do poder e da autoridade. Uma ideia que, tal como é entendida e colocada em prática na Igreja, não se fundamenta no Evangelho, mas sim no direito romano.


A conclusão de tudo o que se disse é clara: o cristianismo "oficial" e a Igreja institucional representam um fato global inadaptado na sociedade e na cultura atual. Aqui, seria bom lembrar que a religião que teve uma duração mais longa, na história da civilização, é a primeira das religiões que conhecemos, a religião da Mesopotâmia. Pois bem, Jean Bottéro disse, referindo-se a essa antiquísima religião, que seus devotos a edificaram "através de numerosas etapas, pouco a pouco, em perfeita coerência com sua própria maneira de ser, de viver, de ver e de pensar". Pois bem, é precisamente isso o que o nosso cristianismo "oficial" e a nossa Igreja não têm. O cristianismo que as pessoas veem e a Igreja que as pessoas veem não estão edificados em perfeita coerência nem com a maneira de pensar, nem com a forma de viver da grande maioria das pessoas do nosso tempo. Por isso, a partir de não poucos pontos de vista, a Igreja e sua mensagem não interessam. E, o que é pior, frequentemente provocam rejeição.


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O autor é teólogo espanhol. O artigo na íntegra foi publicado na revista Adista, nº 38, 08-05-2010. Tradução é de Moisés Sbardelotto. Divulgação Instituto Humanitas Unisinos.

Liberdade de Expressão


É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se:
“é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença"(inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da"argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.