Angela Natel On quinta-feira, 30 de setembro de 2010 At 12:17



Então.. Vamos começar do começo
Para entendermos o atual “estabelecido” de que a Igreja esta com problemas e tem que se “renovar”, “reinventar”, nos temos que procurar saber quando e porque foi que este tipo de pensamento surgiu.
Sim irmãos nós devemos pensar sobre isso: Porque em nossos dias corre a linha de pensamento que diz que a Igreja precisa dessa ou daquela novidade?
A 50 anos atrás irmãos, a Igreja ia muito bem obrigado, não que ela não tivesse problemas, mas seus membros faziam um discurso do tipo "Precisamos urgentemente nos repaginar". O que foi que aconteceu de lá pra cá?
Vamos então a uma genealogia do problema.
Durante a primeira metade do século XX a América do Norte e a Europa passaram por um processo de total esfacelamento de todas as suas ideologias. Duas Guerras Mundiais proporcionaram a estes povos um esvaziamento total de sentido.
A confiança religiosa que o século XIX havia depositado no progresso científico desmoronou mediante a capacidade genocida que este “progresso” demonstrou.
Totalitarismo, Liberalismo, Comunismo. Todas as doutrinas que prometiam a verdade a europeus e norte-americanos se mostraram completamente infrutíferas.
Todo esse amalgama de experiências ruins criaram em europeus e norte americanos um mal estar silencioso e generalizado que encontrou um paliativo em uma espécie de “suicídio cultural” coletivo chamado de: Pós-modernidade.
Digo “suicídio cultural” porque esta pós-modernidade propõe a solução destes problemas através do abandono de tudo aquilo que se fazia no período anterior as duas grandes guerras, inclusive das coisas boas que se fazia.
A verdade se tornou grande vilã, foi parar no banco dos réus e juntamente com ela a religião.
E é aí que eu gostaria de chegar.
A pós-modernidade alcançou a religião e aquilo que ela não conseguiu destruir ela conseguiu inculcar uma necessidade intrínseca de mudança. Não estou aqui irmãos falando da mudança que vem de dentro para fora, a mudança boa, que nasce no coração de Deus, chega até nós através do chacoalhar do Espírito, enfim, não estou falando da mudança que nós mesmos como Igreja percebemos e sentimos necessidade. Eu estou falando da mudança que nós vem imposta, sorrateiramente, de fora para dentro, é dessa mudança que eu estou falando é e dessa mudança que tenho medo.
Irmãos, nosso povo não viveu os horrores da guerra, mais infelizmente muitas vezes nossas Igrejas tem assimilado os moldes importados de Igrejas que só aparentam ser saudáveis, mas que na verdade estão embebidas nessa “necessidade de mudança” que não partiu do coração de Deus, nem de um incomodar do Espírito, mais que partiu simplesmente da insatisfação HUMANA com a própria Igreja.
Em um mundo globalizado a cultura não tem fronteiras e estas coisas infelizmente tem chegado até nós.
Mas como essa subserviência a pós-modernidade, essa ânsia por ser “politicamente correto” chega a Igreja?
1 Co 6:15 - Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo?(parte a)

Ef 5:30 - Porque somos membros do seu corpo.

Aí esta meus irmãos. Nós somos a Igreja. Se uma vontade de mudar subserviente ao mundo, de fora pra dentro, chega até a Igreja, ela chega, infelizmente, através de nós.
E aí esta a relação entre “Há um problema com a Igreja” e uma Espiritualidade Autêntica.
Se não estivermos verdadeiramente em sintonia com o Espírito nós mesmos estaremos insatisfeitos com as coisas como elas de fato devem ser e estaremos sempre vagando de novidade em novidade enquanto aquilo que Deus de fato quer pra sua Igreja vem da orientação de sua Palavra Revelada e da ação de Seu Espírito Santo, que esta DENTRO da Igreja e que fala de dentro para fora, e não de fora para dentro.
Irmãos se a Igreja tem algum problema é porque nós, pessoalmente, estamos tendo problemas! A Igreja somos nós, um corpo não pode ser saudável se tem membros doentes.
Ou por acaso alguém pode dizer que esta com gangrena na perna e esta saudável?!
Você que esta aqui essa noite insatisfeito com sua Igreja. Você pode começar a resolver esse problema na sua vida a partir de agora. Como?! Assumindo um monte de cargos e tentando fazer ao mesmo tempo o que você nunca fez? Não. Comece aperfeiçoando-se como Cristão!
Busque viver como se você de fato não fosse deste mundo, como se as realidades espirituais de fato fossem realidades. Entenda que você não é um profissional cristão, mais um cristão profissional e você vai ver como a Igreja passará a fazer sentido pra você!
A Igreja bíblica, neotestamentária NUNCA será suficiente pra você se a sua espiritualidade não for autêntica. Irmão, não tem jeito, sabe porque?!
Porque ela simplesmente foi projetada e é guiada por Cristo para conter pessoas que de fato se deixam guiar pelo Espírito Santo.
Se você não se permite guiar e moldar pelo poder do Espírito, para você as sugestões que vem de fora pra dentro serão sempre mais atraentes e “inteligentes” do que as sugestões que vem de dentro pra fora. Aquilo que o mundo pós-moderno acha que a Igreja deve ser vai ser sempre o que você quer a despeito daquilo que Deus quer pra seu rebanho.
Pra encerrar irmãos dois textos: Efésios 4 de 11 a 16 diz:

"E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores,
Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;
Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo,
Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.
Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo,
Do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor."

Mt 16:18 - "Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela;"

Meus caros leitores, principalmente os Jovens, fica essa reflexão pra nós:
“Há um problema com a Igreja, ou há um problema comigo?!”
“Eu estou insatisfeito com a Igreja mais e minha própria vida cristã? Será que eu estou permitindo que o Espírito me torne apto a viver de fato a Igreja?
“Até quando nós vamos andar “enganados por homens”, querendo para a Igreja aquilo que vem de fora pra dentro ?”

Irmãos.. Gente cansada de Igreja É gente cansada de vida Cristã, cuidado.
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Angela Natel On At 06:23
Assisti a este vídeo musical, muito bonito e emocionante, no blog de Danilo, Genizah. Sobre ele havia uma explanação de Rubinho Pirola, que cito por achar bastante importante:

"É um vídeo produzido em Uberlândia, na minha igreja. A Igreja Sal da Terra. O original é de uma igreja americana, mas todo o pessoal é daqui. Conheço os testemunhos todos e todo mundo - até os cantores.

O Japinha que foi curado de um câncer - cara, toda a cidade ficou chocada, especialmente a classe médica. É MEU SOBRINHO. ARTHUR HASSEGAWA É O SEU NOME. Câncer nos ossos da coluna. E ele está ai, pregando e tudo. Todos salvos e com a vida transformada."

Em tempos em que estamos saturados de testemunhos de pessoas que mudaram de igreja ao invés de mudar de vida e cuja única transformação parece ter sido de ordem patrimonial (tais "testemunhos" que seguem a equação a seguir: "testemunho" = comercial de denominação + incentivo a ganhar bens materiais - necessidade de arrependimento - mudança de vida - fé em Jesus Cristo - discipulado + apelos baseados em promessas que Deus não fez, levam até a crer que Jesus é uma espécie de banqueiro que vive para cuidar de suas finanças, não o Deus Salvador que lhe ama e que quer salvar sua vida), uma coisa assim é um colírio! E merece divulgação.





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Angela Natel On quarta-feira, 29 de setembro de 2010 At 12:04



Zé Luís


Quando entrei na igreja, ganhei um chato crente que me acompanhava - e policiava - cada passo que eu dava. O sujeito teve a pachorra de aceitar uma vaga de emprego na minha empresa, mesmo não sabendo nada sobre o ofício, para trabalhar ao meu lado, quando eu era corretor (graças a Deus pela vida daquele chato inoportuno).

Ele queria me ensinar tudo que sabia sobre igreja, sabe lá Deus porque. Deu-me livros (hoje, rio: “Bom dia Espírito Santo”, do Benny Hinn, Esse Mundo Tenebroso, a 4ª Dimensão, entre outros) e fitas K7 com pregações sempre vinham parar em minha mão. Nelas, muitos testemunhos fantásticos (alguns fantásticos demais) e pregações, muitas pregações. Ele queria me ver convertido de qualquer maneira.

Entre as dezenas de mensagens , um pregador ali me emocionou muito: sujeito conceituadíssimo, com dezenas de livros escritos e referência para muitos pastores quando se falava em seriedade com o Evangelho.

Numa delas, pregava informalmente sobre o rei Manassés, filho de um dos melhores reis que Judá, Ezequias. Ironicamente, Manassés fora um dos piores.

Segundo o que consta nas Escrituras (2 Reis 21:1-18 e 2 Crônicas 33:1-20 ), tudo que o pai lutou para desfazer em sua terra, ele reedificou: restabeleceu cultos pagãos numa sociedade conhecidamente teocrática. Segundo a crença, por exemplo, para se restabelecer culto a Moloque, devia-se queimar o primogênito e o caçula em oferenda àquele deus, o que fez sem pestanejar. Usava necromantes, médiuns, feiticeiras.

Além disso, matou muitos, e não poucos inocentes assassinados por ele. Segundo relatos, foi ele o responsável por Isaías, o profeta, ter sido serrado ao meio, ainda vivo, após ter sido colocado dentro de um tronco oco.

No texto prolongado que o pregador fez questão de ler, ele conta a forma que Deus o castigara, fazendo que um exército estrangeiro capturasse o agora velho rei, levando-o cativo com ganchos no nariz e no queixo, por uma distância de setecentos quilômetros, algo como a distância entre São Paulo a Belo Horizonte.

O ponto alto do texto, contudo, que no meu pobre entendimento já havia sido (nada mais natural: o rei fez o mal, Deus o puniu, fim de história), ainda estava versículos à frente: O rei perverso, cativo e isolado, se arrepende, e acontece o inconcebível - Deus o perdoa.

Perceber a misericórdia de Deus alcançando quem claramente não merece (segundo meus conceitos do que é e do que não é justo) causa certo incômodo. Percebi que o céu pode não ser o paraíso dos pacíficos: gente perigosa, digna do inferno, pode estar habitando lá. Ou seja, um perfil bem diferente do ideal piedoso e altruista que o meu entendimento naquele início de caminhada cristã podia antever .

É dado ao rei a chance de voltar a sua terra, o que faz, e usa seus últimos dias restaurando o que havia destruído. Danos causados por 55 anos de reinado e que demandarariam mais do que o dobro deste tempo para serem desfeitos, afora as vidas perdidas nos assassinatos que praticou, essas irrecuperáveis.

Mesmo assim, Deus o perdoa.

O pregador concluí: muitos de nós somos infinitamente melhores do que o perverso Manassés, mas mesmo assim, não cremos que Deus é capaz de nos perdoar.

Manassés assume o trono aos doze, e por meio século comete as piores atrocidades, contra sua família, seu povo, seu Deus, isso de forma consciente, já que ele é rei do povo que detém às Escrituras.

Naquela noite, quinze anos passados, após ouvir e me emocionar com essa mensagem, dormi em paz, entendendo melhor sobre o quanto Deus é capaz de perdoar e quanto o meu caso não estava tão complicado quanto imaginei.

Semanas depois, o tal pregador apareceu no jornal da TV, envolvido em escândalos políticos e pessoais. Alguns pastores vieram a público criticando-o (o que me parecia despeito, ou inveja), e o tal homem sumiu por anos. Secretamente, nunca deixei de acreditar em tudo aquilo que ele pregava, embora muitos o chamassem (e chamam) de caído. Curiosamente, ele foi extremamente receptivo quando o contatei por e-mail anos atrás, quando ele permitiu ser encontrado pela internet...

Mas isso já é outra história.


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Angela Natel On At 06:21



Recentemente o sr. Renê, líder de uma igreja no estado do Amazonas (que obviamente não tem culpa), recebeu uma tal de "unção patriarcal". Pouco antes disso, o agora apóstolo e patriarca, ordenou mais de duzentos homens e mulheres ao posto de apóstolo, dando uma clara indicação de que "apóstolo", não é mais o topo da carreira eclesiástica na igreja brasileira.

Apesar de "criado" na igreja, conheci o Evangelho apenas em meados da década de 1990. Nesse período, todo tipo de ensandice surgia no seio da igreja evangélica brasileira. Os antigos cantores evangélicos atendiam agora porlevitas, passado um tempo, os líderes desses levitas deixariam de ser apenas levitas para se tornarem ministros. Não muito tempo depois, alguns ministros tornaram-se no próprio ministério, e o que antes era uma prerrogativa da igreja como instituição, passou a ser do indivíduo.

Se em uma esfera hierárquica inferior aconteceu tantas mudanças em função tão somente de vaidade (e muito pouca espiritualidade), na esfera superior a loucura foi e é ainda maior. Pastor, bispo, presbítero e reverendo eram os títulos (ou cargos) atribuídos a tanto tempo quanto o próprio protestantismo (ou mesmo o cristianismo, excetuando-se a igreja romana com seus cardeais, pardais e andorinhas), uma que outra igreja criava alguma distinção no seu quadro, mas muito mais de cunho administrativo que "espiritual". No entanto, embalados pelo mover "espirituoso" pós-moderno das últimas duas décadas, novos "cargos espirituais" foram revelados à igreja e iniciou-se uma frenética guerra de vaidades entre diferentes denominações, ministérios e visões.

Em uma entrevista anos atrás, um outro líder religioso a quem se atribuiu o título de apóstolo-primaz, e que alega ser o primeiro no Brasil com tal "unção", revelou que assim que se "consagrou" apóstolo tornou-se motivo de piada entre os outros líderes evangélicos, até então simples pastores, e que muitos desses que o ridicularizaram no passado agora respondiam por este mesmo "ministério".

Acredito que o mesmo acontece agora com este senhor natural de Serrinha. Neste momento, provavelmente algum Paulo ou Silas está rindo do "amigo": - Como ele se atreve? Patriarca? Não obstante, patriarca parece despontar em um futuro bem próximo como o novo rosa da moda gospel. Pois, se apóstolo já tinha virado lugar comum, que dirá agora que apenas uma igreja ordenou mais de duzentos? E se ele é patriarca de uma visão... quantas visões não pedirão seu próprio papa?

Mas infelizmente, são estes líderes os doutores do cristianismo contemporâneo.

Algum tempo atrás, enquanto assistia a um documentário do Missões Portas Abertas junto com alguns irmãos, descobri que nenhum deles fazia a menor idéia de quem era o irmão André ou o Portas Abertas. Nunca haviam lido nada a respeito dele ou de seu trabalho missionário atrás da Cortina de Ferro nos anos da Guerra Fria. É certo também, que poucos ou ninguém dentro desses movimentos "neo-pentecolescos" faz idéia de quem foi James Hudson Taylor, Charles Thomas Studd ou mesmo o português João Ferreira de Almeida, que não apenas traduziu a versão da Bíblia mais lida no Brasil, mas também foi perseguido e condenado à morte pela inquisição por se opor energicamente ao catolicismo romano nas colônias ibéricas da Ásia.

A igreja brasileira e não a Igreja de Cristo (pela qual Cristo morreu), está podre por dentro e cheirosa por fora. Seus templos são sofisticados, seus apresentadores usam terno italiano (com exceção de alguns que gostam de usar coisas douradas ou prateadas que mais parecem fantasia do Cirque du Soleil) e andam em carros importados. Suas doutrinas no entanto são vazias, antropocêntricas e perecíveis, mas atendem os desejos da massa mundana que enchem estes espaços de endeusamento de homens.

É lamentável... mas inevitável.

"Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas." (2 Tm 4.3-4)

Autor: Daniel Clós Cesar
Fonte: [ Blog do autor ]

Angela Natel On terça-feira, 28 de setembro de 2010 At 12:59


Hermes C. Fernandes

Tão logo as águas do dilúvio baixaram, Deus ordenou que a humanidade repovoasse a Terra. Com uma ênfase maior do que na ordem dada ao primeiro casal, Deus disse a Noé e à sua família: “Povoai abundantemente a terra” (Gn.9:7).

Tal façanha só seria possível se eles se espalhassem pelo orbe terrestre. Em vez disso, os homens resolveram construir uma torre.

Dizem que o propósito era o de alcançar o céu. Porém, não é isto que o texto bíblico afirma. Confira:

“Então disseram: Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo cume toque no céu, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra” (Gn.11:4).

A torre teria que ser muito alta, não pra que eles subissem ao céu, mas para servir-lhes de referencial geográfico. Eles imaginavam que uma torre daquele porte poderia ser vista de qualquer lugar da terra, e assim, jamais se perderiam.

Seu objetivo era construir uma civilização ao redor da torre. Portanto, aquele empreendimento se constituía numa atitude rebelde contrária à ordem divina.

O que tornava possível tal empreitada era o fato de todos falarem a mesma língua. O capítulo que relata o episódio começa dizendo: “Ora, a terra toda tinha uma só língua, e uma só maneira de falar”.

É interessante observar que o próprio Deus reconhece a potencialidade que havia naquele povo devido à uniformidade lingüística: “O povo é um e todos têm uma só língua (...) agora não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer” (v.6).

A única maneira de impedir que aquele projeto se tornasse realidade era confundir as línguas.

Foi dito e feito! Quando não entendiam mais o que se falava entre eles, a edificação foi embargada, e eles, finalmente, se espalharam pela Terra.

Não me interessa aqui discutir o caráter desta passagem, se mítico ou literal. Em vez disso, quero focar no caráter simbólico e em sua mensagem para nós.

O propósito de Deus não é que edifiquemos uma civilização ao redor de uma torre, mas ao redor do Trono de Sua Graça. Os vinte e quatro anciãos vistos por João assentados ao redor do Trono de Deus representam a civilização do reino.

E para que esta civilização seja construída, faz-se necessária a união de todas as línguas. Algo como uma “Babel às avessas”. E isso aconteceu no dia de Pentecostes.

Enquanto a Torre de Babel representa o projeto humano, o Pentecostes é, por assim dizer, o lançamento da Pedra Fundamental na construção da sociedade definitiva, a Cidade de Deus.

Babel almejava ser o umbigo da Terra, um monumento à arrogância daqueles cujo deus é o ventre.

A civilização babelesca é voltada para si mesma, enquanto a civilização do amor é voltada para fora; daí o nome “igreja” (eklessia, no grego) significar “os tirados pra fora”.

Se em Babel Deus confundiu as línguas, em Pentecostes Deus as unificou.

De acordo com a reportagem creditada a Lucas, “todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem” (At.2:4). Não eram línguas angelicais, como deduzem alguns. Eram línguas humanas. Se não, que razão haveria para que os estrangeiros ali reunidos se pasmassem, ouvindo os discípulos indoutos falando em seus próprios idiomas?

É verdade que Paulo fala de línguas espirituais, e que tal dom era exercitado pela igreja primitiva. Porém, o que se ouviu em Pentecostes foram línguas de homens.

Entretanto, Deus não apenas unifica os vernáculos humanos, mas também unifica a língua dos homens e dos anjos. É sobre isso que Paulo fala em 1 Coríntios 13. O amor é a tecla SAP que faz com que compreendamos ambos os vernáculos, de anjos e de homens.

Céu e Terra foram reunificados, como antes da Queda do primeiro homem.

Agora, com homens e anjos falando a mesma língua ( o amor ), podemos trabalhar juntos pela implementação do projeto celestial: o Reino de Deus.

Em Babel, Deus desce para confundir, em Pentecostes, o Espírito desce para unificar línguas e propósitos.

Se aquele povo rebelde, por falar a mesma língua e ter o mesmo propósito, seria capaz de qualquer proeza, imagina um povo reunido e capacitado pelo Espírito Santo!

Duvidar que a igreja cumprirá a sua suprema missão de discipular as nações e conduzi-las ao Reino é subestimar o poder do Espírito Santo operante em nós.

Porém, não podemos ignorar que há forças malignas que encontram lacunas no egoísmo humano e se aproveitam para tentar confundir novamente as línguas. A igreja em Corinto enfrentou tais forças. Por isso Paulo admoestou-a: “Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos as mesma coisa, e que não haja entre vós divisões, para que sejais unidos no mesmo sentido e no mesmo parecer” (1 Co.1:10).

A confusão de línguas entre o povo de Deus só serve àqueles que em vez de trabalharem pelo Reino, estão preocupados em construir seus impérios particulares.

Não precisamos de uma torre ideológica ou denominacional para nos manter unidos. Qualquer projeto neste sentido será desbaratado. O que nos une é o projeto do Reino, infinitamente maior do que qualquer projeto pessoal.

Arregacemos as mangas e trabalhemos, tijolo a tijolo, na edificação e expansão do império de Cristo e da civilização do Amor.

Hermes Fernandes é também culpado do que se faz aqui no Genizah


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Angela Natel On At 06:09

Ricardo Gondim

Não sei explicar as razões de minha fé. Não sei dizer os porquês de minha devoção. Sinto-me inadequado para convencer os indiferentes. Como fazer que desejem o mesmo sal que tempera o meu viver? Limitado, reconheço que tudo o que sei sobre o Divino é provisório. Não tenho como negar, minhas convicções vacilam. As certezas que me comovem são, decididamente, vagas.

Sei tão somente que Ele se tornou a minha meta, o meu norte, a minha nostalgia, o meu horizonte, o meu atracadouro. Empenhei o futuro para seguir os seus passos invisíveis. No dia em que o chamei de Senhor, a extensão do meu meridiano se alongou e os fragmentos de meu mapa existencial se encaixaram. Ao seu lado, caíram os tapumes da minha estrada e o ponteiro da minha bússola se imantou.

Sei tão somente que Ele se fez residente no campus dos meus pensamentos. Presente nos vôos da minha imaginação, transformou-se no mais doce ponto de minhas interrogações. Causa de toda inquietação, tornou-se a fonte de minha clarividência.

Sei tão somente que Ele se desfraldou como flâmula sobre meus ombros. Por amar tanto e tão formidavelmente, cilício, purgações, sacrifícios, tudo foi substituído por desassombro. No porão da tortura, nos suplícios culposos, achei um ambulatório, o seu regaço.

Livros contábeis, que registravam meus erros, foram rasgados. Encaro a eternidade com a sensação de que as sentenças estão suspensas. Já não fujo dEle como de um Átila. Eu o chamo de Clemente.

Sei tão somente que Ele ardeu o delicado filamento que acendeu a luz dos meus olhos. Ele foi o mourão que marcou o outeiro de minha alma; sou um jardim fechado. Ele é o badalo que dobra o sino do meu coração e o alforje onde guardo acertos e desacertos do meu destino.

Sei tão somente que Ele me fascina com a sua luz refratada em muitos matizes. Dele vem o encarnado que tinge a minha face com o rubor do sol. Seu amarelo me brinda com o açafrão do mistério transcendental. Vejo um roxo que me colore de púrpura real. Seu branco é lunar e me prateia. Seu preto me imprime de um nanquim celeste. Por sua causa, a minha alma espelha o azul dos oceanos virgens.

O que dizer de Deus? Tão pouco! Calado, só espero que o meu espanto celebre o tamanho da minha reverência.

Soli Deo Gloria

fonte: Ricardo Gondim

Angela Natel On segunda-feira, 27 de setembro de 2010 At 12:32


Hermes C. Fernandes


Não creio que o homem tenha alcançado a consciência depois de comer do fruto proibido, conforme tem sido defendido em alguns círculos teológicos. O que ele adquiriu foi o inconsciente. Sua consciência, em vez expandir-se, como havia prometido o Diabo, foi fendida em duas partes. A partir dali, o homem tornou-se um ser fendido. Ao comer daquele fruto, o ego humano ficou exprimido entre o superego e o id.[1] Essas categorias desenvolvidas pela Psicanálise encontram seus paralelos com as categorias bíblicas de carne e espírito.

É por ser um ser partido, que o homem vive uma crise permanente entre o certo e o errado, entre os desejos da carne e do espírito (Gl.5:17). O homem tornou-se um ser essencialmente neurótico. No meio desta guerra, está o ego, sendo disputado por essas duas instâncias. Se o espírito tem prazer naquilo que é certo, e agrada o Senhor, a carne almeja exatamente o inverso. Tiago levanta a questão: “De onde vêm as guerras e contendas entre vós? Não vêm disto, dos prazeres que nos vossos membros guerreiam?” (Tg.4:1) Paulo confessa ser ele mesmo um campo de batalha entre o bem e o mal: “O que faço não o entendo. Pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço (...) Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum. Com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço (...) Pois segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus, mas vejo nos meus membros outra lei que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros” (Rm.7:15,18-19,22-23).

Paulo não precisou de um divã para confessar tudo isso. Ele o fez em uma epístola que deveria ser lida em público. Ele sabia que seu dilema era comum a todos os membros da raça humana, desde a Queda.

Se o homem alcançou a tal ‘consciência’, ficou alijado da fonte da vida eterna, experimentando sentimentos até então desconhecidos como a culpa, a vergonha e o medo. A tal ‘consciência’ custou-lhe a inocência.

Na verdade, todos os seres humanos vivenciam essa passagem vivida por Adão. Deixamos pra trás a inocência infantil, e assumimos a consciência adulta.

O retorno ao Paraíso deve nos ‘custar’ uma espécie de retorno à infância. Por isso Jesus salientou que se não nos fizermos como crianças, não podemos entrar no Reino dos céus (Mt.18:3). E para isso, necessário é ‘nascer de novo’ (Jo.3:3), o que equivale, em termos bíblicos, a converter-se das trevas à luz, da potestade de Satanás a Deus (At.26:18), da auto-suficiência à total dependência de Deus. Quando isso acontece, nossos olhos espirituais se abrem, e a verdade, antes oculta, nos é revelada. Tal experiência é chamada na Bíblia de metanóia, que é traduzido por "arrependimento", mas que tem um significado mais abrangente: meta = algo além, que transcende; nóia = de nous, que significa "mente". Logo, metanóia significa literalmente expansão da mente, da consciência.

Enquanto o homem vivia à sombra da Árvore da Vida, ele era um ser perfeitamente integrado a Deus e ao resto da criação. Com a Queda surge o que na psicologia profunda de Jung é chamado de processo de individuação. “No início, a pessoa tem apenas uma visão caótica, não-diferenciada de si mesma. Ao desenvolverem-se, seus lados bom e mau vão-se distinguindo gradualmente um do outro. Em geral, ela reprime o lado mau, provocando o crescimento de uma sombra em seu inconsciente. Se os mecanismos de repressão são demasiado fortes, a sombra se tornará monstruosa e pode acabar explodindo e dominando-o”.[2]

Foi o estado lastimável em que o homem chegou, que fez com que Deus instituísse a Lei. A natureza humana caída se tornou deveras má, e por isso, precisava de um freio. A Lei, escrita em tábuas de pedras no Monte Sinai, e confiada a Moisés, era esse freio.

Mesmo antes da Lei ser promulgada, Deus já havia imprimido na mente humana uma consciência de certo e errado.[3]

Entretanto, a Lei não pôde curar o homem de sua rebelião contra Deus. Pelo contrário. Ela instigou o lado mais sombrio do homem, dando-lhe proporções monstruosas. Paulo diz que através da Lei, o pecado se tornou “excessivamente maligno” (Rm.7:13b). A Lei foi instituída para que “a ofensa abundasse” (Rm.5:20a). Pode até parecer contraditório ou paradoxal. Mas o fato é que a Lei veio tanto para frear a iniqüidade humana, quanto para fazê-la agigantar-se. Ela tornou-se o instrumento pelo qual Deus desejava espremer o carnegão do pecado, e assim, extraí-lo da raça humana. É claro que haveria efeitos colaterais. A região afetada acabaria por inflamar-se. Mas justamente aí que entra a Graça de Deus. Enquanto a Lei, por realçar o pecado, acaba por expô-lo, a Graça, e somente ela, promove a cura. E aí, se cumpre o que disse Paulo: “Mas onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Rm.5:20b).

Com a emergência do inconsciente, o homem aprendeu a esconder o lixo debaixo do tapete. Suas taras, ambigüidades, complexos, neuroses, são acumulados no porão da sua alma. O que a Lei faz? Ela bate o tapete, fazendo com que a poeira suba! Pouco tempo depois, ela assenta novamente. Já a Graça de Deus revelada no Evangelho age de maneira diferente. Ela primeiro asperge o sangue de Cristo sobre a poeira, pra que ela não se levante, e aí, a remove pela santificação promovida pelo Espírito Santo.

A Lei é um instrumento repressor. Antonio Moreno, famoso psicólogo que escreveu “Jung, Deuses e o Homem Moderno”, tinha razão ao afirmar: “Quanto mais [uma pessoa] reprime sua sombra, mais escura e densa ela se torna”. [4] E Soljenitsin corrobora: “Ao silenciar sobre o mal, ao enterrá-lo tão fundo dentro de nós que nenhum sinal surja na superfície, estamos implantando-o, e ele subirá mil vezes, no futuro”.[5] É como a criança que afunda com a mão sua bola inflada. Tão logo a solte, ela emergirá com tamanha força que saltará da água.

O Evangelho de Cristo não nos propõe vencer o mal reprimindo-o pela força da Lei, e sim suprimindo-o pela confissão consciente dos elementos malignos que reconhecemos em nós mesmos, e sublimando-os. A repressão só faria aumentar a sombra do inconsciente.

A sublimação descreve o deslocamento de energia dos processos destrutivos, para processos espiritualmente e culturalmente mais elevados. A energia que poderia ser usada para o mal, é redirecionada e usada para o bem.[6] Em vez de simplesmente reprimir, recalcar, o indivíduo desloca sua energia para outra atividade, e assim, ele suprime, ou no linguajar bíblico, faz “morrer” a natureza terrena. É exatamente isso que Paulo recomenda aos Colossenses: “...buscai as coisas que são de cima... pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra” (Col.3:1-2).

Quando, em vez disso, recalcamos nossa energia, simplesmente nos submetendo às ordenanças da Lei, ela se desloca para o inconsciente, sendo ali armazenada, aguardando o momento de ser liberada com maior força.

Acrescentando-se energia ao material inconsciente, o inconsciente tende a ficar sobrecarregado. Quando isso acontece, a energia do inconsciente tenderá a fluir para o ego, e a romper o processo racional. O processo inconsciente, intensamente carregado de energia, tentará quebrar a repressão, levando o indivíduo a se comportar de modo irracional e impulsivo.

A sublimação e a repressão são processos que tomam caminhos completamente opostos. Enquanto a sublimação é progressiva, a repressão é regressiva. A primeira faz com que a psique se mova para frente, a segunda faz com que se mova para trás. Uma serve à racionalidade, a outra produz irracionalidade. Uma é integradora, a outra é desintegradora.

Ao sermos alcançados pela Graça libertadora de Cristo, já não precisamos sujeitar-nos a ordenanças do tipo: não toques, não proves, não manuseies. “Todas estas coisas estão fadadas ao desaparecimento pelo uso, porque são baseadas em preceitos e ensinamentos dos homens” (Col.2:22).

Estamos livres da Lei, e por isso, livres do pecado. “O pecado não terá domínio sobre vós, porque não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Rm.6:14).

A Lei já cumpriu o seu papel: diagnosticar nossa condição espiritual. Por ela descobrimos que estávamos espiritualmente mortos. Uma vez diagnosticado o problema, é hora de nos submetermos à ministração do remédio: a Graça[7] de Deus.


Devemos reconhecer que o mal não está fora de nós, mas em nossa própria natureza caída (Rm.7:18). E ele é exposto à atuação da Graça de Deus, quando o confessamos. Não se pode tapar o sol com a peneira. Temos que esvaziar nosso porão, através da oração e da confissão.
A Psicanálise desenvolveu o método terapêutico pela fala. Freud percebeu que falando, o indivíduo poria pra fora todo o lixo acumulado no porão de sua psique.

O método bíblico para a cura passa também pela fala. É confessando nossos pecados a Deus que somos perdoados e purificados (1 Jo.1:9), e confessando-os ao próximo, somos curados (Tg.5:16). Desde que nossos pais comeram do fruto proibido, todo ser humano precisa submeter-se a uma faxina regular de sua alma.

[1] Conceitos desenvolvidos pela Psicanálise Freudiana.[2] Ver Hesse, Hermann, Demian (New York, 1965), e O’Connor, Flannery, The Violent Bear It Away (New York, 1955).[3] Em Romanos 2:14-15 lemos: “Quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei. Eles mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os”.[4] Moreno, Antonio, Jung, Gods and Modern Man (Notre Dame, 1970), p.41[5] Soljenitsin, Alexandre, O Arquipélago Gulad, segundo a tradução inglesa publicada em New York em 1974, p.431.[6] A energia psíquica é deslocável. Isto significa que pode ser transferida de um processo num sistema particular a outro processo no mesmo ou num diferente sistema. Essa transferência é feita de acordo com os princípios dinâmicos básicos de equivalência e entropia.[7] Convém salientar que “graça”, do grego karis, significa favor imerecido. Deus nos recebe a despeito de nossos méritos, e perdoa nossos pecados, apenas de merecermos o seu completo abandono. Receber a graça implica admitir a culpa. Em vez de tentar merecer a salvação através de boas obras prescritas pela Lei, rendemo-nos à atuação da graça divina.


Hermes Fernandes é também culpado do que se faz aqui no Genizah


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Angela Natel On At 06:57
A MARCHA

Marcha é um daqueles termos abundantes da língua portuguesa que permite delirar o poeta.

Etimologicamente marcha pode se tratar tanto da forma como a pessoa se locomove quanto para denotar um exercício físico; pode significar uma caminhada quanto uma música; pode ser atlética ou automotiva; nupcial
ou fúnebre; um jogo ou um procedimento militar. Isso sem contar a MarCha – escreve assim mesmo – que significa Movimento Marista de Jovens (“Mar” de Maria” e “Cha” de Champagnat).

Como se não bastasse, novas marchas surgiram. Por exemplo: a Marcha Mundial das Mulheres é uma ação do movimento feminista internacional de luta contra a pobreza e a violência sexista; a Marcha da Maconha é
um movimento social que luta pela legalização da maconha no Brasil; a Marcha Mundial pela Paz e pela Não-Violência, a Marcha dos Usuários pela Reforma Psiquiátrica, a Marcha dos Prefeitos a Brasília, a Marcha
Nacional contra a Homofobia, a Marcha pela Defesa dos Animais, a Marcha Nacional pela Reforma Agrária além da Juventude em Marcha contra a Violência, entre outras marchas já politicamente engrenadas.

É tanta marcha que pode comprometer o câmbio! Uma, no entanto, mereceu minha atenção: a Marcha Prá Jesus.

A primeira MPJ aconteceu em 1987, na cidade de Londres (Inglaterra), pelo pastor Roger Forster. No início, a intenção era tirar a igreja das quatro paredes e mostrar que ela estava viva e presente na sociedade. Em 1989, mais de 45 localidades marcharam juntas em todo o Reino Unido, inclusive em Belfast (capital da Irlanda), onde 6 mil católicos e protestantes se reuniram, num visível sinal de união. No ano de 1993 o Brasil realizou a sua primeira edição do evento.

Em 2010, cerca de 5 milhões de pessoas participaram do evento, segundo estimativa da organização do evento. Mais de 600 caravanas de vários lugares do país chegaram a São Paulo para a festança gospel. Ao todo,
34 bandas e 14 trios elétricos animaram o público.

A despeito do objetivo inicial, a MPJ atual tem se revelado um megaevento de finalidades, no mínimo, questionáveis. Uma galera que desfila na avenida, mas que possivelmente ignora o caminho do
Calvário. Preferem empunhar a bandeira do gueto religioso ao invés de proclamar a cruz de Cristo. Levam um Jesus mais no peito do que no coração. A via dolorosa deu lugar à ocupação de amplos logradouros
públicos. Apóstolos denunciados judicialmente chamam mais a atenção que o “sol da justiça”. Se a gente é o que fala, eu prefiro não ouvir o depoimento dos romeiros da fé. Se a turma é o que dança, talvez
fosse necessário tomar umas aulas de axé baiano. Sair das quatro paredes não foi o bastante, a moda agora é saltitar atrás dos trios elétricos – e olha que coreografia não vai faltar se lançarem o “O Evangelhation tion tion, Evangelhation”...

Sinceramente, eu não saberia dizer se isso é uma marcha prá Jesus ou uma mancha no evangelho? Evidentemente há muito trigo misturado no meio do joio. Difícil é identificá-lo. Afinal, tá tudo “mixturado”.


A PARADA

Uma batida policial no bar Stonewall, frequentado por gays e lésbicas em Nova York, em 1969, deu o pontapé para a primeira parada do orgulho LGBT do mundo. A prisão e o espancamento de várias pessoas levou 2.000
manifestantes às ruas da cidade naquele ano. Desde então, o “28 de junho” se tornou o dia oficial do orgulho gay. As manifestações no bairro de Greenwich Village, na ilha de Manhattan, deram início a um
movimento pelos direitos civis dos cidadãos homossexuais que conseguiu vários avanços nas últimas quatro décadas. Hoje em dia, praticamente todos os países europeus e vários outros das Américas possuem suas
paradas de orgulho gay. O Brasil é sede da maior festa do gênero desde 2007.

A Parada do Orgulho Gay – festa que este ano durou cerca de 6 horas - reuniu aproximadamente 3,5 milhões de pessoas na Avenida Paulista, em São Paulo, segundo estimativas da organização.

Curioso observar que para garantir uma festa segura, o policiamento foi reforçado e a Prefeitura de São Paulo distribuiu 1,5 milhão de preservativos. Ingenuidade minha qualquer questionamento acerca do destino do dinheiro público e especialmente sobre a publicidade e estímulo à cultura da diversidade sexual e da pluralidade de parceiros.

E considerando que o Projeto de Lei 3234/08 institui o Dia Nacional da Marcha para Jesus, não seria igualmente correto solicitar que o Município de São Paulo distribuísse ao menos uns dois milhões de
exemplares do Novo Testamento aos participantes desse evento? Se o preservativo combate as doenças sexualmente transmissíveis (DST), o texto sagrado condena as “mazelas espiritualmente herdadas” (MEH). Se
a camisinha evita a AIDS, a Bíblia previne o espírito. Se o poder público pode financiar um bacanal a céu aberto também deveria promover a saúde dos seus cidadãos. Se prevenção custa menos do que
intervenção, alguém precisa lembrar o Ministério da Saúde que coerência faz bem à saúde pública!

Brasil – um país de todos! E de todas as paradas. O Brasil para no e pro carnaval; para diante da seleção canarinho, e reza pelos “anões do Dunga” em busca do hexa-sonho o qual faz a Marginal Tietê virar
deserto de pinche; para junto com o artilheiro e sua paradinha para enganar o goleiro; e, para encima da faixa, se não der para furar o sinal “alaranjado” (fração de tempo entre o sinal amarelo e o vermelho). Bom, se forem somados os finais de semana, feriados, recessos, emendas e outras terminologias brazucas, o motor verde-
amarelo talvez nem consiga engrenar a segunda marcha. Talvez um dia o país pegue no tranco.


A MEIA VOLTA

Para quem não se empolga com a Marcha e detesta a Parada, talvez precise dar meia volta.

Meia volta, volver!

Meia volta, refletir!

Meia volta, caminhar!

Para quem não sente orgulho gay e não marcha prá Jesus, a melhor opção não é ficar parado vendo a charanga passar. Ao invés de marchar PRÁ Jesus, ande COM Jesus. Se a parada é colorida demais e a marcha
badalada demais, caminhe junto ao Sumo Pastor o qual guia-nos “mansamente a águas tranqüilas”.

Afinal, a massa marcha prá quê? Prá quem? E por quem?

A massa não define marcha! O importante, diriam, é marchar.

De marcha, porém, quem entende são os pingüins imperadores. Na Antártida, anualmente no mês de março, centenas de pingüins fazem uma jornada de milhares de milhas de distância pelo continente a pé,
enfrentando animais ferozes, temperaturas frias, ventos congelantes, através das águas profundas e traiçoeiras. Tudo para encontrar o amor verdadeiro e realizar seu ritual de acasalamento, o qual prevê a inversão de papéis entre pingüins machos e fêmeas, onde o casal se separa após um breve tempo suficiente para a fecundação. A fêmea deixa o ovo para ser chocado pelo macho, enquanto retorna para o mar em busca de alimento.

Talvez minha compreensão esteja em marcha lenta. Mas tenho a impressão que a Marcha tá tão devagar do ponto de vista espiritual que mais parece uma Parada, e a Parada tá tão animada sob o bandeirão
multicolorido que bem merecia o título de Marcha...


NEIR MOREIRA
www.neirmoreira.com


Fontes:
www.g1.com.br
www.marchaparajesus.com.br
www.ogalileo.com.br
www.pt.wikipedia.com
www.r7.com
Angela Natel On domingo, 26 de setembro de 2010 At 12:47
Angela Natel On At 06:42

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Um dos mais fascinantes momentos bíblicos, ao meu ver, é o momento em que Cristo, durante a última ceia, lava os pés dos discípulos. Toda vez que tento imaginar essa cena, meus olhos marejam... é simplesmente linda!!! E quanta coisa nos ensina...

Ali estavam eles, os discípulos... haviam andado com o Mestre por alguns anos, contemplando face a face o verbo, Deus encarnado, sentindo o cheiro de Deus, vendo o “jeitão” de Deus, ouvindo sua voz...

Mas estava chegando a hora final, a cruz que era desde a eternidade se fazia urgente, palpável, vinha dos tempos eternos para rasgar a história e ver cravada nela o cordeiro imolado desde antes da fundação do mundo. O que era fora do tempo, estava prestes a invadir a cronologia humana e executar o plano, o único plano de Deus para a salvação... a CRUZ.

Jesus então cinge-se com uma toalha, tira a vestimenta de cima, enche uma bacia com água e passa a lavar os pés dos discípulos. Vergonha!! Humilhação!! Quem lavava os pés geralmente era um servo, alguém a mando de seu senhor, dono da festa, dono da casa. Inversão de valores, servos sendo servidos, o Senhor era quem os servia, o dono da festa é quem “paga o mico”... e Ele se humilhou...

Pedro, em seu impetuoso temperamento, seu jeitão tosco, dono do mar, pescador destemido, na arrogância infantil que lhe era peculiar nega essa possibilidade: “nunca me lavarás os pés”. Gesto aparentemente humilde, pois trazia em seu bojo o reconhecimento da autoridade do Mestre, foi duramente reprovado por aquele que trazia a bacia e a toalha nas mãos: “Se eu não te lavar os pés, não tens parte comigo (...) quem já se banhou não necessita de lavar senão os pés; quanto ao mais está todo limpo...”

Os santos também sujam seus pés no caminho!

Mesmo aqueles que tem seus pés firmes na rocha, que caminham naquele que é o Caminho, podem por muitas vezes sujar os pés.

O que mais me fascina em Jesus é sua total compreensão da humanidade e sua não-religiosidade. Jesus hoje seria, com certeza, confundido com o AntiCristo por alguns líderes da “religião cristã”, pois seu modo de agir, suas palavras e sua maneira de encarar as coisas difere muito da chamada “moral evangélica”.

Jesus não seria “evangélico”. Cada vez mais me convenço disso. Seu modo de lidar com os erros, com as dificuldades daqueles que sujam os pés no caminho é totalmente diferente da forma como vejo a “igreja”. Ele cuida, ele trata, ele lava os pés, mas não deixa de dizer que o corpo já está limpo... são só os pés... empoeirados, sujos, machucados... quão diferente daqueles que jogam fora a criança junto com a água da bacia... tão típico dos grandes coronéis-apóstolos-super-pastores de nossos “arraiais”.

Essa santidade que anda por aí, que não abre espaço aos pés sujos no caminho, essa eu não quero! Essa santidade do “não toque”, “não prove”, “não mexa” ... é a santidade dos fariseus. Paulo já dizia que essa santidade na verdade é falsa humildade, culto de si mesmo! (Cl 2.20-23). Essa santidade daqueles que querem ser mais santos do que Deus, daqueles que dizem que é pecado aquilo que Deus nunca chamou de tal, essa eu rejeito! A santidade dos “levitas”, dos “apóstolos”, dos “semi-deuses”, dessa eu quero distância.

Quero deixar claro que não estou fazendo uma apologia ao pecado! O mesmo Paulo que escreve o texto acima também diz que não devemos fazer uso dessa liberdade para dar ocasião à carne (Gl 5.13). Para a liberdade foi que Cristo nos chamou, principalmente porque nos libertou do império das trevas, da tirania da carne, para o reino do Filho do seu amor. Liberdade que nos faz responsáveis e que nos enche de gratidão pela graça (ah! a graça) que nos enche os pulmões e a alma do vento que sopra onde quer.

O que estou querendo dizer é que é possível, mesmo no Caminho, sujar os pés... e encontrar consolo naquele que lava pés, corações, mentes, olhos, simplesmente por ser a água viva.

Que Ele nos guarde de todo o mal no caminho que, às vezes, nos suja os pés.

Com carinho,

José Barbosa Junior
Fonte: [ Crer e Pensar ]

Via: [ Pensar e Orar ]
Angela Natel On sábado, 25 de setembro de 2010 At 12:44
Angela Natel On At 06:41

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Deus não precisa pedir licença ao homem para agir dentro dele. Essa é uma obra divina que não deixa o homem ser autônomo nem independente. Infelizmente, mesmo em meios evangélicos, há aqueles que insistem no fato de o homem deixar Deus agir em sua vida, nas mais variadas áreas. Deus tem que ter a licença humana para poder trabalhar na sua criatura. Essa teologia fica expressa em vários hinos e cânticos que nossas igrejas cantam. Essas igrejas são educadas na fé pelas músicas que cantam e, muitas vezes, as que prevalecem são as que ensinam coisas erradas. E uma das coisas erradas é a de que Deus age com a condição de nós o deixarmos agir. - “opera em nós tanto o querer como o realizar” (Fp 2.13).

Autor: Heber Campos
Fonte: [ Cinco Solas ]
Angela Natel On sexta-feira, 24 de setembro de 2010 At 12:06



Sergio Giorgini


E se Jesus fosse um nosso contemporâneo? E se a plenitude dos tempos fosse o agora? Se fosse hoje? Eu fiquei a imaginar quais seriam as escolhas que Ele faria.

Ele nasceria em Nova York ou Washington, sedes do Poder Político e Econômico do Império, no centro das decisões e das negociações, perto do poder e da força. Perto dos poderosos e dos fortes. De família influente, histórica, tradicional.

Escolheria doze dos melhores doutores de Harward, altamente capacitados, profundos conhecedores de toda a ciência, doutos em relacionamentos, doutos em línguas, os melhores entre os melhores para que seu legado fosse garantido.

Reunir-se-ia nos melhores restaurantes com os maiores líderes sociais e religiosos. Locomover-se-ia em seu jatinho particular pelos continentes, teria casas luxuosas nas principais cidades do mundo, faria palestras aos milionários arrecadando fundos para sua obra e proclamação de sua mensagem. Se vestiria dos melhores ternos, das mais exclusivas grifes, comprados nas melhores lojas dos melhores lugares. Circularia entre os poderosos e influentes, desfrutaria de seus iates, mansões e banquetes.

A cada cura e a cada milagre colocaria imediatamente em vídeo para propagar a todos o seu poder. Ordenaria que estes proclamassem, sob pena de perder a benção, a todos o que havia feito. Seus seguranças garantiriam distancia segura a fim de que ninguém o tocasse retirando dele virtude, ninguém o incomodasse e não desperdiçassem o seu caro e precioso tempo, com gente e assuntos pouco importantes.

Seria aclamado politicamente e conduzido ao posto de Supremo Líder Mundial, aceitando de bom grado a tarefa de resgatar os homens, sem sacrifício.

Se estiver levando a sério e não percebeu ainda, estou apenas sendo irônico. (Apesar de concordar que é algo assim, bem parecido, que a Teologia da Prosperidade ensina)

Jesus escolheu nascer em uma manjedoura, no chão de terra em berço tosco e colchão de feno, no campo, cercado apenas de natureza, de seu pai e mãe. Não escolheu o palácio, nem seus empregados, nem berço de ouro. Escolheu um lugar sem estrutura e conforto material, simples, discreto e rudimentar.

Jesus escolheu nascer e crescer na Palestina. Nasceu em Belém, cidade pequenina, e cresceu em Nazaré, pequeno vilarejo do menor estado da Judéia, a Galiléia. A própria Judéia um estado menor do poderoso e vasto Império Romano. Um lugar pobre, distante e desimportante. Não escolheu Roma, não optou pela proximidade aos poderosos, às facilidade da cidadania romana, às forças políticas e sociais, à nobreza ou riqueza herdada. Também não escolheu Jerusalém e o poder sacerdotal e espiritual que ela representa. Escolheu nascer e viver longe do poder, entre os pequeninos, entre os fracos e necessitados política e espiritualmente.

Jesus escolheu a Maria para ser sua mãe, simplesmente a jovem, santa e virgem Maria. Tão simples que nada mais temos a falar sobre ela. E por pai escolheu José, carpinteiro, temente a Deus, pobre. Não escolheu Herodes, não escolheu Caifas e nem qualquer outra família ou sobrenome importante que facilitasse seu caminho.

Jesus escolheu não ter mestres famosos, não estudou nos centros do conhecimento, não se rodeou de gente famosa e importante. Ele chamou doze homens rudes, pescadores e cobradores de impostos além de algumas prostitutas.

Jesus escolheu fazer uma revolução silenciosa, não armada, baseada no ensinamento, no exemplo, sem espadas, sem violência, sem nada mais que a Palavra. Como um carpinteiro que, camada por camada, transforma a aspereza em lisura. Não convocou às armas, não arregimentou exércitos, não forjou armamentos. Não se utilizou de força ou poder humano. Mas sem derramar uma gota de sangue, a não ser das suas, realizou a maior transformação cultural, racional, política, social e espiritual que já houve, que há ou que jamais haverá.

Jesus escolheu se sacrificar pelos seus semelhantes. Não escolheu ser conduzido ao trono em um cortejo pelos tapetes reais, preferiu as folhas de palma, e um jumentinho ao carro real. Não escolheu vestir uma coroa de ouro e pedras preciosas, escolheu uma de espinhos e sangue. Não escolheu os trono de ouro, mas sim o de madeira bruta.

Jesus, com estas escolhas, realizou a maior obra que a humanidade presenciou, teve uma vida plena, feliz e vitoriosa. Ele faz escolhas por nós também como: onde nascemos, em que família, que oportunidades teremos.

Porque continuamos achando que precisaríamos ser mais ricos, mais influentes, mais poderosos, termos nascido melhor, ou qualquer outra coisa, para sermos pessoas
plenas e satisfeitas?


Publicado em Sergio Giorgini Junior e divulgado pelo Genizah


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Liberdade de Expressão


É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se:
“é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença"(inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da"argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.