Angela Natel On quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010 At 07:37
Angela Natel On segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010 At 06:44

Este texto é baseado em um caso real.

Certa família humilde passava por graves privações. E a comunidade cristã tradicional, próxima, não se apercebeu.

Então, um senhor espírita se aproximou; esforçou-se e arranjou um emprego para o pai daquela família. Com o passar do tempo as privações se foram, os filhos se graduaram tornaram-se prósperos e, naturalmente, espíritas.

Quando o Senhor Jesus mostrou para o doutor da Lei quem era o "próximo" do homem ferido pelos ladrões, na parábola, referiu-se a um samaritano. Um homem de um povo estranho transportado de longe por Nabucodonosor, para as terras de Israel. Cristo confrontava uma religiosidade desprovida de compaixão. E compaixão significa estar atento às necessidades do próximo. Nossas mãos a serviço dos olhos do SENHOR.

Eu fico meditando: O que estamos vendo no meio evangélico é bem parecido com o relato da parabóla. Muitas palavras e poucas atitudes. Muitos críticos e poucos "samaritanos". Muito individualismo e pouca solidariedade. Muitas palestras, escolas de liderança e poucos mestres em SERVIR.

E diante de tudo isso, como falar do amor de Deus para quem só conheceu a generosidade de "Samaritanos"? É, você e eu temos mesmo muito a melhorar!



***
Joao Cruzué é um dos pioneiros da blogosfera cristã evangélica, e há anos edita o excelente blog Olhar Cristão. Título original: A parábola do bom samaritano contextualizada.

http://www.pulpitocristao.com/2010/02/onde-esta-igreja-de-que-promove-o-reino.html
Angela Natel On domingo, 21 de fevereiro de 2010 At 06:41
Angela Natel On sábado, 20 de fevereiro de 2010 At 06:23

Digressão é mudar de assunto, necessária para ainda ficar no tema: Pelados, mas santos, por uma teo-filo-missio-antropo-socio-logia sem ataduras culturais.


Bráulia Ribeiro

Enquanto eu caminhava pela mata, nos sobes e desces poças e troncos meu espírito se angustiava. Meus companheiros de caminhada são dois colegas de missão, um casado com uma de minhas melhores amigas, outro solteiro recém-chegado, estrangeiro, que conheço pouco. A possibilidade de ter aqueles olhares masculinos sobre meu corpo nu, me incomodava profundamente. Para os índios a nudez é parte da vida, como eu já disse uma sociedade nua pode ser até mais honesta, os traseiros são rostos, e como nos rostos o refletir do tempo não são uma vergonha, mas uma honra. Mas para nós animais urbanos pós-modernos cidadãos do país campeão mundial em implantes de silicone não é assim.

“- Sempre me meto em confusões, porque eu tinha que inventar esta visita, os índios nem se importam comigo, sou mulher e mulher não vale um tostão, se fosse o Reinaldo seria melhor, ele é forte, eles iriam gostar de revê-lo, mas eu, tô por fora, não posso nem cantar como pajé porque mulher não canta, houve só uma há muito tempo atrás… E agora vou ter meu traseiro exposto pra estes caras… Suprema humilhação, se eu fosse homem nem iria ligar, mas sou mulher e meu traseiro tem que ser uma espécie de patrimônio pessoal…. Quem sabe eu deveria ter feito implante ou lipo, esta vida de missões, nunca se tem tempo ou dinheiro para se cuidar de si mesmo…”

O sentimento de inadequação me sufocava. Dizem que a floresta absorve muito mais gás carbônico do que é capaz de expelir, e o oxigênio é abundante. Mesmo assim ela vai se tornando numa caverna escura na medida que se entra nela, e te envolvendo com um sentimento claustrofóbico imenso. Uma outra mulher da missão ia comigo, mulher de Deus também casada, alguns anos mais jovem e que anda investigando a luta contra as injustiças sofridas pelas mulheres ao redor do mundo. Não liguei as coisas, não entendi o que estava acontecendo, só continuei a me lamuriar pelo que teria que passar, e a questionar a validade de meu ministério ali.

Na verdade o sentimento de inadequação já me perseguia há algum tempo, desde que há alguns meses atrás assumi o posto de presidente nacional da missão. A partir daí passei a viver como um condenado diante do pelotão de fuzilamento. Um gesto fora do lugar, uma palavra, um grito e pumba, pápápápá, seria o fim… Porquê? Sou mulher. Carrego o mundo no ventre, gero o mundo. Ali na selva todo este sentimento injusto de cobrança se tornou no pavor concreto de ser vista nua. Ficaria nua não só no corpo, mas no caráter, no ministério, na personalidade, na espiritualidade. Seria vista no raio x, eu mulher, mais branca do que deveria, mais pesada do que deveria, imprópriamente mulher no mundo da supremacia masculina.

Foi no meio de uma trilha completamente alagada que a voz de Jesus começou a sussurrar no meu ouvido. Mais de meia hora com água pela cintura, cruzando um igapó, (mata submersa) carregando a mochila mais alta para não molhar e fincando uma vara pontuda na lama à frente antes de pisar para ter certeza de que não haviam arraias deitadas esperando para enterrar seu ferrão nos nossos pés. O frio da água, a lama dificultando os passos, a sombra do igapó e a voz de Jesus me dizendo: “Fica triste não minha filha, eu te enviei. Você é mulher mas não é inadequada. É como mulher que você vai pisar lá, emissária da minha palavra. Me lembrei de minhas colegas de missão que por muitos anos trilhavam aquele mesmo caminho carregando nas costas seus filhos para ir viver na aldeia. Pensei em toda revelação do amor de Deus que elas representavam como mulheres do mundo de fora, estrangeiras aquela realidade indígena pisando ali, orando ali, cantando, vivendo Jesus e seu amor pelas viúvas e orfãos da tribo, pelas meninas adolescentes, pelos garotos.

Mulher, mas não inadequada, acho que repetia em voz alta, enquanto dava meus passos desajeitados na lama. Chegamos depois de quase seis horas de caminhada pesada. Revi minhas amigas antigas, vi as viúvas, as velhas e as novas adolescentes casadoiras. Conversamos principalmente sobre sexo e comida (este é o principal tema de conversas em todo mundo creio eu, e na tribo também). Pedi uma tanga emprestada, veio o ritual da pintura, com leite de peito e cuspe. Veio a nudez, e ela me caiu bem. Via os colegas de missão há alguns metros de distância um tanto constrangidos. Via a alegria de minhas amigas indígenas e como celebraram minha chegada, meus seios à mostra, mas não me envergonhava mais. Não sou inadequada. Estava ali por Jesus.

Minha colega tomou coragem na minha coragem e também se desnudou. As meninas da tribo então nos tomaram pela mão e nos levaram para uma outra casa comunitária próxima onde celebramos longamente com muito canto, choro, orações a presença de Deus no nosso meio, no meio do povo, seu consolo para os corações cansados, seu perdão para os corações amargurados. Tomamos autoridade de pajés espirituais, mesmo que para aquela cultura não fosse totalmente apropriado mulheres fazerem isto. Para Deus eu era.

Na volta um dos companheiros disse que não precisávamos ter ido tão longe.

Me desculpe colega, mas vou até onde Jesus vai comigo. E ele foi além da vergonha da nudez para a vergonha da cruz… Quando Pedro resistiu contra a necessidade de Jesus ir para Jerusalém para morrer, eu também resisto às vozes religiosas que diminuem a amplitude do sacrifício e a ousadia necessária na obra missionária. Eu havia me desnudado não só no físico, mas do meu machismo. Eu era machista e pequena aos meus próprios olhos e não sabia. A doença do machismo estava oculta na mente de uma mulher que representa o conceito quase que oposto a ela.

Eu precisava ir “tão longe” e o povo também precisava de me ver ali encarnada de índia, literalmente. Não sei se os que lerem vão entender o que quero dizer. Acho que tem a ver com ser mulher, e sentir nua neste mundo masculino, e do valor que temos diante de Deus apesar de tudo… É isto.



Bráulia Ribeiro, missionária e autora de Chamado Radical. Este ensaio é parte do novo livro em gestação, gentilmente twittado pela autora para o Genizah.
Angela Natel On sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010 At 04:03

O DIP é o Domingo da Igreja Perseguida, evento que acontece há 20 anos e foi criado pelo Irmão André, fundador da Portas Abertas. Esse dia tem o objetivo de unir as igrejas brasileiras a passar momentos voltados à lembrança dos cristãos perseguidos, já que estes enfrentam muitas dificuldades em nome de sua fé em Cristo. Por isso, convidamos você a organizar este evento e ser um representante da causa da Igreja Perseguida.

Por ser um dia todo separado ao propósito de apresentar a realidade vivida por cerca de 100 milhões de cristãos ao redor do mundo, várias atividades podem ser elaboradas para chamar a atenção dos membros de sua igreja.

Ano passado, 4.200 congregações participaram do DIP. Para 2010, estamos aguardando que mais igrejas estejam à frente desse importante evento de conscientização para os cristãos brasileiros.

No site do DIP, você poderá obter ideias de atividades, materiais para download como cartazes, sugestões de camisetas, banners para utilizar nos sites de suas igrejas e blogs. Além disso, você pode conhecer a opinião dos organizadores do evento do ano passado, ver fotos e vídeos.

Faça parte da história de vida de milhares de cristãos que sofrem perseguição, divulgando e conscientizando o maior número de pessoas possível.

Afinal, se tudo o que eles enfrentam fosse com você, você gostaria que outras pessoas soubessem o que você passa, não gostaria?

Realização:


http://www.domingodaigrejaperseguida.org.br/


Angela Natel On quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010 At 08:29
Angela Natel On At 06:35

“...quando estou fraco, então é que sou forte” (2Co 12.10)


O perfil de uma pessoa poderosa e bem sucedida normalmente está associado à sua capacidade de vencer, convencer e impor-se, seja pela beleza, pelo talento ou pela fortuna que detém. Anualmente é publicado o ranking das 100 pessoas mais influentes do mundo. Nele estão presidentes, generais, estrelas do cinema e bilionários. Há algo em comum em todos eles: o poder que exercem e o fascínio que suscitam.

Fecha o pano e corta rápido para a Bíblia. Entramos num mundo paradoxal. Ali não é mais o forte ou o poderoso que conta, mas o pobre, o fraco, o simples. A Bíblia é um livro que contém relatos surpreendentes de lutas e desafios que

contam de um lado os fracos e impotentes e de outro lado os detentores de força e poder. É o jovem Davi lutando “mano a mano” com o gigante Golias, é Elias versus 450 profetas de Baal, é o povo de Israel tentando escapar do faraó e seus carros de guerra, ou os primeiros cristãos diante das feras no Coliseu romano. Desde o seu nascimento, Jesus já nos ensinava que há algo de diferente no universo da fé.

A força nunca foi característica da fé cristã, e sim o amor. As bem-aventuranças lançadas por Jesus no sermão do monte apontam justamente para aquilo que é considerado fraqueza diante do mundo: mansos, humildes, perseguidos, promotores da paz.... estes são felizes.

Diariamente constatamos que os poderosos, os ricos, e os que pretensamente possuem domínio da situação, “não precisam” de Deus. Quem teve dinheiro para embarcar no Titanic em sua viagem inaugural, entrou ali na certeza que estava num navio que “nem Deus poderia afundá-lo”. Os auto-suficientes desdenham tudo o que se refere ao Eterno. Certamente esta sensação mudou quando milhares se viram lançados nas águas geladas do Atlântico Norte.

É bom saber-se fraco. Faz-nos solidários, despretensiosos. Ao confessarmos nossa fragilidade e vulnerabilidade, podemos ser transparentes, sem nada a esconder. Reconhecer a limitação impede a indolência e nos leva a lutar para superar as dificuldades.

Sempre me fascinou o fato de que quando Deus precisa de pessoas para realizar a Sua Obra, Sua escolha recai nos que demonstram alguma forma de deficiência. Moisés, chamado para liderar um povo, reconhecia-se tímido e com dificuldades para falar em público. Jeremias achava-se imaturo para a carreira proposta. Amós era um “caipira” sem as credenciais formais de um profeta. E Gideão se surpreende ao ser escolhido para livrar Israel: “minha família é a mais pobre de toda a tribo e eu o menor na casa de meu pai” (Jz 6.15). Lutero era um homem atormentado por conflitos interiores, Agostinho também.

Essas fraquezas resultam num senso de insuficiência e numa sede por Deus muito grande. Eles precisam de algo maior, da transcendência em suas vidas. Deus se agrada em mostrar a Sua Salvação ao mundo através da fraqueza de alguns. Ela não é empecilho, mas é o caminho que Deus se utiliza. A Sua Face, Seus desígnios e Seu Amor para com a humanidade, se valem constantemente de nossas debilidades.

Quando Paulo orou para que lhe fosse tirado o espinho na carne, que o humilhava e o debilitava, Deus negou, mas em sua fraqueza logo descobriu uma força que não era dele, e que o sustentaria dali pra frente. Ou seja, a “doença” de Paulo era o canal por onde passaria o amor de Deus. Ele cedeu para Deus.

É comum encontrar nas livrarias literatura do tipo “a arte de vencer”, ou “dez lições como ser um vencedor”, mas não há nada sobre a arte de ceder, a não ser na bíblia. A bíblia, como sempre, vai na contramão do senso comum. O evangelho não pretende me fazer vencedor aos olhos do mundo: Jesus terminou sua vida pendurado numa cruz, todos os seus discípulos – à exceção de João – foram martirizados, e o maior apóstolo dos gentios, Paulo de Tarso terminou sua carreira sozinho numa cela fria, “desamparado por todos” (2Tm 4.16).

Fico atento quando encontro na caminhada da vida, companheiros que estão no limite de suas forças, outros no limiar da sanidade, e ainda outros lidando com a doença e fragilidade física. Sim, fico atento, pois sei que são neles que o Eterno haverá de se mostrar.

Um soldado francês com amnésia por traumas de guerra, após a II Grande Guerra, estava sendo conduzido com outros pacientes para uma clínica em uma cidade no interior da França. O trem em que estavam precisava parar em um vilarejo. Como teriam de esperar, ele pediu permissão para caminhar por aquele lugar, que lhe parecia familiar. Andava um pouco e parava pensativo. Em frente a uma casa, parou, e timidamente bateu à porta. A porta se abre e um homem já idoso olhou surpreso para o jovem à sua frente e de seus lábios brota uma frase: "- Meu filho". O jovem, surpreso, respondeu: "- Meu pai....”. E correu para abraçá-lo. “Pai, agora eu sei quem eu sou!", disse ele chorando.

Deus é aquele que nos desperta de nossa “amnésia” existencial provocada pelos traumas causados pelo pecado, e nos mostra quem somos. Somente com a aceitação de nossa filiação divina é que nossos olhos se abrirão para conhecer os valores que realmente importam na vida. Jesus veio em fraqueza, humildade e mansidão. Não há outra forma legítima de viver. O resto é ilusão.

Pr. Daniel Rocha - PÃO QUENTINHO CXI



Angela Natel On quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010 At 06:41

Olá

Repasso mensagem de Brasília e acrescento que seria bom haver reuniões sobre o PNDH-3 nas Igrejas, casas, escolas, em todo o país, a fim de esclarecer e denunciar as reais intenções por trás do projeto. É um golpe totalitário contra a sociedade brasileira porque a imensa maioria não sabe disso e os pressupostos deste decreto afrontam diretamente a consciência popular. E, verdade seja dita, isto é articulação das mentes marxistas de corpo e alma, incruadas no atual governo (que eu ajudei a eleger porque não esperava isto) , que pretendem fazer um "outro mundo possível" com a conversa mole do politicamente correto, engambelando multidões de bem intencionados, enquanto vão aplicando seus planos de expansão e manutenção no governo e no poder (e que, com minha ajuda, não mais se elegerão - viva a democracia!). Não significa que os demais poíticos são altamente recomendáveis, mas que podemos exercer nosso direito como povo brasileiro, alternando-os no poder, e requerendo sempre um comportamento mais digno. Antes que eles consigam nos fazer um país de anormais subalternos.


LZ

Sugiro que se leia o PNDH3 publicamente.




Prezados amigos

Informamos que a reunião para debate do PNDH-3 foi um sucesso. Agradecemos os companheiros e irmãos que estiveram presentes e lamentamos a ausência de tantos amigos e colaboradores.

Pontos polêmicos foram identificados e discutidos.

Tivemos a participação de deputados católicos e evangélicos e de representantes de diversas entidades e movimentos sociais, além de um grande número de pastores e lideres religiosos.

A Frente Parlamentar Católica nos ajudou no debate quanto a descriminalização do aborto e a Frente Evangélica nos ajudou no debate quanto a homofobia e diversidade sexual.

Os pontos mais discutidos foram: descriminalização do aborto, diversidade sexual, apologia aos profissionais do sexo, conflito de direitos, retirada de símbolos religiosos de espaços públicos, direitos indígenas, casamento entre pessoas do mesmo sexo, adoção de crianças por casais homossexuais, crime de homofobia, liberdade religiosa ente os povos indígenas, entre outros.

Ficou definido da urgência e da importância de se realizar um Seminário para continuar a discussão.

Foi sugerido que presidente de todas as denominações evangélicas do Brasil participem deste seminário.

A reunião teve uma grande repercussão. Imaginem vocês que hoje até mesmo assessores da Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República já telefonou para saber detalhes da reunião e se colocando a disposição para esclarecer nossas dúvidas e os pontos que consideramos polêmicos.

Um fato chamou a atenção dos presentes. Trata-se de uma ação programática dentro do PNDH-3, que esta prevista na página 99, dentro da Diretriz 10 ( Igualdade na Diversidade), Objetivo Estratégico V, que diz o seguinte:

“d) Reconhecer e incluir nos sistemas de informação do serviço público todas as configurações familiares constituídas por lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), com base na desconstrução da heteronormatividade.

Responsável: Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão

Parceiro: Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República”

Há muito tempo o Julio Severo e a Rozangela Justino já nos chamam atenção de que o objetivo de alguns movimentos é a desconstrução social e a desconstrução do conceito de família.

Mas nunca a palavra desconstrução vavia sido usada de forma tão aberta.

Pontos como este levantados ontem, levaram a conclusão da necessidade de se ampliar o debate entre os cristãos.

Uma data já esta sendo proposta para a realização do seminário nacional. É o dia 17 de março de 2010.

Precisa ser urgente, pois conforme o anúncio do Deputado Pastor Pedro Ribeiro, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados já decidiu por aprovar o CNDH-3 o mais breve possível.

Então, reservem em sua agenda esta data e venha a Brasília participar deste grande seminário.

Depois enviaremos mais detalhes.

Abraços,

Dra. Damares Alves

Angela Natel On terça-feira, 16 de fevereiro de 2010 At 06:09

Por Leonardo Gonçalves
Carnaval no Brasil é mesmo uma grande baixaria; isso não é nenhuma novidade. Novidade será o dia que a mídia começar a catalogar as mulheres segundo seus mais nobres predicados, colocando um ponto final nesta ideologia retal e na onda de mulheres fruta. Falei bobagem? Exagerei? Então dá uma sacada nessa letra aqui:
“Alô minha galera preste atenção: Rebolation é a nova sensação
Menino e menina não fiquem de fora que vai começar o pancadão
O suingue é bom gostoso de mais
Mulheres na frente os homens atrás
Esse é um dos hits que está bombando no carnaval do Brasil. Tosco, né? Nem tanto. Essa aqui é ainda pior, e faz apologia à pedofilia:
“Sou o lobo mau, sou o lobo au, au... vou te comer, vou te comer, vou te comer [...] menina danada, merenda boa, feita pela vovozinha”.
Não podemos esquecer ainda do sucesso no Youtube há uns meses atrás, o “Todo Enfiado”. Pra você que acaba de chegar da Lua e não sabe do que se trata, o Púlpito explica: Trata-se de uma dança em que a mulher coloca as mãos no joelho e dá aquela abaixadinha (posição clássica do Axé), movendo os glúteos freneticamente enquanto um rapaz abaixa a calça da menina (ou levanta a saia, dependendo do caso), enfia a calcinha no ânus da mesma, balançando a bunda dela como um pêndulo, de um lado para o outro, de cima para baixo. Safadeza pouca é bobagem.
[Foto: Andressa Soares, a "mulher melancia", que estará animando o carnaval do Ceará]
Mas gente: Deixemos de ser radicais, afinal, é carnaval! Daqui pra frente “cada um dá o que quer e come o que gosta”. E sem culpa! Nada dos “falsos moralismos” do cristianismo, pois no fim das contas, a moralidade é apenas uma convenção social, não é mesmo? Pois é... É por causa de gente que pensa assim que a dança do “Todo Enfiado” (uma torpeza imoral capaz de fazer ruborizar o capeta), está sendo ensinado na creche. Lembrou? E a igreja, onde é que entra? Exato, meu amigo: Não entra (ou ao menos não deveria entrar). Em ocasioes como estas, quando muitas pessoas vão para a rua beber o juízo e fazer sexo com o primeiro(a) que aparecer, não acho prudente ficar esgoelando juízo, pois penso que a esmagadora maioria não está lá para ouvir. Creio que uma passeata como essa abaixo (foto) não é a melhor forma de “evangelizar”.
[Missionários do Carnaval protestam em Salvador. Fonte: OGlobo]
Mas, ao menos estes se posicionaram contra a festa. Digo isso porque não faltam crentes gospels correndo atrás de trio elétrico na Bahia. Exemplo disso é a loira Carla Perez, da Igreja (sic) Renascer em Cristo (sic), que todo ano puxa o trio “Algodão Doce”. Segundo Carla, o trio é bastante light comparado aos outros trios elétricos (dizem que ela até reza um Pai-Nosso antes da apresentação. Que “bença”!). Seu publico alvo é a criançada, e sequer passa pela cabeça dela que o axé é um ritmo incompatível com a inocência da infância. Episódios como o “todo enfiado” na creche não a comovem; além disso, o Algodão Doce é um bloco “de respeito”, um inferninho light, poderíamos dizer.
[Carla Perez na balada, curtindo muito axé no bloco do Psirisco. Fonte: EGO]
Além do seu bloco semi-gospel, Carla também veste abadá e cai na folia nas noites de Salvador. Recentemente, a “irmã” foi vista seguindo o bloco Psirisco, sucesso na terra do PaiÓ com a música “Embola”. PS: Ainda bem que aqui no Peru não tem carnaval. Mesmo assim, a globalizaçao e a mídia tem possibilitado ao povo conhecer este lado “nobre” da nossa cultura. Foi outro dia mesmo que um peruano a quem eu estava conhecendo naquele momento soltou a pérola (em portunhol): “Ah, você brasilero? Hum, Brasil mais grande do mundo, mulata, culo, putinha, carnaval. Você gosta de puta? Brasil muita puta” (sic). Ah, que vontade de cuspir no chão e sair nadando! O tempora! O mores! http://www.pulpitocristao.com/2010/02/carnaval-muita-sensualidade-e-pouco-bom.html
Angela Natel On segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010 At 05:10

Possível candidata à Presidência em 2010, a evangélica Marina Silva movimenta a sucessão com bandeiras como ética, sustentabilidade e respeito à diversidade.

Quem espera encontrar em Marina Silva ingenuidade política e meras palavras de ordem de uma militante ambientalista vai se surpreender. Sua principal bandeira, a do desenvolvimento sustentável, já se mostra capaz de articular-se com amplos setores da sociedade, mudando os rumos do debate em torno da sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A senadora pelo Acre, que se filiou ao PV em agosto, desponta como candidata a presidente e promete não fazer apenas figuração nas eleições do ano que vem. “Quero preservar as utopias”, disse Marina, de 51 anos, ao filiar-se ao novo partido. Antenada com os esforços mundiais para frear o aquecimento global, ela afirma que estamos em uma “esquina civilizatória”, na qual todo o planeta precisará repensar seu modo de crescimento e consumo.
Casada, mãe de quatro filhos, Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima tem o dom de surpreender. Quem poderia dizer que a cabocla acreana, filha de seringueiro, que só aprendeu a ler aos 16 anos, pudesse se tornar a senadora mais jovem da história, eleita pela primeira vez aos 36 anos, em 1994? Formada em história pela Universidade Federal do Acre, ela não parou de estudar, tendo feito vários cursos. Atualmente, com uma agenda superlotada, ainda encontra tempo para uma pós-graduação em psicopedagogia. Herdeira política do líder seringueiro Chico Mendes (1944-1988), Marina foi ministra do Meio Ambiente entre 2003 e 2008, quando, após esgotar os esforços para fazer da política ambiental uma prioridade no governo Lula, preferiu voltar ao Senado. Sua saída teve grande repercussão na imprensa internacional.
O impacto provocado por sua desfiliação do PT também não foi pequeno. Mas pareceu o caminho natural de Marina, que une sua voz frágil à firmeza de suas convicções. Em 2007, foi escolhida pelo jornal britânico The Guardian como uma das 50 pessoas em condições de ajudar a salvar o planeta. Sua lista de premiações é longa. Dentre muitos outros, ela recebeu o prêmio 2007 Champions of the Earth, o maior das Nações Unidas na área ambiental. A aparente fragilidade física – ela foi vítima de muitas malárias e de hepatites, além de ter sofrido com a contaminação por metais pesados – desafia o fôlego de quem queira acompanhar seu ritmo de trabalho, que entra pela madrugada.
Formada políticamente pelas Comunidades Eclesiais de Base, Marina não renega o que aprendeu, mas confessa com clareza sua fé evangélica. Desde 1997, congrega na igreja Assembleia de Deus, em Brasília. Ela procura preservar sua vida devocional da curiosidade alheia, evitando também o uso político de sua fé. Nesta entrevista, concedida com exclusividade a CRISTIANISMO HOJE, a senadora, em raro momento, se permitiu falar de sua conversão e de sua vida cristã.
CRISTIANISMO HOJE – Como foi sua conversão à fé evangélica?
MARINA SILVA – A gente sempre tem a chance de se tornar cada vez mais dependente de Deus pelo amor que ele tem para conosco. Mas a maioria de nós busca esse amparo e segurança no momento de dor. E comigo não foi diferente. Eu me converti em 1997, numa situação de problema de saúde muito grave. Meu médico, o doutor Eduardo Gomes, após uma batalha comigo por muito tempo, me mandou para o Massachussetts General Hospital, nos Estados Unidos. Fiquei lá quase um mês, fiz uma série de exames, e o diagnóstico confirmou a contaminação por metais pesados. Não era mercúrio, era antimônio, que gerava problemas semelhantes. Só que o medicamento que poderia ajudar a combater a contaminação por antimônio não estava liberado ainda pela FDA [Food and Drug Administration, órgão do governo americano que regulamenta o setor farmacêutico]. E eles não aplicariam o remédio nem com minha autorização, devido ao risco de desencadear um choque anafilático ou uma hepatite medicamentosa grave – e eu já tinha tido três hepatites e cinco malárias. Na época, meus rins eram muito sobrecarregados e eles disseram que o remédio poderia também levar a uma sobrecarga e fazer uma paralisação renal. Então esqueci esse remédio. Voltei ao Brasil muito triste. Fui à nova consulta, muito mais para chorar minhas pitangas, e meu médico até brincou, dizendo “senadora, a senhora não precisa de médico, precisa de um milagre”. Fui então apresentada a um grupo de oração. E me converti, me batizei e passei a ter uma relação de muita proximidade com a Palavra, de muito recolhimento e muita oração. Foram experiências muito profundas.
E como ficou a saúde?
Depois de dois anos – e toda quinta-feira eu ia para o círculo de oração –, em um momento de oração pelos enfermos, eu estava na fila e me vieram à lembrança as letras “DMSA”. Na hora, não me ative. Mas depois me dei conta que era o tal remédio e pensei: vou tomá-lo. Liguei para o doutor Eduardo e perguntei se poderia tomar o remédio caso eu me comprometesse. E conseguimos, veio o remédio. Tomei a primeira dose, não aconteceu nada… Tomei a segunda e nada e, no terceiro mês, tomei a última. Seis meses depois eu fiz um teste de sangue que finalmente mostrou níveis de contaminação mais baixos do que o limite tolerado pela Organização Mundial de Saúde. Então, eu fui atrás da bênção de Deus e encontrei o Deus da bênção. Talvez, se eu tivesse encontrado primeiro a bênção, tivesse desistido de Deus. Mas ele sabiamente se deu primeiro a mim, e depois veio a bênção. E foi um milagre! Para mim, era um milagre, porque a maior dificuldade era remover aquela montanha do medo, da insegurança por tomar um remédio sobre o qual os médicos não se responsabilizavam. Então essa montanha foi removida pela fé e pela graça de Deus. E a ciência removeu a outra, que foi a do antimônio, que já estava impregnado nos meus tecidos.
Como se dá hoje sua vida devocional?
Se estiver em Brasília, nos finais de semana eu vou à igreja Assembleia de Deus. Ultimamente, as viagens são muitas. Mas também, durante a noite, eu sou convidada pelas igrejas Brasil afora. Então me sinto congregando intinerantemente. E, obviamente, leio a Palavra, faço minhas orações.
No cenário político nacional, cada vez que alguém se diz evangélico, vem uma chuva de perguntas sobre temas como aborto, eutanásia, homossexualidade, criacionismo. Como a senhora lida com isso?
Fui católica durante muito tempo, e desde 1997 me converti à fé cristã evangélica. Muitos dos fundamentos que tenho, sobretudo os valores éticos na política, eu os trago da minha experiência espiritual primeira, da teologia da libertação, que foram essenciais na minha formação política. Agora, como evangélico, a sua experiência com Deus, a sua intimidade com ele, não pode ser diferente da vivenciada por Jesus Cristo. Ele sabia fazer as mediações corretas. Havia momentos em que ele se recolhia com seus discípulos, ia para o Monte das Oliveiras, ia para algum lugar para viver aquela experiência, mesmo que fosse dentro de um barco isolado. E tinha momentos que ele se colocava para a sociedade, preservando os mesmos princípios, os mesmos valores – mas sendo muito cuidadoso em respeitar as outras pessoas, que não professavam as mesmas crenças, que não tinham a mesma visão. Ele até confrontava a tradição de que você tinha de estar sempre com seus iguais. E procurava estar com os diferentes, e bastante diferentes: publicanos, estrangeiros… E o tempo todo Jesus tinha uma abordagem também muito respeitosa dessas diferenças. Acho que a melhor forma de viver a espiritualidade é seguindo esse exemplo. Jesus tinha uma atitude respeitosa também em relação ao Estado. Em nenhum momento ele quis tomá-lo de assalto ou criar um Estado paralelo. Ele soube muito bem separar as coisas. E quando ele era confrontado, pelos receios políticos que se tinha da sua fé e da sua liderança, do seu ministério, ele dizia que seu reino não era deste mundo. Então, um reino que é de outro mundo fica mais difícil de combater… E fica também mais difícil de temer, sobretudo por aqueles que não acreditam.

É possível manter a ortodoxia evangélica no contexto de Estado laico?
O Estado laico não é crente, nem ateu, nem agnóstico. É o Estado laico que assegura que eu tenha uma fé e que, em função da minha fé, eu não venha sofrer nenhum tipo de sanção. Que eu possa vivê-la nos diferentes espaços: no meu trabalho, na minha casa, no mundo. O Estado laico não é só para proteger os não-crentes dos crentes, é também para proteger os crentes dos não-crentes e possibilitar que ambos sejam protegidos no espaço em que a alteridade possa ser realizada e vivenciada, sem que isso signifique que você tenha que viver uma “dupla personalidade”. As pessoas querem que você diga que a sua fé não tem nenhuma consequência. Obviamente tem. Mas, como diz a Bíblia, não é por força nem por violência que se convence as pessoas.
Existe ética na política?
Bem, se não existisse ética na política com certeza eu já teria desistido [da política] há muito tempo. Eu acho que a falta de ética está em todos os lugares, e a ética também está em todos os lugares – ou estaríamos contradizendo a ideia de que o trigo nasce junto com o joio. E esse joio da falta de ética talvez nasça mais em alguns lugares porque parece que a terra é mais fértil. Mas o joio, de uma forma muito disfarçada, nasce em todos os lugares, inclusive dentro das igrejas. A Bíblia fala com muita sabedoria: aquele que pensa que está de pé, tenha cuidado para que não caia. É uma luta de todos os dias, de todos os momentos, de todos os instantes, porque ninguém é perfeito. Ninguém pode evocar-se como dono da ética, da moral, da verdade… Mesmo Jesus teve que conviver com os antiéticos – obviamente sem fazer alianças com eles…
A senhora gosta de citar Santo Agostinho. Ele é seu autor preferido?
Eu, de fato, gosto muito das coisas do Santo Agostinho. Acho que ele deu uma fundamentação muito significativa para o pensamento moderno, por incrível que pareça. Tudo o que ele foi capaz de fazer, integrando parte da filosofia grega com o cristianismo, deu uma contribuição muito relevante, inclusive para a avanço da própria ciência, da civilização ocidental. Não consigo imaginar como seriam as coisas sem essas contribuições. Sou, digamos assim, uma apaixonada pela psicanálise. E para mim foi muito encantador verificar que, antes de Sigmund Freud, Santo Agostinho já esboçava algumas coisas muito interessantes sobre a questão da libido e sobre o inconsciente – ele dizia que atrás da memória lembrada existia uma memória não lembrada, e que parece que é ela que nos dirige. Isso, em Freud, ganha o nome de inconsciente. E Santo Agostinho falava disso, mas falava também de uma outra memória não lembrada, que é o tempo em que nós tivemos a natureza do Éden, antes da queda. E ele tem uma oração muito bonita, uma poesia para mim, referindo-se ao Espírito Santo: “Tarde vos amei, beleza tão antiga e tão nova. Tarde vos amei. É que estáveis dentro de mim e eu estava fora de mim”. E eu li isso várias e várias vezes, e cada vez era maravilhoso, sublime, que é quando a gente se encontra com a natureza daquilo que a gente é. Então, eu gosto muito dele, e gosto muito das coisas de [G.K.] Chesterton e do Philip Yancey, que passou a ser para mim uma leitura muito edificante. E, claro, ler essas coisas “no original” é mais encantador: é na Bíblia…
A senhora já declarou que não faz parte da bancada evangélica. Existe bancada evangélica?
Existe uma articulação. Respeito as pessoas que procuram se organizar, enfim. Há a bancada da saúde, da educação. E tem a bancada evangélica. Mas acho que quando se trata da questão religiosa, a gente tem que procurar estar integrado ao todo, assumir a posição de sal. O sal, ao se cristalizar em si mesmo, não tem como se diluir e dar o sabor. Eu acho que é muito melhor essa diluição e se transformar em sabor. Essa é a minha percepção, sem nenhum demérito para os que assim se organizam e acham que essa é a melhor forma. Quando veio o convite para fazer parte da bancada evangélica, eu expliquei que achava que nós, os cristãos – católicos, evangélicos –, deveríamos atuar como parlamentares brasileiros do Congresso, sem precisar estarmos organizados como uma bancada, como se fosse uma coisa dos evangélicos trabalhando para o interesse dos evangélicos.
De que forma as igrejas podem contribuir para a conscientização e a participação políticas?
De muitas formas, inclusive com os valores que a gente gostaria de ver como reflexo de uma ação política justa, democrática, coerente, honesta. Isso tem que ser traduzido nas razões pelas quais se escolhe em quem votar. Às vezes a gente não faz essa ligação. E as pequenas coisas instituem aquelas que a gente tanto critica. As pessoas podem achar que é uma bênção comprometer o voto da igreja porque alguém promete dar as telhas para o templo… Será? Pois não é, não. Vai dar o púlpito para a igreja. Será?… Não significa que não se deva receber contribuições livres, de quem quer ajudar de forma liberal e feliz, com alegria. No entanto, isso não pode caracterizar nenhum tipo de troca, porque o voto é soberano. É preciso ter essa consciência de que não devemos corromper e nem ser corrompidos no nosso voto.
É errado usar a religião para obter voto?
Se for um uso de uma forma utilitarista, já é um erro em si. Se há alguma identidade programática, de visão, de propostas, aí são identificações legítimas que se expressam no mundo da política. O que você não pode, no meu entendimento, é ter uma relação utilitária e utilitarista com a igreja e transformá-la em palanque. É legítimo para as lideranças que tenham vocação política pleitear o voto. Pois você procurará receber apoio entre aqueles que conhece e dos quais você é conhecido. Assim é no sindicato, é em todos os espaços. O que nós não podemos é perder a dimensão de que na igreja teremos pessoas de todos os partidos, assim como pessoas que não têm partido, e de que aquele espaço ali deve estar à disposição para todas as pessoas. E uma posição tendenciosa faz com que as outras pessoas se afastem.
A senhora vê risco de se repetirem, no Brasil, os mesmos erros que a Igreja cometeu ao longo da história?
É preciso ter muito cuidado. Se a história só se repete como tragédia ou como comédia, por que iremos querer repeti-la? O que aconteceu historicamente no mundo inteiro não pode ser motivo de riso. Então não pode ser comédia. É algo muito grave e que nos ensinou a todos. Temos que perseguir o olhar do Mestre. Ele soube muito bem separar as coisas e não usar seu poder para transformar pedras em pão. Ele soube muito bem usar o poder da igreja, o poder da fé, no momento certo, na hora certa, não teve nenhuma ansiedade em transformar pedras em pão, para deixar bem claro que nós, cristãos, vivemos mais de verbo do que de pão.
O que falta para as igrejas acordarem para a questão ambiental?
Algumas já estão acordando. Já existem muitas iniciativas embrionárias. Mas as igrejas não são diferentes das contradições que existem no mundo. Esse despertamento da questão ambiental é muito recente. Nos últimos trinta anos, essa militância foi se ampliando cada vez mais e agora ela chega também às igrejas. Parece uma incoerência quando a gente diz que ama o Criador e não respeita a criação. A gente levou muito tempo para fazer essa ligação de respeito com a natureza, de respeito à vida, de respeito a outras formas de existência, de um uso cuidadoso dos recursos naturais. Leonardo Boff diz que ficamos muito presos a Gênesis 1.28 – “dominai [a Terra]” – e nos esquecemos de Gênesis 2.15, que diz que Deus colocou o homem no jardim para o cultivar e guardar. Eclesiastes diz que é melhor uma mão cheia com tranquilidade do que duas mãos cheias com aflição de espírito. Já era uma espécie de prenúncio do desenvolvimento sustentável. Quisemos encher as duas mãos e agora estamos vivendo várias aflições de espírito, por não usar adequadamente os recursos naturais. Eu acho melhor uma mão cheia de paz e tranquilidade.
A ministra Dilma Rousseff disse recentemente que sofre preconceito por ser mulher na política. A senhora tem uma experiência parecida?
Ela disse isso no contexto em que foi acusada de usar a máquina pública. Agora, eu acho que a gente tem que ter muito cuidado ao se colocar no lugar de vítima. Se há um desrespeito à lei, não se pode usar essa história do preconceito como escudo. Senão, você banaliza o próprio preconceito. Se eu fizer uma coisa errada, e as pessoas me criticarem, não posso me escudar na condição de mulher para reivindicar o direito de ficar errando porque sou mulher. Se há preconceito, e ele existe em relação às mulheres, não posso utilizá-lo para ficar me vitimizando e continuar fazendo as coisas erradas. Então, alguém me critica e digo, “ah, é porque eu sou mulher”? É uma banalização que não é pertinente.
A senhora disse recentemente que é preciso dar fim ao ciclo de FHC e Lula…
A gente tem que entender a história como processo. Acho que o Brasil acumulou coisas boas e coisas negativas nos últimos 16 anos. Os acertos precisam ser reconhecidos: conseguimos estabilizar a democracia e consolidá-la; fizemos a estabilização econômica e, além dessa estabilidade, a distribuição de renda e justiça social. São coisas que devem ser preservadas. Tivemos aí a contribuição do sociólogo e a do operário. Mas a história não para por aí, e ainda bem que não. E eu não tenho dúvida de que o grande passo a ser dado na história do Brasil é a nova visão de modelo, saindo da visão de desenvolvimento predatório para o uso sustentável. Saúde, educação, emprego, moradia, mas sem a destruição do meio ambiente – que não venhamos a destruir as bases naturais do nosso desenvolvimento, nossas florestas, nossos recursos hídricos e a fertilidade das terras por processos de erosão e desertificação. O mundo está numa crise de proporções inimagináveis. É uma crise civilizatória, e a humanidade vai ter que fazer um movimento consciente para não inviabilizar as possibilidades de vida na Terra. Um aumento de 2º Celsius na média de temperatura do planeta pode inviabilizar todo o resto. Então, cada país, cada governante, tem que estar comprometido com essa agenda – sobretudo, combatendo o aquecimento global e impedindo as mudanças climáticas.
Se eleita presidente, como lidaria com essas questões?
Qualquer governo terá que integrar as duas coisas: os acúmulos positivos herdados da economia do século 20 e as possibilidades inéditas que começam a surgir da economia verde do século 21. Essa economia nova não nega os avanços positivos que acumulamos às custas da degradação ambiental, mas também não tem como permanecer no mesmo caminho. Vai ter que se reelaborar e repensar como produzir, como consumir, com um questionamento mais profundo. O senador Cristovam Buarque [PDT-DF] chama este momento de esquina ética, ou esquina civilizatória. Estamos diante dela, e como diz Chesterton, não podemos colocar a modéstia no lugar errado. Ele afirma que a modéstia se deslocou para o lugar da convicção. Não podemos ser modestos na convicção de que devemos, sim, proteger os recursos naturais. Um grande ensinamento vem do patriarca Abraão, que plantou uma árvore não para ele, mas para as gerações que viriam.
A polarização entre desenvolvimentistas e ambientalistas não inviabiliza esse processo?
A sociedade primeiro acolhe a ideia, e isso já está acontecendo no Brasil. As pesquisas mostram que as pessoas preferem pagar mais para proteger a floresta. Isso é uma energia fantástica! Nenhum governo poderia desperdiçar uma energia como essa. [O sanitarista] Oswaldo Cruz teve que chamar o Exército para obrigar as pessoas a tomar a vacina contra varíola, no início do século passado. Hoje, 95% das pessoas querem vacinar o planeta contra a destruição. Isso não vai acontecer sem conflitos ou tensões, mas a luta ambiental foge ao padrão do modelo clássico esquerda-direita. É um espaço de integração. A pessoa de direita precisa de água potável, e a da esquerda e a de centro também. Todos vão precisar de terra fértil e de ar puro. Talvez seja o momento de uma integração generosa dos esforços, para que lá na frente possamos pontuar novamente as nossas diferenças.
Se a senhora sair mesmo como candidata de um partido pequeno como o PV à Presidência da República, vai viver uma espécie de luta de Davi contra Golias, não é mesmo?
Sim, eu vou continuar fazendo questão de não usar a armadura de Saul.

Valter Gonçalves Jr



Angela Natel On domingo, 14 de fevereiro de 2010 At 06:47
Campanha é tempo de ouvir a Palavra de Deus!


Imagine se o Brasil inteiro pudesse ouvir a Palavra de Deus!

Pesquisas apontam que 74% dos brasileiros entre 16 e 64 anos não serão alcançados pela Bíblia no formato impresso porque não sabem ler ou porque entendem muito pouco do que leem. Outro dado impressionante, divulgado em 2008 pelo Instituto Pró-Livro, revela que a Bíblia, embora seja o livro preferido dos leitores brasileiros, é lida com frequência por menos de 2,5% da população do país.

Como, então, alcançar essa grande massa de brasileiros que se somam ainda com aqueles que não leem porque não têm tempo? Essa é a pergunta que a Sociedade Bíblica do Brasil se faz constantemente enquanto organização cuja missão é distribuir a Bíblia a todas as pessoas, em uma linguagem que elas entendam e a um preço que possam pagar. Mais do que isso: a SBB quer tornar a Palavra de Deus relevante aos brasileiros.

Obviamente diversas ações se fazem necessárias para impactar com a Bíblia esse número significativo de pessoas. Mas sabemos que nenhuma ação se empreende de forma solitária. É preciso que igrejas e organizações cristãs abracem também a missão de difundir o Livro Sagrado e a sua mensagem.

E por isso, em nome da SBB, convido você a se engajar na campanha É Tempo de Ouvir a Palavra de Deus, que pretende fazer com que, durante os anos de 2009 e 2010, mais de 10 milhões de pessoas ouçam o Novo Testamento e sejam tocados por sua mensagem.

Se a fé vem pelo ouvir, imagine se o Brasil inteiro pudesse ouvir a Palavra de Deus...
Agora, imagine você ajudando a tornar este sonho uma realidade.

A Causa da Bíblia conta com você!


Rev. Dr. Rudi Zimmer
Diretor Executivo
Sociedade Bíblica do Brasil
Angela Natel On sábado, 13 de fevereiro de 2010 At 06:29
Entrai pela porta estreita (larga é a porta e espaçoso o

caminho que conduz para
a perdição e são muitos os que entram por ela),
porque estreita é a porta e
apertado o caminho que conduz para a vida, e são
poucos os que acertam com
ela.


Evangelho de Mateus 7 13-14

Antônio Carlos Costa



INTRODUÇÃO

As escrituras sagradas ensinam com absoluta clareza, mediante o testemunho de diversos autores inspirados, que a maior necessidade humana é a necessidade de salvação. Os homens estão mortos nos "seus delitos e pecados". O que caracteriza esse estado de morte espiritual é a vida em pecado. A principal marca dessa vida em pecado é o fracasso da humanidade em amar. Não amamos a Deus e ao próximo. Isso é pecado. Significa viver uma espécie de vida diametralmente oposta a que Deus designou para o homem. Viver sem amar é viver a vida que o próprio Deus não vive. Deus, na sua santidade e justiça, não pode receber no seu reino e abençoar eternamente homens e mulheres que não amam. Ele tem que punir. Não cumprir a lei do amor é detestável aos olhos de Deus. Sendo assim, Deus adverte a todos, na sua Palavra, que um dia haverá de julgar os homens em razão dessa vida de não conformidade ao caráter de Deus.

Note que nada é arbitrário. Deus não pune o homem por mero capricho. Não se trata de excesso de meticulosidade. Muito menos exigir tolices ou punir pelo que é banal. Não. Ele julga os homens mediante a relação que estes mantém com a sua lei. Lei que exige que os homens amem uns aos outros e a Deus com todo o seu ser.

Como somos uns fracasso no campo do amor, encontramo-nos sob o justo juízo de Deus. Porém, esse mesmo Deus, por ser infinito em graça e misericórdia, abriu um caminho de salvação mediante a morte de Cristo: " E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos" (At 4:12). Em Cristo o pecado do desamor, que se constitui uma verdadeira afronta a um Deus amável, excelente - criador e sustentador de todos, é tratado de modo adequado e cabal. Deus pune os nossos pecados na pessoa do seu Filho, e chama a todos os homens para que esses se arrependam e creiam nessa oferta graciosa de salvação.

Essa passagem do Evangelho de Mateus é uma advertência à humanidade. Nela, Deus, ajuda os homens a saber quais as principais verdades que os seres humanos precisam compreender a fim de que se tornem sábios para a salvação. Que verdades são essas?

1. TODOS DEVEMOS BUSCAR ATÉ OBTER A NOSSA SALVAÇÃO PESSOAL.

O Senhor Jesus diz: "Entrai...". Há um elemento de esperança nesse imperativo. A salvação é possível. Porém, essa salvação deve ser buscada até ser apropriada. É como entrar por uma porta. Sair de um lugar para outro. Isso envolve uma decisão que deságua em uma ação concreta. Trata-se de algo definido. Uma experiência real. É alguém chegar ao ponto de dizer: "Algo aconteceu comigo, entrei em uma outra esfera de vida, encontro-me em outro lugar".

O caminho é revelado como único. Trata-se de uma só porta. Há algo que inaugura a entrada nessa vida. Aquilo que se constitui no seu início.

2. TODOS DEVEMOS COMPREENDER O FATO DE QUE ESSA EXPERIÊNCIA MONUMENTAL DE SALVAÇÃO, RESULTA DE UM AJUSTE DA NOSSA VIDA ÀS DEFINIDAS E CLARAS CONDIÇÕES ESTABELECIDAS POR DEUS PARA QUE O HOMEM SEJA SALVO.

Significa entrar por uma porta. Essa porta é chamada de estreita. Ela é estreita porque não é qualquer porta. Suas principais características resultam do que o próprio Deus determinou como caminho de redenção.

3. TODOS DEVEMOS COMPREENDER O FATO DE QUE SOMENTE SOMOS DESPERTADOS PARA A BUSCA DA SALVAÇÃO QUANDO TOMAMOS CONSCIÊNCIA DO FATO DE QUE PESSOAS DIFERENTES, ANDAM POR ESTRADAS DIFERENTES E CAMINHAM PARA DESTINOS DIFERENTES.

Cristo dá ênfase ao fato de que todos estamos vivendo de uma determinada maneira. Essa vida que vivemos está conduzindo a cada ser humano para um fim que lhe é próprio.

4. TODOS DEVEMOS COMPREENDER O FATO DE QUE SEGUIR A OPINIÃO PÚBLICA QUANDO O ASSUNTO TEM A VER COM A RELAÇÃO DE DEUS COM O HOMEM SIGNIFICA ANDAR INEVITAVELMENTE PELO CAMINHO QUE CONDUZ A PERDIÇÃO.

Observe como milhares estão enganados. O que caracteriza a sua religião é a idéia de que não há muito o que mudar e renunciar. É a salvação da condição fácil e dos estilo de vida que não custa nada ao que o pratica.

5. TODOS DEVEMOS APLICAR CERTOS TESTES À NOSSA VIDA A FIM DE SABERMOS SE ESTAMOS NO CAMINHO DA SALVAÇÃO.

Que testes são esses? Primeiro, precisamos saber se entramos pela porta estreita. Segundo, se percebemos que fazemos parte de uma minoria. Terceiro, se esse caminho representa o exato oposto da forma como a maioria vive.

APLICAÇÃO

1. TOME A DECISÃO DE SER SALVO.

2. DEIXE OS TERMOS DESSA SALVAÇÃO SEREM DETERMINADOS PELO PRÓPRIO DEUS.

3. CONSIDERE A HORROR DA PERDIÇÃO ETERNA.

4. CONSIDERE A GLÓRIA QUE SE SEGUIRÁ A VIDA DE RENÚNCIA AO PECADO.

5. FIQUE COM DEUS E A SUA PALAVRA E NÃO COM A OPINIÃO PÚBLICA.

6. PROCURE SABER SE O SEU ESTILO DE VIDA DIFERE DE FATO DA FORMA COMO VIVEM A MAIORIA DOS SERES HUMANOS.

CONCLUSÃO

Pela graça divina um caminho de salvação foi aberto por Deus. Contudo, carecemos de sabedoria para sermos salvos. Sabedoria essa que dista anos luz daquilo que a maioria dos homens crê como necessário para que um ser humano seja salvo por Deus.


(http://www.genizahvirtual.com/)
Angela Natel On sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010 At 06:29
Deus preside o dilúvio!!!


A IGREJA EVANGÉLICA É LEGITIMADORA DA CORRUPÇÃO

A afirmação que se faz no título desse artigo fundamenta-se em cinco percepções acerca da presença da Igreja Evangélica na nação brasileira, relativamente a sua atuação.

Em primeiro lugar, a Igreja Evangélica Brasileira é legitimadora da corrupção porque não a denuncia. Não concebe que deva encarnar a função profética, relega ao segundo plano as questões sócio-políticas, e não se manifesta sobre aquela que é a maior manifestação do mal nas terras brasileiras: a corrupção. Não há denúncia.

Em segundo lugar, a Igreja Evangélica Brasileira é legitimadora da corrupção porque sua ação social substitui a ação do Estado, não denuncia a situação e não exige que o Poder Público desempenhe suas obrigações. Se por um breve momento a Igreja Evangélica Brasileira deixasse de realizar suas ações de assistência social, o País se tornaria um caos, imediatamente. A distribuição da renda, consubstanciada na distribuição de cestas básicas e demais ações similares, a recuperação e inserção social, consubstanciadas nos trabalhos das inúmeras casas de recuperação, a promoção do ensino, por intermédio de milhares de escolas confessionais, o cuidado com a criança, realizado por creches e pela própria Escola Dominical, tudo isso, são funções do Estado negligente que não as realiza. Na medida em que a Igreja Evangélica faz tudo isso – e jamais deve deixar de fazer – sem a devida e obrigatória participação do Estado, e não denuncia a gravidade do fato, está sendo cúmplice de governantes e parlamentares criminosos, que utilizam em benefício próprio os recursos que deveriam ser destinados a essas atividades.

Em terceiro lugar, a Igreja Evangélica Brasileira é legitimadora da corrupção porque se associa ao Poder Público sem a crítica adequada. Seus líderes sobem nos palanques políticos, impõem as mãos sobre as cabeças de gente cujo pensamento está voltado apenas para seus próprios interesses e para o crime, dá e recebe condecorações de e para gente sem a menor credencial ética para isso, cede os púlpitos a bandidos, enfim, associa-se a gente que deveria estar presa, mas que usufrui da liberdade que o seu poder lhes permite adquirir. Aqueles que deveriam ser alvo de denúncia e profetismo por parte da Igreja são seus grandes amigos e aliados.

Em quarto lugar, a Igreja Evangélica Brasileira é legitimadora da corrupção porque não desenvolve ações consistentes de combate à corrupção. E nem poderia ser diferente, visto que ela nem mesmo a denuncia. Enfrentar esse mal é obrigação, mas nada faz a respeito.

Em quinto lugar, a Igreja Evangélica Brasileira é legitimadora da corrupção porque a pratica desavergonhadamente.

À denúncia acima pronunciada segue-se, necessariamente, a proposta de ação.

1. Para denunciar a corrupção nos púlpitos, e perante a nação, obrigação inadiável da Igreja Evangélica Brasileira, é necessário colocar ordem dentro de casa: transparência das contas. Igrejas precisam publicar seus balancetes e prestar contas do que fazem com os dinheiros de seus membros, se quiserem ter credibilidade e autoridade para profetizar contra o mau uso dos recursos pelo Poder Público. Os líderes de igreja não podem submeter-se apenas à prestação de contas – inevitável e certa – diante de Deus. Precisam entender o momento em que o País se encontra e dar o exemplo. Transparência, eis a exigência.

2. A Igreja não pode deixar de fazer ação social, mas tem que cobrar a ação do Governo, o emprego das verbas públicas nos programas sociais e as ações que promovam a distribuição de renda. Precisa-se, antes de mais nada, de informações acerca de todo o esforço que a Igreja Evangélica Brasileira está fazendo para amenizar a situação de dificuldade em que vive grande parte da nação. O Governo tem que conhecer a enorme dimensão dessas ações, e seu alcance. Trabalho que dá credibilidade para cobrar do Governo que faça a sua parte, em particular impedindo que o dinheiro público seja desviado para atender a interesses privados. A Igreja não pode substituir a ação do Estado, como ocorre hoje; esse esforço tem que ser complementar. O Estado tem a obrigação de zelar por seus cidadãos, a Igreja, de amar o próximo. O trabalho da Igreja não exime o Estado de sua responsabilidade. No entanto, a última coisa que se deve pleitear é a parceria na qual as igrejas recebam mais verbas públicas para a realização de ações de cunho social. Há generosidade e recursos suficientes para contribuir com as obras das Igrejas. Não se rejeitam parcerias com o Poder Público, mas elas só podem se estabelecer fundamentadas em sólidos sistemas de controle e transparência. Em parceria com o Poder Público, a Igreja tem demonstrado que é engolida pelo mesmo mal que assola a Nação.

3. Não há outra possibilidade, nesse momento, senão o rompimento radical com as práticas que a Igreja Evangélica Brasileira tem adotado em relação aos seus representantes no Poder Executivo e no Poder Legislativo. Se eles querem ir às igrejas, ou se mesmo já são membros, que se assentem nos bancos e ouçam, em silêncio. Se quiserem conversar com esse povo sobre política, que se marquem reuniões específicas para isso, e que nunca se tratem tais assuntos em cultos. Não se pode mais chamá-los aos púlpitos e impor sobre eles as mãos, manipulando a compreensão dos membros. Se querem oração que recebam-na nos gabinetes, pois o Deus que ouve em secreto em secreto os responderá. Pastores não devem receber condecorações das mãos de criminosos travestidos de prefeitos e parlamentares, há que se ter o mínimo de decência e discernimento.

4. A Igreja precisa adentrar o espaço público aberto a ela e a toda a comunidade. Participar dos Conselhos Municipais de Políticas Públicas criados por lei para exercer o controle das ações públicas em áreas como a educação, a saúde e a assistência social, entre outras. Pastores devem incentivar seus membros a participar, promover treinamento para eles, e facilitar-lhes o acesso a estas instâncias de participação política. Fazendo isso, a Igreja estará garantindo a merenda escolar para seus próprios filhos – e demais crianças de suas cidades, o salário adequado para os professores, os recursos para as entidades de assistência social, os programas de enfrentamento de moléstias, o dinheiro para a farmácia básica, entre tantas outras possibilidades. A legislação brasileira tem criado esses conselhos, dos quais devem fazer parte representantes da sociedade civil organizada. Espaço absolutamente adequado para a ação consistente da entidade que mais faz ação social nesse País, a Igreja Evangélica Brasileira.

5. Quanto à participação na corrupção desenfreada nesse País, já conhecida há tanto tempo, e vergonhosamente evidenciada, por exemplo, na CPMI dos Sanguessugas, é necessário, em arrependimento e quebrantamento, pedir perdão. Pedir perdão a Deus e à Nação, pois esperava-se muito mais da Igreja Evangélica Brasileira.Sobre ela pesa duro juízo, por suas ações, por sua acomodação, por sua omissão cúmplice. Pois, ao invés de destruir as obras do diabo, tornou-se partícipe delas.

Henrique Moraes Ziller - membro da Igreja Metodista da Asa Sul, em Brasília – DF, é Auditor Federal de Controle Externo do Tribunal de Contas da União e Presidente do Instituto de Fiscalização e Controle (www.adoteummunicipio.org.br).


Angela Natel On quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010 At 06:46

Hermes C. Fernandes
Que expectativas o Mundo tem acerca da igreja cristã? Será que temos correspondido a elas? Ou temos estado aquém ou mesmo além delas? Sabe qual o comentário que se fazia quando os discípulos chegavam a uma cidade? “Estes que têm alvoroçado o mundo, chegaram também aqui” (At.17:6).
Temos vivido uma espiritualidade atraente ou repelente?
Como igreja de Cristo deveríamos exercer um poder de atração semelhante ao Sol, capaz de manter os planetas em sua órbita.
As principais características da igreja primitiva eram:
a) Tinham tudo em comum (amor) – Atos 2:44

b) Perseveravam na doutrina apostólica (verdade) – v. 42

c) Oração (espiritualidade e fé) – v. 42

d) Ambiente alegre impregnado de louvor (alegria) – vv. 46-47

e) Caíam na graça de todo o povo (simpatia) – v.47
Aquela era uma igreja atraente. Todas à sua volta se deixavam contagiar pela graça que se sobressaía entre eles. Os únicos que nutriam antipatia contra a igreja eram os religiosos invejosos, que se viam ameaçados pelo seu crescimento.
Um episódio extraído do Antigo Testamento para exemplificar o que estamos falando, é o que narra o encontro entre Salomão e a Rainha de Sabá. O texto bíblico diz que “quando a rainha de Sabá ouviu a fama de Salomão, no que se refere ao nome do Senhor, veio prová-lo por enigmas” (1 Reis 10:1). A fama do rei a intrigou. Ela queria tirar a prova dos nove. O que a atraía em Salomão não era sua aparência física, ou mesmo a riqueza que ostentava, e sim o que referia ao nome do Senhor. Jamais podemos nos esquecer que carregamos esse nome. Ser “cristão” é carregar a reputação de Cristo.
É vergonhoso para nós ouvir alguém como Gandhi, confessar admirar Jesus, mas não se sentir atraído pelo modo de vida daqueles que dizem segui-lo.
A rainha de Sabá chegou a Jerusalém cercada por uma enorme comitiva. Ela jamais empreenderia uma viagem tão longa sozinha. Da mesma forma, quando atraímos alguém, não podemos perder de vista aqueles que o acompanham.
O carcereiro que se rendeu a Cristo na prisão através do testemunho de Paulo e Silas, levou consigo toda a sua família. O problema é que enfatizamos demais a salvação individual, e nos esquecemos de que o propósito de Deus abarca toda a nossa rede social, o inclui nossa família e nossos amigos.
O texto prossegue:
“Chegou a Jerusalém com uma grande comitiva, com camelos carregados de especiarias, e muitíssimo ouro e pedras preciosas. Apresentou-se a Salomão, e lhe disse tudo o que lhe ia no coração” (v.2).
Não se abre o coração pra qualquer um! Para que alguém chegue ao ponto de desnudar sua alma, é necessário que haja confiança. Acredito que a rainha de Sabá trazia não apenas curiosidades, mas também questões existenciais que a atormentavam. Se Salomão não desfrutasse de alguma credibilidade, ela jamais se atreveria a abrir-lhe o coração.
Uma igreja atraente deve gozar da confiança da sociedade. Portanto, urge resgatarmos a credibilidade da igreja cristã.
“Salomão respondeu a todas as suas perguntas; nada houve difícil demais que o rei não pudesse explicar” (v.3).
Perdemos a sintonia com o mundo. Este foi o preço do nosso isolamento. Já não nos preocupamos com suas questões. Dizemos em alto e bom som: Cristo é a resposta! Mas sequer procuramos saber quais são as perguntas. Queremos que o mundo nos ouça, porém não paramos para ouvi-lo. Vale aqui a recomendação de Pedro: “Estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pe.3:13b).
“Vendo a rainha de Sabá toda a sabedoria de Salomão, a casa que edificara, a comida da sua mesa, o assentar dos seus oficiais, o serviço de seus criados e os trajes deles, seus copeiros, e os holocaustos que ele oferecia na casa do Senhor, ficou fora de si” (1 Reis 10:4-5).
Gostaria de propor aqui um paralelo entre este texto e aquela que é considerada a rainha das epístolas de Paulo, a carta aos Efésios. Ao todo, são sete itens observados pela Rainha de Sabá que comprovavam a sabedoria de Salomão:
1 – A casa que edificara
2 – A comida da sua mesa
3 – O assentar dos sus oficiais
4 – O serviço de seus criados
5 – Os trajes deles
6 – Seus copeiros
7 – Os holocaustos que oferecia na casa do Senhor

Cada um desses itens pode ser encontrado em Efésios. Eles são sombras de uma realidade que só nos foi plenamente revelada no Novo Testamento. Exploremos cada um deles:
1 – A casa que edificara – Em Efésios 2:19-22 lemos: “Assim já não sois estrangeiros nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra angular. Nele todo edifício bem ajustado cresce para templo santo no Senhor. E nele também vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito”. Apesar de toda a suntuosidade, o Templo erguido por Salomão era apenas uma figura do verdadeiro templo que seria construído por outro descendente de Davi, a saber, Jesus. Este novo e definitivo templo é a igreja de Deus, a nova humanidade. Bastava olhar a obra empreendida por Salomão para ter uma idéia de quão extraordinária era a sua sabedoria. Semelhantemente, o mundo tem que olhar para nós, para o nosso modo de vida, e perceber que através dele a sabedoria de Deus se expressa. E mais: a casa construída por Cristo deve ser acolhedora. Ninguém deve sentir-se estrangeiro ou forasteiro. Afinal de contas, é casa de oração para todos os povos! Além de acolhedora, deve ser ordeira, organizada. Os veteranos devem ser referenciais para os novatos. Era esta a preocupação de Paulo, ao advertir Timóteo: “Escrevo-te estas coisas, esperando ir ver-te em breve; para que, se eu tardar, saibas como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a coluna e esteio da verdade” (1 Tm.3:14-15).
2 – A comida da sua mesa – Talvez o que tenha causado mais admiração na Rainha de Sabá não tenha sido propriamente os pratos, ou os talheres, mas a maneira como as pessoas repartiam o pão sentados à mesa. Lembre-se que em Atos, lemos que uma das características marcantes da igreja primitiva era o “partir do pão”e o compartilhar todas as coisas. Este é o sentido original de “comunidade”. Somos uma comunidade edificada ao redor do Trono da Graça. Por isso, temos tudo em comum. A mesa está posta, e o que nela for colocado deve ser repartido. Isso é comunhão. Em Efésios, Paulo adverte: “Aquele que furtava, não furte mais, antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o necessitado”(4:28). Nossa preocupação deve ser sempre com a necessidade do outro, e não com a nossa. Não vale entre nós o ditado que diz “a farinha é pouca, meu pirão primeiro”. E esse “partir do pão” não deve ser apenas no aspecto material, mas também no espiritual. Paulo diz em outra epístola:“O que eu recebi do Senhor, isso também vos dei” (1 Co.11:23). Tudo o que vemos e ouvimos, deve ser compartilhado com outros, caso contrário, não haverá verdadeira comunhão. “O que vimos e ouvimos”, disse João, “isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco” (1 Jo.1:3a). Assim como não devemos furtar, isto é, nos apropriar do que é de outros, também não deve sair de nossa boca qualquer palavra torpe, “mas só a que for boa para promover a edificação, conforme a necessidade, para que beneficie aos que a ouvem”(Ef.4:29). A mesa está posta, todos são convidados!
3 – O assentar dos seus oficiais – A rainha de Sabá ficou impressionada com a disciplina que havia entre os oficiais do Rei. O fato de serem autoridades, não lhes conferia a liberdade de fazer o que quisessem. Eles só poderiam exercer autoridade, se estivessem sob autoridade. E era por reconhecer em Salomão a autoridade outorgada por Deus, que esses oficiais primavam pelo respeito e pela reverência. Em outras palavras, a rainha admirou a maneira como os oficiais exerciam seu ofício, sempre respondendo àquele que estava sobre eles. O trono de Salomão estava acima de seus assentos. Era de lá que vinha a autoridade que lhes fora delegada. Em Efésios 1:18-23, lemos: “Oro também para que sejam iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos, e qual a suprema grandeza do seu poder para conosco, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e fazendo-o sentar-se à sua direita nos céus, acima de todo principado, e autoridade, e poder, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro. E sujeitou todas as coisas debaixo dos seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que enche tudo em todos.” Toda autoridade provém daquele que está acima de tudo e de todos. Os vinte e quatro anciãos de Apocalipse reconhecem isso ao dispor de suas coroas, e depositá-las aos pés d’Aquele que está no Trono. O fato de Cristo estar assentado em Seu trono de glória é que nos dá a possibilidade de com Ele reinarmos. Se não nos submetemos a Ele, e às autoridades por Ele estabelecidas, tampouco podemos exercer qualquer autoridade. A autoridade de Cristo provém do Pai. Foi Ele quem O exaltou e Lhe deu um nome sobre todo o nome. A nossa autoridade provém de Cristo, que nos elevou juntamente com Ele, e “nos fez assentar nas regiões celestiais, em Cristo Jesus” (2:6).
4 – O serviço de seus criados – Os criados de Salomão buscavam o padrão da excelência. Nada era feito de qualquer maneira. Mesmo na ausência do Rei, eles trabalhavam com afinco para que tudo correspondesse às suas expectativas. Serviam aos convivas, como se servissem ao próprio Rei. Paulo também fala sobre isso em sua epístola aos Efésios. Confira: “Vós, servos, obedecei a vossos senhores segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade de vosso coração, como a Cristo. Não obedeçais a vossos senhores apenas quando estão olhando, só para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus”(6:5-6). Uma igreja atraente é aquela que se dispõe a servir a todos à sua volta. Infelizmente, o que temos visto é uma igreja voltada para si mesma. A única razão de estarmos aqui é o mundo. E nosso serviço é constantemente avaliado, não apenas pelo Rei, mas por aqueles a quem servimos. E jamais haverá um tempo em que seremos promovidos de “servos” a “senhores”. Mesmo aqueles que usufruem certa autoridade, nada mais são do que servos do seu povo.
5 – Os trajes deles – Que elegância! Deve ter sido o comentário da rainha. Não é por serem criados, que eles devem andar maltrapilhos. A excelência deve se manifestar tanto no seu serviço, quanto na sua apresentação. Como temos nos apresentado ao mundo? Quais têm sido nossas vestes? Encaremos essas roupas como uma alegoria do nosso modo de vida. Paulo diz aos efésios que eles deveriam se despir do “velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano”, e se renovarem no “espírito do entendimento”, revestindo-se do “novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (Ef.4:22-24). Esta nova roupagem, que nada mais é do que a nova vida em Cristo, deve atrair a atenção do mundo. Não se trata de uma santidade legalista, repelente, nauseante, mas de uma santidade atraente e contagiante. Porém, deve-se ter muito cuidado, porque há peças que não combinam com nossa nova vida. Uma delas é a mentira. Daí a admoestação paulina: “Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo” (v.25). A mentira destoa com o resto da nossa roupa espiritual. Além de “toda amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfemais e toda a malícia”, que devem ser igualmente “tiradas” de entre nós (Ef.4:31). Despidos desses trapos imundos, devemos nos vestir da justiça de Cristo, e “sobre tudo isso”, nos revestir de amor, “que é o vínculo da perfeição” (Cl.3:14).
6 – Seus copeiros – A atenção da rainha de Sabá se volta para os copeiros. Ela os destaca dentre todos os demais criados de Salomão. Por quê? Aquele era um cargo de alta confiança. Ele era o responsável por tudo o que o rei bebia. Naquela época, havia sempre conspirações para derrubar o rei. E uma das armas usadas pelos conspiradores era o veneno que geralmente era colocado na bebida do rei. Antes de servi-lo, o copeiro tinha que provar o vinho em sua frente. Se ele continuasse vivo, era porque o vinho estava puro, sem veneno. Portanto, era um cargo ocupado por pessoas de muita confiança. Não podia haver qualquer mistura na bebida servida ao rei e aos seus convidados. Além disso, as taças tinham que estar permanentemente cheias. Paulo escreve aos Efésios: “E não vos embriagueis com vinho, em que há devassidão, mas enchei-vos do Espírito” (5:18). Mas como se dá esse enchimento? Como manter nossas taças cheias? Eis a resposta: “...falando entre vós com salmos e hinos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo”(vv.19-21). Ninguém mantém sua taça cheia isolando-se dos demais. O enchimento do Espírito se dá de maneira coletiva. É “falando entre vós”. Fora do contexto congregacional, estaremos fadados a uma espiritualidade vazia. Mas é quando nos voltamos para os demais, buscando encher suas taças, que nossa taça é repleta. Lembre-se que “estavam todos reunidos no mesmo lugar”, quando “todos foram cheios do Espírito Santo” (At.2:1,4). Eis a razão porque o escritor de Hebreus é tão enfático: “Consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixando de congregar-nos, como é costume de alguns” (Hb.10:24-25a).
7 – Os holocaustos que oferecia na casa do Senhor – Acredito que nada chamou mais a atenção da rainha de Sabá do que este item, a qualidade da oferta e do culto que se ofereciam ao Senhor. Aquela era a prova final de que a sabedoria de Salomão excedia à de todos de sua época. Vivemos sob a égide da Nova Aliança, em que os sacrifícios levíticos cessaram. O sacrifício do Filho de Deus foi definitivo, e maneira que não há mais a necessidade de qualquer sacrifício meritório. Entretanto, um novo tipo de sacrifício foi instituído, que Pedro chama de “sacrifícios espirituais” (1 Pe.2:5). O mesmo escritor sagrado que diz que “não resta mais sacrifício pelos pecados” (Hb.10:26b), também diz: “Portanto, ofereçamos sempre por meio dele a Deus sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome” (Hb.13:15). Os sacrifícios atuais não são motivados pela culpa, mas por gratidão e louvor. Não é por serem espirituais, que tais sacrifícios não devam ter algum aspecto físico e material. Paulo diz aos Romanos que devemos apresentar os nossos corpos “como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”, que é o nosso culto racional (Rm.12:1). Portanto, nosso culto a Deus envolve aspectos físicos, e não apenas espirituais. Nossos corpos são oferecidos como instrumentos do Seu amor e da Sua justiça. Já não estamos entregues às nossas paixões e apetites desenfreados. Negamos a nós mesmos, tomamos a nossa cruz, e O seguimos. Esses mesmos sacrifícios espirituais também incluem aspectos materiais. Paulo diz aos Filipenses que a oferta que lhe fora enviada chegou a Deus “como cheiro suave, como sacrifício agradável e aprazível a Deus” (Fp.4:18). Se não fosse assim, não faria sentido a admoestação: “Não vos esqueçais de fazer o bem e de repartir com outros, pois com tais sacrifícios Deus se agrada” (Hb.11:16). Não concordamos que as pessoas devam ser motivadas a sacrifícios como barganha para serem abençoadas. Isso tem provocado escândalo entre os de fora da igreja. Trata-se, antes, de sacrifício de amor, não apenas pela causa do Reino, através de ofertas, mas também pelo bem do próximo, sem importar a fé que professe. É, de fato, uma questão de amor. Paulo diz aos Efésios: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados, e andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave” (Ef.5:1-2). O exemplo foi dado, agora nos cabe segui-lo.
Voltando para o relato do encontro entre Salomão e a rainha de Sabá, deparamo-nos com esta confissão: “Foi verdade a palavra que ouvi na minha terra, acerca dos teus feitos e da tua sabedoria. Porém eu não acreditava naquelas palavras, até que vim, e vi com os meus olhos. Deveras, não me disseram metade; sobrepujaste em sabedoria e bens a fama que ouvi” (1 Reis 10:6-7).
Repare nisso: ela não foi ao encontro de Salomão porque cria. Pelo contrário. Ela foi porque não cria. Se quisermos atrair os que não crêem, devemos, no mínimo, buscar ser coerentes com aquilo que pregamos. E quando as pessoas vierem, que fiquem igualmente surpreendidas! Pois afinal de contas, o Deus a quem servimos é “poderoso para fazer tudo muitos mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera”(Ef.3:20).
Que fiquemos além, e jamais aquém das expectativas que o mundo tem a nosso respeito.
Hermes Fernandes é um dos mentores da Santa Subversão Reinista no Genizah

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