Angela Natel On segunda-feira, 30 de março de 2009 At 08:02
“embraçando sempre o escudo da fé,”
(Efésios 6:16a)

Antiga arma de defesa, o escudo era feito de couro ou de metal, geralmente de forma circular ou oval, que os soldados, por meio de braçadeiras, prendiam num dos braços (quase sempre o esquerdo) para se protegerem dos golpes de espada ou de lança (1Sm 17.45; Ef 6.16).
Existia duas espécies principais de escudo: o tsinnah, que encobria toda a pessoa, e o magen, para usar-se nos conflitos corpo a corpo. Ambas estas palavras são usadas nos Salmos metaforicamente com relação ao amparo de Deus (Sl.3:3; 5:12; 7:10; 18:2,30; 28:7; 33:20; 59:11; 84:9,11; 115:9,10,11; 119:114; 144:2).
Cinco palavras hebraicas são traduzidas pela palavra escudo no VT: a primeira refere-se àquele escudo que era de tal grandeza que podia proteger todo o corpo. Era este o já mencionado hnu tsinnah (como em 1 Cr.12:8,24,34; 2 Cr.25:5; Sl.5:12), grande escudo de madeira, coberto de duras peles; o segundo era o magen (Ngm também (no pl.) fem. hngm – como na expressão “Yahweh é o meu escudo” em Gn.15:1; Dt.33:29; 2 Sm.22:3; Sl.3:3; 28:7; 33:20; 59:11; 84:9,11; 115:9; 119:114; 144:2; Pv.30:5 e em outras situações, como em Jz.5:8; 2 Sm.1:21; 2 Sm.31,36; 1 Rs.10:17; 14:26,27,28; 2 Rs.19:32; 1 Cr.5:18; 2 Cr.9:16; 12:9,10,11; 14:8; 26:14; 32:5,27; Jó 15:26; Sl.7:10; 18:2,30,35; 35:2; 47:9; 76:3; 115:10,11; Pv.2:7; Ct.4:4; Is.21:5; 22:6; 37:33; Jr.46:3,9; Ez.23:24; 27:10; 38:4,5; 39:9; Na.2:3), era um pequeno escudo redondo ou octogonal, muito usado pelos judeus, babilônios, caldeus, assírios e egípcios. Este pequeno escudo era também feito de madeira, coberto de couro para uso geral, e havia os com uma cobertura de ouro (1 Rs.10:16,17; 14:26,27). No grego, a palavra usada é yureov thureos, e refere-se a um escudo de quatro cantos (um grande quadrilongo), citado em Ef.6:16. O escudo de maiores proporções era empregado principalmente pela infantaria sendo, algumas vezes, levado pelo escudeiro (1 Sm.17:7). Quanto ao pequeno escudo redondo, era usado tanto pela cavalaria quanto pela infantaria.
A terceira palavra traduzida por escudo (Nwdyk kiydown – 1 Sm.17:45; Jó 39:23) é propriamente um dardo ou azagaia (1 Sm.17:45). A significação da quarta palavra (jlv shelet) – 2 Sm.8:7; 1 Cr.18:7; 2 Cr.23:9; Jr.51:11; Ez.27:11 – nos é incerta, embora, provavelmente, se trate de qualquer espécie de escudo pequeno. Ainda há o hrxo cocherah, que refere-se a um pequeno escudo e pode ser encontrado em Sl.91:4.
Era desonroso perder o escudo em combate, porque aumentava a tristeza nacional o dizer-se que “desprezivelmente tinha sido arrojado o escudo dos valentes” (2 Sm.1:21); tal ato, entre os gregos, era castigado com a pena de morte. Falta de escudo era sinal de despreparo e vulnerabilidade (Jz.5:8). Um soldado nunca poderia largar seu escudo.
Várias tribos de Israel são citadas como tendo seus guerreiros habilitados para lutar com escudo e lança, como os Gaditas (1 Cr.12:8 – escudo grande - hnu tsinnah), os de Judá (1 Cr.12:24, 2 Cr.11:12; 14:8; 25:5; 26:14 - escudo grande - hnu tsinnah), os de Naftali (1 Cr.12:34 - escudo grande - hnu tsinnah) e os de Benjamim (2 Cr.17:7 - magen -Ngm também -no pl.- fem. hngm – escudo pequeno). Israel, em determinado momento da história, usou os escudos do batalhão dos valentes de Davi (2 Rs.11:10; 1 Cr.18:7; 2 Cr.23:9).
Os escudos guarnecidos de ouro eram muito empregados para fins de ornamentação ou para manifestação ostentosa. Salomão fez trezentos escudos pequenos de ouro batido e os empregava deste modo e nas procissões religiosas, como seu pai havia anteriormente feito, com os seus troféus de batalha (1 Rs.10:16ss; 2 Sm.8:7; 2 Cr.9:16). Esses trezentos escudos foram levados por Sisaque, rei do Egito (2 Cr.12:9), e Roboão mandou fazer outros de bronze para substituí-los (2 Cr.12:10); Ezequias mandou fazer mais escudos (2 Cr.32:5,27). Persas, gamaditas e Lídios penduravam seus escudos nos muros e torres para ostentação (Ez.27:11; 38:4,5). Na linguagem poética de Cantares, Salomão compara o colar de uma donzela a ‘mil escudos pendurados numa torre’, fazendo menção a essa utilidade (Ct.4:4).
As mães, na Lacedemônia, costumavam excitar a ambição de seus filhos, passando-lhes às mãos os escudos dos pais, e proferindo estas palavras: “Teu pai sempre conservou este escudo. Agora conserva-o tu, também, ou morre.” Os homens da Etiópia e da Líbia levavam escudos pequenos (Ez.38:5; Jr.46:9). Outros povos também utilizavam-nos de tamanho variado (Ez.23:24; 38:4).
Era motivo de orgulho para o guerreiro guardar brilhante o seu escudo. Quando não o usava, sempre o cobria, friccionando-o com azeite para manter sua superfície brilhante, tornar escorregadios os dardos lançados pelo inimigo e livrá-lo dos estragos do tempo (Is.21:5; 22:6). Além disso, o brilho servia para cegar o inimigo com o reflexo dos raios solares em batalhas a céu aberto.
O escudo nunca deve ser largado, devemos embraçá-lo sempre, porque nos protege das chuvas de flechas e pedras que o inimigo lança contra nós. Quanto mais oração e intimidade com o Senhor, maior é o nosso escudo. Porém, nosso escudo pode brilhar tanto que pode cegar a nós mesmos. É necessário, portanto, que utilizemos nossa capa de humildade a fim de proteger-nos do orgulho.
O Senhor nos protege tanto com escudo grande quanto com o pequeno (“Embraça o escudo - Ngm magen - e o broquel - hnu tsinnah - e ergue-te em meu auxílio.” – Sl.35:2); Ele nos dá Seu escudo de livramento (2 Sm.22:36) e o Seu favor nos protege como escudo (Sl.5:12). O Senhor quebra o escudo (Ngm magen) dos nossos inimigos (Sl.76:3).
No hebraico fé (hnwma ‘emuwnah ou - forma contrata - hnma ‘emunah – Hc.2:4) é relacionada a firmeza, fidelidade, estabilidade, enquanto que no grego tem mais a ver com convicção da verdade de algo, juntamente com as idéias de fidelidade e lealdade (pistiv pistis - Mt.8:10; 9:2,22,29; 15:28; 17:20; 21:21; 23:23; Mc.2:5; 4:40; 5:34; 10:52; 11:22; Lc.5:20; 7:9,50; 8:25,48; 17:5,6,19; 18:8,42; 22:32; At.3:16; 6:5,7; 11:24; 13:8; 14:9,22,27: 15:9; 16:5; 20:21; 24:24; 26:18; Rm.1:5,8,12,17; 3:22,25,26,27,28,30,31; 4:5,9,11,12,13,14,16,19,20; 5:1,2; 9:30,32; 10:6,8,17; 11:20; 12:3,6; 14:1,22,23; 16:26; 1 Co.2:5; 12:9; 13:2,13; 15:14,17; 16:13; 2 Co.1:24; 4:13; 5:7; 8:7; 10:15; 13:5; Gl.1:23; 2:16,20; 3:2,5,7,8,9,11,12,14,22,23,24,25,26; 5:5,6,10; Ef.1:5; 2:8; 3:12,17; 4:5,13; 6:16,23; Fp.1:25,27; 2:17; 3:9; Cl.1:4,23; 2:5,7,12; 1 Ts.1:3,8; 3:2,5,6,7,10; 5:8; 2 Ts.1:3,4,11; 2:13; 3:2; 1 Tm.1:2,4,5,14,19; 2:7,15; 3:9,13; 4:1,6,12; 5:8; 6:10,11,12,21; 2 Tm.1:5,13; 2:18,22; 3:8,10,15; 4:7; Tt.1:1,4,13; 2:2; 3:15; Fm.1:5,6; Hb.4:2; 6:1,12; 10:22,38,39; 11:1-39; 12:2; 13:7; Tg.1:3,6; 2:1,5,14,17,18,20,22,24,26; 5:15; 1 Pd.1:5,7,9,21b; 5:9; 2 Pd.1:1,5; 5:4; Jd.1:3,20; Ap.2:13,19; 14:12) ou ainda para ‘estar persuadido de, acreditar, depositar confiança em’ temos pisteuw pisteuo (Mt.8:13; At.8:13; 1 Pd.1:21a).
Para o contrário de fé temos como falta de confiança (oligopistov oligopistos – Mt.6:30; 8:26; 14:31; 16:8) ou infidelidade, incredulidade apistia apistia (Mt.17:20 – ‘pequenez da fé’, Mc.9:24; Lc.12:28).
A fé é descrita como escudo capaz de apagar todos os mísseis incendiários (os dardos com pontas acesas) do maligno descritos em Efésios 6:16, bem como a salvação no Salmo 18:35. A fé precisa ser recebida através do Logos, mas principalmente da Rhema (Rm.10:17 – cf. 7.2 deste estudo). E precisa ser exercida. O exercício da fé constitui-nos num item de defesa a que vamos adeqüar-nos às mais diversas circunstâncias. Andamos por fé e não por vista (2 Co.5:7) e triunfamos sobre o inimigo pela fé (1 Jo.5:4). O escudo da fé é a nossa confiança no Senhor. O escudo da fé é a nossa segurança e proteção. Serve para apagar a dúvida, o medo e a incredulidade, além de cegar o inimigo que tenta se levantar contra nós.
Uma situação específica no NT tem chamado a atenção de muitos estudiosos no que diz respeito ao tipo de problema levantado por Jesus e as armas para sua solução. É o fato descrito em Mateus 17:14-21, quando seus discípulos não conseguiram expulsar o demônio que atormentava um menino:

“E, quando chegaram para junto da multidão, aproximou-se dele um homem, que se ajoelhou e disse:
Senhor, compadece-te de meu filho, porque é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo e outras muitas, na água.
Apresentei-o a teus discípulos, mas eles não puderam curá-lo.
Jesus exclamou: Ó geração (genea genea: aquele que foi gerado, homens da mesma linhagem, família, os vários graus de descendentes naturais, os membros sucessivos de uma genealogia, metáf. grupo de pessoas muito semelhantes uns com os outros nos dons, ocupações, caráter) incrédula e perversa! Até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-me aqui o menino.
E Jesus repreendeu o demônio, e este saiu do menino; e, desde aquela hora, ficou o menino curado.
Então, os discípulos, aproximando-se de Jesus, perguntaram em particular: Por que motivo não pudemos nós expulsá-lo?
E ele lhes respondeu: Por causa da pequenez da vossa fé. Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível.
Mas esta casta (genov genos: família, raça, tribo, nação, i.e. nacionalidade ou descendência de um pessoa em particular) não se expele senão por meio de oração e jejum.”

Nesse texto, a situação pode ser compreendida quando percebemos a ênfase de Jesus em repreender a incredulidade de seus discípulos, que foi a verdadeira causa do impedimento para a libertação do menino através de suas investidas. Assim, demônios saem sob a autoridade do nome de Jesus, mas essa casta de incredulidade, que nos impede de exercermos essa autoridade, só sai com jejum e oração. A fé em Deus, portanto, é a nossa arma defensiva contra qualquer tipo de dúvida (Ef.6:16).
Há uma palavra profética de que um dia Israel utilizará escudos e outras armas como combustível (Ez.39:9), assim como a fé alimenta o mover do Espírito Santo em nós.
A fé também pode ser ofensiva, em algumas circunstâncias (2 Rs.19:32; como no caso em que metade dos homens sob o comando de Neemias ‘permanecia armado’ com escudos - Ne.4:16; Is.37:33; Jr.51:11). Mas tanto a nível defensivo quanto ofensivo é preciso que estejamos dispostos a aprender a manejar o escudo, seja ele pequeno ou grande (Jr.46:3: “Preparai o escudo - Ngm magen - e o pavês - hnu tsinnah - e chegai-vos para a peleja.”), i.e., colocarmos em prática a fé em toda e qualquer situação (cf. Tg.2:14-26).

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