Angela Natel On sábado, 28 de março de 2009 At 08:00
“e vestindo-vos da couraça da justiça.”
(Efésios 6:14b)

A couraça, nos tempos antigos, era uma malha que cobria o corpo pela frente e nas costas. Constava de duas partes unidas nos lados (Jr.46:4; 51:3). É aquilo a que se referem Ap.9:9 (‘couraças de bronze’) e Ap.9:17, e a arma que serve para proteger a parte superior do corpo (Jó 41:26) – no VT Nwyrv shiryown ou Nyrv shiryon e Nyrv shiryan também (fem.) hyrv shiryah e hnyrv shiryonah e no NT ywrax thorax.
Os guerreiros dos tempos bíblicos vestiam couraças de diferentes materiais, como a de Golias, que era feita de escamas de bronze e pesava 60 kg (1 Sm.17:5). Os guerreiros de Judá também usavam couraças (2 Cr.26:14). Na reconstrução dos muros com Neemias, metade dos homens trabalhava e a outra metade permanecia armada e vestida com couraças (Ne.4:16), numa referência à nossa necessidade de vigilância.
Há uma estreita relação entre a couraça – parte da armadura de um guerreiro - e o peitoral das vestes sagradas do Sumo sacerdote, onde ficava o colete com o Urim e o Tumim e as doze pedras representantes das doze tribos de Israel (símbolos de autoridade e poder) – Êx.25:7; 28:4. Esse peitoral era feito de linho fino trançado de fios de ouro com fios de tecido azul, roxo e vermelho (Êx.28:15) e correntes de ouro puro trançadas com cordas (Êx.28:22), tendo presas nas extremidades argolas de ouro (Êx.28:23) unindo o peitoral ao cinturão. Assim, a justiça deve estar divinamente ligada à verdade, senão perderemos a autoridade espiritual e o discernimento do bem e do mal para as decisões diárias (Êx.28:15-30; 29:5; 35:9,27; 39:8,9,15-21). As argolas prendiam o colete ao peitoral e estes eram presos ao cinturão com um cordão azul (Lv.8:8).
É importante repararmos que a couraça cobre o tórax, onde encontramos coração, fígado e pulmões, órgãos nobres, vitais, que não podem ser lesados. E muitas vezes são símbolos de valentia. Interessante é lembrarmos que o tórax do cordeiro imolado pertencia ao sacerdote (Êx.29:26,27; Lv.7:30,31,34; 8:29; 10:14,15; Nm.18:18) e na consagração do nazireu o peito do animal sacrificado era santo e pertencia ao sacerdote (Nm.6:20). O coração é o símbolo da vida humana.
Em diversas partes da Bíblia encontramos referências a crianças que vivem no ‘seio’de sua mãe – citadas como fonte de vida (Jó 24:9; Is.60:16; Lm.4:3). Assim, a justiça de Deus sobre nós traz vida, além de impedir que o Diabo tenha poder de lesar-nos mortalmente. É como se seus ataques, por piores que sejam, não possam ferir a vida que há em nós. Da mesma forma, a couraça cobre também braços em parte, regiões que se movimentam. Cremos haver nisso uma menção ao fato de que, uma vez justificados, devemos continuar andando em justiça, i.e., os braços (e, conseqüentemente, as mãos) devem estar limpos.
No nível espiritual a couraça é símbolo de justiça (integridade, retidão moral, honradez diante da Palavra de Deus, posição correta em Deus - Is.59:17; Ef.6:14). Ela é também da fé (através da qual se é salvo) e do amor (que é fruto da justificação) – 1 Ts.5:8.
Não temos justiça por nós mesmos, mas precisamos valer-nos da justiça do Senhor Jesus (Hb.4:14-16) e não sermos injustos para com os outros, pois Deus nos trata de acordo com o que escolhemos viver: se exigirmos justiça dos outros, é isso que receberemos do Senhor, mas se concedermos misericórdia, é isso que o Senhor nos concederá (cf.Mt.5:7; 6:15; 18:23-35; Mc.11:26; Lc.6:36; Tg.2:13; 1 Pd.3:8).
Sabemos que, uma vez salvos, uma das conseqüências mais imediatas é a nossa justificação. Somos justificados pelo sangue de Jesus, e isso protege a retaguarda da nossa alma e da nossa consciência – órgãos espirituais vitais. Não podemos entrar numa batalha contra o acusador sem a certeza de ‘não haver acusação’ sobre nós (Rm.8:1). Seria derrota certa, morte certa. Por outro lado é claro que, se de livre e espontânea vontade permanecermos em pecado, nunca estaremos revestidos dessa couraça. Mesmo que se da boca para fora estiverermos cobertos com ela! O inimigo não tem reivindicações sobre aqueles que estão em Cristo Jesus.
A justiça é a nossa couraça (Ef.6:14) e como tal protege o coração de ser condenado pela consciência (1 Jo.3:19-22). A justiça dá-nos confiança diante de Deus. – ‘Não ter condenação’ significa ter uma consciência clara (1 Tm.1:3), uma consciência sem ofensa (At.24:16). A justiça de Jesus nos livra da culpa da injustiça. O fruto da culpa é a depressão A justiça de Deus em nós nos enche de valor, porque já chegamos diante do Pai e fomos justificados pelo sangue do Cordeiro. Só podemos pertencer ao exército de Deus com as vestes de justiça. A visão de João mostra o exército de Jesus em trajes de linho branco, o que fala da justiça dos santos (Ap.19:7-8,11,14).
A promessa para quem se achega a Deus com o coração quebrantado é que somos feitos justiça de Deus e recebemos a plenitude (2 Co.5:21; Cl.2:10), e a fé nos é creditada como justiça (R.4:3,5,6,9,22; Gn.15:6).

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