Angela Natel On quarta-feira, 28 de dezembro de 2016 At 05:25
Hermes C. Fernandes: O rio subversivo de Deus sob a areia escaldante do...: Por Hermes C. Fernandes Tão logo deixaram o Oásis de Mara, 24 quilômetros mais para Sul, o povo de Israel deparou-se com o grande...
Angela Natel On segunda-feira, 26 de dezembro de 2016 At 05:24
Angela Natel On quinta-feira, 22 de dezembro de 2016 At 04:04
Hermes C. Fernandes: Quanto nos custaria mudar o mundo?: Por Hermes C. Fernandes Havia sido um dia difícil. Jesus estava exaurido. Não adiantou tentar fugir da multidão ávida por milagr...
Angela Natel On quarta-feira, 21 de dezembro de 2016 At 05:42
Há algo perturbador no relato de natal feito por Mateus. Talvez muitos não tenham se detido ali, pois afinal, o nascimento de Jesus é de tal grandeza que acaba por ofuscar qualquer outro acontecimento periférico. Porém, trata-se de um genocídio perpetrado por um monarca furioso que se vê ameaçado pelo nascimento de uma criança.
Geralmente, consideramos Estêvão o primeiro mártir da fé cristã. Porém, muito antes de ele ser apedrejado, milhares de crianças de apenas dois anos para baixo, tiveram suas vidas ceifadas sem ao menos saberem pelo que morriam. Essas, sem dúvidas, poderiam ser consideradas os primeiros mártires da fé. Se eu fosse católico, sugeriria que o Papa promovesse a primeira canonização coletiva e anônima. Assim como há monumentos dedicados aos soldados anônimos que morreram por sua pátria, deveria haver algum monumento àquelas inocentes crianças.
Por que Deus não evitou aquilo? Por que não enviou anjos para avisar a todos os pais a fim de que fugissem para o Egito, como fizeram José e Maria?
Deveríamos considerar aquela matança como ‘efeito colateral’ indesejável?
Seria apenas para cumprir uma agenda profética, conforme lemos em Mateus 2:16-18?
“Então se cumpriu o que foi dito pelo profeta Jeremias, que diz: Em Ramá se ouviu uma voz, Lamentação, choro e grande pranto: Raquel chorando os seus filhos, E não querendo ser consolada, porque já não existem.”
Enquanto Maria e José viajavam incólumes pelo deserto, milhares de mulheres choravam em alta voz enchendo as ruas de um lamento jamais ouvido.
O que aquelas crianças fizeram para ter tal destino?
Durante a celebração natalina, muitos sofrem a ausência de familiares queridos. Aqui mesmo em casa, sentimos imensa saudade de minha sogra, falecida às vésperas do natal de 2009.
Fiquei sobremodo sensibilizado ao ler agora a pouco, no mural do facebook de um pastor amigo um triste depoimento em que confessa que antes ele era 100%, mas que agora, após a partida de sua filhinha, ele era apenas 75%. Não consigo mensurar a dor do coração daquele pai. Ao ler isso, tive vontade de abraçá-lo e oferecer meus ombros como altar em que pudesse derramar suas lágrimas.
Por que perdemos pessoas queridas? Nada mais antinatural do que um pai enterrar o próprio filho. Se Deus sabe o quanto dói, por que permite que aconteça?
Como celebrar o natal com a mesma alegria de antes se a pessoa a quem tanto amamos nos deixou?
Por isso, muitos preferem não celebrar o natal. Preferem dormir mais cedo. Recusam convites, enclausurando-se em seu mundo melancólico.
Não me atrevo a oferecer uma resposta simples diante de tanta dor. Entretanto, gostaria de sugerir uma reflexão que, queira Deus, traga algum consolo.
De acordo com o relato de Lucas, enquanto Jesus percorria a via-crucis, algo inusitado aconteceu:
“E seguia-o grande multidão de povo e de mulheres, as quais batiam nos peitos, e o lamentavam. Jesus, porém, voltando-se para elas, disse: Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai antes por vós mesmas, e por vossos filhos. Porque eis que hão de vir dias em que dirão: Bem-aventuradas as estéreis, e os ventres que não geraram, e os peitos que não amamentaram!” Lucas 23:27-29
Pouco antes deste fatídico episódio, Jesus já havia alertado aos Seus contemporâneos que aquela geração estava destinada a ser receptáculo do juízo divino. Agora, mesmo trazendo nas costas uma pesada cruz, Ele interrompe a caminhada para dizer àquelas mulheres que choravam por Ele: Não é por mim que vocês deveriam estar chorando, mas por vocês mesmos e por seus filhos.
Há choros que nos poupam de outros choros. Aquelas crianças, cujas vidas foram tão precocemente ceifadas por ocasião do nascimento de Jesus, foram poupadas da triste sina que aguardava Jerusalém ainda naquela geração. Uma tragédia as poupou de outra muito maior.
Maria, por exemplo, foi poupada de ter seu filho morto em seus braços pela espada de Herodes, mas assistiu à Sua execução na cruz. Já lhe havia sido profetizado que uma espada lhe penetraria o coração, e isso se deu ao ver seu filho ser fincado no madeiro.
De uma coisa podemos estar certos, aqueles que nos foram tirados estão em situação infinitamente melhor do que nós. E só Deus sabe de que teriam sido poupados, e de que nós mesmos teríamos sido poupados com a sua partida precoce.
À luz disso, não deixemos de celebrar o natal, mesmo que isso nos traga à lembrança da dor da perda. Foi por Jesus ter sido poupado da espada de Herodes que Ele pôde cumprir toda a justiça de Deus e por fim, dar Sua vida pela redenção da criação.
Graças a isso, um dia reencontraremos todos os que nos deixaram e juntos celebraremos uma festa que ofuscará qualquer celebração natalina.
Feliz Natal à todos, mesmo os que não veem motivo para celebrar.

fonte: https://www.facebook.com/hermes.c.fernandes/posts/10210473584451802
Angela Natel On terça-feira, 20 de dezembro de 2016 At 04:52
Hermes C. Fernandes: Porque fiz as pazes com o Papai Noel: Por Hermes C. Fernandes Acabo de chegar de uma cantata numa igreja hispana em Deltona, Florida. Devo admitir que aprecio muito a at...
Angela Natel On domingo, 11 de dezembro de 2016 At 02:23
Hermes C. Fernandes: Fui convencido a rever meus conceitos...: Por Hermes C. Fernandes Irmãos, peço humildemente que orem por mim. Preciso confessar algo. De uns anos para cá, comecei a ler...
Angela Natel On sexta-feira, 9 de dezembro de 2016 At 03:22
Domingo passado – ‘dia do descanso’ – descansei a tarde toda na casa de vizinhos saboreando um delicioso churrasco, entretanto, não tão delicioso quanto a oportunidade de estar na companhia de todos eles. É uma “bênção” poder ver a vida. Ouvir as opiniões. Sentir a alma do ser-humano. Observar o quão animais somos e o quanto de divino todos temos.
Uma coisa chamou muito a minha atenção. Numa animada conversa com um dos amigos ele me dizia que eu não parecia crente, uma vez que o meu “jeito” de ser e de viver não compactuava com o que ele entendia sobre os evangélicos. O mais curioso é que esta conclusão dele foi embasada num texto deste blog, o qual fala sobre as “PERDAS E DANOS” que a existência promove. Minha esposa deu uma resposta óbvia, mas que me fugia dos lábios; disse ela: “Somos cristãos, mas não somos religiosos”. Brilhante, pensei.
Deus não pertence às religiões. Deus não pertence a nada nem a ninguém. No máximo as coisas e as pessoas é que a Deus pertencem. Não há qualquer religião ou teologia que tenha compreendido o incompreensível, ou seja, aquilo que chamamos de Deus. A revelação não está completa. As religiões são construções humanas e, por isso, limitadíssimas. Deus não cabe nelas, apesar delas se auto-intitularem representantes Dele.
Posto que as religiões sejam instituições construídas por homens, são cheias de erros e injustiças. Religiões promovem intolerâncias, guerras, preconceitos e todas estas coisas que não são pertencentes a Deus, mas pertencentes aos homens.
Quando alguém diz que religião não é uma coisa boa, basicamente está assumindo que a humanidade não é uma coisa boa, já que as mazelas da humanidade estão presentes em todas as instituições humanas, inclusive nas religiões, posto serem estas construções humanas.
Entretanto, uma vez que as religiões arvoram-se por representantes de Deus na terra (apesar de não terem recebido nenhuma procuração formal que as assegure este direito) alguns inclusive, desejosos de protestar contra as mazelas promovidas pelo homem por meio da religião, acabam posicionando-se como ateus, ou seja, confundem Deus com religião (coisas distintas).
Para protestar contra as religiões, não preciso ser ateu. Jesus – que não fundou o cristianismo – discursou duramente contra a religião e foi morto não pelos romanos, mas pelos religiosos, “homens do templo”. Muitos, por não tolerarem as guerras que o cristianismo promoveu, posicionam-se como ateus, pensando que Deus é religião… Uma confusão!
Na época de Jesus as pessoas mais religiosas recebiam o título de fariseus. Era um rótulo que dava orgulho a muitos judeus. Seriam os muçulmanos xiitas de hoje. Seriam os católicos carolas. Seriam também os “crentes radicais”, partidários da teologia do “nada pode”, com um discurso tão paradoxal que dá até a impressão que foi o diabo quem criou o mundo, e não Deus.
A estes fariseus, super-religiosos, que davam o dízimo de tudo, que faziam várias orações diariamente, que dirigiam o louvor na igreja, que perdiam qualquer reunião social para participarem de uma reunião na igreja e que, sobretudo, julgavam e mediam todas as pessoas, a estes Jesus chamou de HIPÓCRITAS.
Sim, religião e hipocrisia caminham juntas já há muitas eras.
A palavra hipócrita vem do grego e pertence ao vocabulário das artes cênicas. Significa artista, ator, mascarado, duas caras, fingimento, aquele que está atuando, aquele que parece, mas, no fundo no fundo, não é. Assim é o super-religioso. Ele apenas parece. E por parecer e não ser, não faz o que deveria fazer, mas deixa de fazer o que esperado seria. Preocupado com a aparência, não com o conteúdo. Um discurso dissonante da práxis. Uma pantomima sacra. Um sepulcro bem caiado.
Jesus disse: “Fujam dos religiosos fariseus, pois são mascarados, hipócritas!”
Hoje ele continuaria com o mesmo discurso: Fujam dos que dizem serem meus representantes, mas que as suas práticas não condizem com o meu discurso. Fujam dos religiosos hipócritas. Fujam dos super-homens. Fujam dos super-crentes. Acautelem-se dos hipócritas. Cuidado com os que impõem sobre outros, cargas que eles mesmos não conseguem carregar. Igualmente fujam dos que criticam os religiosos, contudo, sem possuírem uma ética consistente. Hipócritas!
A Bíblia e Jesus nos ensinam que o homem é pecador. Portanto, eu sou uma pessoa cheia de erros. Você não está fora desta. O Papa não está fora desta. Chico Xavier não está fora desta. Ora, se eu não sou perfeito, quem sou eu para julgar?
Qualquer que julga está sendo hipócrita, posto ninguém ser perfeito.
Disse Jesus: “Não julguem para não serem julgados, pois com a mesma medida com que você julgar, você será julgado”.
Tenho visto tantos religiosos julgando pessoas…
Tenho visto tantos não-religiosos julgando pessoas…
Tenho visto tantos supostos ateus julgando religiosos…
Todos iguais, todos humanos, todos carentes de aprenderem com Cristo a terem um coração humilde, perdoador, não arrogante, não vaidoso, não orgulhoso, não religioso.
Minha luta é não ser um religioso, apesar de ser um pastor. Paradoxal?
Meu esforço é ser um seguidor de Jesus de Nazaré, assumindo publicamente minhas mazelas, sem ser um religioso hipócrita, que finge ser perfeito e a todos julga.
Meu objetivo é conseguir comprometer-me com o discipulado de Cristo, mas não com o discipulado da instituição igreja.
Não sei se conseguirei este meu intento. Quer tentar junto comigo?
Meu amigo apresentado a você no início deste texto também me disse em meio a gargalhadas que se eu continuar neste propósito serei excomungado da igreja. Eu ri demais! Como me divirto! Não sei se comigo ou se com ele. De fato, religiões não costumam ver com bons olhos pessoas não-religiosas.
Meu desejo é que eu e você sejamos pessoas comprometidas com os doces e sábios ensinamentos de Cristo, que promovem a paz de espírito nesta vida e a eterna para depois desta. Com relação à religião… Que não confiemos em nenhuma delas, pois “maldito o homem que confia no homem”.
E como diz um desbotado clichê apregoado por muitos pregadores: “A igreja não salva, quem salva é Cristo”.
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Hora da despressurização mental!

Poucos não se importam de perder uma discussão. O adágio popular nos ensina que em matérias mais passionais, como religião, política ou futebol, não deve haver discussão. Com estes dois filmes publicitários, não quero promover a venda de cerveja para você, claro, mas mostrar que até na publicidade todos preferem ter a “última palavra”.
O primeiro filme, da Heineken, foi aclamado e premiado por sua originalidade e produção impecável. Com muito bom humor o filme satiriza comportamentos do universo feminino e masculino.
O segundo filme, da Bavaria alemã, foi uma resposta. A agência de publicidade mostra como seria o “capítulo seguinte” da estória anterior, na visão da Bavaria, claro. Também bem-humorado e muito irônico, deixou o concorrente rindo para não chorar.


  
Angela Natel On sábado, 26 de novembro de 2016 At 00:15
PUBLICADO EM SOCIEDADE POR WILLIAM FELIPE ZACARIAS



Na era pós-cristã, resta ao cristianismo limitar sua existência para fora das paredes do “túmulo de Deus”, metáfora de Nietzsche à igreja institucional. O esvaziamento da instituição pressupõe uma retomada do cristianismo original de Jesus que não fundou uma religião, mas, ao contrário, foi contra ela em suas discussões com fariseus e escribas. Por conseguinte, o que seria a vivência de um cristianismo não religioso? O cristianismo é a comunhão dos ateus.

Quando alguém me diz ser ateu, ironicamente tenho respondido, “pois é, também sou!”. O indivíduo se espanta, pois a resposta parte da boca de um teólogo. De fato, não creio na metafísica, nem no “deus comércio” da prosperidade material. Conforme o sociólogo francês também ateu Michel Maffesoli, “o mais prostituído dos seres é o ser por excelência: é Deus. Com efeito, em numerosas tradições religiosas, é Ele que se dá todo a todos.”(1)
Em grande medida, a teologia grega foi transportada para dentro da teologia judaico-cristã. A música gospel que atualmente faz tanto sucesso no mercado se identifica muito mais com o castigador imponente e vingador Zeus do que com o Deus pessoal judeu. Enquanto Zeus é a-histórico, Ihwh age concretamente na história e inclusive se encarna nela, um escândalo para os gregos, visto que a carne lhes era desprezível por aprisionar a alma. Para os gregos, Deus se fazer carne vai muito além do que se esperaria de uma divindade. O verbo (do gr. Lógos) nunca poderia se reduzir a algo tão nauseabundo. Como bem afirma o brasileiro Clóvis de Barros Filho, “o texto de João propõe que esse lógos – ainda traduzido por verbo – se fez carne e habitou entre nós. Aqui, as concepções de Deus se afastam brutalmente. É inaceitável para a concepção grega dominante da época que o divino da ordem universal tenha se convertido em carne. Na carne de um corpo específico. E essa carne, de que fala o texto, é Jesus, um homem, tido como Filho de Deus.”(2) De repente, Deus e torna em “um indivíduo. Um divino encarnado. Um Deus pessoal. Que podíamos encontrar na rua. Que podíamos bater um papo. Aparentemente, sem frescura. Afinal, dava prosa a qualquer um. E grande atenção aos carentes. Não só de riqueza, mas também de notoriedade, de capital simbólico de afeto etc. Nada a ver com os reis da época.”(3) De repente, Deus não precisa ser procurado no céu, pois está presente na terra. Ao invés do ser humano buscar a Deus, agora Deus busca o ser humano. Os gregos quase infartaram ao ler o v. 14 do primeiro capítulo do evangelho de João. Não é o ser humano que se “religa” a Deus, mas Deus que se ligou ao ser humano. Além disso, acontece uma aberração: o lógos morreu na cruz.
Jesus não fundou uma igreja ou uma religião. Ao contrário, promoveu a caridade e o amor como uma antirreligião. Ele não queria uma fé abstrata, mas concreta com ações práticas no mundo real. Assim como prometera que na casa de seu Pai há muitas moradas, da mesma forma agia cristãmente no mundo secular. Sua mensagem era para os seculares. O próprio Nietzsche o definiu como um “bom mensageiro” que “morreu tal como viveu, como ensinou – não para “redimir os homens”, mas para mostrar como se deve viver.”(4) Conforme Nietzsche, “A prática foi o que ele deixou para a humanidade. Sua atitude diante dos juízes, diante dos esbirros, diante dos acusadores e de todo tipo de calúnia e escárnio – sua atitude na cruz. Ele não resiste, não defende seu direito.”(5) Jesus não trouxe uma nova religião, mas o amor que concede dignidade aos fracos e malogrados do mundo.(6) Por isso que Nietzsche o odeia tanto e chama Jesus de “decadência” do Ocidente, pois sua mensagem fundou e é inexorável ao próprio Ocidente.
Por conseguinte, o processo de secularização da tradição cristã é que permite o próprio cristianismo a continuar existindo em sua forma secular. A secularização é uma invenção necessária do próprio cristianismo que acabou eliminando os fundamentos metafísicos desta própria tradição.
O ateu e filósofo italiano contemporâneo Gianni Vattimo é um dos principais expositores de um cristianismo não religioso adequado à pós-modernidade. Vattimo aplica a kénosis (esvaziamento, cf. Fp 2.7) como vocação fundamental da secularização do cristianismo. O que já era para ser, desde o início, um movimento antirreligioso acabou se tornando mais uma religião dentre tantas outras. Com religião se pressupõe aqui o termo latino religare que literalmente significa religar. Este era o modo pela qual o ser humano buscava, com suas forças, alcançar a transcendência e a salvação. Em Jesus Cristo, ao contrário, é Deus que vem ao ser humano na encarnação do Lógos. O Deus cristão rompeu com a religiosidade sinérgica humana, pois o próprio Deus se doou e se entregou ao ser humano, vindo de encontro a ele aqui mesmo, na terra. Assim, como vocação do cristianismo, a kénosis seria a maneira pela qual o cristianismo consegue continuamente se esvaziar da sua religiosidade e de suas estruturas religiosas, tornando-se um movimento prático que vive e atua no mundo secular, servindo a Deus por meio do próximo. Thimothy Keller afirma sobre a igreja primitiva que “os cristãos mudaram a história e a cultura ao conquistarem as elites e também ao se identificarem profundamente com os pobres.”(7) Tal como Cristo se doou, os cristãos doavam-se a servir com honestidade e alegria, cumprindo sua vocação secular no mundo. Com a institucionalização pós-Constantino, perdeu-se a dimensão secular do cristianismo e do evento de Cristo como kénosis. Na verdade, conforme Westphal, Constantino se tornou em um arquétipo de Cristo, assumindo seu lugar. Cristo passa a ser o Deus que quer conquistar os povos vizinhos para si por meio do poderio militar, a exemplo das cruzadas. O cristianismo torna-se institucionalizado, rígido, litúrgico, preso às paredes do que mais tarde Nietzsche chamaria, como já dito, de “tumulo de Deus.” O evento de Cristo foi transfigurado em religião.
Para o sociólogo Max Weber, foi Lutero quem resgatou a vocação secular do cristianismo através da Befuf (profissão) e da Berufung (vocação): “a profissão concreta do indivíduo vai sendo, com isso, interpretada cada vez mais como um dom especial de Deus, e, a posição que ele oferece na Sociedade, como preenchimento da vontade divina.”(8)
Para Vattimo, “a kénosis de Deus, que é o cerne da história da salvação, ela não deverá mais ser pensada como fenômeno de abandono da religião, e sim como atuação, ainda que paradoxal, da sua íntima vocação.”(9) Logo, para Vattimo, a kénosis neotestamentária é o pressuposto da atuação cristã no mundo secular. A lógica é a seguinte: Cristo encarnou e atuou no mundo em caridade. A igreja é o corpo de Cristo, portanto, deve se encarnar no mundo com ações cristãs, servindo a Deus por meio do próximo. Por conseguinte, vive-se o cristianismo não religioso no bom cumprimento da profissão secular, seja pedreiro, carpinteiro, médico, agricultor, alfaiate, programador, fotógrafo, gari, bombeiro, etc.
É preciso mencionar que, conforme Euler Renato Westphal, a “característica de toda a tradição protestante é a secularização, que enfatiza a racionalidade científica e técnica, a liberdade de pensamento e a autonomia para com as instituições.”(10) Não é à toa que grandes pensadores e cientistas da Modernidade eram ou tinham suas raízes no cristianismo, como, por exemplo, “Immanuel Kant, Schelling, Thomas Malthus, Friedrich Nietzsche e tantos outros.”(11) Foi o teólogo e pastor alemão pietista Friedrich Ernst Schleiermacher quem fundou a universidade moderna a partir da Universidade de Berlim.(12) Também as universidades modernas americanas surgiram a partir da Reforma, como Harvard, Princeton e Yale.(13)
A Pós-Modernidade rompeu não só com a Modernidade, mas também com a Pré-Modernidade que constituiu a Modernidade. O marco divisor entre Modernidade e Pós-Modernidade é anúncio nietzschiano da morte de Deus. Foi Nietzsche quem abriu o “mar vermelho” que separa a Modernidade da Pós-Modernidade. Para Nietzsche, a única maneira de superar a decadência ocidental é o estabelecimento de uma nova cultura a partir da era trágica dos gregos, especialmente na adoração do deus caótico e hedonista Dionísio. O Übermensch só pode sobreviver nesta nova cultura substituta da humanista e decadente. Para Nietzsche, o Deus que se fez fraco é uma vergonha, um “golpe de gênio do cristianismo” onde Deus se tornou “o único que pode redimir o homem daquilo que para o próprio homem se tornou irredimível – o credor se sacrificando por seu devedor, por amor (é de se dar crédito?), por amor a seu devedor!...”(14) Por conseguinte, o projeto trans-humanista do Übermensch pode ser executado somente na superação do mito decadente cristão-ocidental.
Entretanto, como afirma Marcus Throup, “No fim das contas, o velhinho da floresta riu por último porque Zaratustra havia se equivocado: Deus não morreu.”(15) Realizar bem a profissão é uma atitude concreta do genuíno cristianismo não religioso, servindo a Deus por meio do próximo. Mas também, como teólogo cristão, não excluo o cristianismo religioso com seus dogmas, ritos, hinologia, experiências, etc., desde que sejam legítimos e não abusem da fragilidade humana, especialmente financeira. Sou ateu deste deus da prosperidade financeira tão pregado por aí, que em sua orgia realiza transações com tudo e todos. Ao contrário, creio no lógos que se fez carne, esvaziou-se, serviu e lavou os pés de humanos simples sem cobrar nada, além de morrer em uma cruz de forma tão cruel. Elimino de minha crença a metafísica de Zeus. O Deus que se fez fraco (existindo ou não) é uma força simbólica incrível em momentos de fraqueza, pois ele me entende e até morrer ele sabe como é. O Deus que se fez fraco está no fundamento do Ocidente e confere dignidade aos pobres, fraco e malogrados da sociedade. O “Jesus constantiniano” não tem nada a ver com isso. Querido leitor, acabei de lhe dar uma chave interpretativa. Agora é com você. O objeto de sua fé deveria ser repensado.
Referências:
(1) MAFFESOLI, Michel. A Sombra de Dioniso. 2. ed. São Paulo: Zouk, 2005. p. 19.
(2) BARROS FILHO, Clóvis. A vida que vale a pena ser vivida. 12. ed. Petrópolis: Vozes, 2014. p. 100.
(3) BARROS FILHO, 2014. p. 101.
(4) NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. O Anticristo – 1888. In: NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Obras escolhidas. Porto Alegre: L&PM, 2013. p. 399.
(5) NIETZSCHE, 2013. p. 399.
(6) Cf. BARROS FILHO, Clóvis. Somos Todos Canalhas. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2015. p. 114.
(7) KELLER, Thimothy. Igreja Centrada. São Paulo: Vida Nova, 2014. p. 179.
(8) WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. São Paulo: Livraria Pioneira, 1967. p. 57.
(9) VATTIMO, Gianni. Depois da Cristandade. Rio de Janeiro: Record, 2004. p. 12. p. 35.
(10) WESTPHAL, Euler Renato. “A pós-modernidade e as verdades universais: a desconstrução dos vínculos e a descoberta da alteridade.” in: CARVALHO LAMAS, Nadja de; RAUEN, Taiza Mara (orgs.). (Pro)Posições Culturais. Joinville: Univille, 2010. p. 15.
(11) WESTPHAL, Euler Renato. Brincando no Paraíso Perdido. São Bento do Sul: União Cristã, 2006. p. 46.
(12) Cf. ZILSE, Raphaelson Steven. Base Filosófica para uma Estrutura Dogmática?. In: SCHWAMBACH, Claus (coord.). Vox Scripturae. São Bento do Sul, v. XXI, n. II, 2013. p. 144.
(13) Cf. WESTPHAL, 2006. p. 43-44.
(14) NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Genealogia da Moral. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.. p. 74-75.
(15) THROUP, Marcus. Igreja na berlinda. Curitiba: Encontro, 2011. p. 45.

 Acessado em 26/11/2016 às 06:11h.



Angela Natel On sexta-feira, 25 de novembro de 2016 At 08:44


Meu nome é Angela Natel, nasci em 1979 e há mais de 20 anos estou envolvida direta e indiretamente no trabalho missionário. Em 1998 tive a oportunidade de fazer o Curso de Linguística e Missiologia (CLM) da Missão ALEM – Associação Linguística Evangélica Missionária, cujos projetos concentram-se nas áreas de Tradução da Bíblia e Educação Bilíngue e Intercultural. Após concluir duas faculdades (Letras e Teologia) e morar quatro anos em Moçambique, pude fazer também um mestrado em Teologia e me envolver no ensino e produção de materiais. 
Desde 2015 voltei a servir como membro colaborador da ALEM, junto ao Departamento de Cursos da Missão. Nesse Departamento, trabalho na criação de novos cursos, restruturação e apoio aos cursos já existentes, apoio direto aos missionários que se encontram no campo, ministração de aulas em outras Instituições e Organizações Missionárias e elaboração de materiais que atendam às necessidades na formação de tradutores da Bíblia e educadores interculturais, bem como em programas de usos das Escrituras.
Sabendo que as agências missionárias atuam sem fins lucrativos e são mantidas por doações voluntárias, é importante lembrar que quem mora em uma base tem as mesmas (ou, às vezes, até maiores) necessidades de um missionário no campo, no que diz respeito a gastos com moradia, energia, água, alimentação, higiene e saúde física e emocional. Assim, a agência, em si é apenas uma estrutura mantida pelas Igrejas, e cabe a cada missionário que vive na base ter seu próprio sustento para todas as despesas. Muitos precisam continuar em seus estudos para poder servir melhor aos que estão vindo para serem treinados e enviados a campos transculturais. Assim, prossigo em meus estudos para o doutorado em Teologia. Além de uma formação de qualidade, o missionário de base, em geral, deixa de lado cargos acadêmicos para poder servir integralmente na base, o que acarreta em perdas financeiras.
Reconhecendo que nada pode ser feito sem apoio, tanto financeiro como em oração, gostaria de te convidar a se envolver neste projeto de serviço para o treinamento de tradutores e educadores interculturais. Embora o trabalho desenvolvido seja na base da ALEM, na cidade de Brasília, é um ministério missionário de alcance transcultural e mundial, pois, nossos alunos, posteriormente ao curso, são enviados por suas comunidades eclesiásticas a diferentes povos em diversos países do mundo. Hoje, por meio dos nossos alunos, atuamos em todos os continentes.
Os desafios financeiros existem, tanto para minha manutenção pessoal básica quanto na continuidade do tratamento médico de que necessito. A necessidade, para minha subsistência, é de R$ 2.000,00 mensais (aluguel, alimentação, higiene pessoal e medicamentos). A ideia é que amigos e colaboradores que desejem fazer parte desse ministério assumam o compromisso no valor de sua escolha para depositar com alegria mensalmente na conta:
http://apoieumacausa.com/pt-BR/causes/treinando-tradutores-e-educadores-interculturais

Dessa forma podemos alcançar um sustento mensal mínimo a fim de que o trabalho possa ser realizado no campo que o Senhor Jesus tem escolhido para que eu O sirva neste momento: a base de treinamento de missionários da ALEM. É com muita alegria que me dirijo a você para expressar gratidão pelo seu interesse para com minha vida e trabalho, ao ler este projeto. Assim Deus vai escrevendo Sua História através de nossas vidas como equipe. A Ele toda a glória, no nosso meio e entre todos os povos.
Não deixe de se envolver nessa Missão: http://apoieumacausa.com/pt-BR/causes/treinando-tradutores-e-educadores-interculturais

Pela graça e para a glória de Jesus Cristo
Angela Natel



Grupo de amigos e parceiros em Missão: 

Liberdade de Expressão


É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se:
“é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença"(inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da"argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.